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quarta-feira, 20 de outubro de 2010

um povo de "brandos costumes"...tretas!

O golpe estala na madrugada de 19 de Outubro, dirigido pelo coronel Coelho e oficiais da GNR e da Marinha. A Guarda ocupa o Terreiro do Paço e a Rotunda. No Tejo, o Vasco da Gama e outros navios secundam o golpe. Os marinheiros controlam o quartel de Alcântara e o Arsenal. Grupos de polícias e de civis armados percorrem a cidade e vão à Penitenciária libertar o assassino de Sidónio. Sem força militar, Granjo apresenta a demissão a António José de Almeida, que a aceita, mas recusa entregar o poder a Coelho. A "camioneta-fantasma" "Depois veio a noite infame (...) sórdida e satânica", escreveu Raul Brandão. A meio da tarde, Granjo foge de sua casa, na Avenida João Crisóstomo, pelos quintais das traseiras e pede abrigo a um adversário político, Cunha Leal. Soldados da GNR e civis armados tentam forçar Leal a entregar Granjo. Ele recusa e procura, em vão, obter socorro de amigos políticos ligados ao golpe. Depois de muitas peripécias, resignam-se a ser levados até ao Vasco da Gama, onde Granjo ficaria a salvo. Leal acompanha-o. A camioneta onde são metidos não os leva ao navio, mas ao Arsenal. São separados à força. Leal é ferido a tiro. Denunciará no julgamento a "cobardia" de oficiais presentes. Em As Minhas Memórias, Leal transcreve o Diário de Lisboa, que reconstitui o crime na linguagem da época. "Está aí o malandro do Granjo?" Marinheiros, guardas e civis invadiram a sala onde se encontrava o ex-presidente do Conselho. "Soou uma descarga; debaixo corresponderam. António Granjo caiu ao comprido, vertendo sangue por inúmeros ferimentos. Estava ainda nas últimas convulsões quando um dos assassinos, que, no dizer de uma testemunha ocular, é um clarim da GNR, de desmedida estatura, sacou da espada e a cravou no estômago, com tal violência que ficou presa no sobrado. Depois, friamente, o facínora, pondo o pé sobre o peito de António Granjo, sacou a arma e gritou triunfalmente, mostrando-a aos companheiros: "Venham ver de que cor é o sangue do porco!"" Essa "camioneta-fantasma" continua a marcha. No lugar da frente vai o marinheiro Abel Olímpio, o Dente de Ouro. Procuram Carlos da Maia. "É arrancado dos braços da mulher, que grita, inutilmente, cheia de dor, pedindo piedade para o marido e o filho que tem nos braços", descreve Raul Brandão. Maia é levado para o Arsenal. Logo à porta, é morto à coronhada. Às duas da manhã, a camioneta pára na Rua José Estêvão, onde mora Machado Santos. Ele resiste e invoca a qualidade de almirante. Em vão. É metido na camioneta. Esta avaria junto ao Intendente. "Desça almirante, que vai ser fuzilado." Segue-se o chefe de gabinete do ministro da Marinha, comandante Freitas da Silva, abatido "pela turba" à porta do Arsenal. Ferido a tiro, o coronel Botelho de Vasconcelos morrerá no hospital. Outros alvos, como o antigo primeiro-ministro Tamagnini Barbosa (que foi preso por polícias) ou o industrial Alfredo da Silva (ferido a tiro perto de Leiria) escapam com vida. À excepção de Granjo, todos os mortos tinham sido sidonistas. À noite, para conter "a rua", António José de Almeida encarrega Coelho de formar governo. Durará 15 dias... foi há 89 anos, mais aqui

domingo, 31 de janeiro de 2010

Pelas minhas contas foram só cinquenta

Começa hoje a ser comemorado o Centenário da Republica e consta que irá durar até Agosto de 2011...
Cem Anos?
Desde o 25 do Abril que sou informado á exaustão, entre muitos outros sábios, quer pelo venerando ex-Presidente da Republica, quer por um brilhante deputado-professor, que o tempo entre 1926 e 1974 não pode ser considerado “Republica”. É sabido também que alguns historiógrafos não se entendem quanto á denominação republica a atribuir ao ano em que tivemos o presidente-rei Sidónio Pais. Vêm agora comemorar os Cem anos da Republica?
Estou baralhado...
Pelas minhas contas foram só cinquenta.
No dia 31 de Janeiro de 1891, que hoje se comemora na cidade do Porto, registou-se um levantamento militar contra as cedências do Governo e da Coroa ao Ultimato Britânico de 1890 por causa do Mapa Cor-de-Rosa, que pretendia ligar, por terra, Angola a Moçambique.