Mostrar mensagens com a etiqueta extrema-esquerda. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta extrema-esquerda. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

A violência como axioma da Extrema Esquerda

da virtude revolucionária ao linchamento de Lyon..
.
O homicídio de um jovem estudante identificado com a direita política, Quentin, em Lyon, na sequência de agressões perpetradas por militantes de extrema-esquerda, não pode ser lido como um mero episódio de desordem urbana. O contexto — à margem de uma conferência de Rima Hassan, eurodeputada de extrema-esquerda da La France Insoumise (LFI), e com a presença entre os agressores de um assessor parlamentar ligado a estruturas ditas “anti-fascistas” — obriga a uma interrogação mais funda: estaremos perante um desvio ou perante uma consequência lógica de uma tradição política que concebe a violência como virtude?

O berço revolucionário: terror e virtude
Na Revolução Francesa, o Comité de Salut Public, sob a égide de Robespierre, estabeleceu a fusão entre “terror” e “virtude”. A violência não era um mal necessário, mas uma condição de possibilidade da nova ordem. “On ne peut point régner innocemment” — não se pode governar inocentemente. O axioma é devastador: a pureza política exige sangue.
Aqui nasce uma mutação conceptual decisiva. Na tradição liberal, a violência é vício a conter; no paradigma revolucionário, é instrumento moralmente legitimado. A política deixa de ser arte da mediação para se tornar liturgia da expiação. O adversário não é opositor; é obstáculo ontológico à redenção histórica.

Marx e Engels: a literalidade da luta
Com Marx e Engels, a violência adquire formulação teórica sistemática. No Manifesto do Partido Comunista, a declaração final é inequívoca: os fins comunistas só podem ser alcançados pelo derrube violento da ordem social existente. A “luta” não é metáfora espiritual; é confronto material.
Importa sublinhar: o marxismo não introduz a violência como excepção táctica; inscreve-a na própria dinâmica histórica. A luta de classes é motor da História, e o seu desfecho supõe ruptura violenta. A conquista da democracia é conquista pela força.
Trotsky: a nudez moral do terror
Com Trotsky, no Terrorismo e Comunismo, a argumentação abandona qualquer disfarce humanista. O terror não é lamentável necessidade; é instrumento legítimo e indispensável. Sem terror, não há socialismo. O título não contrapõe termos; identifica-os.
A consequência é cristalina: fuzilamentos, campos de concentração, censura e ditadura não são traições ao ideal — são meios virtuosos para o realizar. A moral revolucionária emancipa-se da moral comum.
Estaline: a realização integral
Com Estaline, o princípio atinge a sua forma estatal acabada. O terror deixa de ser momento transitório e torna-se sistema permanente. O Estado converte-se em máquina de purificação. 

A sociedade transforma-se num laboratório de suspeita.
A imagem — regimes que começam em gritos e terminam em sussurros — sintetiza o percurso. O totalitarismo não surge como degeneração; emerge como coerência interna. Quando a violência é axioma, o desfecho é previsível.
A herança contemporânea
Que relação pode estabelecer-se entre esta genealogia e o linchamento de Lyon? Evidentemente, não se trata de equiparar mecanicamente um partido contemporâneo às experiências totalitárias do século XX. A análise deve ser mais fina.
Contudo, há um fio condutor: a persistência de uma cultura política que relativiza a violência quando exercida em nome de uma causa tida por moralmente superior. A retórica “anti-fascista” constrói um universo moral binário: quem discorda é ameaça existencial. Se o adversário é encarnação do mal, a agressão adquire tonalidade expiatória.
É neste ponto que o silogismo ganha força: 
(1) todos os adversários são obstáculos intoleráveis; 
(2) X é adversário; 
(3) logo, X deve ser eliminado. 
A violência deixa de ser excesso; torna-se consequência lógica.
Democracia e contenção
A democracia liberal funda-se na distinção radical entre adversário e inimigo. O pluralismo implica reconhecer legitimidade ao outro. Quando esta distinção se dissolve, abre-se a porta à legitimação da força.
O caso de Lyon revela algo inquietante: a naturalização do linchamento como extensão de militância ideológica. Não é irrelevante que tal acto ocorra à margem de um evento político; a atmosfera simbólica importa. A violência brota de um caldo cultural onde o adversário é desumanizado.
Entre o mito e a responsabilidade
Importa evitar dois erros simétricos: o da generalização indiscriminada e o da negação complacente. Nem toda a esquerda é revolucionária no sentido jacobino; mas tampouco se pode ignorar que uma parte da sua tradição intelectual legitimou explicitamente a violência como virtude histórica.
A maturidade democrática exige ruptura clara com essa herança. Não basta proclamar antifascismo; é preciso afirmar inequivocamente que a violência política é sempre derrota moral.
Agulhadas finais
Há quem insista em tratar cada episódio de violência política à esquerda como uma excepção, um “desvio”, uma infiltração inoportuna. É sempre o mesmo expediente: quando a violência serve a causa, é compreensível; quando a compromete, é “lamentável”. Mas a História não é ingénua. Quando uma tradição intelectual ensina que o adversário é obstáculo ontológico à redenção, o passo seguinte não é o debate — é a eliminação.
A esquerda revolucionária gosta de citar as vítimas do fascismo; raramente enumera as suas próprias. E, todavia, o século XX está repleto de cadáveres produzidos em nome da virtude histórica. O problema não é apenas o punho que agride; é a doutrina que o absolve.
Quem hoje se escandaliza com o “clima de ódio” deveria começar por perguntar se não ajudou a criar um ambiente onde a agressão ao dissidente é vista como acto moralmente meritório. Porque quando o “anti” se torna identidade absoluta, tudo o que não se conforma passa a ser inimigo a abater.
Concluindo
O homicídio de Quentin, em Lyon, não deve ser instrumentalizado, mas também não pode ser relativizado. Ele convoca uma reflexão sobre a persistência de matrizes ideológicas que, desde Robespierre a Estaline, conceberam a violência como condição redentora.
Se a política é concebida como guerra moral absoluta, o linchamento deixa de ser anomalia e passa a epifenómeno. A democracia, porém, não sobrevive a axiomas sangrentos. Sobrevive à contenção, ao debate e ao reconhecimento da legitimidade do adversário.
Quando a virtude se confunde com o terror, a História já ensinou o desfecho. E a lição permanece actual.

quinta-feira, 27 de agosto de 2020

três deputadas ameaçadas?


Santa ingenuidade? Completa ignorância? Silly season?
Um email? 
e a Rita Tavares ainda não entrevistou o “emissor”?
Não acredito que a alegada jornalista queira tomar por parvos (ou ignorantes) os leitores do Observador !
(Bom! Pode ter sido um artigo encomendado pela agitprop da extrema-esquerda e, sendo assim, espero que tenha sido uma boa "transação comercial")

“A ameaça está já a ser investigada pela Polícia Judiciária, que foi informada pela associação SOS-Racismo da existência do email e também pelo Bloco, segundo apurou o Observador junto de fonte do partido. O BE está a formalizar uma queixa junto do Ministério Público.
No final do email constam apenas as iniciais “NOA-RN”, de Nova Ordem de Avis – Resistência Nacional, um grupo neonazi que reúne antigos militantes da Nova Ordem Social, do Partido Nacional Renovador e dos Portugal Hammer Skin. No passado fim de semana, terão sido membros deste mesmo grupo que estiveram em frente da sede do SOS-Racismo numa ação que diziam ser contra o “racismo anti-nacional”. A associação fez queixa ao Ministério Público esta semana.” (in “Três deputadas ameaçadas por grupo neonazi através de email. PJ já está a investigar caso” por Rita Tavares)

sábado, 12 de dezembro de 2015

a direita se tornou radical e a extrema-esquerda que ficou moderada…

Podemos não ter a melhor direita da Europa, mas Portugal é o melhor país europeu em termos da direita que tem. Tivéssemos uma esquerda igualmente tão boa, e seríamos um país bem melhor.”
.
“Vários políticos e intelectuais querem convencer os portugueses que a direita se tornou radical e a extrema-esquerda, em dois meses, ficou moderada. A narrativa – como agora se diz – apresenta António Costa como muito “humano” (até aparece na Caras), em contraste com o “frio” Passos Coelho. Do mesmo modo, a “doce” Catarina e o “bonacheirão” Jerónimo são mais “moderados” que o “maquiavélico” Portas. Até o Observador, na mente conspirativa de Pacheco Pereira, se tornou uma publicação “da direita radical”, apesar de ser dirigida pelo mesmo director que convidou Pacheco a escrever no Público.
.
Na farsa que estão a tentar vender aos portugueses, mais do que transformar a direita em extrema-direita, estão a tentar criar a ideia que ser de direita é uma posição extremista e radical. O que faria de Portugal um país único no mundo. O único país sem uma direita democrática. Passa-se o oposto. A direita portuguesa é absolutamente democrática, moderada e europeia. Mais, além da Espanha, Portugal é o único país na Europa onde não há um partido extrema-direita. Para mim, uma razão de grande orgulho no nosso país. Podemos não ter a melhor direita da Europa, mas Portugal é o melhor país europeu em termos da direita que tem. Tivéssemos uma esquerda igualmente tão boa, e seríamos um país bem melhor.”
As categorias políticas que se aplicam em toda a Europa não servem para o nosso país. Para muitos (incluindo alguns do “velho” PSD), Portugal tem dois partidos de esquerda (PCP e BE), dois partidos de centro-esquerda (PS e PSD) e um partido do centro (CDS). Ou pelo menos tinha sido sempre assim até Passos e Portas chegarem ao poder.
Se colocarmos os mesmos partidos no Parlamento Europeu, vejam como o retrato fica muito diferente. O PCP e o BE passam da esquerda para a extrema-esquerda (juntos no grupo mais radical de esquerda e anti-europeu); o PS continua no centro-esquerda; e o PSD e o CDS passam para a direita (ou centro-direita para as almas mais sensíveis).
Na semana que passou, assistimos a dois exemplos que demonstram claramente onde estão os extremos políticos em Portugal.
Comecemos em França. Ninguém tem qualquer dúvida sobre o posicionamento político da Frente Nacional: é um partido de extrema-direita. Na última semana, eu vi toda a direita portuguesa a mostrar uma grande preocupação com o crescimento da Frente Nacional em França (aliás, mostrou-o bem mais do que a esquerda).
Vamos agora para fora da Europa, atravessando o Oceano Atlântico até à Venezuela. Encontramos um governo que impôs um regime de violência política sobre o seu povo. Prendeu opositores políticos, usa a força indiscriminadamente e restringiu a liberdade de imprensa. Perdeu agora as eleições – com a oposição a alcançar uma maioria de 2/3 no Parlamento – mas ameaça começar uma guerra civil. Desde as eleições, o Presidente Maduro ainda não parou de citar Estaline, esse grande campeão da democracia e da liberdade. Quem em Portugal apoiou com fervor e entusiasmo o socialismo de Chavez? O PCP, o BE e muitos sectores do PS. O antigo primeiro-ministro socialista Sócrates desenvolveu mesmo uma relação de proximidade política com Chavez. Claro que agora, para a esquerda, é incómodo falar da Venezuela.
.

Mas a Venezuela pode ainda tornar-se um problema para o governo português. Existe uma grande comunidade portuguesa no país, maioritariamente contra o governo de Maduro e a favor da oposição. O que dirá o governo português se Maduro usar a violência e não respeitar os resultados eleitorais? Será que há vozes no PS capazes de celebrar a vitória das forças democráticas e condenar o regime chavista? E haverá alguma voz no BE – só uma – que diga que se enganaram e que a experiência chavista foi um desastre para a Venezuela? Haverá alguém no BE que pense pela sua cabeça e que tenha alguma coragem? Eis a diferença entre a direita e a esquerda em Portugal. A direita condenou sempre a Frente Nacional. Parte da esquerda defendeu e apoiou Chavez e Maduro. Quem não entende esta diferença, não percebe a importância da democracia. (por João Marques de Almeida no Observador)

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Mais uma vez! Vou voltar a ser “radical e irresponsável”…

Já sabíamos que só a esquerda pode governar em Portugal. Vamos começar agora a descobrir que também só a esquerda pode indignar-se e fazer oposição. Os outros são sempre radicais e irresponsáveis. (Rui Ramos in Opiniao) 
Aquilo a que tenho chamado a imprensa a que temos direito vai encarregar-se disso e, até poderá vir a acontecer que, mais uma vez, me proibam o epíteto…
Mas amanhã é
“O 25 de Novembro de 1975 que foi uma derrota para a esquerda política e para a esquerda militar. Em todo o caso, foi apenas uma derrota relativa — devido ao papel moderador de Costa Gomes, Melo Antunes, Vasco Lourenço e, nalguma medida, de Ramalho Eanes, também.
Foi uma derrota porque o 25 de Novembro impediu o prosseguimento da revolução no sentido do projecto de sociedade da esquerda política e que, à parte as particularidades nacionais, era na essência, igual ao da sociedade comunista de Leste. Derrota por que afastou o PCP do Governo e de um modo geral dos órgãos do poder de Estado, porque impediu a estabilização de conquistas da revolução já adquiridas, tais como a Reforma Agrária, as nacionalizações, etc.
Para o PCP, o 25 de Novembro também pode ser considerado uma vitória no sentido em que uma pessoa que parte uma perna tem imensa sorte por não ter partido as duas.
O 25 de Novembro representa uma vitória parcial porque o PCP não foi ilegalizado, como alguns pretendiam, e pôde viver em democracia, numa democracia que, como se sabe, o comunismo nunca facultou aos seus adversários.” (adapt de Memórias do Presente)
Mas o 25 de Novembro, foi uma vitória completa, para o PCP e para a esquerda política, quando a democracia e os democratas lhes deixou abertas as portas do sindicalismo e, principalmente, da imprensa a que temos direito, onde colocou todos os seus peões e ostracisou, quase todos, quantos pensavam e escreviam diferente.
Basta olhar para as chamadas “redes sociais” para verificarmos que, nos últimos dias, os idiotas-úteis começaram a sair das tocas e como é das nep’s iniciaram o seu trabalho de lavar-nos os cerebros com imagens, de photshop, e cartoons, enquanto os “ideólogos”, que vivem em buracos mais fundos, não aparecem a missionar-nos.
.
de qualquer modo não esqueçam a minha maxima:
- uma vez no poder a esquerda só de lá sai pela força e não se o voto será arma suficiente!

mas sei que até na politica “a natureza se defende” …

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Um … chegou a presidente da Comissão Europeia…

A 4 de Novembro de 1974, a extrema-esquerda cercou o primeiro comício da Juventude Centrista, seguindo depois para o Caldas e destruindo a sede do partido. 40 anos depois, o partido voltou ao São Luiz.

“António Lobo Xavier, que na altura tinha 15 anos, não perdeu agora a oportunidade de revisitar o passado do partido e dirigir-se “com os óculos baixos à juventude actual”, pedindo-lhe que não desista do trabalho político. Mas também deixou recados, sem referências directas, para os que agora assinaram o manifesto pelo “resgate” da PT: “A extrema-esquerda mistura-se em petições e declarações com os burgueses mais conhecidos”.

O histórico centrista não poupou também o PS e até Durão Barroso para defender a tese de que “a resistência”, agora como há quatro décadas, está inscrita no “ADN do CDS”: “O PS pôs o socialismo na gaveta. Uma das pessoas que dirigiram há 40 anos a manifestação contra nós chegou a presidente da Comissão Europeia”. ( in Público )

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

à descoberta do mundo misterioso da extrema-esquerda


um livro essencial compreendermos políticos e jornalistas da geração que hoje nos governa ou influencia e, principalmente, o que os leva a dizer o que dizem ou a escrever o que escrevem.

estão lá todos, ou quase…