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quinta-feira, 19 de março de 2026

Espanha, Schengen e lógica eleitoral-demográfica da esquerda radical

Imigração, demografia e política de massas
A base factual central é esta: em Abril de 2024 o parlamento espanhol aceitou iniciar a tramitação de uma iniciativa para regularizar cerca de meio milhão de imigrantes irregulares; em Novembro de 2024 o governo espanhol anunciou uma via de legalização de cerca de 300 mil por ano; e, em Janeiro de 2026, aprovou um decreto extraordinário para acelerar a regularização de cerca de 500 mil pessoas. No plano europeu, Schengen continua a assentar na livre circulação interna, admitindo apenas controlos internos temporários em circunstâncias excepcionais. (Reuters)

Há momentos em que uma decisão nacional deixa de ser apenas uma decisão nacional. Passa a ser um sinal político para todo um espaço civilizacional. É isso que sucede quando um Estado europeu, confrontado com fluxos migratórios contínuos, com debilidade no controlo de fronteiras e com pressão demográfica crescente, escolhe a regularização massiva como resposta estrutural. O caso espanhol não deve ser lido como uma excentricidade peninsular. Deve ser lido como um laboratório político do que poderá tornar-se a norma europeia: transformar a incapacidade de conter a imigração em mecanismo permanente de absorção administrativa e, depois, em reorganização social, económica e eleitoral.
A Espanha surge hoje como o exemplo mais evidente desta deriva. Sob a cobertura de necessidades laborais, da retórica humanitária e do discurso da integração, o Estado espanhol foi normalizando a ideia de que grandes contingentes de população em situação irregular podem, mais cedo ou mais tarde, ser integrados por via política. O problema não está apenas no número. Está sobretudo no precedente. Sempre que uma ordem jurídica deixa implícita a expectativa de futura legalização, cria um incentivo objectivo à continuação dos fluxos. A mensagem recebida fora das fronteiras é simples: entrar pode ser difícil; permanecer acaba por compensar.
É este o ponto que demasiados comentadores evitam enfrentar. A regularização em massa nunca é apenas uma medida administrativa. É uma mensagem estratégica. Diz aos potenciais migrantes que a Europa pode protestar muito, pode hesitar muito, pode teatralizar indignação fronteiriça, mas no fim tende a acomodar. E quando essa percepção se consolida, a política migratória deixa de ser política de soberania para passar a ser mera gestão burocrática do irreversível.

No caso de Espanha, a questão é ainda mais séria porque o país não existe isolado. Está inserido no espaço Schengen. Isto significa que uma decisão de permissividade num Estado-membro produz inevitavelmente efeitos indirectos sobre os demais. Quando um país enfraquece o princípio da fronteira externa, não está apenas a redefinir o seu quadro interno de residência. Está a pressionar todo o edifício europeu da circulação, da segurança e da confiança recíproca. Schengen funciona apenas se todos os seus membros levarem a sério o controlo da fronteira comum. Quando um deles converte a excepção em hábito, a solidariedade europeia degrada-se em vulnerabilidade partilhada.

É por isso que a discussão não pode ficar prisioneira da linguagem piedosa do acolhimento. O que está em causa é saber se a Europa ainda se pensa como comunidade política com fronteiras, continuidade histórica e direito à auto-preservação. Uma civilização que não distingue entre receber e absorver, entre integrar e substituir, entre regular e ceder, acaba por perder a capacidade de decidir sobre si própria. E uma vez perdida essa capacidade, a democracia transforma-se num ritual formal administrado sobre uma realidade humana que outros, antes, moldaram.

É aqui que entra a dimensão demográfica, que muitos recusam nomear por cobardia intelectual. A imigração em grande escala não altera apenas estatísticas económicas. Altera composições populacionais, padrões culturais, pressão sobre serviços públicos, estruturas escolares, mercados de habitação e, a prazo, equilíbrios eleitorais. Dizer isto não é “extremismo”; é apenas reconhecer que a política democrática assenta num povo concreto e não numa abstracção jurídica sem corpo, sem memória e sem fronteiras.
A substituição demográfica não precisa de ser conspirativa para ser politicamente relevante. Basta que seja cumulativa, acelerada e incentivada. Basta que elites governantes, incapazes de responder à quebra de natalidade, ao envelhecimento e à crise do Estado social, escolham importar população em vez de reconstruir a base nacional da reprodução demográfica. Basta que se combine baixa natalidade autóctone, imigração contínua e sucessivas regularizações. O resultado não é um episódio; é uma mutação. E toda a mutação demográfica duradoura acaba por ter consequências eleitorais.

Naturalmente, estas consequências não são lineares nem imediatas. Mas são previsíveis. Quem entra, fixa-se. Quem se fixa, reclama direitos. Quem adquire estatuto, entra no circuito da representação. Quem passa a contar administrativamente, passa também a contar politicamente. E quando os aparelhos partidários percebem isso, deixam de discutir imigração como questão de soberania e passam a geri-la como investimento de médio prazo na recomposição do eleitorado. A partir desse momento, a política migratória deixa de obedecer ao interesse nacional e passa a obedecer à engenharia social das maiorias futuras.
É isto que torna o debate tão contaminado. Porque já não se trata apenas de moralidade pública ou de compaixão privada. Trata-se de poder. Trata-se de saber quem comporá o demos de amanhã. Trata-se de saber se a esquerda europeia, incapaz de reproduzir organicamente a sua base social tradicional, não encontrou na imigração massiva uma forma indirecta de reconfiguração do campo político. E trata-se de saber se o centro, por cobardia ou oportunismo económico, se tornou cúmplice dessa transformação.

Ao mesmo tempo, esta estratégia convive com uma perversidade suplementar: a recusa de políticas natalistas sérias para os nacionais. As mesmas elites que consideram inevitável importar milhões de pessoas para sustentar o mercado de trabalho são, em regra, as que tratam a família, a estabilidade e a continuidade cultural como temas secundários, quando não suspeitos. Em vez de uma política de renovação interna, prefere-se a compensação externa. Em vez de fortalecer o corpo nacional, substitui-se a sua erosão por injecção demográfica importada. É uma solução aparentemente eficaz no curto prazo, mas profundamente destrutiva no plano civilizacional.
Dir-se-á que a Europa precisa de trabalhadores. Talvez. Mas uma sociedade não é apenas um mercado de trabalho. Um país não é apenas um mecanismo de cobrança fiscal. Uma nação não é apenas uma folha de cálculo com contribuintes, pensionistas e rácios de dependência. Quando a linguagem económica ocupa todo o espaço, o que desaparece é a dimensão histórica e identitária da comunidade política. E uma Europa que já não se pensa como herdeira de uma forma própria de civilização acabará reduzida a território de circulação, consumo e administração multicultural.

O caso espanhol, por isso, merece ser lido com frieza e sem ilusões. Não se trata apenas de discutir uma medida concreta. Trata-se de perceber a lógica que ela representa. Regularizar em massa é admitir que o controlo falhou. Repetir esse expediente é transformar o falhanço em política. Integrar isso em Schengen é europeizar a consequência. E justificar tudo com argumentos económicos ou humanitários é apenas o modo elegante de esconder uma escolha mais funda: a substituição da soberania política pela gestão passiva da pressão demográfica.
Se a Europa continuar neste caminho, a questão migratória deixará de ser um problema entre outros. Passará a ser o eixo em torno do qual se reorganizam segurança, representação, coesão social e legitimidade democrática. E então talvez seja tarde para fingir que se tratava apenas de autorizações de residência, regularizações técnicas ou carências conjunturais do mercado laboral. Na verdade, tratar-se-á de algo muito maior: a lenta dissolução de um povo político na massa administrada de uma sociedade sem centro, sem memória e sem fronteira.
...
A regularização massiva espanhola não é um detalhe administrativo. É um sintoma europeu. E todo o sintoma, quando ignorado por muito tempo, acaba por converter-se em diagnóstico.

terça-feira, 9 de abril de 2013

juros a acrescentar à divida…uma cópia de 2011

para quem está mais esquecido sugiro que verifique a informação dos mercados na semana anterior ao pedido de resgate pelo governo do agora comentador Sousa.

O PSI20 encerrou a valorizar 2,78% para 5.712,88 pontos.
A banca nacional está a comprar divida soberana portuguesa no mercado secundário para evitar a subida dos juros.
Portugal vai colocar mais de 5 mil milhões de euros em dívida pública com o primeiro leilão marcado para 17 de Abril.
O financiamento dos bancos portugueses junto do Banco Central Europeu caiu 1.715 milhões de euros em Março, mantendo a tendência de redução dos últimos meses.
O défice comercial de Portugal registou uma redução de 29% entre Dezembro de 2012 e Fevereiro de 2013 face ao mesmo período do ano anterior.
O Sistema de Informação Schengen de 2ª Geração entrou em vigor em Portugal que assim se torna o primeiro país membro da União Europeia a utilizar tecnologia de ponta aplicada na prevenção e na luta contra a criminalidade.
A Standard & Poor's afirma que a reprovação do Tribunal Constitucional a quatro normas orçamentais não terá efeitos imediatos no 'rating' português.
As empresas do Parque Industrial da Autoeuropa poderão eliminar 500 postos de trabalho até ao final do ano, se não houver uma melhoria no mercado automóvel
O crédito concedido às famílias e empresas caiu mais de 14 mil milhões de euros entre Fevereiro deste ano e o mesmo mês de 2012.
O crédito malparado na banca, a maior parte referente a empréstimos concedidos a empresas, continuou a subir em Fevereiro e ultrapassou os 16 mil milhões de euros.
As exportações de bens caíram 4,4% em Fevereiro, face ao mês anterior, devido sobretudo a uma queda nas vendas de Portugal para países da União Europeia.
Segundo a Reuters, a Troika e o FEEF recomendam que Portugal consiga uma extensão de sete anos para o prazo de pagamento do empréstimo cedido.
O Governo pretende avançar com a fusão operacional do grupo Transtejo com o Metro de Lisboa e Carris, que foram fundidas em 2012 e mantém o calendário para a concretização da privatização dos CTT para o final do ano.
Um despacho determina a partir de hoje a proibição de realização de despesas sem a sua prévia autorização do ministério das finanças. (o PS está contra)
As empresas públicas de transportes empregavam no final de Março menos 2.614 pessoas do que em Dezembro de 2010.
O Governo da região espanhola da Andaluzia aprovou hoje um decreto-lei que inclui sanções até 9.000 euros para bancos e imobiliárias que não aluguem casas cujos inquilinos foram despejados por não as conseguirem pagar.
A Comissão Europeia reafirmou hoje o seu apoio ao plano do Governo italiano para acelerar o pagamento de dívida acumulada pela administração pública.
A Eslovénia colocou hoje no mercado 56 milhões de euros em dívida de curto prazo, quando pretendia encaixar 100 milhões de euros, gerando receios de que o país seja o próximo a recorrer à assistência financeira da União Europeia.
O défice orçamental da Grécia atingiu 9,5% do PIB em 2012 e deverá aumentar para 15,2% este ano.
O Brasil tornou secretos os documentos relativos aos financiamentos aos Governos de Angola e Cuba, porque poderiam revelar "os reais interesses do Governo brasileiro nesses negócios”