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terça-feira, 5 de novembro de 2024

O artista anteriormente conhecido por prof. Marcelo!


Na quinta-feira, em Florença, o prof. Marcelo participou numa conferência sobre o “futuro da União Europeia”. Aí, amanhou uns palpites acerca das próximas “presidenciais” americanas em benefício dos elementos da audiência que ainda não tinham adormecido ou escapado da sala. Para Sua Excelência, cito quase com exactidão, a vitória de Biden será boa para a Europa e a vitória de Trump será boa para a Rússia. No mesmo dia, dois ou três jornais portugueses noticiaram o episódio em rodapé. Eu dediquei o meu programa na Rádio Observador ao dito. Que eu saiba, fui caso único. Ninguém, e sublinho a palavra, comentou as declarações do homem que formalmente desempenha as funções de presidente da República.

Das duas, uma. Ou a generalidade do abundante “comentariado” concorda com o prof. Marcelo ou o prof. Marcelo já atingiu um grau de inimputabilidade que desmotiva as críticas e embaraça os críticos. Se gostaria de acreditar na segunda hipótese, inclino-me para a primeira. É que há por aí gente que não evita avaliar o que lhe aparece à frente. Às vezes avalia, até com simpatia, o candidato do Livre às “europeias”, uma personagem tão burlesca que é impossível não ter sido concebida de propósito. E quem leva a sério o comediante do Livre, que a bem ver nem existe, não deve deixar de levar a sério o comediante de Belém. E, muito provavelmente, de achar pertinentes as suas “considerações”.

Entretanto, no mundo dos adultos onde o “comentariado” não entra e que a famosa “bolha mediática” não reflecte, as “considerações” do prof. Marcelo envergonham. Envergonhar não é sinónimo de surpreender. Estamos a falar da criatura que começou a presidência com uma viagem a Cuba para homenagear o
Carniceiro de Havana e que, há menos de uma semana, lamentou em nome do povo português a morte do Carniceiro de Teerão. Pelo meio, vão oito anos e tal dedicados a arrastar a figura do chefe de Estado, e com frequência o próprio Estado, por um lamaçal sem fim. Embora as afirmações em Florença não desmereçam esse valoroso percurso, não há maneira de as pessoas decentes se habituarem ao lamaçal. A vergonha é imensa, e só a falta dela explica o silêncio que se seguiu.

Vale a pena explicar as razões, da vergonha que não do silêncio? A título de higiene, esclareço que nada disto pressupõe a veneração de Trump, de resto um espécime pouco venerável. O critério são os factos. E um facto assaz evidente é o de que o representante oficial de uma nação soberana não pode aliviar-se de opiniões alusivas às escolhas democráticas de uma nação soberana diferente. A coisa piora quando as opiniões em causa não possuem qualquer vínculo à realidade e obedecem a vozes que ecoam na cabecita do prof. Marcelo ou nas redacções do Público e do Expresso.

Com que então o sr. Putin prefere Trump a Biden para realizar os seus sonhos imperiais? Claro que sim, e por isso é que esperou que Trump saísse da Casa Branca para invadir a Ucrânia, como em 2014 não esperara que Trump entrasse na Casa Branca para anexar a Crimeia. Com os democratas no poder, de Obama a Biden, o sr. Putin não brinca. Nem o sr. Putin nem, acrescente-se dois meros exemplos, os amáveis taliban e os senhores que tutelam o Ministério da Saúde de Gaza, vulgo o popular Hamas. Trump, é sabido, iniciou a IIIª Guerra Mundial e, se reeleito, prepara-se para iniciá-la de novo. Com Biden, incapaz de se calçar sozinho, a paz reina, na Europa e no planeta inteiro. Planeta que, aliás, é plano. E de cujos céus os aviões despejam químicos para aniquilar a humanidade. E os homens, que nunca foram à Lua, conseguem menstruar se o desejarem com força. E a força de todos libertará a “Palestina” do genocídio e do apartheid.

O prof. Marcelo, que fizera uma carreira estimável nas variedades televisivas, jamais se distinguiu pela sofisticação intelectual excepto na perspectiva dos pasmados que lhe admiravam os truques: produzir baixa intriga e fingir ler baixa literatura. Porém, a situação em que se exibe desde 2016, e receio que com tendência de agravamento nos últimos tempos, é de outro nível. Artistas medíocres temos com fartura, em concertos pagos por autarquias e em lugares de aparente responsabilidade. Infelizmente, a simples mediania já não contém o prof. Marcelo, que a cada oportunidade pulveriza recordes de inconveniência e devaneio. Por mais do que um motivo, compreende-se que o prof. Marcelo veja em Biden uma inspiração, mas era escusado inspirar-se tanto. O homem, em suma, não está bem. E um país em que as classes política e jornalística, para usar um horrendo termo em voga, “normalizam” as respectivas acções não está muito melhor.

Restam dois anos, e não se vislumbra quem, divino ou terreno, possa ajudar o prof. Marcelo a terminar o mandato, antes que sem ajuda ele termine com tudo em redor. A dignidade não é para aqui chamada.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022

a imprensa a que temos direito!



Aos donos disto não basta ter por garantida a obediência de quatro quintos das redacções: é preciso garantir que o resto não pia. Há meses, por obra de um discípulo de Estaline que honra a bancada do PS, regressou o lápis azul, possivelmente de outra cor e coberto de uma hipocrisia beata que nem o Estado Novo ousava.

Agora, o governo pretende alterar o Código Penal a fim de demitir, proibir de exercer e afinal destruir os funcionários púbicos, professores, jornalistas e quem calhar de incentivar a “discriminação” e o “ódio”. As definições de ambos os conceitos serão deles, a desgraça nossa.
Eis mais um passo firme no sentido do totalitarismo, que os lacaios do regime desvalorizam porque contam beneficiar dele. Duvidam? A notícia saiu no “Público”, e o “Público” estava feliz.

Em suma, o “Público” está aberto a todas as opiniões, menos aquelas das quais discorda. Além disso, não permite que se trate com “desprimor” as “personalidades”, excepto, evidentemente, se estas fizerem juízos divergentes da “direcção editorial” ou das “personalidades” que o “Público” aprova, o que aliás vai dar ao mesmo. É um exercício divertido procurar textos em que os senhores do “Público” recorrem ao “desprimor” para lidar por exemplo com os blasfemos da Covid. E é um exercício fácil: a 20 de Agosto, o próprio director insulta de tudo os desalinhados do discurso oficial na matéria. Tempos antes, o dr. Manuel Carvalho designara por “delinquente” um político português, e não, não foi o político que atropelou mortalmente um infeliz sem sair do carro para lhe prestar assistência. Até porque, de acordo com o dr. Manuel Carvalho, acusar esse particular político por esse particular incidente “não cabe nos valores de uma sociedade e de uma classe política decentes”. Numa sociedade decente, os serviços que o “Público” presta a uma parte da classe política jamais seriam confundidos com jornalismo.

sábado, 12 de dezembro de 2020

por morrer um ucraniano...

"Esqueçam a sujeita do SEF, o balofo das golas, a Martinha chorosa e restantes descartáveis sem autonomia nem interesse. Essas nulidades não caem do céu, caem do PS e obedecem a um único indivíduo. 
O indivíduo que, além do empobrecimento material a galope, inspira uma pobreza de espírito sem grandes precedentes na nossa sociedade dá pelo nome de António Costa." 

Num país de sonho, a dona Cristina Gatões, os inspectores psicopatas e os colegas que calaram o crime seriam entregues na fronteira ucraniana à família alargada do falecido 
Num país digno, a dona Cristina Gatões sairia do SEF para um tribunal, e não para exercer direito. O dr. Cabrita voltaria a tirar fotocópias no Largo do Rato. E o próprio governo teria de patrocinar imensa “publicidade institucional” para escapar do escrutínio dos “media”, embora não escapasse do escrutínio dos eleitores. 
No beco esconso em que se enfiou Portugal, a dona Cristina Gatões segue para o Harrods, o dr. Cabrita implementa um “botão de pânico” para que os torturados possam desopilar antes do coma, e o governo nem é beliscado no processo. O presidente da República, que finta o “recolhimento” para ocupar confeitarias, profere umas banalidades sobre o assunto, tão tardias que o humilham. “ (in “Por morrer um ucraniano não acaba o dr. Costa” por Alberto Gonçalves) (in “Por morrer um ucraniano não acaba o dr. Costa” por Alberto Gonçalves)

sábado, 15 de fevereiro de 2020

Antes a Morte que tal Sorte!


Em Portugal, já tivemos sucessivas questões “fracturantes”, que se dão a conhecer através de berreiros nos “telejornais”, no “Prós e Contras” e nos programas matinais para donas de casa e vítimas do rendimento mínimo. É curioso observar que, independentemente das “fracturas”, os paladinos do progresso são quase sempre os mesmos, profissionais do chinfrim e especialistas em vencer o adversário mediante danos nos tímpanos e na paciência. [...]
Agora a questão é a eutanásia e a dra. Isabel Moreira, que encomendou o cérebro nos saldos do AliExpress.com, desdobra-se em variedades televisivas a explicar que a vida humana não é, ao contrário do aborto, dos lavabos sem sexo e da penugem nas axilas, um direito absoluto. Como se nota, o nível da argumentação tem sido elevadíssimo, e assaz apropriado a uma matéria particularmente difícil de caber em generalizações. (in “Antes a morte que tal sorte” por Alberto Gonçalves)

domingo, 9 de junho de 2019

Catarina a grande...

Na visão erudita de Catarina, a Grande, o mundo era um lugar de harmonia e paz até ao momento em que os ocidentais decidiram afundá-lo em infâmia.
Uma delas é a amadora dramática que preside ao Bloco de Esquerda, a qual, em vez de ocupar o Dez de Junho com as humilhantes fanfarras da praxe, preferia consagrar a data à “enorme violência” da expansão soviética, perdão, da expansão islâmica, perdão, “da expansão portuguesa” (assim é que é) e à “história esclavagista, a responsabilidade no tráfico transatlântico de escravos”. ( in “Uma enorme violência” por Alberto Gonçalves)
.
Enquanto o presidente da república, em Boston, declarava Portugal capaz, como nenhum outro país, de “compreender, de dialogar, de aproximar pessoas”, por cá, a Catarina Martins revoltava-se, muito indignada por os “discursos oficiais” não terem “reconhecido a enorme violência da expansão portuguesa, a nossa história esclavagista”. Que dizer? O 10 de Junho deveria ser um dia de vergonha e de penitência nacional – não o dia de Portugal, mas o dia contra Portugal?

a Catarina Martins parece muito infeliz por o passado não ser igual ao presente. Não foi, de facto. A essa diferença, chama-se “história”. E para a compreender, não há caminho pior do que o simplismo das glorificações e das criminalizações com pequenos fins políticos. (in “10 DE JUNHO Um dia contra Portugal?  por Rui Ramos)

sábado, 26 de maio de 2018

trapalhadas, lapsos e percalços...

Entre dois aumentos nos preços dos combustíveis, lá irrompe um ministrozinho qualquer metido em trapalhadas, perdão, “lapsos”, perdão, “percalços”.
Desta vez, foi um tal Vieira, que alegadamente é jurista, a desconhecer as “incompatibilidades” do cargo e da praxe.
[e um Costa aproveitou para esconder as dele!]
É impressionante como os socialistas exibem uma ignorância tão vasta em todos os domínios terrestres e, não obstante, conseguem acumular pequenas fortunas pessoais e, para cúmulo, governar tão bem.

sábado, 3 de março de 2018

União Nacional...outra vez!


Tardou nove décadas, e, colada pelo descaramento, a União Nacional lá se consagrou.
De repente (força de expressão), espécimes que tropeçam na língua e na decência têm Portugal inteirinho nas mãos. E não se prevê que o larguem. Pior: não se imagina quem queira obrigá-los a largar. Dado que o CDS é uma coisa de “direita” liderada por uma devota da regulação, a verdade é que uns 30% dos eleitores se encontram sem representação. Nem esperança. [...]
Contas por baixo, um milhão de votantes em 2015 não saberá no que votar em 2019,
se entretanto as eleições não tiverem sido abolidas para evitar transtornos divisionistas.

sábado, 18 de março de 2017

uma profissão de futuro: comentador de “direita”

Graças ao milagre económico português, não só cai o desemprego como se levantam novos e fascinantes empregos. Caso o desejem, os portugueses realmente apetrechados para o ofício podem enveredar por uma carreira de comentador político, na imprensa ou, se lhes sair a sorte grande, na televisão, que dá “visibilidade” e tira a maçada de escrever. Aqui, as possibilidades são diversas, ainda que apenas uma valha a pena. Os comentadores de esquerda, com filiação partidária confessa ou pessimamente camuflada, já ocupam dois terços das vagas disponíveis. Os comentadores que não são de esquerda querem-se escassos, obsequiosos e, de preferência, calados. Pelo que se vê nos inúmeros programas de “debate” e similares, as oportunidades passam sobretudo pelo cargo, hoje imprescindível, de comentador de “direita”. As aspas resumem a coisa. 
Nos parágrafos abaixo, eu desenvolvo-a, de modo a fornecer aos presumíveis candidatos um guia profissional adequado.
1. O comentador de “direita” não é de direita, embora o apresentem à direita e ele pactue com a encenação. A julgar pelas opiniões de que se alivia, por exemplo o ardor com que defende o actual governo e execra o anterior, um ingénuo seria levado a pensar que o comentador de “direita” é de esquerda. Aliás, toda a gente, incluindo o próprio, pensa exactamente isso. O comentador de “direita” não necessita de uma filiação no PSD, mas esta pode ser um incentivo para tentar a expulsão e o subsequente martírio.
2. O comentador de “direita” mal disfarça o júbilo que lhe suscita um governo a reboque da extrema-esquerda. Dado que ninguém o confronta com tamanha bizarria, beneficia de rédea solta para elogiar o dr. Costa, que o comentador de “direita” considera uma personagem de gabarito. Também louva com empenho a “irreverência” das meninas do BE e a “coerência” do sr. Jerónimo. A cada dois meses, não é desajustada a referência simpática à dra. Cristas, a fim de provar que, ao invés de que sucede com Pedro Passos Coelho, é possível uma oposição construtiva. Na “óptica” do comentador de “direita” (por motivos que ignoro, é usual o comentador de “direita” vender óculos), oposição construtiva é aquela que evita a “crispação” e aplaude o governo.
3. O comentador de “direita” só pode apreciar líderes da direita se estes se chamarem Sá Carneiro, mesmo que na época de Sá Carneiro o comentador de direita frequentasse a creche ou os convívios do PCTP. Tolera-se a ocasional menção à dra. Ferreira Leite, a Marques Mendes, no fundo outros comentadores de “direita”, para legitimar encómios ao governo actual. Cavaco Silva e Pedro Passos Coelho são interditos absolutos. Também podem evocar com grande nostalgia Mário Soares, a quem aparentemente devem tudo: a liberdade, a democracia, a alegria de viver e um almoço na Tia Matilde.
4. O comentador de “direita” deve justa, específica e activamente odiar Cavaco Silva e Pedro Passos Coelho. O primeiro porque, cito, abusou dos poderes presidenciais, conspirou contra os governos do “eng.” Sócrates e ainda por cima escreveu um livro a contar tudo. O segundo porque correu com o “eng.” Sócrates, venceu o dr. Costa e nunca convidou o comentador de “direita” para o cargo que este, indubitavelmente, merecia. E ambos porque estão vivos.
5. O comentador de “direita” não pode admitir com franqueza que gosta do “eng.” Sócrates. Mas como de facto não desgosta do “eng.” Sócrates, condói-se imenso com o tratamento que o Ministério Público tem dispensado ao antigo governante. Acerca do tema, começa as intervenções com a imprescindível frase: “Sou insuspeito de ser um admirador do eng. Sócrates, mas…”. Ao “mas” segue-se lengalenga épica contra as cabalas, as escutas, as insinuações, as infâmias, a justiça “mediática”, o “Correio da Manhã”, o juiz Carlos Alexandre e o mundo em geral.
6. O comentador de “direita” tende a achar positivo o desempenho do prof. Marcelo, à superfície por via da “proximidade” e dos “afectos” (juro), no fundo por via do matrimónio entre o PR e o PM. Se, por absurdo, houver divórcio, o comentador de “direita” achará o desempenho do prof. Marcelo menos positivo.
7. O comentador de “direita” orgulha-se de ter amigos de esquerda. Se repararmos bem, o comentador de “direita” tem exclusivamente amigos de esquerda.
8. O comentador de “direita” não se limita a abominar a direita a que diz pertencer: quase tão má é a extrema-direita, cujas sombras, repete ele, ameaçam a Europa e os EUA. Misteriosamente, o apreço do comentador de “direita” pela moderação política termina no momento em que a coerência recomendaria a condenação de todos os imoderados. Vinte deputados “fascistas” na Holanda (ou o “populismo”) tiram-lhe alegadamente o sono. Quarenta deputados leninistas em Portugal (ou a “representatividade”) embalam-no como os anjos.

10. O comentador de “direita” é o proverbial idiota útil. Útil para a esquerda no poder, que assim finge velar pela liberdade de expressão. Útil para os “media” avençados, que assim fingem “pluralismo”. Útil para ele, que assim ganha a vida mas não vergonha na cara. E útil para nós: o comentador de “direita” é consequência de um país triste, mas, se o contemplarmos na perspectiva que merece, é causa de muitas gargalhadas.

segunda-feira, 25 de julho de 2016

um Verão Gelado...

A verdade é que caímos nas mãos de gente particularmente perigosa. 
O resto é tudo mentira.
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Um governo. Uma maioria. Um presidente.
O primeiro, movido pelo oportunismo, pela intrujice e por incompetência, actua com gloriosa irresponsabilidade.
A segunda, movida pela pressão das clientelas e pelo fanatismo ideológico, exige com urgência inéditos paradigmas de loucura.
O terceiro, movido por um pavor clínico da rejeição, persegue transeuntes com comendas e faz figuras incompatíveis com o cargo.
Mesmo à distância, não seria difícil adivinhar o futuro, a breve prazo, de um país assim.

Ao contrário do que alguns esperam, isto não é um regresso a 2011, quando apesar de tudo havia no PS uma ou duas pessoas com vergonha na cara. E havia no poder ascendente uma ou duas pessoas que, cobardias de lado, teimaram em evitar a queda. E havia uma "Europa" disponível para nos amparar na dita.

Ao contrário do que temem outros, isto nem sequer é uma réplica da situação grega, onde até a demência do Syriza depressa se viu invadida por vestígios de realidade. As "sanções", ou a "prepotência de Bruxelas", são o que hoje nos impede de prosseguir jovialmente o caminho da Venezuela ou de um paraíso progressista similar, repleto de consciência social e miséria. Não sei se, cansada de corrigir incorrigíveis, a odiada "ingerência externa" impedirá tamanhas conquistas amanhã.

No fundo, isto é muito simples. E muito triste.
O dr. Costa, que é tão escrupuloso e sério quanto fluente na língua, está disposto ao que calha para sobreviver politicamente. Sejam um produto de incidentes neurológicos ou uma artimanha para servir amigos, as recentes declarações sobre o Novo Banco são um mero exemplo, entre dezenas, daquilo que uma criatura radicalmente desprovida de bom senso é capaz.
Em poucos meses, Portugal transformou-se numa história para assustar criancinhas, investidores e contribuintes em geral. O caso é de tal maneira grave que a recorrente questão acerca do carro usado não se aplica: do dr. Costa, ninguém aceitaria, nem dado, um carro com 0 km.
Infelizmente, não falta quem o siga até ao stand.
Por conveniências sortidas, temos o PS dos negócios, o PCP dos sindicatos e o BE da moral.
E o PR dos "afectos".
E certo PSD unido na oposição subtil a um reduto de sanidade chamado Pedro Passos Coelho.
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Cada elemento da divertida trupe prepara-se para espatifar o país e, graças à tradicional tendência para culparmos terceiros, espera terminar a proeza sob aplausos.
Com jeito, este processo de destruição metódica acabará imputado à UE, à Alemanha, ao brexit, à instabilidade na Síria, ao sr. Trump e a três futebolistas franceses.
A verdade é que caímos nas mãos de gente particularmente perigosa. O resto é tudo mentira. (por Alberto Goncalves em Verao-Gelado no DN)

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Um homem de convicções alheias

Se perguntam a Manuel Alegre pelo Orçamento, ele responde que o grave é que Cavaco Silva não se pronuncie a respeito. Se perguntam a Manuel Alegre pelos juros da dívida pública, ele responde que o grave é que Cavaco Silva não tome uma posição. Se perguntam a Manuel Alegre pelas horas, ele responde que o grave é Cavaco Silva não usar relógio a pilhas. O grave, digo eu, é semelhante deserto opinativo ser candidato à presidência da República. É verdade que, numa rara aceitação dos seus limites, ele já avisou que um mandato basta para fazer o que quer. Acho que bastaria um dia. texto completo de Alberto Gonçalves no DN “Quando o sonho comanda a vida”