domingo, 22 de abril de 2018

a necessidade deputádica de justificar subsídios e ajudazinhas para compor o ordenado!

Para Ferro Rodrigues, os golpes e atropelos à ética e à boa gestão são totalmente legítimos. O único contratempo é saber-se deles publicamente. 
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O caso dos “deputados acumuladores” — que atravessa a generalidade dos partidos com eleitos nas regiões autónomas — é mais um exemplo disso. Estas práticas estão tão entranhadas naqueles corredores e gabinetes, a falta de escrutínio é tão absoluta e a ausência de hábito em prestar contas aos contribuintes está tão enraizada, que alguns dos eleitos que ali estão se sentem donos disto tudo.
Neste episódio, Carlos César fez o papel da virgem ofendida — nada que surpreenda. A coragem que lhe falta para dizer que é preciso pagar mais e de forma transparente aos deputados, sobrou-lhe para dizer, sem se rir, que o seu duplo subsídio que lhe permite lucrar pessoalmente com cada viagem que faz a casa é “eticamente irrepreensível”. É uma ofensa à inteligência de todos mas, sobretudo, à prática dos poucos que tiveram, de facto, um comportamento decente neste caso.
No final, a culpa será sempre de alguns populistas e demagogos que querem ameaçar a democracia e, claro, dos jornais.
Porque de resto, isto é tudo gente séria, como se vê.

a necessidade deputádica de inventar subsídios e ajudazinhas para compor o ordenado!

Qual é o problema deste sistema?
- Primeiro, não é nada transparente: 
Qual é o salário real total de um deputado, aquilo que ele leva para casa no final do mês? Ninguém sabe. 
Os serviços do Parlamento não informam e não respondem quando perguntados — um trabalho sobre este assunto feito também pelo Expresso há cerca de um mês dizia-nos isso mesmo, o gabinete do secretário-geral da Assembleia da República simplesmente não respondeu.
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- Depois, tudo o que é complicado, burocrático e deixado ao critério dos próprios beneficiários é dado a todo o tipo de abusos e esquemas por quem tem menos escrúpulos, como se está a ver.
Os casos vão-se sucedendo, semana após semana, seja porque se está a subsidiar deslocações para uma morada distante que é falsa ou porque os contribuintes pagam a mesma despesa duas vezes.
- Por fim, a necessidade de inventar subsídios e ajudazinhas para compor o ordenado que não se quer assumir frontalmente, leva a perversidades diversas: 
inventam-se cargos desnecessários para atribuição de carro e motorista; 
pagam-se à margem do ordenado as deslocações diárias casa-Parlamento-casa; e, 
a cereja no topo do bolo, cada dia de trabalho parlamentar — presença no plenário ou em comissões — é paga a 23,05 euros por dia para os residentes nos conselhos da zona de Lisboa e a 69,19 euros para os restantes. (in “A culpa é do populismo que isto é tudo gente séria” por Paulo Ferreira )

... a deputada que “mordeu o cão”!

[Aqui se demonstra que jornalisticamente o normal é ser-se dos “deputados acumuladores” e que a  Deputada Rubina faz parte do grupo que “morde o cão”...]
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A deputada Rubina Berardo, que mais não fez do que assumir um comportamento ético e honesto que devia ser a regra dentro da Assembleia da República, acaba destacada e elogiada por isso. 
[Como se tal não fosse (ou devesse ser) regra de comportamento daqueles que nos representam.]
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Um dos critérios mais comuns do jornalismo é o da anormalidade: [um exemplo classico é o do “homem que mordeu o cão!]
Notícia é tudo aquilo que, sendo de interesse público, sai do padrão, foge ao que a maioria espera ou contraria o que é natural que aconteça.
[Será? Reparem:]
O tema é o dos “deputados acumuladores”, os que recebem dois subsídios pagos para a mesma despesa.
Ao lado da notícia sobre o lucro pessoal que Carlos César tira com dinheiros dos contribuintes quando viaja para os Açores, o Expresso publicou, numa coluna de alto a baixo, um segundo texto. Título:
“Perfil –Rubina Berardo”.
Primeira frase: “Tornou-se conhecida na última semana por uma razão insólita: optou por não abusar dos subsídios do Estado”.
...e segue,
explicando que foi a única dos 12 deputados das regiões autónomas que decidiu nunca tirar proveito próprio de subsídios que existem para ajudar nas despesas de deputados ou residentes na Madeira e nos Açores.
[isto é]
O que o jornal Expresso fez foi identificar e destacar o comportamento atípico neste caso [morder o cão!].
Que seja outro o que devia ser o comportamento padrão, ilustra bem o ponto em que estamos! (in “A culpa é do populismo que isto é tudo gente séria” por Paulo Ferreira )

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sábado, 21 de abril de 2018

o senhor que se segue é o Manuel Pinho?

(nos “mentideros da capital” diz-se que “mais não se seguiram” devido aos cargos que ainda ocupam...)
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Desta vez, é o chamado caso EDP, que investiga os benefícios de mais de 1,2 mil milhões de euros alegadamente concedidos à principal elétrica nacional por parte de Manuel Pinho, ex-ministro da Economia do Governo de José Sócrates.
Em causa estão pagamentos que totalizam 1.032.511, 86 de euros que terão sido realizados entre 18 de Outubro de 2006 e 20 de Junho 2012 por parte da Espírito Santo Enterprises  a uma nova sociedade offshore descoberta a Manuel Pinho, a “Tartaruga Foundation”, com sede no Panamá
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Para os magistrados, a explicação para os pagamentos é clara: 
“Beneficiar esses grupos empresariais [Banco Espírito Santo/Grupo Espírito Santo] e a EDP (do qual o BES era acionista) durante o tempo em que exerceu tais funções públicas” no Governo de José Sócrates.
Sendo que nesse período em que Manuel Pinho foi ministro da Economia a ES Enterprises transferiu um total de cerca de 508 mil euros por via de uma transferência mensal de valor exatamente igual: 14.963,94 euros.
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texto completo AQUI

sábado, 14 de abril de 2018

enorme responsabilidade!

                          (ao que transparece do cartoon deste jornal britânico)  
Enquanto os idiotas-úteis olham bovinamente para a nova “geringonça", o CDS fica de fora
Caberá ao CDS ser o único partido de Oposição?
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Premonição?

segunda-feira, 9 de abril de 2018

o "Cristo das Trincheiras"

Na Primeira Guerra Mundial, no sector português da Flandres, entre as localidades de La Couture e Neuve-Chapelle, encontrava-se um cruzeiro com um Cristo pregado numa cruz de madeira, que dominava a paisagem da planície envolvente.
A imagem deste Cristo não era, obviamente, de origem portuguesa, mas encontrava-se na zona defendida pelo Corpo Expedicionário Português durante a ofensiva alemã que quase destruiu a 2ª Divisão de Infantaria.
No dia 9 de Abril de 1918, durante horas a fio, sobre aquela planície caiu uma tempestade de fogo de artilharia, que a metralhou, a incendiou e a revolveu.
Era a Ofensiva da Primavera de 1918 do exército alemão.
A povoação de Neuve-Chapelle, transformada em escombros, quase desapareceu do mapa,.
A área ficou juncada de cadáveres e, entre estes, jaziam 7.500 portugueses da 2ª Divisão do CEP, mortos ou agonizantes.
No final da luta apenas o Cristo se mantinha de pé, mas também mutilado: a batalha decepou-lhe as pernas, o braço direito e uma bala varou-lhe o peito.
Mas, no meio do caos, foi trazida pelos poucos militares que conseguiram reagrupar-se e regressar às linhas aliadas.
É quase inimaginável que, debaixo das barragens de artilharia alemãs, que dizimaram grande parte do contingente português, a opção de alguns militares fosse a de trazer consigo a imagem de Cristo, severamente danificada, e a colocassem em local seguro onde pudesse ser novamente venerada.
Em 1958 o Governo Português fez saber ao Governo Francês o desejo de possuir aquele Cristo mutilado: tornara-se um símbolo da Fé e do Patriotismo nacional e passou a ser conhecido como o "Cristo das Trincheiras". Está na Sala do Capitulo do Mosteiro da Batalha sobre o Tumulo do Soldado Desconhecido




Mais do que um episódio ocorrido durante a 1ª Guerra Mundial, o "Cristo das Trincheiras" simboliza a fé que manteve os militares portugueses na linha de frente durante um par de anos, praticamente sem licenças, mal abastecidos, sentindo-se abandonados por quem os enviou para combater por algo que a maioria não entendia.

Flanders Fields

a film to commemorate the anniversary of WWI.
The music was composed by Dan Price and is performed by the 2nd Rossendale Scout Group Band who also commissioned the piece.


9 de Abril de 1917

Cristo de La LYS



também lá esteve!

Batalha de La Lys

C. E. P.
2.ª Divisão                                                    2.° G. B. A.
3 .ª Bataria
~~ Relatorio de combate de 9 a 12 de Abril de 1918 ~~

"Às 4 horas e 10 minutos“” da manhã do dia 9 do corrente mez teve início um violento bombardeamento de artilharia inimiga de todos os calibres e de gaz.
A essa hora, como estava já na cama, levantei-me o mais rapidamente possível, bem como o alferes desta bataria Snr. José de Menezes Torres que dormia no mesmo compartimento. Ainda não tínhamos acabado de nos vestir quando apareceu o comandante da bataria capitão Snr. Almiro José Pereira de Vasconcellos.
Juntos assim dentro do mesmo quarto e logo no começo concordámos, em virtude da grande velocidade de tiro que não permitia um unico momento sem que se ouvissem os rebentamentos das granadas, em que o bombardeamento era para os decauvilles””, paralelos a duas faces da Messe para as estradas que corriam paralelamente também às outras duas faces, mas, vindo cá fora, depressa verificamos que o bombardeamento era geral, ocupando uma grande zona.
Nesta conformidade foi o alferes Torres ao telefone pedindo para a cabine central ligação imediata para o O. L. “” que era o Snr. tenente Antonio Gonçalves Alvarenga tambem desta bataria, mas as ligações telefonicas estavam já todas partidas””.
Estavamos então debaixo dum verdadeiro e denso circulo de fogo quando saimos da mess em direcção à cabine central, indo o alferes Torres à frente e um pouco mais atraz eu e o Snr. Comandante da bataria. Chegamos à cabine e lá mais uma vez verificamos estarem cortadas todas as ligações excéto para a 2.ª do 2.° G. B. A. e 1.ª do 6.° G. B. A.”” que, a não ser com a nossa cabine, estavam tambem completamente isoladas.
Depois disto e atendendo à grande violencia do bombardeamento tomou o com.te da bat. a a iniciativa de romper fogo”” com os elementos do S. O. S. Grupo”” , para o que já estavam convenientemente avisadas as guarnições.
Rompeu-se então o fogo às 4h,30m”” com a velocidade de 4 tiros por peça e por minuto. Às 7h,30m, como o consumo de munições era já grande o Snr. com.te da bat.ª mandou fazer o remuniciamento, e, pela mesma ordenança que levava esta ordem ao com.te do escalão da bat. a , teve S. a Ex.ia o cuidado, atendendo a que a bat. a do seu comando era de apoio e tinha recebido instruções para não abrir fogo sem a competente ordem do C. A.”” , de enviar ao Snr. com.te do grupo a nota que passo a transcrever:

Ex.mo Snr. Com.te do grupo                                                                            Urgente
às 7h,30m
Apesar de não ter recebido ordem, em presença dum bombardeamento tão intenso, mandei abrir fogo com S. O. S. Grupo, procurando bater todo o sector. Como não ha comunicações telefonicas que tenho tentado conseguir, espero ordens de V.a Ex.ia. Continuo sendo bombardeado com granadas de diferentes calibres e gaz. Ainda não tenho qualquer acidente nem em pessoal nem em material.
O comandante da bataria
(a) Almiro de Vasconcellos
cap.



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