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quarta-feira, 24 de junho de 2026

A letargia como método de fazer politica!

O problema do actual PPD/PSD já não é ter renegado a ideologia dos seus fundadores. Esse seria, pelo menos, um problema doutrinário. O problema é mais pobre e, por isso mesmo, mais grave: o partido parece ser cada vez menos uma organização de ideias, propostas e visão nacional, e cada vez mais uma máquina de ocupação do poder.

José Manuel Fernandes tocou no ponto essencial: o drama do PSD não está em ter abandonado esta ou aquela formulação ideológica originária; está em ter perdido densidade política, capacidade reformista e sentido de missão. Um partido que nasceu para disputar o rumo do país não pode reduzir-se à gestão prudente do aparelho, à conservação dos lugares e à esperança de que o adversário tropece antes de chegar à meta.

Miguel Morgado foi ainda mais cirúrgico ao escrever que «o actual PPD ficou dependente de divisas ocas, e às vezes apalermadas, cunhadas por agências de comunicação». A frase é dura, mas justa. O slogan substituiu a doutrina; o soundbite substituiu a proposta; a pose substituiu o pensamento. E quando um partido confunde comunicação com política, acaba fatalmente por confundir prudência com cobardia e centralidade com vazio.

André Azevedo Alves tem, por isso, razão quando vê na letargia do PSD uma ameaça não apenas para o partido, mas para o próprio país. Um PSD sem imaginação política, sem identidade reconhecível e sem coragem reformista não lidera coisa nenhuma. Administra intervalos. Gere calendários. Aguarda que o CHEGA se engane. E, quando o CHEGA não se engana, acusa-o simplesmente de existir.

É aqui que a recente discussão sobre negociações se torna reveladora. Negociar não é proclamar vencedores e vencidos no fim de cada reunião, como se a política fosse uma espécie de campeonato de frases para telejornal. Negociar é ouvir, argumentar, ceder no acessório para preservar o essencial e construir um acordo satisfatório entre partes que podem ter interesses diferentes, mas não têm de ser inimigas. Quem transforma cada negociação numa humilhação ou numa capitulação revela não firmeza, mas infantilidade política.

Entretanto, Portugal continua atrasado. Teve fundos europeus, turismo, imigração em massa, conjunturas favoráveis e promessas sucessivas de modernização. Mas não convergiu. O país foi ficando relativamente mais pobre, mais dependente e mais resignado.

A letargia do PSD é, neste sentido, parte da letargia nacional: muita gestão, pouca reforma; muita comunicação, pouca política; muita pose, pouca ideia. O drama do PSD não está em negociar com o CHEGA. Está em já não saber negociar consigo próprio: com a sua história, com a sua direita, com o seu país e com a realidade.


Referências: André Azevedo Alves, «A  letargia do PSD e o atraso do país»; Miguel Morgado, «Uma derrota e um impasse»; José Manuel Fernandes, «O chumbo de Ventura animou mas não salvou o Congresso do PSD».

segunda-feira, 30 de março de 2026

O que o PS ainda não percebeu — e talvez já não consiga perceber!

O artigo de José Manuel Fernandes que junto tem o mérito raro de enunciar, com clareza desarmante, aquilo que grande parte do sistema político português continua a recusar admitir: o regime mudou — não por vontade das elites, mas por imposição dos eleitores.
Durante décadas, o sistema assentou num equilíbrio confortável entre dois partidos centrais que, alternando no poder, garantiam não apenas a governação, mas também o controlo efectivo do regime. Esse modelo, herdeiro do consenso pós-1982, permitia ao PS oscilar entre a ambição de hegemonia e a função de charneira, sempre com a convicção implícita de que nada de estrutural poderia acontecer fora do seu perímetro de influência.
Esse mundo acabou.
O ponto de ruptura não é apenas eleitoral — é estrutural. 
A partir de 2015, com a opção do PS de António Costa por uma governação sustentada à esquerda, rompeu-se um conjunto de convenções não escritas que haviam garantido estabilidade ao sistema. Ao fazê-lo, o PS abriu a porta a uma lógica de polarização e de desgaste que, inevitavelmente, viria a produzir reacções fora do eixo tradicional.
O surgimento de um terceiro pólo político relevante — consolidado nas eleições de 2024 e 2025 — não é um acidente, mas o resultado previsível de um conjunto de factores acumulados: degradação dos serviços públicos, bloqueios estruturais à mobilidade social, afastamento crescente entre elites e cidadãos, perda de soberania efectiva em áreas críticas e pressão migratória sem precedentes recentes.
Portugal, afinal, não era excepção.
O que se observa é a tradução nacional de uma tendência europeia mais vasta: a fragmentação dos sistemas partidários tradicionais e a emergência de forças que capitalizam o descontentamento dos sectores que se sentem excluídos do progresso prometido. A ilusão de que o país estava imune a essa dinâmica revelou-se, como tantas outras, uma construção confortável — mas falsa.
Perante esta realidade, seria expectável um mínimo de adaptação estratégica.
Mas é precisamente aí que o PS falha.
O congresso socialista, longe de representar um momento de reflexão, confirmou antes a persistência de uma leitura desfasada do país. Insiste-se na narrativa de uma bipolarização artificial, tenta-se reduzir o novo quadro político a uma anomalia passageira e, sobretudo, evita-se qualquer confronto sério com os erros acumulados ao longo de anos de governação.
Mais grave ainda: mantém-se a tentação de preservar o controlo do aparelho de Estado — seja através de acordos tácitos, seja pela gestão das chamadas “quotas de regime” — como se essa arquitectura institucional pudesse sobreviver intacta a uma transformação tão profunda do eleitorado.

No fundo, o PS continua a comportar-se como partido dominante de um sistema que já não existe.
O episódio em torno do Tribunal Constitucional é, neste sentido, exemplar. 
A contradição entre o discurso de exclusão política e a prática de acomodação institucional revela não apenas oportunismo, mas uma incompreensão fundamental do momento político.

A incapacidade de fazer o luto
E talvez o problema maior resida precisamente aí. No luto pelas políticas falhadas, pelos erros de governação, pelas rupturas que ajudou a provocar e cujas consequências agora recusa assumir. Sem esse exercício de reconhecimento, não há aprendizagem — apenas repetição.
Ora, a história política raramente perdoa a quem insiste em interpretar um tempo novo com categorias antigas.
Porque quando um partido deixa de compreender a sociedade que pretende governar, não é apenas a sua estratégia que falha — é a sua própria razão de existir que começa a dissolver-se.
E, como tantas vezes acontece, o regime só percebe que mudou… quando já não manda nele.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

domingo, 15 de maio de 2022

OE2022

o Vencedor é…
com José Manuel Fernandes, Miguel Pinheiro, Rui Pedro Antunes, Miguel Santos Carrapatoso e a não perder JUDITE FRANÇA e BRUNO VIEIRA AMARAL

  

segunda-feira, 18 de outubro de 2021

José Manuel Fernandes e o OE2022 em Contra Corrente!

Libertos da censura imposta pelos 15M de euros à imprensa a que temos direito e longe da tenebrosa máquina de propaganda do minoritário partido nacional socialista nacional em Contra Corrente José Manuel Fernandes, Helena Matos, Jorge Fernando e Ouvintes com "bom senso" comentam a trapalhada que está a ser o OE2022
- A crise política pode estar mesmo à porta, depois de um fim-de-semana em que a temperatura política subiu.
- Todos querem o Orçamento aprovado, mas ninguém o quer aprovar, e a culpa é de António Costa.