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sexta-feira, 17 de abril de 2026

não virou à esquerda, mudou de direita ...e o jornalistado fingiu não perceber!

Há derrotas eleitorais que a imprensa noticia. E há derrotas eleitorais que a imprensa aproveita para fantasiar. 
O caso húngaro pertence claramente à segunda categoria.

Quem tenha passado os últimos dias a ouvir o costumeiro coro do jornalistado televisivo e o interminável rosário de comentadeiros profissionais terá talvez ficado com a impressão de que a Hungria, finalmente, se teria libertado de uma recaída conservadora, regressando ao trilho luminoso do progressismo europeu. Em certos estúdios, quase faltou apenas abrir champanhe em honra da alegada conversão democrática de Budapeste à religião civil de Bruxelas.
Só que a realidade, esse incómodo objecto que raramente cabe nos guiões ideológicos das redacções, diz outra coisa.
Viktor Orbán perdeu. Isso é verdade. E perdeu de forma clara. O TISZA, de Péter Magyar, obteve uma maioria esmagadora, enquanto o Fidesz sofreu a sua mais dura derrota em muitos anos e o terceiro partido com representação parlamentar foi o Mi Hazánk. 

E é precisamente aqui que começa o embaraço do comentariado: os três partidos com assento parlamentar situam-se todos no espaço da direita, ainda que em variantes, estilos e orientações distintas. A esquerda, os liberais e os verdes foram simplesmente varridos do hemiciclo.
A Hungria não virou à esquerda. Nem sequer fez aquilo que tantos sonhadores de redação esperavam — uma espécie de reconciliação sentimental com o catecismo liberal-progressista dominante na Europa Ocidental. O que aconteceu foi outra coisa, bem mais interessante e, para muitos, bem mais inquietante: o eleitorado húngaro quis mudança sem entregar o país à esquerda.
Isto é o que custa admitir, porque, para a maioria do jornalistado europeu, existe um esquema mental preguiçoso e quase litúrgico: se cai um líder nacional-conservador, então a História terá necessariamente retomado o seu rumo natural, isto é, o rumo da esquerda, do centrismo domesticado ou do liberalismo de painel. Ora, a Hungria acaba de mostrar precisamente o contrário. Orbán caiu, sim. Mas não foi substituído por socialistas, nem por verdes, nem por uma coligação arco-íris de causas fracturantes, minorias performativas e tecnocracia transnacional. Foi substituído por uma força nascida de uma cisão interna no próprio campo conservador, e não de uma ressuscitação da esquerda húngara.
Isto merece ser pensado com mais seriedade do que permite o ruído habitual dos painéis televisivos.

O eleitorado húngaro não disse: “queremos a esquerda”. Disse algo mais subtil e politicamente mais relevante: “queremos outro tipo de direita, outra forma de poder, outra composição do campo nacional”. Entre Orbán e a esquerda, escolheu uma terceira hipótese que, apesar de romper com o "orbanismo", não rompeu com os reflexos profundos de uma sociedade conservadora, nacionalmente consciente e pouco disponível para experiências progressistas importadas.
É precisamente isso que o jornalistado não sabe ler — ou não quer ler.

A imprensa europeia habituou-se a classificar a política por reflexos condicionados. Se um partido não cabe confortavelmente no espaço moral do liberalismo dominante, é logo “populista”, “iliberal”, “radical” ou, nos dias mais histéricos, “extrema-direita”. Se, pelo contrário, se apresenta como alternativa a um líder maldito por Bruxelas, tenta-se imediatamente recobri-lo com verniz centrista, como se isso bastasse para o purificar perante os círculos respeitáveis. No caso do TISZA, o desconforto resulta precisamente daí: não sendo Orbán, também não é a esquerda; não sendo o Fidesz, também não é a rendição à gramática progressista; e, sobretudo, não permite contar a história querida pelas redacções, segundo a qual toda a derrota da direita soberanista seria, por definição, uma vitória da esquerda civilizacional.
Não foi. Foi uma reorganização do espaço da direita. E isso torna a eleição húngara ainda mais incómoda para as consciências mediáticas. Porque mostra que o descontentamento com um poder conservador não beneficia automaticamente a esquerda. Em certos países, pelo contrário, a esquerda desaparece mesmo do mapa, incapaz de se afirmar como alternativa credível, reduzida a um rodapé moralista sem densidade nacional, sem enraizamento social e sem autoridade cultural.

A Hungria oferece, por isso, uma lição europeia de primeiro plano.
Durante décadas, a aliança informal entre socialistas, liberais, verdes e tecnocratas de integração foi apresentada como o destino inevitável das democracias europeias. O caso húngaro mostra que esse modelo pode não apenas ser recusado por via governativa, como pode até ser excluído do próprio espaço parlamentar relevante. Num momento em que quase toda a Europa vive sob variantes da mesma coligação liberal-socialista — umas mais burocráticas, outras mais activistas, outras ainda mascaradas de centrão prudente —, Budapeste produziu um Parlamento sem esquerda representativa e sem os ornamentos costumeiros do progressismo ocidental.

Convém, ainda assim, não cair no simplismo simétrico. O TISZA não é o Fidesz com outro nome. Péter Magyar prometeu restaurar relações com a União Europeia, atacar a corrupção e recentrar a Hungria no eixo ocidental, embora sem deixar de marcar reservas nalguns dossiers, incluindo a adesão acelerada da Ucrânia à União Europeia. Isso significa que a mudança existiu, e existiu de forma substancial. Mas essa mudança ocorreu dentro do campo da direita, não pela vitória do adversário histórico desse campo.
É esta nuance que separa a análise da propaganda.
O comentariado, porém, prefere quase sempre a propaganda. Dá-lhe menos trabalho, confirma preconceitos e evita o exercício, por vezes penoso, de compreender países reais em vez de projectar sobre eles os fantasmas ideológicos das redacções metropolitanas. Daí o silêncio constrangido sobre um dado central: depois de anos de demonização de Orbán, a alternativa encontrada pelos húngaros não foi a esquerda, mas outra direita.
Isto devia fazer pensar muita gente em Portugal.
Também por cá o jornalistado tende a imaginar que todo o desgaste de uma direita mais afirmativa desemboca fatalmente numa regeneração moderada, domesticada, higienizada e finalmente aceitável aos olhos do sistema. Só que os eleitorados, quando se cansam, nem sempre regressam ao ponto de partida. Muitas vezes procuram outra formulação do mesmo impulso de fundo: identidade, autoridade, soberania, segurança, contenção migratória, defesa nacional dos interesses, rejeição da engenharia moral de cima para baixo.
A Hungria acaba de mostrar isso com clareza brutal.
Orbán caiu. Mas o universo ideológico que o tornou possível não desapareceu. Fragmentou-se, reordenou-se, mudou de comando, mas não cedeu à esquerda. E esta talvez seja a notícia que mais custou engolir aos sacerdotes do costume.

No fundo, o que aconteceu em Budapeste não foi uma conversão progressista. Foi algo muito mais perturbador para o jornalistado europeu: a confirmação de que, mesmo quando a direita perde, a esquerda pode continuar a não contar para nada. Eis a parte que eles omitiram.
E isso, para muito comentariado, é quase uma tragédia profissional.

terça-feira, 14 de abril de 2026

Três revoltas, três estilos: CHEGA, Tisza e VOX

pode comparar as diferenças entre esta minha analise e uma outra obtida via IA
Do protesto contra o sistema à disputa pelo poder: semelhanças de método, diferenças de regime, de ritmo e de ambição.

Em política, a tentação do comentário preguiçoso é quase sempre a mesma: meter tudo no mesmo saco, colar rótulos apressados, repetir meia dúzia de palavras de moda e fingir que se explicou o mundo. Ora, não se explica nada quando se confunde o que apenas se parece à superfície com aquilo que realmente pertence à mesma natureza histórica.
É esse o erro que se comete quando se fala de CHEGA, Tisza e VOX como se fossem três variantes mecanicamente intercambiáveis do mesmo fenómeno. Não são. Têm traços comuns, sem dúvida. Nasceram, todos eles, do desgaste do sistema instalado, da exaustão de eleitorados que já não acreditavam na liturgia do costume e da emergência de líderes capazes de condensar, numa só voz, irritações até aí dispersas. Mas a semelhança pára aí. Depois começam as diferenças sérias: de contexto, de trajectória, de velocidade, de base social, de programa e, sobretudo, de tipo de adversário.

No caso português, o crescimento do CHEGA foi rápido, mas não foi instantâneo. Foi cumulativo. Em poucos anos, André Ventura transformou um partido marginal numa força nacional, primeiro como sinal de protesto, depois como canal de transferência de eleitores desiludidos do PSD, do PS, da abstenção e até das franjas de um eleitorado popular que nunca se revira no discurso tecnocrático do regime. O essencial aqui não está apenas na retórica anti-elites, anti-corrupção e anti-impunidade. Está no facto de Ventura ter percebido uma coisa que o bloco central não quis ver: havia, em Portugal, uma massa crítica de saturação moral e política à espera de representação.
O CHEGA cresceu porque falou onde os outros sussurravam, porque nomeou problemas que os demais preferiam dissolver em eufemismos, e porque surgiu num momento em que o duopólio PS/PSD já não conseguia vender estabilidade sem que a palavra soasse a expediente publicitário. A sucessão de crises, escândalos, dissoluções e eleições repetidas abriu um espaço que deixou de ser apenas eleitoral: tornou-se psicológico. E quando um espaço político se transforma em estado de alma, ganha uma densidade muito maior.
Há aqui, além disso, um ponto decisivo que muita análise convencional subestima: a redução da abstenção. O crescimento do CHEGA não se explica apenas por transferências entre partidos. Explica-se também porque milhares de eleitores anteriormente desmobilizados voltaram às urnas. O partido não conquistou só descontentamento; conquistou presença eleitoral. Em política real, isto é muito mais importante do que a conversa académica sobre “reposicionamentos discursivos”. Um partido sobe verdadeiramente quando transforma irritação difusa em voto efectivo.

Mas precisamente por isso o caso húngaro é diferente — e mais dramático. Péter Magyar e o Tisza não cresceram num sistema de alternância cansada, como o português, mas contra um poder longo, compacto, institucionalmente entranhado e já com feições quase hegemónicas. Orbán não era apenas um primeiro-ministro desgastado; era a cabeça de um regime prolongado, de um ecossistema de fidelidades, de uma arquitectura de captura que incluía aparelho, comunicação, administração e narrativa nacional. Por isso, a vitória de Magyar não foi apenas uma mudança de maioria: foi uma ruptura de regime em sentido político, ainda que obtida por via eleitoral.
É verdade que há paralelos evidentes entre Ventura e Magyar. Ambos canalizam cansaço acumulado. Ambos atacam a corrupção e a promiscuidade do sistema. Ambos souberam personalizar a revolta. Ambos beneficiaram de maior mobilização eleitoral. Mas a natureza da sua legitimidade é distinta. Ventura é o tribuno que ataca de fora. Magyar é o dissidente que denuncia de dentro. O primeiro construiu uma insurgência contra o regime partidário português. O segundo rompeu com o próprio ventre do sistema Orbán. Essa diferença não é biográfica apenas; é estratégica. Um outsider pode acusar. Um ex-insider pode acusar e testemunhar.
Por isso mesmo, o Tisza conseguiu em dois anos aquilo que o CHEGA ainda persegue: transformar crescimento em poder pleno. A velocidade húngara teve um catalisador mais violento: escândalo moral, fadiga económica, concentração de poder e uma mobilização eleitoral histórica. O resultado foi um terramoto político, com maioria qualificada e promessa de revisão institucional. O CHEGA, pelo contrário, cresceu de modo mais orgânico, mais persistente, mas dentro de um sistema plural em que o cordão sanitário, a aritmética parlamentar e a resistência cultural das elites ainda funcionam como travões.
O VOX ocupa um lugar intermédio nesta comparação. Tal como o CHEGA, pertence claramente à família das direitas populistas ou radicais ibéricas. Partilha com Ventura o léxico anti-elites, o combate ao progressismo oficial, a hostilidade ao “woke”, a defesa da autoridade do Estado e a crítica da imigração descontrolada. Também Santiago Abascal fez da sua liderança uma marca pessoal e soube converter frustração difusa em identidade partidária. Mas o VOX teve um acelerador que o CHEGA nunca teve: a questão catalã. Foi o separatismo, mais do que qualquer outro tema, que lhe deu a combustão inicial. O patriotismo espanhol ofendido pela pulsão secessionista serviu-lhe de detonador histórico.
Daí resulta uma diferença essencial. O VOX conheceu um pico explosivo e depois uma correcção. O CHEGA, pelo menos até agora, mostrou uma curva mais regular e consistente. Em Espanha, o voto no VOX oscilou mais porque a relação com o PP é mais imediata, mais porosa e mais táctica; o eleitorado passa com maior facilidade de um lado para o outro, conforme a utilidade percebida do voto e o grau de medo da esquerda. Em Portugal, o CHEGA beneficiou mais claramente de uma decomposição prolongada do centro e de uma menor capacidade do PSD para reabsorver o eleitorado revoltado. Em suma: Abascal irrompeu mais depressa; Ventura consolidou melhor.

É por isso que a comparação séria entre os três casos tem de distinguir método e substância. No método, há parentescos claros: personalização da liderança, denúncia das elites, recurso à clivagem moral, mobilização de descontentes, aproveitamento de crises do sistema e benefício de maior participação eleitoral. Na substância, porém, as diferenças são decisivas. O Tisza é uma força de centro-direita pró-europeia e reformista, mais centrada no Estado, na corrupção e no reposicionamento geopolítico da Hungria. O CHEGA e o VOX inscrevem-se mais nitidamente na gramática da direita populista identitária: imigração, segurança, soberania cultural, crítica do progressismo e hostilidade às complacências do centro-direita tradicional.
Em linguagem simples: 
  • o Tisza derrubou um regime; 
  • o VOX fracturou o excepcionalismo espanhol; 
  • o CHEGA demoliu o conforto histórico do rotativismo português. 
São três formas de ruptura, mas não três cópias carbono.
O que os une, no fundo, é outra coisa: a falência dos velhos intermediários. Quando os partidos clássicos deixam de traduzir o mal-estar, quando a imprensa prefere catequizar em vez de compreender, quando os comentadores tomam os seus preconceitos por sociologia e o seu pânico por ciência política, abre-se o caminho a quem fale sem pedir licença ao protocolo do regime. Depois, cada país faz o resto à sua maneira.
A lição, portanto, não é a que o “comentariado” gostaria de impor. Não estamos perante uma anomalia passageira nem perante um acidente folclórico. Estamos perante a reaparição da política em territórios que o sistema julgava já administrados. E a política, quando regressa a sério, regressa quase sempre com más maneiras.

Notas
1. Comissão Nacional de Eleições, Mapa Oficial dos Resultados, eleições legislativas portuguesas de 2024 e 2025.
2. Reuters, cobertura das eleições legislativas portuguesas de 2025 e da eleição presidencial portuguesa de 2026.
3. Reuters, Associated Press e imprensa europeia, cobertura das eleições legislativas húngaras de Abril de 2026.
4. Reuters, cobertura da evolução eleitoral do VOX nas eleições gerais espanholas de 2019 e 2023.

Adenda húngara
O caso húngaro merece ainda uma breve nota final. O Fidesz, depois de dezasseis anos de domínio, caiu como cai um regime quando perde a aura de inevitabilidade: deixou de ser apenas um partido cansado para passar a ser o símbolo de um poder batido. Já o Mi Hazánk Mozgalom, colocado mais à direita, sobreviveu apenas como força residual, com presença parlamentar mas sem dimensão nacional bastante para disputar a centralidade política.
Mais expressivo ainda foi o colapso de toda a esquerda húngara. Do centro à extrema-esquerda, nenhuma força conseguiu eleger deputados. O eleitorado anti-Orbán não se refugiou nela: concentrou-se antes no Tisza e em Péter Magyar. Esse é talvez o dado mais revelador: na Hungria, a ruptura com o velho sistema não foi conduzida pela esquerda, mas por uma nova direita reformista, saída do interior do próprio regime e capaz de transformar desgaste acumulado em maioria política.

sábado, 11 de abril de 2026

Péter Magyar: o órfão de Orbán que Bruxelas gostaria de adoptar... mas sem confiar nele por inteiro!

As eleições legislativas húngaras deste domingo podem pôr termo a dezasseis anos de poder quase sem interrupção de Viktor Orbán. As sondagens mais recentes dão vantagem ao Tisza, o partido de Péter Magyar, antigo homem do sistema, ex-beneficiário da máquina do Fidesz e hoje convertido em rosto da fadiga nacional com a corrupção, a estagnação económica e o estilo cada vez mais bloqueador de Budapeste dentro da União Europeia.
Mas convém não confundir a eventual derrota de Orbán com uma conversão súbita da Hungria ao catecismo progressista de Bruxelas. Péter Magyar não é um revolucionário liberal nem um missionário federalista. É, antes de mais, um produto tardio do próprio orbanismo: um dissidente saído de dentro, um conservador que percebeu que o regime apodreceu, e que tenta agora salvar a direita húngara de Orbán sem destruir a base sociológica que a sustentou.

A personagem política de Péter Magyar define-se, por isso, menos pela ruptura doutrinária do que pela substituição de estilo, método e alianças. Orbán transformou a soberania num sistema de bloqueio, chantagem e centralização oligárquica; Magyar apresenta-se como uma direita de recomposição: menos tribal, menos moscovita, menos ruidosa, mais compatível com os corredores de Bruxelas, mas ainda assim nacional, securitária e desconfiada da engenharia moral do europeísmo oficial.
Promete restabelecer cooperação com a União Europeia, desbloquear fundos congelados, reduzir a dependência energética da Rússia e restaurar alguns mecanismos de controlo democrático entretanto degradados. Porém, conserva uma linha dura na imigração e não embarca no entusiasmo automático de certas capitais europeias sobre a Ucrânia.
É aqui que a leitura simplista falha. Em Bruxelas, muita gente gostaria de ver em Péter Magyar um simples “anti-Orbán”, um expediente elegante para remover um importuno e normalizar a Hungria. Só que Magyar não cabe inteiramente nessa moldura. O Tisza integra a família do Partido Popular Europeu, o que lhe dá uma âncora institucional no centro-direita europeu; mas essa integração não apagou as dúvidas sobre a sua autonomia real.

Em matéria ucraniana, a ambiguidade é ainda mais reveladora. Se Orbán vencer, a União Europeia já sabe o que a espera: mais bloqueios, mais vetos, mais aproveitamento das regras da unanimidade para travar apoio a Kiev e torpedear a coerência estratégica europeia. Contudo, isso não faz de Péter Magyar um entusiasta da causa ucraniana. Ele já disse que não enviará armas para Kiev e tem reservas quanto ao ritmo e às condições da adesão ucraniana à União Europeia.
Essa prudência não é mero cálculo eleitoral ocasional: reflecte a existência de uma sensibilidade húngara persistente, agravada pela velha tensão com Kiev em torno da minoria magiar na Transcarpátia e pela relutância de parte significativa do eleitorado em se deixar arrastar para uma guerra que não sente como sua.
Daí que a personalidade política de Péter Magyar possa resumir-se assim: é um homem de centro-direita pós-orbanista, mas não pós-nacional. Um conservador táctico, um comunicador hábil,  que usa as bandeiras consensuais da anticorrupção e da recuperação económica para federar descontentes, sem se alienar dos eleitores de direita, das zonas rurais e dos sectores patrióticos que rejeitam tanto a Esquerda Cultural como a submissão à Rússia.

Magyar não quer destruir a Hungria de Orbán; quer herdá-la sem os seus excessos, sem a sua crueza e, sobretudo, sem a sua capacidade de isolar o país dos fluxos de dinheiro e influência europeus.
Péter Magyar não é o anti-Orbán no sentido moral em que a imprensa europeia gostaria de o vender. É algo mais interessante — e talvez mais inquietante para os ingénuos de Bruxelas: um Orbán depurado, um nacional-conservador reciclado para tempos de cansaço estratégico, menos brutal no tom, mais aceitável na forma, mas ainda preso à ideia de que a Hungria não existe para cumprir reflexamente os desejos da Comissão. Bruxelas poderá preferi-lo a Orbán. Mas fará mal se imaginar que ele vem para obedecer. Vem, quando muito, para negociar melhor.

domingo, 23 de outubro de 2022

Um boneco de Soros na Assembleia da República

Passou algo despercebida a votação de um projecto de resolução levado recentemente à AR mas que tem um certo significado e importância para se perceber como certos lóbis supranacionais penetram no parlamento nacional.
Falo do projecto apresentado pelo Livre para que o governo português tomasse medidas concretas contra o governo de Viktor Orbán com base no incumprimento húngaro do mecanismo de “Estado de Direito” da U.E., um procedimento que foi inventado precisamente para legitimar o corte de fundos e a perseguição aos governos que ousem rejeitar as directivas ideológicas nefastas que são impostas aos europeus através das instituições da U.E.
O propósito final desse mecanismo é retirar o financiamento aos governos refractários, chantageando-os a cederem ou, caso não o façam, potenciar o surgimento de crises internas que levem à sua queda.
Sabemos bem que o suposto incumprimento do mecanismo de “Estado de Direito” por parte do governo húngaro resulta simplesmente da sua recusa em permitir a actuação livre dos lóbis de Soros no país, consentindo a disseminação interna da ideologia de género e aceitando as políticas migratórias que visavam transformar a sua nação numa mixórdia multiétnica similar à que criaram nas nações da europa ocidental.
Ora, não é por acaso que esta proposta tenha sido levada à AR pelo Livre e através do deputado Rui Tavares, como também não é por acaso que o personagem ande há vários anos a ser insistentemente promovido na comunicação social. Sempre esteve ligado a interesses financeiros muito poderosos e com significativa penetração nos Media.
Rui Tavares é um dos políticos portugueses alinhados com as agendas da rede de George Soros. É aliás uma das mais antigas figuras portuguesas ligadas a esse lóbi global.
Foi este Tavares, que as televisões conseguiram meter na AR, que em 2013 escreveu o primeiro relatório do Parlamento Europeu a acusar o governo de Orbán por supostos desrespeitos ao “Estado de direito democrático”. Posteriormente, um outro relatório, na mesma linha argumentativa mas com um foco maior na desobediência húngara à política de acolhimento de “refugiados” da U.E., foi apresentado em 2018, por mais uma das figuras “amigas” de Soros e membro da mesma bancada parlamentar de Rui Tavares (Greens – European free Alliance), a deputada holandesa Judith Sargentini. Na altura Orbán falou abertamente deste documento, que seguia as linhas do anterior, como sendo elaborado pela rede de actores de Soros no Parlamento Europeu.
As fundações do que mais tarde viria a originar o tal “mecanismo” do “Estado de Direito” que agora permitem à U.E. chantagear países como a Hungria ou a Polónia foram lançadas com aqueles relatórios.
A convergência de Rui Tavares com a rede de George Soros é antiga e já conheceu vários episódios. Tavares consta, desde 2015, na lista de membros da Open Democracy, uma das mais importantes ONG’s da Open Society de Soros (e também financiada por lóbis como as Fundações Rockefeller e Ford). Mas já em Fevereiro de 2014, meros 6 meses depois da apresentação do seu relatório no Parlamento Europeu, encontramos intervenções de Tavares publicadas no site da Open Democracy. (1)
Noutro exemplo recordamos que em 2016 o líder do Livre foi eleito membro do Conselho de uma organização transnacional denominada “Europen Alternatives” que era também financiada pela Open Society. (2)(3)
A verdade é que Orbán é o grande espinho que continua atravessado no caminho daqueles
que pretendem destruir a identidade histórica das nações europeias.
Foi o próprio Orbán que melhor o formulou:
“Grandes forças estão de novo em movimento para erradicar as nações da Europa e unificar o continente sob a égide de um império global. A rede Soros, que se tem tecido através da burocracia europeia e da sua elite política, tem vindo a trabalhar há anos para fazer da Europa um continente de imigrantes. Hoje a rede Soros, que promove uma sociedade global aberta e procura abolir os enquadramentos nacionais, é a maior ameaça enfrentada pelos Estados da União Europeia. Os objectivos da rede são óbvios: criar sociedades abertas multiétnicas e multiculturais, acelerando a migração, e desmantelar a tomada de decisões nacionais, colocando-a nas mãos da elite global.”(4)
Os “amigos” de Soros espalhados pelas diferentes assembleias europeias estão a tentar agravar o cerco ao governo húngaro. Foi Soros, a própria voz de comando da Hidra, que deu o mote, numa coluna de opinião onde instava a U.E. a ser lesta e decidida na aplicação de sanções à Hungria (5). As cabeças da Hidra limitam-se agora a fazerem, na medida do que podem, o trabalho complementar nos diversos parlamentos onde operam. É assim que esta proposta do Livre deve ser lida. 
(2) https://partidolivre.pt/.../rui-tavares-eleito-para-o...
(3) https://thesaker.is/george-soros-open-society-foundation.../
(4) https://miniszterelnok.hu/europe-must-not-succumb-to-the.../
(5) https://www.project-syndicate.org/.../europe-must-stand...


sexta-feira, 1 de abril de 2022

uma geringonça húngara!

Seis partidos comprometeram-se a aceitar os resultados de um processo primário que deverá determinar o candidato a primeiro-ministro, que irá liderar a lista unificada da oposição nacional, e os respectivos candidatos únicos para os 106 círculos eleitorais do país, até 10 de Outubro.
para 
Através da votação da lista nacional, 93 deputados serem eleitos nas eleições de 2022 para o Parlamento de Budapeste, com 199 lugares.
Seis partidos participam nestas primárias: o Partido Socialista (MSZP), o Párbesz (Diálogo), a Coligação Democrática (centro-esquerda), o Momentum liberal, o LMP ambientalista, bem como o Jobbik de direita, cuja inclusão tem sido a mais controversa.

sexta-feira, 5 de novembro de 2021

Revolução húngara de 1956

História para os mais novos e para os putos e as chavalas a quem a extrema-esquerda colocou antolhos (ou vendas)


quinta-feira, 2 de setembro de 2021

Hungria, vacnação obrigatória?


O Governo húngaro tinha já anunciado há duas semanas que iria impor a inoculação obrigatória para os trabalhadores dos serviços de saúde, mas ainda não tinha fixado um prazo determinado para a sua concretização.

Quem não cumprir o requisito de vacinação exigido pode ser despedido, sem direito a aviso prévio ou indemnização.



segunda-feira, 7 de abril de 2014

e os eleitores húngaros decidiram...

A coligação Conservadores-Democratas Cristãos venceu, com se esperava, as Eleições Legislativas na Hungria e obteve 134 mandatos dos 199 do Parlamento Magiar.
Muito distantes ficaram a coligação socialista (5 partidos liderados pelo ex-partido comunista), a extrema-direita e os “verdes”, com 37, 23 e 5 mandatos, respectivamente.
São de realçar, pela positiva, os mais de 5% que permitiram a entrada dos ecologistas no parlamento húngaro.
Mas o mesmo não se poderá dizer dos quase 21% do “JOBBICK” que mostram que os eleitores húngaros seguem alguma tendência de voto na extrema-direita que começa a sentir-se na Europa.

Fico à espera dos resultados nas Eleições Europeias. A manter-se esta tendencia de votos o Partido Popular Europeu irá superar largamente os Socialistas Europeus, mas a estrema-direita, anti-europeia, poderá conseguir uma posição de peso no Parlamento Europeu.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

juros a acrescentar ao empréstimo...com BCE em alta!

O PSI 20 encerrou a sessão a crescer 2,43% para 5171,77 pontos.
Os juros das obrigações a dez anos do Tesouro português caíram hoje para os níveis mínimos desde Abril de 2011.
O Governo confirmou Alberto da Ponte como o novo líder do conselho de administração da RTP.
Cerca de dois milhões de contribuintes estarão em risco de subir de escalão com a simplificação anunciada pelo secretário de Estado dos Assuntos Fiscais.
Os preços mundiais dos alimentos estabilizam em Agosto.
O Banco Central da Alemanha assumiu o único voto contra a decisão do Banco Central Europeu de criar um novo mecanismo de compra de dívida.
O desemprego na França sobe para 10,2%.
O Tesouro Público espanhol colocou hoje 3500 milhões de euros em títulos a dois, três e quatro anos, num leilão com juros mais baixos.
A taxa de desemprego na Grécia voltou a atingir um novo máximo de 24,4%. em Junho.
O Primeiro-ministro húngaro rejeitou as condições do FMI para conceder um empréstimo mas assegurou que iria procurar encontrar uma "proposta negocial alternativa".
O euro negociava hoje em clara subida face ao dólar e valia 1,2637 dólares, acima dos 1,2598 dólares a que negociava na quarta-feira.
A OCDE defende mais cortes na despesa, contenção salarial e reformas.

terça-feira, 17 de julho de 2012

juros a acrescentar ao empréstimo...

O PSI 20 fechou a subir 0,80% para 4.850,40 pontos.
Os juros da dívida soberana estão hoje a subir ligeiramente em Portugal a cinco e dez anos, mas caem a dois anos.
As medidas para substituir o corte dos subsídios de Natal e férias da função pública devem ser pelo lado da despesa, afirma o chefe de missão do FMI, Abebe Selassie.
O regresso de Portugal aos mercados em 2013 é "credível" para o FMI.

O agravamento da crise económica em Espanha está a provocar um êxodo de espanhóis para o estrangeiro. Uma média de 6000 por mês valor sem precedente nos últimos 30 anos.
O Tesouro Público espanhol colocou hoje 3.560 milhões de euros (acima do previsto) num leilão de obrigações a 12 e 18 meses, conseguindo baixar os juros nos dois prazos.
A Grécia colocou 1625 euros em Bilhetes do Tesouro a 13 semanas, à taxa média de juro de 4,28%, praticamente idêntica à do leilão de Junho do ano passado.
A Hungria iniciou negociações com FMI sobre ajuda financeira.

terça-feira, 13 de março de 2012

juros a acrescentar ao empréstimo... os da Grécia baixam para metade!

O PSI 20 fechou hoje a crescer 1,60% para 5.659,38 pontos.
Os juros da dívida soberana grega a dez anos atingiram o mínimo histórico de 18,45%.
Segundo o Banco de Itália, na emissão de títulos de tesouro com maturidade a um ano foram colocados 8,5 mil milhões de euros à taxa de juro média de 1,405% e a três meses foram encaixados 3,5 mil milhões de euros a um juro de 0,492%.
O Governo espanhol aceitou o limite de défice de 5,3% do PIB exigido por Bruxelas.
Os ministros das Finanças da União Europeia decidiram suspender a entrega de 495 milhões de euros em fundos de coesão à Hungria.