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terça-feira, 8 de fevereiro de 2022

Os números por detrás de um gráfico surpreendente

O Polígrafo dava ontem [dia 7 de Fevereiro] como falso o gráfico que integrava o ensaio sobre “Eleições e Reformas” de Vítor Bento, embora não sabendo de quem era a autoria – o gráfico circulou anónimo nas redes sociais – nem que incluía o referido ensaio. Beno, lamento dizê-lo, porque um programa como o Polígrafo deveria ter mais cuidado nas verificações que faz, mas o Polígrafo está errado. Como passa a demonstrar.
Assim, e em primeiro lugar, o gráfico destinou-se a comparar, entre duas datas – 1980 e 2020 – o número de residentes em idade de votar cujo rendimento depende do Estado. Ter o rendimento dependente do Estado, do ponto de vista que o gráfico pretende demonstrar, não implica necessariamente que o rendimento seja pago pelo Estado. É o caso do salário mínimo, que é pago pelas empresas, mas o seu valor tem sido decidido politicamente pelo Estado.
Em segundo lugar, e como se explica na nota metodológica do ensaio, o denominador das comparações não é o número de eleitores que constam dos cadernos – que muitos analistas e comentadores têm reconhecido não ser fiável –, mas é a população residente com 18 e mais anos.
Em terceiro lugar, o facto de o Rendimento Social de Inserção não existir em 1980 não o pode excluir da comparação: os beneficiários nesse ano eram zero e actualmente são os que as estatísticas revelam. É assim que se fazem comparações.
Em quarto lugar, e como é explicado no ensaio, o que o gráfico revela não envolve nenhum juízo moral, nem tem qualquer intuito moralista. Nem sobre o resultado, nem sobre as pessoas abrangidas. Os números apenas revelam uma realidade social, que cada um interpretará como entender.
Por fim e passando aos dados propriamente ditos. Como é explicado no ensaio, a fonte do gráfico é a PORDATA e os números constam do quadro junto e os números foram obtidos da seguinte forma:
1 Funcionários das Administrações Central, Regional e Local, da Segurança Social e das empresas das administrações públicas;
2 Beneficiários do subsídio de desemprego ( e do subsídio social de desemprego);
3 Beneficiários do Rendimento Social de Inserção (ou Mínimo Garantido, como já foi chamado);
4 Pensionistas: 85% da Soma das pensões da Segurança Social (Velhice, Invalidez e Sobrevivência) e da Caixa Geral de Aposentações; o ter considerado apenas 85% da soma das pensões e não a totalidade visou acomodar o facto (calculando por baixo) de que o número de pensões é superior ao número de pensionistas, porque há alguns casos em que um pensionista recebe mais do que uma pensão.
5 Na população residente com 18 e mais anos, o segmento de 18 e 19 anos teve que ser estimado, na medida em que as estatísticas apenas dão o segmento 15 a 19 anos.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

poeira para os olhos...

Sobre o novo Orçamento
(...) se um novo Orçamento não for aprovado, o Governo será obrigado a governar com o Orçamento anterior, em regime de duodécimos. Quer isto dizer que, mensalmente, o Governo não poderá gastar mais do que 1/12 do limite de despesa aprovado para o ano anterior e que, se um novo Orçamento continuar sem aprovação até ao final do ano, o Governo não poderá gastar, em 2011, mais do que foi autorizado a gastar em 2010. Mas mais: o Governo também não poderá contrair mais empréstimos (salvo para pagar os que se vençam), em montante superior ao que foi autorizado a contrair no ano anterior (com a mesma ressalva). E não pode mexer nos impostos. Tudo contemplado, significa que o défice orçamental não poderá aumentar e que, se a economia e a receita fiscal (e os preços) crescerem, será forçado a contrair-se. (...) por Vítor Bento no Jornal de Negócios Online Importante ler o artigo completo, aqui, porque é altura de notarmos que nos andam a deitar poeira para os olhos e começarmos a perguntar porquê…

domingo, 16 de maio de 2010

ainda há UM que não percebe a crise...

«Julgo que muita gente ainda não percebe porque o discurso oficial foi, durante muito tempo, o discurso de convencer as pessoas de que nós não tínhamos problemas nenhuns e que o futuro era risonho. Por isso, compreendo que isso gere uma complexidade maior, porque as pessoas são confrontadas com um ajustamento que lhes aparece de forma violenta», afirmou à TSF, Vítor Bento, economista e presidente da SEDES. TSF (a cultura NO de algum pmj conseguiu confundir a SEDES com a SIBS a que este Conselheiro de Estado, também preside...) Realmente ainda há portugueses que não perceberam a crise e, principalmente, não entenderam que a solução passa pela saida de UM, que continua a semear pedras e blocos de cimento e a acreditar num "milagre" que não veio com o outro Bento.
Vítor Bento, da SEDES, SIBS e do Conselho de Estado, noutra comunicação ao DN continua com a inevitável e cabalística linguagem de economista referindo que "O modelo social em que vivemos não é sustentável". E, mais uma vez, os portugueses que esperam mais soluções e menos palavras, irão continuar a não perceber. A iliteracia funcional da maioria da população exige uma linguagem clara, sem rodriguinhos fadistas, porque as soluções economísticas que avançaram para Portugal e para os PIGS, refere o Finantial Times, nunca foram experimentadas em democracia e as ditaduras, não têm, necessariamente, que ser militares e os germanos e godos ao longo da história sempre as tentaram.