terça-feira, 18 de novembro de 2025
Obrigado, “retornados”!
terça-feira, 1 de julho de 2025
o lápis do Lopes!
Pedro Marques Lopes, a quem imagino suando por todos os poros, com a ponta da língua escapando pelo cantinho da boca, ansioso como sempre por demonstrar que é incapaz de raciocinar, resolveu, a dado momento da sua vida, escrevinhar redacções. Nestas coisas da escrita, há de tudo e para todos os gostos. Lopes, encontrando-se incontáveis furos acima do aborrecimento que constitui o trabalho e o pensamento, fez da agenda da semana decorada um catecismo. Nunca se engana, acerta sempre – uma graça concedida a todos os que não vivem no sufoco de terem de pensar sozinhos e cospem o que vão ouvindo dizer conquanto pareça não aleijar. Escrevinhou, com pontuação e tudo, uma composição anunciando ao mundo a valentia de denunciar o que alguém lhe soprou como o colaboracionismo que para aí vai para com a extrema-direita.
Se houve coisa que em Portugal, nos
últimos 50 anos, não foi tolerada – e ainda bem! – foi a extrema-direita. Mário
Soares, por exemplo, não deixou de avisar que uma possível vitória da direita
de Sá Carneiro podia perfeitamente significar o regresso do fascismo ao país, o
que, segundo vários terroristas de extrema-esquerda, serviu de mote a mais de
meia década de mortes, bombas e assaltos.
Enfim, a extrema-esquerda nunca teve colaboracionistas. Talvez porque a esquerda nunca sofre de radicalismo,
e quando dele padece é porque o radicalismo é especial, magnânimo e bondoso. Talvez por isso não foram tratados como colaboracionistas os capitães de Abril que, conhecendo a ligação de Otelo Saraiva de Carvalho às FP25 de Abril, fizeram questão de lhe sugerir que se afastasse do terrorismo, mas nunca se tenham lembrado de o denunciar às autoridades. Muito menos foram rotuladas de colaboracionistas essas autoridades. Nem o presidente da República, que, conhecendo também indícios do envolvimento de Otelo com o terrorismo antidemocrático, resolveu antes condecorá-lo com a Ordem da Liberdade. Ou o então deputado Manuel Alegre, que chamava Otelo à atenção, como um cuidador informal de um filho tonto, enquanto este último ia apontando nos seus caderninhos quantos tiros se devia dar e a quem. Colaboracionistas não foram, também, todos os dirigentes socialistas que combateram mais pelos direitos dos terroristas presos do que pelas vítimas enterradas, e que proporcionaram a fuga de uma prisão que acabou em mais mortes. Nem foram colaboracionistas todos os generosos humanistas que lutaram pela amnistia de terroristas julgados e condenados e nunca gastaram do seu vasto latim para defender as famílias dos mortos e baleados: Maria de Lurdes Pintasilgo, Agostinho da Silva, Maria do Céu Guerra, José Saramago, José Mário Branco e tantos outros. Não foram colaboracionistas os dirigentes do Banco de Portugal que, tomando conhecimento de que o tesoureiro da instituição ia ser detido por dirigir uma organização que matou a torto e a direito, o deixaram fugir. Nem os médicos e professores da Universidade de Lisboa que lhe passavam atestados falsos para o manter de férias no Banco. Muito menos o jornal que convidou o terrorista em fuga a almoçar no Pabe e a dar-lhe honras de grande página. Não foram colaboracionistas os jornalistas com ligações às Brigadas Revolucionárias ou à ETA que cobriram o julgamento – talvez colaboracionistas fossem apenas os colegas honestos que por lá andavam, as polícias, magistrados ou as próprias vítimas, de quem se chegou a dizer que só o eram por culpa própria. Colaboracionista foi, como tese que vingou durante anos, o Estado que perseguiu, muito contra a vontade de boa parte do poder político, gente cândida e sonhadora.Talvez não seja suficientemente lembrado, mas por alturas da aprovação da amnistia aos terroristas das FP25 o país, da esquerda à direita, manifestou-se largamente, e bem, contra o bárbaro e repugnante homicídio de Alcindo Monteiro. E talvez esqueça mesmo, por amnésia, ignorância ou má-fé, outros tantos detalhes da História recente deste país que o adora.
Quando o Governo de José Sócrates perseguiu professores por delito de opinião, manobrou empresas públicas e privadas para perseguir objectivos particulares, condicionou a comunicação social, perseguiu jornalistas, procurou, e chegou mesmo a ter algum sucesso na tarefa, condicionar o poder judicial e o Ministério Público, enfim, quando o Partido Socialista liderado por José Sócrates, e apascentado por uma cáfila de príncipes que se mantém impune e que continua a existir publicamente sem sanção, violou todos os princípios da democracia, também nunca por esses anos se ouvia falar em colaboracionistas. Entre 2006 e 2011, o país esteve perante a maior ameaça à democracia desde 1976, mas quem terá colaborado com a afronta? Colaboracionistas? Nem vê-los, que os democratas da época enchiam o bandulho ceando à mesa de Sócrates e sorriam para a democracia.
E quando António Costa, a respeito de uma questão de saúde pública, deixou de auscultar o Conselho Nacional de Saúde Pública e passou quase dois anos a cometer inconstitucionalidades e ilegalidades, violando liberdades básicas, quem terá visto por aí colaboracionistas? Nem um! «Diga a Constituição o que disser», arfava Costa, democraticamente. O Tribunal Constitucional, entretanto, teve de se pronunciar quase duas dezenas de vezes e reconheceu as inconstitucionalidades. Os democratas, os moderados, os sensatos, os bondosos, os santos da República, para salvarem a democracia, o que resolveram, então, fazer? Reconhecer o erro? Nunca! Marques Lopes alguma vez suspeitou do colaboracionismo para com gestos evidentes de derrube democrático vindos dos seus próprios centros de poder? Jamais! Sugeriu-se, depois, alterar-se a Constituição, para que da próxima vez não nos andemos aqui a arreliar com essas minudências dos direitos, liberdades e garantias. Colaboracionistas? Safa, são lá capazes disso os bons democratas que Marques Lopes tanto estima e bajula.
E não se mencione sequer o que a Europol menciona nos seus últimos relatórios TE-SAT (aqui analisado o de 2023 pelo Diogo Noivo, e aqui o relatório de 2024). Se o sapiente Marques Lopes tem o azar de os ler, ainda fica a saber que os atentados pela extrema-esquerda estão longe da extinção e que ultrapassam em larga medida o terrorismo praticado pela extrema-direita. Mantenha-se na ignorância, por favor, poupe-se ao colaboracionismo.
Enquanto o país, permanece incapaz de
colaborar massivamente com meia dúzia de brutos com soqueiras e botas de
biqueira de aço. O Marques Lopes vê numa minoria um risco anti-democrático;
vislumbra colaboracionismo naqueles que, recusando a brutalidade da extrema-direita,
rejeitam também a benevolência para com os leninismos empedernidos sob a
aparência das boas causas; e é incapaz de olhar à sua volta sem ter a mais leve
suspeita de que as maiores ameaças à democracia portuguesa nunca foram as
minorias de brutos e selvagens, mas demasiados sonsos, sabujos, dependentes e
tiranetes que ocuparam e ocupam as cadeiras do poder e que vestem a si mesmos o
manto da democracia. Marques Lopes, coitado, não colabora, porém. Mesmo nestas
coisas dos que aspiram a colaborar com a mediocridade é preciso descer uns
níveis e ir aos métodos do futebol: faz sempre falta um bom jogo de cabeça. E
Marques Lopes, para bem de todos, não tem.
terça-feira, 17 de junho de 2025
Por que razão?
terça-feira, 22 de outubro de 2024
...a triste vida institucional do Estado português!
quinta-feira, 12 de setembro de 2024
deixar-se ir e ficar...
quinta-feira, 5 de outubro de 2023
as FP25 de Abril
Nuno Gonçalo Poças com Presos por um Fio chega-nos finalmente o relato livre e documentado de uma das páginas mais negras da história do Portugal recente. É o trabalho de investigação que vem resgatar do esquecimento colectivo a trágica tentativa de impor - pela força das armas e do terror - ao povo português um projecto político que ele explicita e reiteradamente rejeitara.
terça-feira, 27 de setembro de 2022
entre as da Suécia e as da Itália
Nos últimos anos, linchámos um Primeiro-ministro por ter tentado fazer a tempo uma reforma que agora chega tarde. Passos Coelho sabia em 2015 que se não fizesse nada o dia de hoje havia de chegar. Raquel Abecasis
Nó de Górdio
A sondagem de Expresso di-lo claramente: é pelos mais pobres que nasce a ideia de que se pode ceder à Rússia. E tal acontece porque dizem que a falta de dinheiro foi exclusivamente provocada por Putin. Nuno Gonçalo Poças
A ilusão dos independentes nos governos
Os partidos transformaram-se em tribos e quanto mais tempo ficam no poder mais se aproximam de seitas. Helena Garrido
Assustar com o “fascismo” já não chega
Nada tenho contra Draghi mas valorizo acima de tudo a democracia. Por isso, acho que é muito bom para a democracia italiana que a vencedora das eleições seja a próxima PM de Itália. João Marques de Almeida
Eleições italianas: Estão surpreendidos? Eu não
Seria surpreendente que os eleitores italianos, depois de experimentarem (quase) tudo ao longo dos últimos 20 anos não acabassem por chegar ao momento em que iriam ceder à tentação das soluções fáceis. Jorge Fernandes




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