sexta-feira, 29 de setembro de 2023

"uma profunda derrota do PS"

Do silêncio na reunião do Conselho de Estado ao resultado das eleições na Madeira
Os destaques da entrevista de Cavaco Silva ao Observador.

quinta-feira, 28 de setembro de 2023

a negra madrugada!

Neste dia, em 1974, estava agendada a Manifestação da Maioria Silenciosa, convocada em apoio ao Presidente António de Spínola e a sua política. A manifestação acabou por não se realizar, tendo gerado um clima de tensão entre as forças políticas em pleno Processo Revolucionário em Curso (PREC). Como consequência Spínola demite-se a 30 de Setembro.

As tensões entre o General Spínola e o MFA tornavam-se publicamente evidentes. O ponto de maior divergência? O processo de descolonização: embora Spínola reconhecesse o direito das colónias à autodeterminação, preconizava a realização de referendos, o que não fazia parte do programa do MFA. Adicionalmente, Spínola via os seus poderes cada vez mais limitados, uma vez que não tinha qualquer controlo sobre o governo provisório.
A palavra de ordem, criada pelo KGB, era ‘partir os dentes à reacção’, na "cordata" expressão de Barreirinhas Cunhal. Por todo o país, o MDP/CDE, o Partido Comunista e outros grupos de extrema-esquerda, destacamentos militares e gente do Partido Socialista montaram nas estradas e nas entradas de Lisboa essas barreiras. Com maior ou menor brutalidade – houve em Coimbra, na Ponte sobre o Tejo, noutros locais, tiros, espancamentos e vítimas mais ou menos graves entre os manifestantes que se dirigiam a Lisboa – mas com notável eficácia, cortaram a passagem a um suposto e poderoso exército contrarrevolucionário que ao raiar do dia se esfumara e cujo copioso armamento nunca ninguém encontrou. 
Na sequência da “Grande Inventona” centenas exilaram-se ou foram presos.
.
Na madrugada de 28 de Setembro, o COPCON sob o comando de Otelo Saraiva de Carvalho encarcerou em Caxias umas centenas de cidadãos, muitos dos quais só foram libertados depois do 25 de Novembro do ano seguinte. Após um fim de semana de notícias e boatos desencontrados sobre o que se passara e passava em Belém, Spínola retirou-se pelo seu pé, despedindo-se com o célebre discurso de renúncia do dia 30 de Setembro.
Ia iniciar.se o PREC...

onde está a linha de alta velocidade ?

 Um ano depois do "lançamento"



segunda-feira, 25 de setembro de 2023

A nova esquerda e a guerra cultural

Num artigo Bring the Counter-Revolution, no City Journal, Christopher Rufo, o autor de America’s Cultural Revolution: how the radical left conquered everything, historia o longo processo através do qual a Esquerda norte-americana conquistou, no nosso tempo, o poder cultural nos Estados Unidos. Uma conquista que, para o autor, foi feita passo a passo, no último meio século e que se foi consolidando, ao ritmo leninista dos dois passos em frente, um atrás, apesar das derrotas políticas infligidas à Esquerda por Nixon, por Reagan e por Trump.
Porque é o povo, a comunidade dos cidadãos votantes, que resiste a esse poder – poder que se vê no triunfo da correcção ideológica LGBT+, na hegemonia e sucesso do discurso intimidatório do Black Lives Matter ou na marginalização da meritocracia na selecção de governantes e responsáveis americanos, perante a obsessão de preencher cargos públicos com quotas de representantes de minorias culturais, sexuais e raciais.
Nixon 1968
Rufo recorda que esta agenda da Nova Esquerda é a que foi imaginada e ensaiada na segunda metade dos anos 60, simbolicamente em 1968 – ano do Maio parisiense, ano que é também o da segunda New Left inglesa. Essa Agenda, na época, obedeceu a preocupações políticas circunstanciais – explorar as vulnerabilidades da sociedade norte-americana a braços com a guerra do Vietname e com o problema racial; mas procurou também responder a questões de fundo, como a perda de atracção, nas democracias ocidentais e entre os trabalhadores”, do “socialismo real” soviético.
Daqui resultou, no terreno, uma evolução para uma democratização e decadência do movimento comunista na Europa, com uma correspondente radicalização armada de grupúsculos terroristas – Brigadas Vermelhas na Itália, Baader-Meinhof na Alemanha– e uma galáxia de partidos maoistas, reencarnando todas as heresias e desviacionismos do tipo trotskista, banidos pela linha geral soviética.
Por outro lado, foi aproveitada a onda de popularidade recebida de Paris, e houve um revival dos “marxismos imaginários” (a expressão é de Raymond Aron), ou seja, de uma leitura dita nova e original de Marx.
Na América, esta agenda da New Left marcou ou ia marcar o tempo até aos nossos dias, ditando padrões da “nova moralidade”, os padrões que hoje dominam “a ideologia, a narrativa e a estética dos movimentos da esquerda social”, ainda que “degradados pelo cinismo e pela recorrência temática”.
Daí, para Rufo, a necessidade da “contra-revolução”, uma contra-revolução intelectual que na América retire o poder à Nova Esquerda, ou melhor, à sua ideologia. E isto não apenas no domínio do debate político, mas em profundidade, indo à filosofia, às ideias, base das orientações políticas e sociais. Rufo, que vem de uma família comunista italo-americana, invoca como um dos pais-fundadores desta contra-revolução Richard Nixon que, nesse mesmo ano de 68, ganharia a presidência norte-americana apelando, no meio da agitação radical, para a maioria silenciosa – “the quiet majority of Americans, the forgotten Americans, the non-shouters, the non-demonstrators”. Esta maioria dos Americanos “brancos e negros, nascidos na América ou no estrangeiro”, representava – insistia o candidato republicano – “a voz real da América”.
Nixon foi um político especialmente odiado pela corporação jornalística progressista; era um realista em política externa que deu passos de extrema ousadia para alguém da direita americana, como o reconhecimento da China de Pequim. Por outro lado, internamente, percebeu as regras do jogo e apelou ao povo ameri-cano, em nome dos princípios da Revolução americana, contra a “revolução” da New Left.
Nixon percebera que o inimigo principal da América era a coligação entre radicais brancos da classe média estudantil, que faziam barulho e fugiam à tropa, e radicais negros do Black Power, que punham bombas e assassinavam polícias. E daí veio a política de “lei e ordem” com que, uma vez eleito, respondeu aos grupos terroristas ou subversivos como os Black Panthers, ou os Weather Underground. Estes movimentos clandestinos ou semi-clandestinos foram combatidos e controlados durante a Administração Nixon.
A vitória de Ronald Reagan, em Novembro de 1980, foi também o resultado da “contra-revolução” intelectual, promovida pelas fundações e think-tanks nacional-conservadores, como a Heritage Foundation de Ed Feulner e o American Enterprise Institute; mas foi, acima de tudo, consequência da percepção popular da decadência dos Estados Unidos e de que os EUA podiam perder a Guerra Fria para a União Soviética.
Esta reacção nas Administrações Reagan-Bush 41 acabaria por levar, sem confrontação e dentro dum quadro de Détente, a uma espécie de vertigem suicidária da direcção soviética de Gorbachov; as reformas do Secretário-Geral retiraram do sistema soviético, interna e externamente, isto é, no interior da URSS e na área do Pacto de Varsóvia, o factor medo, precipitando a queda dos regimes comunistas.
Uma década antes desse fim, na segunda metade dos anos 70, depois do Watergate e do abandono do Vietname em 1975 e, na mesma época, da passagem dos Estados saídos da descolonização portuguesa para a esfera da URSS, parecia ser a América e o Ocidente quem estava em crise e à beira da derrota. Enquanto, apesar de análises críticas como a de Emmanuel Todd sobre os males intrínsecos da URSS, o país e o sistema soviético estavam, na expressão de Stephen Kotkin “letargicamente estáveis”.
O sucesso da Nova Esquerda
Mas antes do “colapso soviético” já aparecera a Nova Esquerda nos anos 60, que acabaria por ser uma tentativa, com sucesso, de a Esquerda encontrar um caminho possível entre o “socialismo real” soviético, identificado com os horrores do Estalinismo e o Estado policial e que já não seduzia muita gente e a deriva “burguesa” do trabalhismo e da social-democracia.
Com sucesso, os neo-esquerdistas convenceram a opinião pública que o Estalinismo tinha sido um desvio radical do marxismo-leninismo e uma traição ao Proletariado. Convenceram também que os seus ideais permaneciam como tal – ideais – e que a experiência soviética e chinesa não passava de ilusões, de corrupções autocráticas do verdadeiro e autêntico marxismo, que permanecia puro, na terra das utopias.
A lista destes marxistas libertários “ocidentais” é longa, desde a Escola de Frankfurt aos italianos Gramsci e Antonio Negri, a Louis Althüsser e Herbert Marcuse e às as novas “leituras” de Marx.
As interpretações alternativas e “heréticas” de Marx em relação à Vulgata soviética estavam desde sempre legitimadas pelo próprio Pai Fundador da doutrina que, em nota revelada pelo seu amigo, coautor e mecenas, Friedrich Engels, escrevera “tudo o que sei é que eu não sou marxista” – “Alles was ich weiss ist dass ich kein Marxist bin.”
Mas além de uma hermenêutica para os devotos, as várias derivas marxistas, neomarxistas e pós-marxistas, tiveram a extraordinária virtude de desligar os princípios ideológicos do Marxismo das experiências marxistas reais – que houve algumas longas, como a soviética, a chinesa, a cubana e a norte-coreana. Do mesmo modo, a agenda New Left dos anos 60, embora neutralizada no plano político e de ordem pública, isto é, sem qualquer apoio eleitoral e popular para fazer a revolução, conseguiu impor-se progressivamente no plano cultural e ideológico.
Rufo, no seu livro, traça o perfil intelectual e descreve a ideologia de uma série de autores – com Althusser à cabeça, mas também os americanos Derrick Bell e Kimberlé Crenshaw, os inventores da Critical Race Theory em nome da qual, a seguir ao assassinato de George Floyd, a esquerda radical pegou fogo à América e pôs em causa meio século de integração; assim como o sociólogo brasileiro Paulo Freire, autor de Pedagogy of the Opressed e uma longa lista de divulgadores pós-marxistas que foram aplicando a tudo ou quase tudo o binómio explorador-explorado, ao mesmo tempo que impunham, por via das receitas gramscianas e da Escola de Frankfurt, uma dialéctica de novas e permanentes contradições e explorações, desenvolvendo simultaneamente catecismos de correcção e incorrecção política.
Estes, numa altura em que começam a encontrar resistência no mundo euro-americano, estão a vir para cá, com a pompa e circunstância de grandes descobertas e conquistas culturais; vêm com a Esquerda radical, apoiada pela Esquerda oficial a quem não deixam de dar algum jeito, obcecada na sua ocupação do Estado e tranquila, por enquanto, com as “linhas vermelhas” que impôs aos seus inimigos oficiais e que estes parecem ter aceitado.



Madeira Eleições 2023

 


domingo, 24 de setembro de 2023

España contra um "albergue espanhol"

 

CHEGA à Madeira

dos 619 aos 7727 em 3 anos,,,

sábado, 23 de setembro de 2023

OUTONO

uma frase que ilumine aquilo que orgulhosamente fizeram

Um político de sucesso é aquele que consegue resumir a sua passagem pelo poder numa única frase. Não é preciso uma dissertação em dez volumes, nem um livro de 800 páginas, nem um discurso de duas horas — isso fica para aqueles políticos que têm necessidade de se justificar ou de se desculpar. Para os que realmente sabiam o que se esperava deles, basta uma frase que ilumine aquilo que orgulhosamente fizeram ou aquilo que evitaram que tragicamente fosse feito.
Depois da revolução, tivemos três Presidentes que, concordemos entusiasticamente com eles ou discordemos furiosamente deles, passam o teste da frase única.

A frase que define Ramalho Eanes é esta: “Devolveu as Forças Armadas aos quartéis sem golpes de Estado nem pronunciamentos militares”. Ao contrário do que nos parece hoje em dia, em que nos habituámos a viver numa reconfortante normalidade democrática, não foi fácil e não foi simples. Depois do processo revolucionário e depois das primeiras eleições livres, alguns militares de ego inchado acharam que a Pátria não podia sobreviver sem a sua orientação e o seu conselho. Por isso, berravam e esperneavam sempre que algum político sugeria que a sua influência política tinha passado a fronteira que separa a virtude do vício. Em algumas alturas, Ramalho Eanes defendeu estes personagens que se julgavam tutores do regime, cedendo ao corporativismo e às fidelidades pessoais. Mas, nos momentos decisivos, usou a sua indiscutível autoridade nos quartéis para colocar os tanques na garagem.

A frase que define Mário Soares é esta: “Estabeleceu a elasticidade e as fronteiras dos poderes de um Presidente da República”. O fundador do PS não foi apenas o primeiro Presidente civil da democracia — o que, só por si, já seria um feito. Foi, acima de tudo, o primeiro Presidente com uma ideia de missão e de destino. Mário Soares sabia o que queria e, detalhe igualmente importante, sabia o que não queria. Tentou alargar ao máximo constitucional os poderes presidenciais: dissolveu, vetou, pressionou e, com gozo e perfídia, conspirou. Mas soube parar antes de atingir os limites do regime: conviveu com um primeiro-ministro que odiava, assistiu à impotência do partido que fundou e reconheceu as fronteiras do cargo que ocupava. A dada altura, Mário Soares deixou-se consumir pela noção de uma derrota histórica perante o cavaquismo, mas, inegavelmente, terminou o seu mandato com dignidade.

A frase que define Cavaco Silva é esta: “Permitiu que o governo que foi forçado a aplicar o programa da troika para evitar a bancarrota cumprisse a sua missão até ao fim”. Muitos Presidentes entram para a História por causa daquilo que fazem. Mas, muitas vezes, mais importante do que isso é aquilo que os Presidentes não fazem. E Cavaco Silva não despediu o governo de Passos Coelho, mesmo em momentos em que isso pareceria popular ou pareceu inevitável. Se, em 2011, Cavaco tivesse sido derrotado nas eleições presidenciais por Manuel Alegre, dificilmente o país teria terminado o programa da troika — hoje seríamos, talvez, uma Argentina europeia, submersos num populismo nacionalista trágico para nós e cómico para os outros. É verdade que Cavaco Silva não travou a tempo José Sócrates como, retrospetivamente, pareceria obrigatório. Mas por uma boa razão: o institucionalismo levou-o a suportar o insuportável.

Da lista de Presidentes democraticamente eleitos, sobram dois que não se descrevem numa frase única. Jorge Sampaio foi uma figura etérea, embrulhada numa retórica vazia, sem foco nem propósito. Entra para a História por um terrível erro de cálculo: despediu Santana Lopes, mas logo a seguir deu posse a José Sócrates. Como diria alguém, quando julgava que se estava a benzer, estava afinal a partir o nariz. O dele e o nosso.

E há, finalmente, Marcelo Rebelo de Sousa. Quis ser o “Presidente do consenso”, o “Presidente da pacificação” e o “Presidente dos afetos”. Mas acabou por ser, acima de tudo, o valet de chambre de um primeiro-ministro que o forçou a encolher os poderes presidenciais que Mário Soares tinha ampliado.

Não há uma frase única que defina a passagem pelo poder de Marcelo Rebelo de Sousa. A não ser, talvez, aquela que ele próprio usou há dias num comício para emigrantes no Canadá: “We are bacalhau”.

Como se costuma dizer, as coisas são como são.

sexta-feira, 22 de setembro de 2023

O verdadeiro “poder da palavra”

O guia de Cavaco Silva dirigido aos chefes de Governo e a quem os observa parte de uma “reflexão” do antigo primeiro-ministro, através da sua experiência, mas também da “observação dos seis primeiros-ministros que se seguiram”, principalmente, daqueles com quem trabalhou como Presidente da República. (Marina Ferreira)

“Falta de bom senso”, “atitudes mentirosas” e “linguagem que reflete falta de boa educação”. Estas são as linhas vermelhas que Cavaco Silva traça para os casos em que um primeiro-ministro tem a obrigação de propor a exoneração de um ministro ao Presidente da República.
“Nessas condições, [o primeiro-ministro] tem de esquecer todas as ligações pessoais, todo o bom relacionamento que tem ou que teve com esse ministro e tem de propor ao Presidente da República a sua exoneração”, defende Cavaco Silva em entrevista a Raquel Abecasis no Nascer do Sol.
Há uma semana, Cavaco Silva lançou o livro “O Primeiro-Ministro e a arte de governar”, que, revela, estava na sua cabeça “há quase 20 anos”. Só não o mostrou ao público antes porque, diz, tinha de “prestar contas aos portugueses” do exercício das funções políticas que exerceu — a passagem por São Bento, primeiro, e pelo Palácio de Belém, depois.

quinta-feira, 21 de setembro de 2023

o papão candidato!


Miguel Albuquerque diz, em entrevista ao Observador, que, se ganhar sem maioria, é o PSD-Madeira que vai decidir se faz coligações pós-eleitorais com outro protagonista ou se pede novas eleições.
A coligação PSD/CDS liderada por Miguel Albuquerque aparece muito destacada em todas as sondagens. Estas sondagens não são, contudo, tão taxativas sobre se o presidente do Governo consegue ou não renovar a sua maioria, existindo a possibilidade de ficar dependente dos deputados que o Chega conseguir eleger. 

sexta-feira, 8 de setembro de 2023

escolha-nos qual Inferno!

A actual realidade dantesca só é possível por duas razões:

- Rebelo de Sousa, iludido pela popularidade fácil e traído pelo branqueamento militante, comprovadamente não tem autoridade para exercer a magistratura de influência;

- Uma Comunicação Social que continua falida, vulnerável e com a capacidade de escrutínio condicionada pelos clientes e mercenários do costume.






terça-feira, 5 de setembro de 2023

acabar com os "precários"

Estas 80 mil empresas visadas “representam 8,8% do total das que se encontram ativas na Segurança Social”, segundo detalhou, ao JN, a Ana Mendes Godinho que está ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social.
Já os 350 mil trabalhadores com vínculos irregulares “correspondem a 19% dos trabalhadores por contra de outrem existentes em Portugal”.
.
"acabar com os precários
a língua portuguesa tem a extraordinária capacidade de dar às palavras um duplo sentido!