quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

o fim do “selffie made man”!

O ciclo mudou e com ele o tom e o registo: O rosa virou grisalho, os sorrisos amareleceram... 
A habilidade e a pratica do flip-flop politico de Rebelo de Sousa sempre me surpreenderam! Voltará a surpreender-me?
1. “Dizes sempre mal dele, que coisa”!
Dizer mal “do Marcelo” é hoje algo de quase brutalmente dissonante, entre o inadmissível e o absurdo. Não é suposto. Não se faz. Na rendição apatetada do país ao Chefe do Estado, “demissões” não são pura e simplesmente concebíveis.[...]
A verdade é que o observei, vi-o agir, trabalhei com ele e para ele, conheço-lhe a excepcionalidade da inteligência, tirei-lhe muitas fotografias com palavras, confessei-o, alcancei a dimensão exacta da sua ambição, retive, para a vida, a certeza da sua solidão. Sei quem ele é. [...]
e o que nele aprecio – e indubitavelmente aprecio – não coincide com a forma como encarna e pratica a função presidencial.
2. Ao abraçar continuamente o país inteiro Marcelo está a fazer de Portugal um orfanato. Ao distribuir afectos a eito, transforma-o num sítio de gente oficialmente infeliz que necessita permanentemente de mimo e consolo.  Ao fazer-se fotografar e abraçar (cláusulas sempre incluídas nas deslocações) com quem lhe aparece à frente, infantiliza o gesto e relativiza o símbolo do abraço. Nem o país está moribundo, nem saiu duma guerra, nem necessita de ser constantemente redimido ou consolado. [...]
É certo que tudo isto lhe trazia um palco exclusivo – prioridade número um – e assegurava tropas (para o que der e vier). Um português feliz e selfizado é um soldado disponível. E não estão aí sondagens iguais às da Coreia do Norte a comprovar o acerto presidencial? [...]
3. Marcelo praticou demasiada cumplicidade governamental, elogiou demais, comentou demais, enredou-se demais em questões que não eram “suas” e  alertou de menos para algumas opções – leis, reversões, cativações, decisões – que ele sabe que objectivamente não podem deixar de vir a prejudicar o futuro nacional. Fê-lo, disse ele, em nome da “estabilidade”: o seu custo compensará o prejuízo de algumas opções tomadas e que poderiam não ter sido exactamente as mesmas?
Depois veio o Verão, morreram cento e tal pessoas. O confronto que daí resultou com o colossal falhanço do Estado e a leveza dos governantes, avisou-o. O ciclo mudou e com ele o tom e o registo. O rosa virou grisalho, os sorrisos amareleceram. »
4. Sim houve uma nítida marcha atrás na demarche do Presidente e no desenho do seu mandato: melhor que ninguém sabe que o segundo acto será diferente, mesmo que mais difícil e não totalmente previsível.
Há outro mapa politico com a chegada de Rio ao leme de um PSD dividido e cansado; há o calendário eleitoral que vai começar a apertar, alterando forçosamente o ritmo e o rumo das coisas da político; há o aumento de nível de exigências da extrema esquerda, acelerada pelo receio  -real – de um bloco central.
Em caso de casamento ao centro, ao menos não se poderiam queixar da pródiga herança socialista recebida.
E há sobretudo um governo que mesmo que não pareça – distraído como anda com o auto elogio permanente das suas performances – nos surge meio bloqueado: escassseia o investimento público, nada se faz para favorecer ou sequer incentivar o investimento privado; escasseia o trabalho nalgumas áreas governamentais; escasseia – piora – a real procura de uma economia sustentada: chega a ser absurdo o contentamento com o turismo como fonte de riqueza quando não passa de produtor de empregos com baixa qualificação.
E há impostos a aumentar todos os dias, uma carga fiscal que começa a ser tão desencorajadora quanto aterradora.
Como pensa o Presidente da República – agora menos azougado, mais tranquilo com o seu palco e as suas tropas e por isso mais entretido com o “macronismo” à portuguesa – actuar face a tudo isto no levantar do pano sobre o acto dois da sua peça presidencial?

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

o “milagre” que nos tem sido vendido...

Os problemas de fundo da nossa falta de competitividade permanecem e não têm solução à vista. Continuamos sem crescer mais termos anuais do que a média da Zona Euro — veremos os números finais do PIB de 2017 mostram o contrário –, estamos ainda mais atrás da Espanha — que tem taxas de crescimento anuais acima dos 3% desde pelo menos 2016. Mas persistimos em enfiar a cabeça na areia e não olharmos de frente para os problemas estruturais que temos em termos demográficos, em termos de sustentabilidade da nossa Segurança Social ou até a viabilidade económico-financeira do nosso Estado Social.
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Vem isto a propósito do quase ‘milagre’ económico do Governo de António Costa com contas públicas aparentemente controladas — e com boas novas a caminho já na próxima semana do Instituto Nacional de Estatística sobre os números finais do crescimento do PIB em 2017. 
Esse ‘milagre’, contudo, arrisca-se a ser uma fantasia pelas mesmas razões que levaram à falta de sustentabilidade dos ciclos económicos de Guterres e Sócrates.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Defender a legalização da prostituição é defender os Harvey Weinstein nacionais....

Pelos vistos, é um abuso alguém pedir sexo em troca de favores, mas já não o é se for em troca de dinheiro.
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1. O escândalo dos abusos sexuais em Hollywood trouxe à luz do dia uma realidade conhecida mas que o mundo teimava em ignorar: que no cinema, como em outras indústrias onde jovens bonitos se cruzam com homens poderosos, havia um sensação de impunidade por parte de quem tem poder para solicitar sexo em troca de favores.
[...]
2. Em Portugal tem surgido de tempos em tempos propostas sobre a legalização da prostituição. Regra geral os apoiantes deste tipo de legislação têm sido os mesmo que muito se manifestam contra os abusos sexuais como os revelados agora pelo escândalo em Hollywood. [...]

Pelos vistos, é um abuso alguém pedir sexo em troca de favores, mas já não o é se for em troca de dinheiro. (in “Legalizar o Harvey Weinstein nacional” por José Maria Seabra Duque)

domingo, 28 de janeiro de 2018

o meu desabafo para memória futura!

André Ventura recusa ficar parado enquanto espera e, em declarações à SÁBADO, anuncia-se como pré-candidato às próximas directas. "Não voltará a haver eleições no PSD sem a minha presença", garante o vereador da Câmara Municipal de Loures.
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pois é!
Continuemos armados em parvos politicamente correctos e iremos começar a vê-los aparecer.
Claro que a “clubite aplicada” e a “empenhada iliteracia” que tem aumentado a nossa incultura politica, para já, não nos permite admitir que por cá também irão aparecer estes fenomenos de populismo. Mas vão!
Não esqueçam que em França o Macron, verdadeiramente não ganhou uma eleição, ganhou o referendo “anti Frente Nacional de Le Pen”, na Alemanha a Chancelerina Markel e os socialistas do SPD perderam para a Alternativa para a Alemanha.
Lembrem-se que os Austríacos corrigiram a eleição do agora Presidente Van der Bellen dando a maioria legislativa ao Partido Popular (ÖVP) e ao Partido da Liberdade (FPÖ) e relembremo-nos da Croácia e da Holanda, olhando para a Polónia ou para a Hungria.
Só quem anda distraído (ou anestesiado pela imprensa a que tem direito) é que ainda não percebeu que os votantes de direita (a quem nunca lhes foi concedido um partido) agora órfãos do PáF, estão deles ávidos!
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e assim cá fica o meu desabafo para memória futura!

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

nórdicos do sul da Europa

títulos que se ouvem aqui e ali e continuam desligados da sua realidade...
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Há pouco mais de quatro anos, a BBC abriu um artigo sobre o Porto com seis mulheres que lavavam a roupa em tanques públicos. Para o jornalista, aquele "equivalente medieval de uma lavandaria" era "a única coisa" que "as pessoas sem dinheiro para electricidade ou para reparar uma máquina de lavar roupa podiam usar".
Estávamos na altura em que Portugal era o P do humilhante acrónimo PIGS...
É altamente provável que aquelas mulheres continuem hoje a lavar a roupa nos mesmos tanques. Mas agora não são vítimas do "peso da austeridade" - foram elevadas ao estatuto de "nórdicos da Europa", para citar o jornal La Voz de Galicia, que adoptou o "soundbite" do Presidente Marcelo.
[...]
Se em 2012 o The Wall Street Journal citava os números terríveis da falta de qualificações dos portugueses, esta semana a Forbes elogiou a população "jovem e qualificada" que faz de Portugal um destino óbvio de investimento. Até o desemprego jovem, antes repisado em inúmeras reportagens, é visto agora pela Forbes como sinal da existência de "um reservatório de talentos", impacientemente à espera de uma oportunidade" (!).
[...]
No Portugal dual, uma grande parte da população ainda vive no lado com menos luz - o dos salários baixos e estagnados na retoma, da cultura de trabalho inimiga do mérito e da conciliação com a família, da emigração forçada pela necessidade. (in “De PIGS a nórdicos do Sul em 5,3 segundos” por Bruno Faria Lopes)

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

a morte do Estaline...

o regime de lá decidiu, depois de ouvir «figuras gradas», retirar a licença de distribuição ao filme «A Morte de Estaline», de Armando Ianucci.
Uma uma soberba comédia sobre as guerras de poder que sucederam ao desaparecimento do déspota, o único aliado de Hitler que ganhou a Segunda Guerra.
Para memória futura aqui fica o «trailer»
(porque acredito que as «figuras gradas» de cá também lhe retirar a licença de distribuição...) !
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quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

a propósito da eleição do presidente do PPD/PSD

...e dos barões e baronetes que até querem pactuar com o “diabo”!
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Embora saibamos que o PPD/PSD está sempre apto a pactuar com qualquer coisa de direita ou de esquerda, seja ela social-democrata, socialista, populista e até a democrata-cristã que lhes deu assento na União Europeia...
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O conceito de social-democracia tem mudado desde sua introdução como ideologia política surgida no fim do século XIX a partir de uma cisão interna do socialismo marxista que preconiza uma orientação política que proponha a criação de uma economia descentralizada a partir de movimentos populares, empreendidos pela e para a classe trabalhadora, em oposição a outras correntes que defendem o autoritarismo como meio de “transição” para o socialismo.
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A diferença fundamental entre a social-democracia, a do PPD/PSD de cá, onde se acredita na supremacia da acção económica em contraste com a supremacia da acção política, na maioria das vezes “de rua”...
e as outras formas de “socialismo” desde a social-democracia do PS de cá, ao socialismo marxista ortodoxo do nosso PCP e às variantes socialistas champanhe e caviar do tipo UDP, BE, PCP-ML, onde se acredita apenas na supremacia da acção política de rua (mas “tanto lhes faz esta como aquela...)
isto é:
Os sociais-democratas do PPD/PSD até podem dizer-se “pessoas de esquerda”, caracterizada pela simpatia pelas causas e contra as injustiças sociais – se bem que estas estejam bem melhor definidas pelas democracias-cristãs-
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Muita gente confunde socialismo e social-democracia, mas a diferença é simples e fica entre
o que é só meu e dele livremente disponho e
o que é de todos e de ninguém e dele só o “governo” (ou um seu similar), pode dispor!
Resumindo para não baralhar “o baralho”:
- Um social-democrata aceita uma ideologia baseada na propriedade privada dos meios de produção e a sua operação com fins lucrativos.
Isto é, aceita o “capitalismo” como o sistema económico e acredita que ele pode ser melhorado.

- Serão socialistas ou comunistas os que, mesmo após o seu óbvio falhanço na URSS e afins, ainda acreditam numa ideologia política e sócio-económica, que pretende o uma sociedade igualitária, sem classes sociais e propriedade privadas, apátrida e baseada na propriedade comum, pública e estatizada dos meios de produção.

Portugueses sentem-se menos seguros, diz o meu barómetro...

Distrito de Coimbra
Oliveira do Hospital
Foram identificadas mais de 200 casas destruídas, mais de metade das quais de primeira habitação. Milhares de animais foram mortos - mais de 5.000 aves e 3.000 ovelhas.
Penacova
Houve danos em 28 habitações permanentes e numa dezena de empresas, além dos 6.000 hectares de floresta ardida. Estamos à espera dos resultados de informação sobre segundas habitações e infraestruturas, como armazéns e equipamentos agrícolas.
Arganil
O concelho perdeu 92% da floresta nos incêndios (arderam 25.000 dos 27.000 hectares de floresta), o que equivale a três quartos da área total do concelho (33.000 hectares). Perto de meia centena de casas de primeira habitação e “muitas segundas habitações” foram atingidas, “muitas cabeças de gado” perdidas e falta pasto para os animais que escaparam. Há “várias empresas muito prejudicadas” pela destruição de equipamentos e maquinaria.
Tábua
Foram destruídas 54 casas de primeira habitação, número que dispara “para as centenas” se forem contabilizadas segundas habitações, casas desocupadas, anexos e barracões. Um jardim-de-infância, uma capela e três palácios situados na freguesia de Midões foram destruídos e arderam algumas zonas de percursos pedestres. Centenas de cabeças de gado bovino, ovino e caprino morreram, registando-se ainda a destruição de muitas máquinas agrícolas, tratores, alfaias agrícolas e arrecadações.
Pampilhosa da Serra
Foram destruídas 262 habitações e cerca de outras 500 foram atingidas, tendo 20 pessoas ficado desalojadas. Arderam cerca de 20.000 hectares de floresta e terras, o que significa que este ano, nos três grandes incêndios que lavraram no concelho (com cerca de 40 mil hectares de área), foram atingidos 32 mil hectares.
Vila Nova de Poiares
O concelho terá perdido cerca de 70% do seu território - sido destruídas “algumas dezenas de habitações”. Perderam-se também muitas explorações agrícolas e alfaias.
Gois
Góis,  ardeu grande parte do território das freguesias de Vila Nova do Ceira, da União de Freguesias de Cadafaz e Colmeal e até da freguesia de Góis. O lamento da Presidente do concelho - Lurdes Castanheira deu conta do drama vivido no concelho: cercados pelo fogo, que chegou de Serpins, sem comunicações e, acima de tudo, sem meios para combate.
Palavras de Sandra Henriques: Apesar de neste post a presidente de Góis só fazer um lamento, há a dizer que o fogo que atingiu a união de freguesias de Cadafaz e Colmeal, na qual eu vivia, a antiga freguesia do Colmeal ardeu quase na totalidade e o fogo foi o que veio da Sertã e não de Serpins. Nesta freguesia arderam pelo menos 3 casas de primeira habitação (uma delas a minha) e cerca de 20 casas algumas das quais estimadas e cuidadas por pessoas que vinham cá frequentemente. Aldeias de Sobral e Adela e Ribeira de Adela.
Figueira da Foz
A maioria dos 3.130 hectares de floresta ardida nos incêndios de Quiaios (que se estendeu depois a Cantanhede e Mira) e de Paião pertenciam à Mata Nacional de Quiaios, que ficou reduzida a metade. Foi atingida a zona “mais usufruída pelas pessoas”, na faixa central e leste da mata, junto às lagoas das Braças e Vela, uma casa ficou sem telhado e uma autocaravana e uma casa prefabricada em madeira arderam. Na envolvente das lagoas desapareceram nenúfares e outras plantas aquáticas das margens e foram destruídos equipamentos de apoio, sendo “enorme” a perda de biodiversidade numa zona incluída na Rede Natura 2000.
Mira
As “dezenas de frentes” de fogo que assolaram 70% dos 120 quilómetros quadrados do concelho, “densamente florestados”, afetaram zonas urbanas, com a perda de “imenso património”, entre o qual primeiras habitações e casas devolutas, deixando 12 famílias desalojadas. As chamas chegaram ao polo I da Zona Industrial de Mira, afetando empresas como a Tecplasnova (com materiais altamente combustíveis) ou a SIRO, uma das maiores empregadoras do concelho, e destruindo por completo várias outras, o que põe em causa quase 200 postos de trabalho.
Lousã
O fogo consumiu mais de 5.000 hectares de floresta, além de ter destruído várias casas de habitação permanente, unidades industriais, várias explorações agrícolas e viaturas e antigos imóveis, como a desativada fábrica de papel do Boque, na freguesia de Serpins, classificada como Imóvel de Interesse Municipal. Nesta freguesia, ficou destruída uma exploração de caprinicultura com 250 cabras.
Distrito de Viseu
Vouzela
Oitenta a noventa por cento do concelho “foi arrasado” pelas chamas, que destruíram casas de primeira habitação, deixando “pelo menos 20 famílias desalojadas” e destruindo “centenas de postos de trabalho”. Foi referenciada a destruição de dependências, aviários, explorações agrícolas, serralharias, carpintarias, uma empresa de obras públicas, tratores, carros e muitos animais mortos.
Santa Comba Dão
Foram destruídas 15 primeiras habitações e mais de 50 casas devolutas ou segundas habitações e “sete ou oito empresas de pequena dimensão” na cidade, tendo muitas outras, e a própria Câmara Municipal, perdido maquinaria. No “maior incêndio de sempre” no concelho, 80% da mancha florestal foi consumida.
Tondela
O fogo chegou à Zona Industrial da Adiça, onde destruiu a unidade da Valouro, que empregava 47 pessoas e teve num prejuízo entre 3,5 e 4 milhões de euros, e a Tratris, empresa de tratamento de resíduos industriais, com uma dúzia de trabalhadores, estimando-se entre 80 e 85 os postos de trabalho afetados. Mais de 120 casas foram destruídas (35 a 40 de primeira habitação) e 45 pessoas ficaram desalojadas, estando em causa um total de 32 famílias, maioritariamente de idosos. Arderam ainda “mais de 100 viaturas” e registaram-se prejuízos “assinaláveis” em explorações agropecuárias, que enfrentam agora dificuldades em alimentar os animais.
Nelas
Dos 12.500 hectares de área total do concelho, 38,5% arderam, tendo as chamas consumido 4.800 dos 7.682 hectares de área florestal (62,5%) e ainda 40 dos 1.500 hectares de vinha. Dos 24 prédios urbanos afetados, seis eram primeiras habitações e 18 casas devolutas, tendo ficado dez pessoas desalojadas. Há mais de 50 animais de médio porte e 200 de pequeno porte mortos, além de várias colmeias de abelhas.
Carregal do Sal
O concelho viu desaparecer 70% a 80% da mancha florestal. Arderam cerca de 10 casas, duas delas de primeira habitação, além de barracões, tratores e alfaias agrícolas.
Oliveira de Frades
Mais de 500 postos de trabalho ficaram em risco, já que o fogo danificou ou destruiu totalmente várias empresas situadas na Zona Industrial.
Mortágua
Centenas de postos de trabalho foram perdidos e várias casas consumidas, tendo desaparecido “uma grande mancha florestal”. A Central de Aproveitamento Energético de Biomassa Florestal Residual foi afetada e a empresa Pellets Power ardeu na totalidade, pondo em causa, além dos 20 a 30 postos de trabalho diretos, mais de 300 postos de trabalho indiretos. Houve danos numa fábrica de cimento cola e noutra de mármores e numa oficina.
Distrito da Guarda
Gouveia
Com 11 das 16 freguesias atingidas, calcula-se que as chamas destruíram “mais de mil hectares de área” do concelho, situando-se “a larga maioria” no perímetro do Parque Natural da Serra da Estrela. Uma farmácia e muitas empresas, industriais e comerciais, foram afetadas.
Seia
Setenta e sete casas de primeira e segunda habitação ficaram destruídas, tendo ardido cerca de 60% da área florestal do concelho. Há prejuízos a rondar os três milhões de euros nas empresas afetadas pelas chamas, sem contar com as firmas ligadas à área da agricultura e das florestas. No distrito, as chamas obrigaram ainda à evacuação de várias povoações nos concelhos da Guarda, Sabugal e Fornos de Algodres.
Distrito de Leiria
Marinha Grande
Cerca de 80% do Pinhal do Rei/Mata Nacional de Leiria desapareceu no incêndio que queimou 8.000 hectares dos cerca de 11.000 daquele que é conhecido como o Pinhal de Leiria e cuja origem remonta ao século XIII. A empresa Vincarte, com oito trabalhadores, ardeu na totalidade e a Bollinghaus Steel foi afetada, tendo havido ainda danos em duas empresas na freguesia de Vieira de Leiria, onde seis famílias ficaram desalojadas e uma dezena de casas destruídas.
Alcobaça
Foram consumidos perto de 3.000 hectares de pinhal e arderam dez casas de segunda habitação, receando-se os impactos no turismo, dado que desapareceu a floresta junto à orla marítima, afetando todas as praias no norte do concelho. Os serviços municipalizados apelaram às populações para não beberem água da rede pública devido às cinzas arrastadas pelas chuvas.
Pombal
Desapareceu grande parte da Mata Nacional do Urso (no prolongamento do Pinhal de Leiria) num concelho em que arderam 5.000 a 6.000 mil hectares de floresta pública e privada.
Óbidos
Arderam 50 hectares de floresta, uma casa devoluta e várias estufas hortícolas, tendo dois bombeiros sofrido ferimentos ligeiros.
Distrito de Castelo Branco
Sertã
Desapareceram 7.000 hectares de floresta, num concelho que tem no setor madeireiro o seu motor económico. Oito casas de primeira habitação arderam total ou parcialmente, sete pessoas ficaram desalojadas e três viaturas dos bombeiros, arrecadações e palheiros foram destruídos pelas chamas, que mataram ainda muitos animais.
Oleiros
Os incêndios queimaram 15.000 hectares de floresta e destruíram 70 casas, 20 delas de primeira habitação, e um lagar de azeite, havendo ainda muitos animais mortos.
Distrito de Aveiro
Aveiro
O concelho junta à “perda total” do centro logístico da Moviflor, na Zona Industrial do Mamodeiro, e de outras “pequenas perdas” em várias empresas, nomeadamente ligadas ao setor agropecuário, uma área ardida “brutal” de espaços florestais e de culturas.
Castelo de Paiva
Cerca de 80% da floresta do concelho ardeu e 14 famílias, cujas casas foram consumidas pelas chamas, ficaram desalojadas. O fogo destruiu ainda várias empresas e explorações agrícolas responsáveis por cerca de 200 postos de trabalho.
Vagos
Levantamento de prejuízos causados, em bens materiais - habitações, viaturas, maquinaria, estufas e outros equipamentos. Não temos mais informação neste momento.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

a “oportunidade perdida”...

Temos um jornalismo de pensamento único,
agora Rio quer um PSD igual ao PS.
pergunta-se:
para que serve a política e jornalismo se todos pensarem igual?
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Henrique Raposo, no Expresso, relembrou-me "a oportunidade perdida” :
“Foi  em Ofir, no Grupo de Ofir, que esteve a chave para um centro direita contra as esquerdas mas também contra os crescentes nacionalismos, marialvismos, trumpismos e anti europeísmos”.
mas
sabe-se lá porquê os portugueses acreditaram num PSD igual a um PS com Cavaco Silva. Primeiro minoritário, depois vieram-nos duas maiorias absolutas donde
saimos para o PS porque os portugueses acreditaram num PS igual a um PSD com António Guterres, depois
voltamos... (é preciso continuar?).
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Quando me perguntam pela reforma do estado, a minha resposta começa sempre no Grupo de Ofir e no CDS de Lucas Pires (1983-85). Está lá tudo. As reformas que andamos a discutir em 2018 já estavam inscritas num documento pensado entre 1983 e 1985. Sim, o livro No Caminho da Sociedade Aberta, a compilação dos trabalhos de Ofir, é o grande guião da reforma do Estado. Por outras palavras, a direita perdeu 30 anos. Aliás, o país perdeu 30 anos. Estamos atrasados 30 anos no debate sobre estado social. A troika não aterrou no Terreiro do Paço por acaso. 
Mas então quais eram as políticas propostas pelos jovens turcos de Ofir? Na educação defendiam a autonomia das escolas e criticavam o modelo do estado monopolista. O estado deve ser a garantia do acesso à educação e não o prestador universal; o apoio deve ser "dado às famílias e educandos - não directamente às escolas", porque a liberdade de escolha dos pais deve ser a pedra angular da educação. Interessa, portanto, distinguir entre estado prestador e o estado garantia: o Estado tem de garantir à criança o acesso à escola, mas isso não significa que tenha de produzir essa oferta escolar. Na saúde, um jovem Bagão Félix seguia caminhos semelhantes. A base do sistema, dizia Bagão, deve ser a liberdade de escolha do paciente e não a oferta do estado, pois o centro moral da sociedade é a família e não o burocrata. Em consequência, o seguro de saúde deve ser obrigatório, com o estado a servir de garantia a quem não tenha posses para pagar o seguro. É este o princípio da famosa Obamacare.

Em resumo, o estado não tem de ser o médico e o educador geral da sociedade. Além de absurdamente cara, a concepção centralizada e monopolista (aquela que temos) é perigosa do ponto de vista da liberdade: o nosso actual estado tem demasiado poder e influência, limitando as opções dos indivíduos, das famílias, das instituições privadas e comunitárias. Neste sentido, a nossa grande reforma deve passar por uma viagem até à ideia original e conservadora (Bismarck) do estado social: o seguro individual ou familiar, o apoio directo às famílias e não a construção de burocracias paternalistas que depois forçam as famílias a colocar os filhos na escola x e os velhos no hospital y. O centro da nossa vida colectiva deve estar na sociedade, nas famílias, e não no estado. O estado existe para servir as famílias e não o inverso. Sim, não me apareçam só com folhas de cálculo. Antes de ser financeira, esta é uma questão moral. (in “Bagão Félix e Lucas Pires repensaram o Estado há 30 anos” por Henrique Raposo)