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quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Os 21 “avisos”

Dos 16 países analisados, sete levaram um aviso. França, Itália e Bélgica vão a nova revisão em Março.
Foi a primeira vez que a Comissão Europeia analisou o Orçamento do Estado português e Portugal vai ser monitorizado. 
De fora da análise, ficaram ainda Grécia e Chipre, por estarem, ainda sob resgate. (in Observador)

Os 21 “avisos”
Previsões económicas são optimistas, em especial as previsões para a receita fiscal proveniente do combate à fraude e evasão fiscal. Procura pelas exportações portuguesas pode abrandar devido à conjuntura económica externa, em especial na zona euro.

Défice de 2014 pode atingir os 7,7% do PIB se o Eurostat considerar que o empréstimo ao Novo Banco deve ser incluído no défice orçamental deste ano.
Medidas permanentes adotadas este ano devem ter atingido os 1,5% do PIB. Abaixo dos 2% recomendados ao abrigo do Procedimento dos Défices Excessivos.
Esforço de consolidação está muito abaixo do acordado e previsto. Em 2014, nem sequer chega a metade do recomendado. No próximo ano não vai ser melhor.
Despesa ainda pode ser mais reduzida apesar das decisões do Tribunal Constitucional.
Défice vai ser superior aos 2,5% e aos 2,7% que o Governo espera no Orçamento (Comissão espera 3,3% em 2015).
Redução do défice em 2015 será conseguida “maioritariamente através de um aumento na receita, especialmente dos impostos indiretos e contribuições sociais”. Esta terá menos cortes na despesa, e mais receita, que está dependente da conjuntura económica.
Redução no saldo estrutural entre 2013 e 2015 devia ser de 2,5% do PIB, mas a estimativa é que se fique pelos 0,6%. Muito abaixo do acordado.
Faltam medidas permanentes para suportar o que devia ser o esforço de redução do défice do Governo.
Esforço de redução do défice “está claramente abaixo” do recomendado pelo Conselho Europeu.
Há riscos na coleta de impostos esperada pelo Governo e no controlo da despesa dentro do Estado.
Bruxelas lembra riscos de outras medidas, que o Governo já tentou implementar no passado e não conseguiu. Caso da venda de algumas concessões, do programa de requalificação e dos limites nas prestações sociais.
Comissão não acredita que poupança com prestações sociais chegue aos 100 milhões que o Governo espera conseguir.
Orçamento não tem plano para travar crescimento da massa salarial, nem medidas que garantam sustentabilidade do sistema de pensões.
Reembolso da sobretaxa de 3,5% em IRS pode atar as mãos do Governo, caso essa receita acrescida seja necessária para compensar derrapagem na despesa.
Sistema fiscal devia ser mais amigo do crescimento e reforma do IRS ia nesse sentido, mas nesta altura o potencial de redução da taxa é indefinido.
Progressos nas reformas estruturais acordadas com o Conselho Europeu foram limitados. Portugal tem de fazer mais.
Empréstimo dos bancos ao Fundos de Resolução para o aumento de capital do Novo Banco aumenta a dívida em 0,3% do PIB.
Segurança Social comprou menos dívida pública que o previsto. Compras foram adiadas para o ano que vem, logo a dívida pública atual estará maior que o esperado.
Valores são naturalmente mais altos que os previstos pelo Governo porque a Comissão Europeia espera défices mais altos, tanto em 2014 como em 2015.

Riscos são maioritariamente negativos. Atual volatilidade nos mercados pode levar a que a fatura com juros seja mais alta.

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

O que é muda, afinal, com o Orçamento de 2015?

Como a proposta do Orçamento do Estado para 2015 foi aprovada pelo Governo quase em paralelo com a Reforma do IRS e com a Reforma da Fiscalidade Verde, e porque já está em curso uma reforma do IRC, o volume de alterações fiscais introduzidas pelo próprio orçamento foi menor do que o registado noutros anos e, antes de passar a Lei, poderá ser alterado pela AR, na “especialidade”.

Em todo o caso, aqui estão os (primeiros) pontos importantes:
- Redução da taxa de IRC de 23% para 21%;
- Criação de um crédito relativo à sobretaxa do IRS, do que os contribuintespoderão beneficiar se a receita do IRS e do IVA cobrada em 2015 for superior à receita prevista neste Orçamento;
- Criação de um regime forfetário, em sede de IVA, aplicável opcionalmente aos produtores agrícolas, nos termos do qual é atribuída uma compensação de 6% sobre algumas vendas e prestações de serviços agrícolas;
- Aumento da taxa do imposto Sobre o álcool incidente sobre a cerveja;
- Manutenção do adicional às taxas do Imposto sobre Produtos Petrolíferos e Energéticos de cinco cêntimos por litro para a gasolina e de 25 cêntimos por litro para o gasóleo rodoviário e gasóleo colorido e marcado;
- Alargamento da incidência do Imposto sobre o Tabaco ao rapé, tabaco de mascar, tabaco aquecido e líquidos contendo nicotina, em recipientes utilizados para a carga e recarga de cigarros eletrónicos;

- Aumento da alçada dos Tribunais Administrativos e Fiscais para cinco mil euros, o que significa que apenas nas ações com valor superior ao referido montante será possível recorrer das decisões dos Tribunais Tributários de 1ª instância. (in Observador)

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

OE2015: “a tradição já não é o que era”

Por razões várias (valor da pensão, sem dependentes, etc.) serei dos mais “prejudicados” com o OE2015, mas “a tradição já não é o que era”!

Digam o que disserem - reaccionários, conservadores, direita-chique, “costistas”, pseudo-esquerda, esquerda-caviar e esquerda-rasca - o certo são que este orçamento é uma lufada de ar fresco. Exclui os do “reviralho” que, diz-nos a história do início do século XX, acabam em “amizade com beneficios” com qualquer “poder “…
Foge ao orçamento tradicional, o implementado pelo ministro das finanças de 1926, que durante 88 anos foi religiosamente seguido.
Em suma: é um orçamento quase claro e “legivel” para um maior número de interessados. Desta vez a iliteracia dos “nossos” deputados será indesculpável.

Os jornalistas, a que temos direito, poderão sempre perorar contra “os dez centimos do saco” e objectar a “caça à factura”, mesmo que aquele caso possa produzir um alivio para o habitat e este ultimo, com o aumento das cobranças, possa ajudar a reduzir os impostos que pagamos!

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Entre 2,7 e 4,3, vive la difference

Para aqueles pró-governo, que não aprenderam francês, para os pró-reviralho, que agora já não falam “hollande”, e para os jurnalistas que falam “coisa-nenhuma”, mas que andam “muito incomodados” com os 2,5 (ou 2,7)%, uma curta manchete que podem googlar:

Le ministère des Finances prévoit un déficit à 4,3% du produit intérieur brut (PIB). Pire, la France ne repassera sous la barre des 3% qu'en 2017.”

(devia acrescentar o Santos da Costa que nem hollande fala e retirar o Ferro Rodrigues que estudou no elitista Lycée français Charles Lepierre )