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quinta-feira, 9 de julho de 2026

A Construção Mediática do Chega: Lições de França e o Caso Português

A relação entre os Órgãos de Comunicação Social e os partidos classificados como “anti‑sistema” tornou‑se, na última década, um dos temas centrais da sociologia política europeia. Não se trata apenas de medir simpatias ou antipatias: trata‑se de compreender como se constrói, quotidianamente, a percepção pública de actores políticos que desafiam o consenso dominante. França foi pioneira neste campo ao estudar, com rigor metodológico, o enquadramento mediático do Rassemblement National. O que se descobriu não foi uma conspiração, mas sim um conjunto de incentivos internos, alinhamentos institucionais e pressões culturais que produziam, de forma sistemática, uma narrativa desfavorável.

Portugal encontra‑se hoje num ponto semelhante. O crescimento do Chega e a centralidade mediática de André Ventura tornaram o partido num objecto permanente de escrutínio. A percepção pública — amplificada por redes sociais, comentadores e militâncias adversárias — é a de que existe uma “hostilidade estrutural” dos OCS. Contudo, quando se analisam casos concretos, como os artigos de 2026 da jornalista Inês André Figueiredo, verifica‑se que a percepção não coincide com a realidade factual: as peças são neutras, factuais e sem enquadramento adversarial. Este contraste entre sensação e facto é, por si só, revelador.

A discrepância não deve ser ignorada. Pelo contrário: deve ser estudada. Portugal apresenta características que tornam plausível a existência de fenómenos semelhantes aos franceses — concentração elevada da propriedade dos media, dependência de publicidade estatal, homogeneidade sociológica das redacções e crescente polarização política. Estes factores não produzem, por si, censura formal; produzem algo mais subtil: ambientes editoriais onde certos enquadramentos se tornam mais prováveis do que outros.

O precedente francês ensina que a análise mediática não pode assentar em impressões, indignações momentâneas ou leituras partidárias. Exige método, comparação internacional, análise linguística, estudo institucional e distinção rigorosa entre narrativa e facto. Só assim se poderá determinar se existe, em Portugal, um padrão estrutural de negatividade ou se a percepção pública resulta de outros factores — como a polarização, a amplificação digital ou a própria estratégia comunicacional dos actores políticos.

Num país em transformação, compreender a relação entre OCS e política não é apenas um exercício académico: é uma necessidade democrática. E o primeiro passo é este: separar a percepção da realidade factual. O segundo será estudar, com seriedade, o que ainda ninguém estudou.

 

 

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

nobel ancião

Como o assunto é notícia e não preciso de ser cultural e politicamente correcto ai vai a minha bacorada: Consta que um nobel ancião anda pr’aí a dizer umas coisas aplaudidas por uns pequenos e médios intelectuais e muito divulgadas por alguns pequenos e médios “jornalistas” que se assentaram nos brilhantes OCS que temos. Porque as agências de propaganda da “fera” não tem fornecido “news” para “copy-paste” a oportunidade, de aparecer de uns e de encher espaço e tempo de outros, têm sido bastamente aproveitada para uns ataquezitos àquilo a que chamam genérica e jacobinamente de “Igreja” porque desconhecem o significado de mesquita, sinagoga, templo. Sábiamente os tugas assobiam para o lado e pensam: “… e a caravana que passe”, porque em breve "os espaços e os tempos" serão plantados de noticias sobre a "fera", amansada, claro, porque atingida pela recente legislação circense, que vai ser politólogamente muito mais interessante...

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Prós& espectáculos que os Zé's pagam

Não vale a pena “criar” argumentos quando outros os pensaram e escreveram melhor do que eu seria capaz: TRISTE FIGURA Ontem à noite, ao assistir ao programa 'Prós & Contras' da RTP, envergonhei-me de ser jornalista. Foi a primeira vez numa carreira com 33 anos. Envergonhei-me porque nunca pensei que jornalistas apontados como de referência (?) fossem capazes de mostrar à sociedade quanto baixo nível existe por certas mentalidades que dirigem órgãos de comunicação social. A baixeza de comportamento, a falta de ética e deontologia, o compadrio, a dependência dos poderes políticos, o altruísmo balofo, a falsa modéstia, o desprezo pela verdade, a traição a camaradas, a aldrabice institucionalizada ficaram patentes perante um país inteiro através dos agentes que tinham a obrigação moral e profissional de provar que a sua escolha de vida balizava-se por parâmetros exactamente contrários aos que indiquei.A discussão entre jornalistas foi um espectáculo degradante, do pior que um povo jamais assistiu vindo de profissionais que a maioria pensava serem pessoas superiores em conhecimento, respeito, ética, humanismo e cultura. Pior ainda: quem assistiu ao programa pensava que estaria perante pessoas que, em princípio, até seriam os melhores a fazer notícias. E até o contrário ficou demonstrado. Nem a executar as notícias as "referências" souberam mostrar serem profissionais de elite porque, inacreditavelmente, até se ouviu dizer que não há mal nenhum em violar-se a correspondência privada dos jornalistas. A vida tem destas coisas. Quando menos se espera temos vergonha de nós próprios por culpa daqueles que pensamos ter alguma identidade com o que aprendemos: realizar jornalismo para as pessoas e nunca para os poderes instituídos. Em Portugal, pelo que se viu, a agulha já mudou... tenho vergonha.
PS - Assim que se abordou o grave problema dos jornalistas mal pagos, ou pagos com recibos verdes e em compromisso precário, os intervenientes fugiram do tema como o rabo da seringa. in Jornal do Pau Terça-feira, Outubro 13, 2009 Espectáculo Fantátisco O debate promovido, ontem, pela RTP, com quatro directores de jornais e o chefe da estação pública foi um dos raros momentos em que a opinião pública teve acesso a uma importante fracção dos bastidores do jornalismo. Os argumentos esgrimidos sobre as sondagens e as suspeitas de vigilância sobre Belém não mudaram a minha opinião, mas permitiram descortinar o enorme cinismo que esteve na origem de algumas decisões editoriais. E, ainda mais importante, e apesar da moderadora, foi possível separar algumas águas. Não todas, pois o silêncio de Joaquim Vieira, provedor do Público, foi incompreensível. in MAIS ACTUAL Terça-feira, Outubro 13, 2009 PAU-MANDADISMO JORNALÍSTICO Ontem, no Prós&Prós, foi tremendo ver João Marcelino, Henrique Monteiro, Paulo Baldaia e José Manuel Fernandes, engalfinhados, dizerem muito menos que o que sabem, sendo que, nesse ponto, João Marcelino se supera e diz muitíssimo menos que aquilo que sabe. Vestido com péssimo gosto, a lembrar um playboy sul-americano, péssima gravata, péssimo fato, ninguém pode altercar com ele e demonstrar-lhe limpidamente que a sua célebre manchete em época eleitoral no DN foi um serviço encomendado pelas forças mais obscuras de Portugal, foi um serviço precipitado com um escopo deliberado: dar um golpe mediático sobre a matéria das escutas à Presidência descredibilizando o próprio Presidente. Fez o que as fontes queriam. O controlo completo dos media por parte de essas forças obscuras enegrece o País e fá-lo mais falso. Elas que não olham a meios. Elas que mentem aos portugueses. Elas que argentinizam os números da economia e mantiveram oculto durante a campanha aquilo que realmente importava: o estado lastimoso das contas públicas. Marcelino é Marcelino. O DN tem dono. in Palavrossavrvs Rex Terça-feira, Outubro 13, 2009 Apenas temos que juntar o bem que anda por aí disperso em facciosismo Quem assistiu ao debate de ontem entre os directores do Expresso, do Público, do DN e da TSF, apenas tem que louvar a corajosa conclusão do Provedor da RTP, o Professor Paquete de Oliveira. Entre os quatro, acabou a falsa hierarquia de um deles ser o mais referencial de todos e todos serão obrigados a levar a história até ao fim. O presidente Cavaco continuou a desprestigiar-se. O governo e o PS, até agora, conseguiram escapar aos pingos da chuva. Isto precisa de uma coisa evidente: de coragem de homens livres que acabem com este maniqueísmo absurdo. O tal que não reconhece que o lado bom tem enormes pedaços de mal e o lado mau, pedações de bem. Apenas temos que juntar o que anda disperso.post completo aqui no Sobre o tempo que passa