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sexta-feira, 18 de setembro de 2026

A austeridade que não desapareceu: Saúde, Educação e Administração Pública

Em 2015, António Costa anunciou o fim da austeridade. Dez anos depois, talvez seja mais rigoroso dizer que desapareceu uma determinada forma de austeridade porque outra, menos visível, ficou escondida nos serviços que envelheceram, nas reformas adiadas e nas necessidades empurradas para amanhã.

Num artigo anterior procurei analisar as consequências políticas da ruptura de 2015. Importa agora olhar menos para a engenharia parlamentar e mais para aquilo que interessa ao cidadão: o Estado que ficou depois de oito anos de governos liderados por António Costa.

Nem todos os problemas actuais nasceram entre 2015 e 2023. Alguns vinham de trás, outros foram agravados pela pandemia e vários pertencem já à responsabilidade dos governos posteriores. Mas oito anos são tempo suficiente para avaliar prioridades, capacidade reformadora e antecipação de problemas.

A austeridade pode existir sem se chamar austeridade

António Costa conseguiu convencer grande parte do país de que era possível “virar a página da austeridade” mantendo simultaneamente disciplina orçamental. E os resultados contabilísticos foram politicamente relevantes: Portugal passou de um défice de 4,5% do PIB em 2015 para um excedente de 0,1% em 2019.

Mas equilíbrio das contas e qualidade do Estado são coisas diferentes.

No mesmo período, o consumo público desceu de 17,9% para 16,9% do PIB. O número não prova, por si só, degradação dos serviços. Mostra, porém, que o discurso do fim da austeridade coexistiu com uma contenção significativa da despesa pública relativamente à dimensão da economia.

A austeridade menos visível não precisa de assumir a forma de cortes salariais ou despedimentos. Pode surgir como investimento adiado, equipamentos envelhecidos, carreiras pouco atractivas, renovação tardia de quadros e reformas estruturais sucessivamente adiadas.

Saúde: quando ter SNS não significa conseguir chegar ao SNS

Na Saúde, os números obrigam a alguma prudência. Houve expansão de recursos e há indicadores que melhoraram. Mas continuam a existir dificuldades de acesso suficientemente importantes para não poderem ser tratadas como mera percepção.

No final de 2025, 14,6% dos utentes inscritos nos cuidados de saúde primários continuavam sem médico de família sem que isso resultasse da sua própria opção. Entre diferentes Unidades Locais de Saúde, a cobertura variava entre 53,2% e 100%.

O ponto relevante não é afirmar que António Costa inventou a falta de médicos. É perguntar por que razão, depois de oito anos de governação, o país continuava sem uma solução estrutural para um problema tão previsível como a insuficiência e a distribuição dos recursos humanos no SNS.

Foi aqui que a promessa do fim da austeridade encontrou a realidade: gastar mais não é necessariamente reformar melhor.

Educação: o problema que envelheceu à nossa frente

Na Educação, o envelhecimento dos professores era conhecido, mensurável e previsível.

O Conselho Nacional de Educação estima que, dos cerca de 122 mil docentes activos em 2024/2025, apenas aproximadamente 76 mil permaneçam em funções em 2034/2035. Isso corresponde a uma quebra potencial de 37% da oferta docente e a uma necessidade média de recrutamento de cerca de 3.800 professores por ano.

Ao mesmo tempo, o número global de docentes aumentou 5,6% entre 2014/2015 e 2023/2024. Logo, também aqui seria errado contar a história como se tudo se resumisse a cortes.

O problema é outro: Portugal deixou envelhecer a profissão sem garantir atempadamente a sua renovação.

Quando um Estado conhece a idade dos seus professores, sabe aproximadamente quando se reformarão e conhece o número de jovens que entram na profissão, a futura falta de docentes dificilmente pode ser apresentada como surpresa.

Administração Pública: mais trabalhadores, mas um Estado mais velho

Também na Administração Pública convém evitar frases feitas. Os números oficiais mostram que o emprego público cresceu em termos líquidos desde 2015. Portanto, o problema não pode ser reduzido a uma suposta redução generalizada de funcionários.

O que os dados mostram é algo diferente: o Estado envelheceu.

Em 2024, a idade média dos trabalhadores das administrações públicas era de 48,4 anos, quase cinco anos acima da registada em 2011. Excluindo forças armadas e de segurança, subia para 49,3 anos. Em Junho de 2024, 66,5% dos postos eram ocupados por trabalhadores com 45 ou mais anos.

Isto ajuda a explicar um paradoxo: podemos ter mais trabalhadores no Estado e, simultaneamente, serviços com dificuldades de resposta, carreiras próximas de vagas de aposentações e organismos com dificuldades de renovação de competências.

O debate, portanto, não é simplesmente entre Estado grande ou pequeno. É entre Estado capaz e Estado incapaz.

As "contas certas" não chegam

Reconhecer que os governos de António Costa melhoraram o equilíbrio orçamental não obriga a concluir que todas as estruturas do Estado foram bem administradas. Da mesma forma, reconhecer problemas graves nos serviços públicos não permite atribuir-lhe automaticamente cada urgência fechada, cada aluno sem professor ou cada atraso administrativo.

Há, porém, uma responsabilidade política que merece ser discutida: governar durante oito anos perante tendências que eram perfeitamente previsíveis.

O envelhecimento dos professores era conhecido. O envelhecimento dos funcionários públicos era mensurável. As dificuldades de recrutamento no SNS estavam identificadas. A pressão sobre diferentes serviços podia ser antecipada.

Governar não consiste apenas em resolver a crise que apareceu hoje. Consiste também em impedir que a crise anunciada há dez anos chegue amanhã.

Onde ficaram as reformas?

António Costa foi um gestor politicamente eficaz: sustentou a geringonça, reforçou o PS, alcançou uma maioria absoluta e fez do equilíbrio das contas uma credencial de respeitabilidade europeia.

Mas uma década depois, a pergunta relevante é outra: que reformas estruturais ficaram?

Na Saúde continuam por resolver importantes desigualdades no acesso. Na Educação aproxima-se uma exigente renovação do corpo docente. Na Administração Pública, o número de trabalhadores recuperou, mas o envelhecimento continua a pressionar numerosas carreiras e serviços.

Não é necessário negar o que correu bem para reconhecer o que ficou por fazer. Essa distinção é precisamente o que separa análise de propaganda.

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Dez anos depois, o problema já não é saber se António Costa conseguiu acabar politicamente e nos mídia com a palavra “austeridade”. Sim. Conseguiu!

A questão agora é saber se, enquanto festejávamos o "desaparecimento" daquela palavra, não fomos acumulando outra austeridade, silenciosa e diferida: 

a austeridade que do Estado que adiou durante demasiado tempo a renovação de si próprio. 

E essa factura acabou por chegar.


Os principais dados usados vêm da ERS, Conselho Nacional de Educação, DGAEP e Pordata. A ERS confirma os 14,6% sem médico de família por motivo não voluntário em 2025; o CNE projecta a redução de 37% da oferta docente até 2034/35; e a DGAEP confirma a forte concentração etária no emprego público. 

quinta-feira, 17 de outubro de 2019

a nova História no 12º ano é militante

O antigo presidente do Parlamento nota que o objectivo da nova disciplina opcional do secundário é mais "militante" do que científico e não aceita símbolos nacionais, heróis ou causas.



Jaime Gama entende que a nova disciplina opcional de “História, Culturas e Democracia”, que se destina a alunos de três cursos do 12º ano do ensino secundário, “serve-se da História” para cumprir “um objectivo, de certa forma, militante, não científico”. Ou seja, “gerar estratégias para estimular activismo, cidadania, intervenção”, considerou o socialista e antigo presidente da Assembleia da República no programa Conversas à Quinta, do Observador.
Presente nesta cadeira do secundário — que se destina aos alunos dos cursos científico-humanísticos de Ciências e Tecnologias, de Ciências Sócio-Económicas e de Artes Visuais — está também, segundo Jaime Gama, a ideia de que a História precisa de ser “desconstruída, relida, reinterpretada”. O programa da disciplina é virado para “a segmentação, a fractura, identidades minoritárias”, tendo “um abandono de tudo o que tem que ver com conjuntos, com integração, com coesão”, considerou o antigo ministro dos Negócios Estrangeiros. É uma História “sem centralidade nacional”: “Não aparece Portugal, não aparece o Estado, não aparece a Nação, não aparece o Povo, tudo é segmentado”, aponta. Por exemplo, em relação à batalha de Aljubarrota, criam-se “imensas referências para que não haja visitas imponderadas ao Centro Interpretativo da Batalha de Aljubarrota” e “à visão do filme que lá é apresentado”, diz ainda.
O objectivo não é explicar a batalha: “O que se pretende é dizer que a batalha tem várias interpretações — ‘vejam as várias crónicas’”. Logo, “a crónica que valoriza a posição portuguesa é posta ao mesmo nível da crónica que valoriza a posição espanhola”. Há, na opinião de Jaime Gama, “uma descontextualização de uma interpretação mais vasta, geopolítica, histórica da época, porque isso não interessa — o que interessa é descontrair o mito da Batalha de Aljubarrota, relativizá-lo”.
O antigo ministro dos Negócios Estrangeiros lamenta que o programa da cadeira seja de “uma História que não aceita nenhum símbolo nacional, não aceita nenhum herói, não aceita nenhuma causa, não aceita nenhum objectivo estratégico do país, não aceita o país, sendo prefigurado por uma política de Estado — até na parte internacional”.
“O que está aqui em causa é cumprir um objectivo ideológico muito em voga, hoje, em certas culturas, sobretudo anglo-saxónicas, que é o de enfrentar-se com o passado”, considera Jaime Gama.
“É, no fundo, receitada uma penitência a certos povos e países que, porventura, podem ter algum orgulho na sua História e no que fizeram de positivo: ‘tens de te enfrentar com o passado, tens de ver a tua experiência dolorosa, confessar o teu pecado na experiência dolorosa, e só assim merecerás uma absolvição de politicamente correto, só assim poderás ser redimido na tua alma do que ainda há de empatia para com essa parte da História, autoflagelando-te, para poder ser um cidadão liberto'” face a “um passado de trevas”, ironiza.
“Outra noção muito perversa” do programa da cadeira, defende Jaime Gama, tem que ver com “a responsabilidade transgeracional”: não só há o confronto com o passado, como “‘tens de assumir a culpa e uma responsabilidade, quiçá indemnizatória, em relação a esse mesmo passado’”, diz o antigo presidente do Parlamento. Pedagogia que visa “vencer as diferenças e os ‘handicaps’ das minorias”. Objectivo? “Haver um momento em que as histórias das culturas minoritárias têm de se sobrepor às culturas maioritárias, para se estabelecer uma noção de equidade”.
Jaime Gama nota ainda que a bibliografia da cadeira “é muito irregular quanto à sua consistência científica e credibilidade de algumas instituições a que recorre”.

domingo, 4 de agosto de 2019

Há aqui uma lição a tirar....

Não há como fugir a isto. Sempre que o país melhora, os sectores privados da Educação e da Saúde voltam a ganhar peso no sistema.No sistema de saúde há mais dezanove hospitais privados a juntarem-se aos 114 já existentes. 
No sistema da educação os colégios passaram a ter mais procura. A percentagem de alunos em colégios aumentou em todos os ciclos do ensino básico e secundário. [...]

Sempre que as famílias melhoram o seu nível de vida, mais procuram os sectores privados da saúde e da educação.Isto é, se portugueses vivem mal e por isso não têm liberdade de escolha, não têm outro remédio que não procurarem o sector público.Assim que adquirem a liberdade de escolha, com maior folga financeira, procuram o sector privado. (in “Passada a crise o sector privado voltou a ganhar peso” por Luis Moreira)

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

menino, menina e assim-assim...

para memória futura!
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...na escola Francisco Torrinha no Porto, a ideologia de género vai entrando devagarinho nas salas de aula. São alunos do 5 ano, com 10/11 anos a quem perguntam se namoram e se se sentem atraídos por homens, mulheres ou outros.
Isto já faz parte do programa escolar. A disciplina de cidadania AINDA não é obrigatória. Mas parece ser esse o objectivo do governo.

sábado, 10 de setembro de 2011

a Matemática das Coisas...


"A partir de hoje temos um novo modelo de avaliação em Portugal", afirmou Nuno Crato, ministro da Educação, que elogiou a aproximação entre as partes, defendendo que a partir de agora os professores "podem concentrar-se" no essencial do seu trabalho, nas escolas.
O acordo mantém as quotas contestadas antes das reuniões por todas as estruturas e foi assinado pela Federação Nacional da Educação, Pró-ordem, SIPPED, SPLIU, SIPE, SNPL e FEPECI.
A Federação Nacional dos Professores não assinou o acordo mas deu por "encerradas" as negociações. Mário Nogueira, líder desta estrutura, admitiu ser tempo de "virar a página" e partir para outras lutas destacando alguns progressos alcançados. dn
Convenhamos que mesmo entrando na categoria de antes um mau acordo que uma boa contenda, foi Um bom resultado para Nuno Crato.

terça-feira, 26 de julho de 2011

os professores vão dar aulas… se ainda souberem como é!

O Executivo informou que os professores destacados há mais de quatro anos devem regressar já em Setembro às respectivas escolas. Só nas Direcções Regionais de Educação haverá uma redução de 320 docentes. O documento do ministério de Nuno Crato refere que os docentes não vão ser substituídos.
Mário Nogueira da FENPROF mostrou-se cauteloso em relação a esta intenção por considerar que o objectivo do Governo é reduzir despesa e despedir professores que estão a substituir os docentes destacados. tsf 

Não consigo entender porque é que a medida só se aplica apenas aos “destacados há mais de quatro anos” e não a todos!
Contudo o que interessa é que aqueles docentes vão executar a profissão que escolheram... se ao fim de tão longos “destacamentos” ainda souberem como é!

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Isabel Alçada elogia professores e famílias por resultados da OCDE

A ministra da Educação considera "muitíssimo expressiva" a melhoria dos resultados dos alunos portugueses no estudo da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Económicos, divulgado hoje, terça-feira, atribuindo-a aos professores, às famílias, à políticas educativas e à avaliação. "As famílias têm vindo cada vez mais a acompanhar de perto a vida escolar dos filhos, netos ou vizinhos", assinalou a governante, acrescentando que uma maior relação das famílias com as escolas "potencia resultados". Além disso, "Portugal tem apostado muito na melhoria da sua escola e isso tem expressão nestes resultados", argumentou. no JN em 07 Dez 2010. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE)apresentou hoje publicamente o seu relatório sobre a política educativa para o primeiro ciclo (2005-2008) em Portugal. No relatório, a organização internacional elogiou as reformas introduzidas pelo Governo no Ensino Básico como o encerramento das “pequenas e ineficazes escola do primeiro ciclo” e a “oferta de escola a tempo inteiro”, mas ao mesmo tempo recomenda ao Executivo a necessidade de proceder ao enriquecimento curricular.
O primeiro-ministro, depois de ouvir Deborah Roseveare da OCDE, que apresentou o Relatório, e a ministra da Educação assegurar que o que ainda não foi feito seguramente se deveu a falta de tempo ou de verbas, aproveitou para fazer um ataque cerrado à Oposição. “Que pobreza no debate político, que lamentável atitude de tantos partidos que quando olham para isto (relatório da OCDE) são capazes de dizer: Lá está o Governo a trabalhar para as estatísticas”, afirmou Pinto de Sousa. “Trabalhar para as estatísticas? É assim que se referem a isto? Que lamentável. Que lamentável o debate político que se concentra nisso”, continuou o primeiro-ministro.
“Às vezes é preciso vir alguém de fora para nos dizer de forma tão sonora, tão vibrante e tão entusiasmada"como disse a Deborah: Bravo!". na RTP Noticias 26 Janeiro de 2009

sábado, 5 de junho de 2010

a passagem sobre o nono...

«Um aluno que é retido no 8.º ano por falta de assiduidade ou de aproveitamento tem possibilidade de fazer exames do 9.º e de passar automaticamente para o 10.º ano, enquanto um outro aluno, no mesmo 8.º ano, com aproveitamento e sucesso escolar, é obrigado a frequentar o 9.º ano e não tem esta possibilidade». Para João Manuel Rodrigues esta situação cria «um problema de desigualdade, além de, no caso destes alunos que já completaram 15 anos, tornar completamente inútil o trabalho dos professores». O deputado centrista adiantou que o CDS-PP tem «dúvidas sobre a constitucionalidade desta medida administrativa», uma vez que «viola o princípio da igualdade garantido na Constituição». TSF aborrece-me ver estes deputados a fazer o "trabalho de casa" para de seguida depararem com o "muro de berlim" do bloco central e com os constitucionalistas oriundos dos cursos dominicais da Universidade Independente... Um dia, perco a cabeça. e voto neles!

sexta-feira, 7 de maio de 2010

“Qual é a quarta parte de 8?”

Na prova de "matemática" do 6º ano, perguntava-se: "O Rui partiu um chocolate em oito bocados iguais e comeu 1/4 , quantos bocados comeu ele?" Mais á frente, apresenta-se uma tabela com o número de alunos que pratica natação, andebol, basquetebol e karaté e pergunta-se quantos jogam andebol, devendo os estudantes, para o efeito, contar os sete tracinhos que lá estão – um grupo de cinco e outro de dois. Ás críticas à facilidade das provas de matemática, em particular as do 6º ano, a ministra da Educação lembrou que as provas de aferição são realizadas por «profissionais competentes e conceituados» e assegurou o Gabinete de Avaliação Educacional, responsável por estas provas, «funciona com autonomia e independência». tsf
O pior cego é aquele que não quer ver...

quinta-feira, 11 de março de 2010

CDS-PP propõe cortes no abono de família de alunos violentos

Curiosamente de acordo, com a proposta feita pela Confederação Nacional das Associações de Pais, o CDS vai apresentar um projecto de lei para a revisão do Estatuto do Aluno agravando as sanções disciplinares ao comportamento do aluno violento, com «faltas injustificadas», entre outras. A proposta integra ainda um conjunto de medidas que visam prevenir e sancionar episódios de bullying, prática reiterada de maus tratos ou perseguição a alunos por parte de colegas e passa ainda pela responsabilização das autoridades educativas, do Ministério da Educação aos directores da escola e também das famílias e dos alunos. «Não se trata de responsabilizar as famílias por um comportamento mais agressivo, esporádico dos alunos, mas os responsáveis pela educação destes jovens que têm estas práticas reiteradas de violência e perturbação têm que ser responsabilizados e, se for caso disso, através de uma redução ou corte de prestações sociais como o abono de família», justificou Teresa Caeiro.
Logo: A ministra da Educação disse que apresentará em breve uma iniciativa legislativa específica para combater a ocorrência de fenómenos de “bullying” nas escolas portuguesas, dando aos directores de escola a possibilidade de «suspenderem preventivamente alunos que tenha provocado agressões». «Com essa decisão o aluno agressor poderá ser imediatamente afastado da situação de contacto com o aluno agredido. Queremos resolver rapidamente situações de ameaça, conflito ou agressão, sem prejuízo de medidas disciplinares que se instaurem no momento em que há este tipo de situações nas escolas». tsf
Fico á espera das reacções canhotas e protectoras dos “jovens coitados" vitimas da deficiente educação de direita que regime e papás lhes têm imposto.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Ser professor é…

Mais especificamente, ser professor de matemática do ensino básico (8º e 9º anos) é essencialmente: 1. Deparar com alunos com imensas dificuldades e com uma enorme falta de bases matemáticas. Só para se ter uma noção, poucos são aqueles que sabem calcular a área de um rectângulo, quanto é “quatro ao cubo”, somar duas fracções, dizer inequivocamente quanto é 5 – 12, resolver um problema simples que envolva apenas uma subtracção ou a tabuada (o resultado das pedagogias científicas que dizem que nada pode ser decorado e que tudo tem de ser aprendido de forma lúdica é perguntar quanto é 8×4 e dificilmente obter a resposta certa). No entanto, fruto das medidas educativas que evitam os chumbos a todo o custo e de um facilitismo avaliativo de muitos professores que autenticamente oferecem notas para não se chatear, estes alunos vão passando de ano, mesmo que dotados de uma ignorância profunda (só mais tarde, estes alunos irão perceber que são eles as principais vítimas deste sistema educativo facilitista e perverso). Isto está de tal forma que há exemplos na minha escola de alunos que chegam ao 5º ano sem praticamente saberem ler nem escrever (!!!). 2. Gerir uma multiplicidade de conflitos no seio da turma, com uma quantidade grande de alunos desmotivados, desinteressados e que não percepcionam na escola uma verdadeira utilidade prática. 3. Sempre que necessário, agir disciplinarmente, sabendo (professores e alunos) que a consequência prática e correctiva destas medidas é praticamente nula. ... 4. Preparar provas de recuperação para um aluno que falte permanentemente, sabendo que, mesmo que ele reprove uma ou duas vezes, a possibilidade de, nestas circunstâncias, chumbar por faltas está sujeita a um longo processo burocrático... ... 8. Participar em múltiplas reuniões, muitas vezes inócuas, mas obrigatórias perante a lei, onde se analisam mil e um aspectos de natureza burocrática referidos anteriormente. P.S. Escrevo este texto numa altura em que acabo de corrigir 74 testes, tendo havido 8 positivas. Tenho perfeita noção que, à luz do sistema e independentemente da falta de bases e métodos de estudo dos alunos e da sua falta de atenção, esforço e empenho, a responsabilidade destes resultados é minha e só minha, por não os ter motivado convenientemente. Mas, claro, é fácil obter a redenção. Basta que assuma o meu pecado e premeie o fraco desempenho com óptimas notas, contribuindo para o “sucesso” educativo português . Nesse instante, tudo me será perdoado e passarei de imediato a ser… um “bom professor”. Ser Professor por João Torgal in a mesa do café Os excertos que publiquei apelam á leitura de um notável post que reflecte o estado do nosso ensino. Muitos alunos, exemplares idênticos aos referidos no texto de João Torgal, irão para as Universidades e completarão licenciaturas. Entrarão no mercado de trabalho. O Português nunca foi uma disciplina de eleição mas serão juristas que irão debitar leis. A Matemática nunca lhes fez sentido, mas serão engenheiros que irão lançar pontes ou projectar edifícios. Mas nós, tugas, sempre fomos bafejados pela sorte e “eles” talvez acabem a trabalhar como políticos, quiçá ministros ou, porque não, primeiros...

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

pior do qualquer lei, “foi a atitude do ministério”

Pedro Feijó, delegado dos alunos no Conselho Pedagógico do Liceu Camões e um dos participantes da cerimónia do 100º aniversário da escola:
“Desprezou manifestações com milhares de estudantes, só por sermos menores, como se por sermos estudantes de secundário não tivéssemos uma palavra a dizer. Desprezou abaixo-assinados, incluindo um com dez mil assinaturas de estudantes, que pediram a revogação destas leis. Desprezou manifestações com várias dezenas de milhar de professores que lutavam pelos seus direitos, pelas suas escolas”. mais»»

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Ministra admite problemas de comunicação

A ministra da Educação, para quem "mais importante que as pessoas são as políticas", admite agora a existência de problemas no seu sector, mas considerou que, pessoalmente, aprendeu "muito" com o processo da reforma da carreira docente e de negociação com os sindicatos dos professores. O primeiro-ministro admitiu que a sua personalidade tenha contribuído, igualmente, para o ambiente de crispação. "Não posso pôr isso de parte, mas não gostaria que isso acontecesse. Estou muito disponível para restaurar uma relação delicada e atenta a todos os problemas dos professores". PUBLICO.PT lágrimas de crocodilo? Não! Esta é apenas a primeira das fases que as agencias de publicidade indicaram até aos pedidos de desculpa que irão surgir pouco antes das eleições...

terça-feira, 25 de agosto de 2009

um em cada três alunos chumba

"O insucesso escolar caiu para metade em 12 anos mas o 12.º ano continua a ser o mais difícil: um em cada três alunos chumba" Foi na Secundária D. Diniz que, em 2007, que Pinto de Sousa anunciou o Programa de Modernização das Escolas. Em Setembro de 2008, Cavaco Silva visitou-a por ser uma das primeiras a ficar pronta no âmbito do programa de renovação. Em Novembro do ano passado, Lemos e Pedreira, que ali iam reunir-se com directores se outras Secundárias, escaparam a uma chuva de ovos dos alunos que protestavam contra o Estatuto do Aluno.
Pinto de Sousa lá regressou aos bancos da escola para ouvir a “cetôra” Lurdes explicar que desde 1995 o sistema de ensino perdia alunos e registava níveis de insucesso e abandono muito elevados e em power-point (inglês técnico) sobre o “quadro branco” leccionou-lhe que "hoje pode-se dizer que a tendência se inverteu". Mostrou-lhe números apresentados: Quando, em 1996/97, António Guterres era primeiro-ministro, o insucesso atingiu 15,5 por cento dos estudantes do básico. Oito anos depois, em 2004/05, era Santana Lopes o primeiro, a taxa de retenção diminuiu e foi de 12,2 por cento. Melhorou 0,4% ao ano, sempublicidade nem greves. Em 2008/09, o Querido Líder já primeiro há mais de 4 anos, a taxa de insucesso global situou-se nos 7,7 por cento. Apesar da publicidade apenas foi melhor 0,9 % ao ano. O gráfico que a "cetôra" apresenta é elucidativo. Os mais atentos, ou os mais criticos, verificam que as variações apresentadas são minimas. Isto é a diferença de S.Lopes para A.Guterres foi de 3,3% e, a actual, de P.de Sousa para S.Lopes é de 4,8%, números que ficam á consideração dos leitores...mas não justificam o "embandeirar em arco".
De 2005/06 a 2007/08 nada disse... provavelmente por falta de tempo ou porque o atento “de novo aluno”, a exemplo dos actuais alunos decidiu acabar com a aula. Paulo Guinote, autor do blogue “A Educação do Meu Umbigo”, admite que o Estatuto do Aluno (em especial as mudanças feitas pelo actual Governo na contabilização das faltas) ajudem a explicar algumas destas melhorias. É que o novo estatuto "tornou parte do abandono estatisticamente indetectável e quase eliminou administrativamente os chumbos por faltas". Isto porque, segundo o Guinote, as provas de recuperação, a que são sujeitos os alunos que ultrapassem o limite de faltas ou de negativas, variam de escola para escola e permitem que um jovem que não frequenta as aulas seja aprovado apenas com um teste ou um trabalho. Paulo Guinote, eu e outros críticos do actual sistema, não estivemos na aula da “cetôra” Lurdes. Teremos que efectuar as provas de recuperação?

sexta-feira, 26 de junho de 2009

mimos socialistas…aos velhos!

“por vezes temos, colectivamente, alguma dificuldade em reconhecer que os jovens sabem mais e foram mais além do que aquilo que as nossas gerações conseguiram”, “os jovens hoje sabem não só mais, como sabem coisas diferentes”. “este queixume de que os jovens estão sempre piores que a geração anterior tem séculos”, “é uma espécie de fatalidade associada a quem envelhece”. “quando nos começa a suscitar a dúvida sobre a qualidade das gerações jovens, deveríamos pensar se o problema está nos jovens ou em nós próprios”, porque este “é um pessimismo associado à idade”. “mal seria que nós não fossemos capazes de fazer melhor que aquilo que fizeram os nossos avós, mal seria que nós não transmitíssemos mais informação, mais conhecimento” sol velhos? a educação impede-me uma resposta a contento! p d m!

sábado, 30 de maio de 2009

foleiros & doutores

... Acontece é que muitos dos que por aí hoje gozam como cafres besuntando os colegas com fezes, emborcando cerveja até cair para o lado, perseguindo bezerros e repetindo entusiasticamente "Quero cheirar teu bacalhau" andam na Universidade e são "jotas". E a esses, vê-los-emos em breve, engravatados, no Parlamento ou numa secretaria de Estado (Deus nos valha, se calhar até já lá estão!). JN Manuel António Pina 2009-05-11 notável!

quinta-feira, 23 de abril de 2009

alunos esfaqueados

Aluno esfaqueado durante confronto entre grupos rivais TSF 23ABR 09 Um jovem de 15 anos foi esfaqueado por um colega de 17 numa escola do Cacém. A informação foi confirmada à TSF pela PSP, que diz que esta agressão ocorreu durante um confronto entre grupos rivais da Escola Secundária Matias Aires. Jovem da Casa Pia morre após ser esfaqueado - TSF 12Dez08 Um jovem da Casa Pia foi esfaqueado tendo acabado por falecer depois de ser transportado com vida para o Hospital S. Francisco Xavier. Fonte do INEM disse à agência Lusa que o jovem de 19 anos tinha sido vítima de uma agressão com arma branca.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

a luta continua... no 25 de Abril

Professores do Ensino Superior saem à rua no 25 de Abril ? O Sindicato Nacional do Ensino Superior convocou docentes e investigadores a participarem na manifestação que se realizará em Lisboa no 25 de Abril A manifestação anunciada pelo SNESup pretende contestar o sentido geral das propostas de revisão de carreira dos docentes formuladas pelo Ministério da Ciência Tecnologia e Ensino Superior.
O protesto visa ainda denunciar as medidas que, segundo o sindicato, se traduzem em “maior instabilidade contratual, em subversão de direitos de acesso, progressão e reingresso na carreira. Outro ponto de discórdia em relação às propostas apresentadas por Mariano Gago tem a ver a com a “redução das remunerações pagas pelo mesmo trabalho e até na admissão de trabalho não remunerado”.
Ó Mariano também estes...

domingo, 15 de março de 2009

um case-study á portuguesa!

choque tecnológico é... (I) quando o quadro eléctrico da escola estoira por sobrecarga de magalhães nas fichas triplas que vão dar à única tomada da sala de aula.publicado por Carlos Nunes Lopes às 14:36
choque tecnológico é... (II) dizer a vinte crianças sem bateria nos magalhães que o computador do zézito vai ser o primeiro a recarregar na única tomada disponível na sala.publicado por Carlos Nunes Lopes às 14:43
choque tecnológico é... (III)
a JP Sá Couto ter em cada professor um agente comercial. É o professor quem recolhe o dinheirinho para pagar o magalhães junto dos pais, para depois entregar o "computador único". E se fosse assim com os manuais escolares? publicado por Carlos Nunes Lopes às 14:51 in 31 da Armada.com os meus sublinhados
Tem razão MRebelo de Sousa quando a estas gentes alcunha de "chicos-espertos"

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Requalificações e elogios...

O primeiro-ministro afirmou hoje que 55 escolas secundárias de todo o país começam a ser requalificadas entre Maio e Junho de 2009, altura em que deverá estar terminado já o processo dos concursos lançados pelo Governo. José Sócrates, que falava numa visita a uma escola secundária do concelho de Espinho que faz parte do projecto-piloto do programa Parque Escolar, adiantou que os concursos dessas 55 escolas estão já em curso, pelo que em Maio ou Junho as obras estarão em curso. Estas escolas fazem parte do plano de antecipação de requalificação lançado pelo Governo no seu pacote de medidas aprovado para combater a crise. Inicialmente, o programa Parque Escolar previa a requalificação em 2009 de 26 das 330 escolas secundárias do país, mas a crise económica e financeira internacional levou o Governo a aumentar o número para 100. Assim, das 75 escolas a mais que vão sofrer uma intervenção, pelo menos 55 vão ver as suas obras iniciadas até ao Verão. José Sócrates recordou que as empresas a quem será adjudicada a requalificação ficarão responsáveis ainda pela sua manutenção durante dez anos, face ao pagamento pelo Estado de uma renda. O primeiro-ministro, que falava na presença da ministra da Educação, apontou a reacção àquela que foi uma das principais medidas que Maria de Lurdes Rodrigues tomou, a das aulas de substituição, para exemplificar "as dificuldades que o Governo teve de ultrapassar" neste sector. "Hoje essa medida é já considerada normal. Portugal era um dos únicos países da OCDE onde não havia aulas de substituição. Pois essa pequena grande modificação valeu-nos logo uma greve aos exames em 2005", afirmou José Sócrates. "Apesar de todas as dificuldades, levámos por diante outra medida, de encerramento de três mil escolas primárias com menos de dez alunos, porque soubemos articular essa decisão com as autarquias", acrescentou. Actualmente, disse Sócrates, estão em construção 200 novos centros escolares e um número igual será lançado em breve. Por todas as medidas tomadas na área da Educação, José Sócrates agradeceu a Maria de Lurdes Rodrigues, dizendo-lhe directamente: "Acredite: o que tem feito é um bom trabalho para o país". Antes de José Sócrates, Maria de Lurdes Rodrigues afirmou que a requalificação de cem escolas secundárias num só ano não seria possível "num cenário normal" sem a necessidade de combater a crise. 21.02.2009 - 15h06 Lusa Publico
claro que em Maio irei verificar se acontedeu alguma coisa...ou ainda andamos por Abrantes!