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segunda-feira, 19 de outubro de 2015

a incomensurabilidade ou o “não trocar alhos por bugalhos”...

Ao longo do tempo fui tendo em diversas ocasiões a mesma sensação de desconforto, e ainda bastante recentemente isso aconteceu quando ouvi de vários comentadores políticos de diversos quadrantes elogios à actuação de Mariana Mortágua na Comissão de Inquérito ao caso BES. Como se qualquer posição expressa por um qualquer político pudesse ser descontextualizada do resto das suas posições e avaliada isoladamente.
Volto a sentir o mesmo desconforto no momento actual com a aparente facilidade com que se admite constituir uma maioria de esquerda para governar, somando os votos dos respectivos partidos.
Não me estou a referir aos dirigentes partidários dos partidos em questão, porque esses não me surpreendem quando tentam chegar ao poder de qualquer maneira.
Refiro-me a alguns comentadores e a gente comum. Somar os votos de partidos diferentes após as eleições pode ser legítimo ou não.
No caso de partidos relativamente próximos em termos de matriz ideológica, cultural, ética e de tradição não vejo nenhum problema com isso. Já quando se trata de partidos com uma matriz substancialmente diferente e que ao longo da sua história estiveram frequentemente em barricadas opostas, como é o caso dos três partidos da esquerda portuguesa actual, a minha opinião é outra.
A incomensurabilidade é um conceito importante em ciência e filosofia. Diz-nos que não se podem comparar ou somar de alguma forma coisas que são qualitativamente diferentes. Mas em política, a julgar pelos nossos políticos e comentadores, tudo é comparável e todas as diferenças são encaixáveis numa qualquer bitola comum. (in Isabel Soares no Observador)


sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Sua Majestade o comentador entra abusivamente nas nossas casas!

Ficaram célebres na história da imprensa as manchetes do jornal parisiense Le Moniteur universel que em 1815, acompanhou a retomada do poder por Napoleão e, sucessivamente, titulou:
“O Bandido foge da Ilha de Elba.”
“O Monstro avança até Grenoble”
“O Usurpador está a 60 horas da Capital”
“Bonaparte adianta-se em marcha acelerada mas é impossível que alcance Paris”
"Napoleão chega amanhã às portas de Paris”
“O Imperador Napoleão Bonaparte está em Fontainebleau”
“Sua Majestade o Imperador entra solenemente em Paris”
Vem isto a propósito dos pmmjornalistas, comentadeiros e manchetes que ao longo de ano e meio profetizaram a nossa desgraça e que, sem qualquer pejo, estão agora a “dar a volta ao prego”. Pouco lhes falta, como no Le Moniteur, para avançarem com os hinos de louvor ao governo!
Sem dúvida que os resultados são bons, especialmente se os considerarmos pela visão dos mercados internacionais nossos credores, mas que isto não nos faça esquecer o “brutal aumento de impostos” e o violento ataque feito aos proventos de funcionários e pensionistas.
 
Também não nos devemos ocultar quer as causas, quer quem nos trouxe a esta situação, bem como a incapacidade, destes partidos que temos, no entendimento patriótico que merecíamos, numa solução “à irlandesa”, que teria minorado a descida à pobreza que sofremos e, no nosso tradicional esquecimento, começarmos a pensar que
Sua Majestade o comentador entra abusivamente nas nossas casas!

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

masoquitas dum cavaco...

Não é de agora, já tem mais de 30 anos, mas excepto quando se trata de “números com cifrões” nunca consegui estar de acordo com o Prof. Cavaco Silva. Desta vez encontrei-me a concordar com o agora Presidente da nossa Republica. “Masoquistas” chamou-“os”.
Ao que parece também essa é a opinião dos nossos credores!
(e daqui peço desculpa aos meus amigos canhestros porque a eles, e só a eles, lhes reconheço a “inegável honestidade” de que se acham únicos possuidores…)


terça-feira, 23 de julho de 2013

e, quando nos portarmos mal, levamos “tau-tau”!


Estava a escrever o parágrafo que se segue e voltei atrás, porque me lembrei do dia em que Pinto de Sousa “descobriu” que a dívida dos Estados se chamava “soberana”. Era um “nome bonito” e com ele passou a encher-nos os ouvidos. Mais tarde, lá pela França onde todos se exilam, viria a declarar, ao público e aos seus colegas de “estudo”, que “as dívidas dos estados não são para pagar”… mas vamos lá retomar a escrita:

Após a decisão do Presidente da Republica (Cavaco, às vezes Silva, prós amigos e jornalistas) a descida dos juros que teremos que acrescentar à “divida soberana” tem vindo a diminuir e as acções cotadas em Bolsa começam a subir.
Estes dois factores da economia, importantes para o crescimento e estabilidade social, dependem pouco de nós e muito da “estranja”. Era aqui que queria chegar:
- quando o anterior Ministro das Finanças se demitiu os “juros da divida” quase não se mexeram. “Eles”, lá na Europa, souberam-no antes de nós!
- quando a actual Ministro da Finanças fez a sua “aparição” na arena do Eurogrupo foi recebida com júbilo pelos seus novos pares e os “tais juros” desceram! “Eles”, lá na Europa, souberam-no antes de nós!
- quando e ex-jornalista e ministro nº dois, apresentou a “irrevogável demissão” o “juros soberanos” começaram a subir quase em progressão geométrica. “Eles”, lá na Europa, não só não o souberam antes de nós, como foram apanhados de surpresa!
- quando o Presidente da Republica (Cavaco, às vezes Silva, prós amigos e jornalistas) clamou pela “salvação nacional” o que temos que acrescentar à divida “soberana” ficou estável mas acima dos “7% do resgate”. “Eles”, lá na Europa, souberam-no antes de nós, mas quiseram manter-nos sobre pressão!
- quando não houve “acordo” e é anunciado o “novo governo”, os juros descem e a bolsa caseira sobe mais que as outras porque “eles”, lá na Europa, souberam-no antes de nós!

Isto é, meus caros pmj’s e comentadores, deixem-se de tretas de nos enganar:
nós, idiotas úteis, pouco contamos quando são
“eles”, lá na Europa, decidem por nós!
e, se nos portarmos mal, levamos “tau-tau”!

domingo, 7 de abril de 2013

Hoje foi (ainda é) dia de “comentadores”, amadores, profissionais e políticos.
Até agora os que ouvi interpretaram as palavras e prognosticaram futuros no discurso que o primeiro-ministro nos leu.
Com uma excepção, JGFerreira da SiC, nenhum referiu o importante: Neste mês de Maio teremos que pagar, por inteiro, os empréstimos negociados em 2009 e 2010 e que não o poderemos fazer sem a tranche da troika.
Apenas a mesma excepção referiu que na próxima Quinta-Feira a Irlanda e Portugal vão renegociar as maturidades, os prazos de pagamento, de dívidas de longo prazo. Os juros para a Irlanda caíram dos 4,26% para os 4,06% enquanto os de Portugal, subiram nos últimos dias de 5,92% para os actuais 6,39. O Estado Português dificilmente irá obter mais tempo para saldar as dividas. O temíveis 7% aproximam-se e com eles o novo resgate e mais anos de tutoria internacional.   
 
Mas,
os verdadeiros comentadores chegarão já amanhã nas cotações da Bolsa e nos yields dos Mercados da divida soberana.
A ver vamos como diria o... mexilhão!

quinta-feira, 28 de março de 2013

“les Portugais sont toujours gais!”

Não fui espetador (à moderna) e coerente e dificilmente serei espectador (à antiga) do Pinto de Sousa.
Ouvi, depois, na SIC, os comentários (de José Gomes Ferreira), os desmentidos (de Ricardo Costa), os de defesa corporativa (do José Miguel Júdice advogado da banca e das PPP’s). "Enfiado" e sem microfone também lá esteve o Sousa Tavares.
Atentei o indefeso ataque ao Correio da Manhã. Lembrei-me da TVI, da Moura Guedes e, porque não tenho memória curta, do Pinóquio do Carlo Collodi!
Estranhei que os ainda chamados jornalistas, sempre prontos a defender a "sua" corporação, nada tenham dito em defesa dos seus "camaradas" do CM. Serão só "colegas" como se dizia na tropa do antigamente?

Após o zapping para a estranja, em imagens que a nossa opinião publicada não nos transmite, vi, vindos de Francoforte, os “blindados” a transportar as notas de euro que os bancos do Chipre precisam para distribuir aos cipriotas que há dez dias compram alimentação a crédito quando o, e a, têm.
Recordei que os “idiotas úteis”, de lá e de cá, não sabem que hoje o “dinheiro é virtual” e ainda pensam que a banca o guarda em grandes cofres como o Patinhas do Disney.
Mais um salto de canal e deparo-me com o “primeiro” que temos, talvez o único remodelável, armado em intelectual, com aquela conversa gongórica que não ultrapassa os 30 segundos sem lhe sair uma bacorada boca fora. Estranhamente, desta vez conseguiu uma boa frase: “Cada um deve assumir as suas próprias responsabilidades!”
Concluí que assim deverá ser e por este caminho a minha pensão (com mais de 40 anos de descontos) irá assumir, mais uma vez, as tais responsabilidades.
Tudo leva a crer que em breve ficaremos sem este governo, que virá um governo tecnocrático “à Monti”, com eleições três ou quatro ou seis meses depois e, claro, como no Chipre, sem dinheiro, mesmo que virtual, até chegarem os blindados com as notas de euro!
Mas, mesmo com o vazio das prateleiras dos mercados, “les Portugais sont toujours gais!”, dirão em Bruxelas e em Berlim enquanto atrasam os "dinheiritos"!
Por isso, caro leitores, comentadores, etc., espero que assumam as responsabilidades do que escrevem, postam e partilham.
Eu assumo, desde já, as minhas e não aceito ser nem comentador, nem idiota útil, como os Licenciados em Generalidades que por andam aí, mesmo quando caídos do bico de uma “cigogne parisien”  

domingo, 13 de janeiro de 2013

ainda o diagnóstico do FMI


Continua a pândega do “fmiano” relatório.
A última “acusação”, talvez a mais crível, vem do comentador tvisivo: “eles não conhecem a nossa história!”.
Antes, outros, mais “técnicos”, apontaram que “eles” usaram dados errados, esquecendo que terão sido aqueles a que, ao tempo, terão tido acesso, já que quando publicados trazem um bom par de anos de atraso, mesmo os do nosso credível INE.
Não podemos esquecer “os políticos”, também comentadores, que, certamente com os elementos-base actualizados pelos seus gabinetes de estudo que formam os actuais e futuros assessores ministeriais, apontam a “destruição” do “nosso estado social”.
De fora não se devem deixar de fora os encartados jornalistas que não sabem história e ainda menos são técnicos daquelas matérias, mas que têm necessidade de criar boas manchetes de más notícias.
Mas temos, no activo e na reforma, muitos consultores do Banco Mundial (mea culpa) e destes ainda não ouvi uma palavra em defesa dos actuais colegas de profissão nem, o que é pior, apresentaram um diagnóstico que contraponha ou corrija o que nos foi apresentado. “Esqueceram” que um bom consultor apresenta sugestões e conclusões com base naquilo que dispõe e não faz “fretes” porque estão em jogo as suas credibilidade e carreira profissional.
Se “eles”, meros consultores, fossem jornalistas, mesmo que pequenos e médios, teria caído o “Carmo e a Trindade”, porque neste caso ainda funciona o velho corporativismo e é preciso “dinamizar” o povo!
o blog Aventar concluiu o serviço público da tradução do documento para ler aqui

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

a proposito de um diagnóstico dos consultores do FMI

 

Finalmente consegui ler o Diagnóstico e sugestões dos consultores do Fundo Monetário Internacional e concluí que sou burro face a tantos inteligentes que conseguiram descobrir e interpretar aquilo que nem nas entrelinhas consegui vislumbrar.
 
Acontece que nunca fui nem quero ser “politicamente correcto” e estou-me nas tintas para os “15 minutos” de fama a que dizem todos termos direito ou, a pior das hipóteses, o meu inglês é diferente do dos sábios…

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

os enxofrados!


 
Era conhecido que contradizer a opinião de um jornalista agastava toda a corporação.
Agora ficámos a saber que um cidadão, especialmente se for ministro, não pode contestar os alvitres dos comentadores!
Pouco a pouco vamos sendo esclarecidos de que “há uns mais iguais que outros…”
Parece que o "outro" tinha razão! 

domingo, 25 de março de 2012

o XXXIV no Pavilhão Atlantico

Dizem-mo, porque a minha capacidade para o ouvir não ultrapassa os dois ou tres minutos de atenção que alternadamente lhe (me) vou concedendo, que Passos Coelho discursou hoje, “para fora”, mais de uma hora, depois dos mais de 80 minutos de ontem, “para dentro”.
Realmente preciso de poucos “dois ou tres minutos”, porque em breve virão os spin doctors, ou próximos ou do partido, aos microfones e às camaras,  para me "explicar" aquilo o nosso primeiro nos disse e traduzir-me, à karl rove, o quanto, e o quão bonito, perdi por não o ter ouvido de carreirinha.
Depois virão os jornalistas (em estágio para assessor), os comentadores (a 500 ou mais euros por sessão) e os politicos (tipo RGA) zorrinar-me aquilo que o nosso-primeiro, que não é o deles, deixou por dizer e mo (nos) devia ter dito ...

Mas há uma coisa que uns e outros ainda não perceberam: é que eu vou-me contentando com o meu “grilo” privativo e dispenso óbviamente o do “pinóquio”... agora parisiense.