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segunda-feira, 6 de março de 2017

O cerco vai apertar-se…

…para já em torno daqueles que ainda detêm poder suficiente para questionar a verdade oficial
.
Já vimos isto no passado quando os mesmos protagonistas montaram um cerco ao então PGR, Souto Moura.
Onde antes estava a Justiça está agora o controlo das entidades que devem supervisionar as finanças públicas e a nossa articulação com o BCE.
Nada disto espanta a quem se interessa pelas tácticas de Lenine mas o que não deixa de irritar é como um século depois esta forma de conquista do poder e de captura das instituições continua aí triunfante, sempre em nome de mais justiça, mais liberdade, mais transparência… enquanto se vai fazendo precisamente o contrário.
2 de Março:
3 de Março:
5 de Março:
Passámos claramente para outra fase, as máscaras estão a cair. Já não há qualquer preocupação em disfarçar.
O facto de nunca se ter desmontado a superioridade moral do socialismo-estatismo ainda mais reforça essa táctica: a qualquer dia, a qualquer momento, a qualquer hora somos convocados em nome da pátria a não perguntar nada sobre a CGD e a gritar por causa das offshores ou dos serviços prestados por privados na saúde.

O cerco vai apertar-se para já em torno daqueles que ainda detêm poder suficiente para questionar a verdade oficial sobre a nossa situação económico-financeira e, o que ainda é mais importante, ocupam cargos que podem colocar em Bruxelas essa verdade oficial em causa. (in Finanças Públicas, “Operação Cerco” por Helena Matos)

domingo, 22 de fevereiro de 2015

dicionário do nosso tempo mediático

O que distingue a Grécia da Venezuela? A crise humanitária. Ou seja, a Grécia vive, no dizer de muitos jornalistas portugueses, uma crise humanitária. Já a Venezuela, com as prateleiras vazias, presos políticos e uma criminalidade elevadíssima, que por sinal afecta e muito a comunidade portuguesa, vai vivendo com algumas dificuldades, 
Quanto a Portugal, é mediaticamente inquestionável que desde 2011 tem vivido em crise humanitária.
…e que confirmadamente levará os portugueses a dormir debaixo das pontes ou quiçá a fazê-los regressar às grutas do vale de Alcântara e da Pedreira da Serafina,

A este grupo de sensíveis juntou-se agora a legião da sensibilidade social, conceito mais ou menos vago que na prática se traduz por usar um linguarejar que não dizendo nada sobre a vida é um verdadeiro livre-trânsito político-mediático para a bondade.

A austeridade. Aqui está uma palavra a pronunciar como se se estivesse sofrendo de uma nevralgia. Declarar-se anti-austeridade tornou-se uma espécie de pensamento mágico. Nesta luta contra a austeridade os anti-austeritários aproximam-se muito na sua fé daqueles criadores de produtos virtuais do mundo financeiro que prometem ganhos extraordinários sobre o nada: um homem sonha, anuncia e o dinheiro aparece.
Curiosamente este grupo é o mesmo do tempo em que a austeridade foi revolucionária mas isso aconteceu apenas nos governos de Vasco Gonçalves que, desde a sua tomada de posse em Junho de 1974 até que deixou o poder no Verão de 1975, nunca se cansou de falar da necessidade de Portugal e os portugueses adoptarem uma política de austeridade.

A fome. Antes da presente crise humanitária, aquela a que a austeridade decidida por pessoas sem sensibilidade social nos conduziu, a fome era uma referência nos romances neo-realistas e nos versos da Internacional cantada por comunistas e socialistas nos seus encontros magnos.
No caso dos comunistas o assunto é mesmo sério pois não se limitam a cantar “De pé, ó vítimas da fome!” 

As desigualdades. Mal se pronuncia ou escuta a palavra “desigualdade” deve fazer-se uma expressão de indignação. Faz parte da ordem mediática que a desigualdade é uma chaga social, ou seja uma espécie de ferida cruelmente aberta na sociedade. Não fosse esse iníquo prego da desigualdade cravado no mundo e nós seríamos todos iguais.
…a condenação obrigatória das desigualdades não se limita a transformar o comunismo uma espécie de paraíso perdido da sociedade. Pressupõe também que a desigualdade só existe porque uns se apropriam do que é dos outros. E mais perversamente ainda que os ricos são ricos porque ficaram com aquilo que é dos pobres.

Por responder fica sempre esta pergunta: se formos todos igualmente pobres já não há problema? (in Pequeno dicionário do nosso tempo mediático por Helena Matos no Observador)