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segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Governo tem de distinguir verdadeiras das falsas pensões

O "Jornal de Negócios" escreve hoje que "Gomes Canotilho e Casalta Nabais convergem em dois pareceres autónomos, encomendados por um grupo de reformados da banca e outros sectores, na defesa da inconstitucionalidade da contribuição extraordinária de solidariedade (CES). Se o Governo quer penalizar as pensões que não se baseiam nos descontos efectivos, então deve isolá-las, dizem".
Segundo o jornal, "o Governo avançou para um corte nas reformas com o argumento de combate às falsas pensões, mas as reformas não são todas iguais. Há muitas que foram legitimamente constituídas através de descontos dos trabalhadores e das suas entidades patronais. A contribuição extraordinária de solidariedade (CES) é um novo imposto sobre o rendimento dos pensionistas, que ignora a sua capacidade contribuitva. Pelos valores que pode atingir, é "confiscatória" consideram Gomes Canotilho e Casalta Nabais nos seus pareceres". no Especiais - DN
FINALMENTE!
Os pareceres dos Profs. Gomes Canotilho (constitucional) e José Nabais (fiscal e administrativo) fogem ao pântano onde tem caído uma série de auto-denominados “especialistas” em Direito Constitucional.
Ao afirmarem que “O Governo avançou para um corte nas reformas com o argumento de combate às falsas pensões, mas as reformas não são todas iguais” e que “há muitas que foram legitimamente constituídas através de descontos dos trabalhadores e das suas entidades patronais”, apenas erram, no que toca aos funcionários públicos, porque esquecem que o “patrão” Estado não efectuou os descontos devidos que deviam ser idênticos aos dos “patrões” do privado.
Embora parecesse estranho que a entidade Estado descontasse “para si própria”, deveria tê-lo feito a partir do momento em que “obrigou” os seus trabalhadores ao IRS. Nunca o fez e o que, ao tempo, foi considerado que constitucionalmente atentava contra a equidade transformou-se agora na mais visível da iniquidade laboral.
Mas os dois Professores ainda avançam contra as pensões que não correspondem à “carreira contributiva” e esse será um dos grandes óbices do nosso actual sistema de pensões (deputados, administradores do BdP e da CGP, entre os mais visíveis). Na realidade onde está a equidade entre um professor de ensino superior, com uma carreira de descontos de quarenta anos e um administrador do BPN.
Alguém ainda se lembra do escândalo que surgiu na “opinião publicada” quando o Prof. Cavaco Silva revelou que a sua reforma como professor era de 1300 euros após descontos?
Pois é a de muitos...

sexta-feira, 29 de maio de 2009

o Outsourcing é perigoso...

Durante décadas alguns diplomas fundamentais tinham autor e equipa definida, como foram os casos do Código Civil de Antunes Varela (1966), ou o Código Penal de Eduardo Correia ou ainda o Código do Processo Administrativo de Freitas do Amaral.
Actualmente o Estado recorre cada vez mais a escritórios de advogados para a elaboração de uma grande fatia dos diplomas.
"O outsourcing é obscuro e até um pouco perigoso", avisa Gomes Canotilho, para quem esta solução "levanta alguns riscos", nomeadamente devido a interesses dos clientes desses escritórios.
Apesar disso, o constitucionalista reconhece que há matérias em que não há outra solução, pela falta de especialistas no Governo.
"A participação de escritórios de advogados no processo legislativo cria um problema de eventual conflito de interesses, acrescido ao possível conflito que advém da presença em massa de advogados nas bancadas parlamentares, como tem denunciado o bastonário da respectiva ordem." João Paulo Guerra, 28-5-2009, "Diário Económico"