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segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Chamam-lhes extrema-direita enquanto o "seu" mundo desaparece...

Durante anos discutiu-se como chamar-lhes. Talvez esteja na altura de perguntar porque é que os eleitores lhes chamam.

Podemos continuar a chamar-lhes populistas, radicais, extremistas, fascistas, extrema-direita ou escolher qualquer outra palavra suficientemente assustadora para evitar a pergunta desagradável.

Quer à esquerda, quer à direita, estarão os velhos partidos - e, sobretudo, as ideologias políticas do pós-guerra que os sustentaram - a começar a desaparecer?

Talvez o fenómeno político europeu mais importante deste nosso tempo já não seja o crescimento dos chamados partidos “populistas”. Talvez seja a progressiva retirada do consentimento popular às respostas que os partidos tradicionais deram, durante décadas, às grandes questões europeias.

A Alemanha deixou ontem um aviso difícil de ignorar

Na Saxónia-Anhalt, a AfD venceu as eleições regionais de 6 de Setembro com 43,8% dos votos. Mais do dobro do resultado obtido em 2021. A CDU ficou reduzida a 17,2%.

Não estamos perante 8%, 12% ou mesmo 20% de voto de protesto. Estamos perante uma força política que se tornou, naquele Estado alemão, claramente maioritária em relação a qualquer dos partidos tradicionais.

E a evolução programática da AfD é igualmente instrutiva. A sua corrente na Saxónia-Anhalt já não se limita a exigir a expulsão de quem permanece ilegalmente no país. Questiona a dependência estrutural da Alemanha de trabalhadores estrangeiros, contesta a imigração como resposta permanente ao declínio demográfico e pretende reverter parte da liberalização das regras de nacionalidade.

O que está em causa já não é apenas controlar fronteiras. É discutir que sociedade deverá existir dentro delas.

França: já não se fala apenas de “controlar”

Em França, o Rassemblement National de Marine Le Pen e Jordan Bardella há muito ultrapassou a velha fórmula da simples “regulação” dos fluxos migratórios.

Defende o fim do reagrupamento familiar enquanto mecanismo automático, a supressão do direito do solo, o tratamento de pedidos de asilo fora do território francês e uma redução muito profunda da imigração legal. Marine Le Pen chegou a defender um saldo anual de imigração de apenas 10 mil pessoas.

Pode concordar-se ou discordar-se. O que já não parece sério é fingir que estas propostas constituem apenas uma excentricidade marginal de alguns eleitores zangados.

Áustria: a palavra que deixou de poder ser pronunciada

Na Áustria, o FPÖ de Herbert Kickl foi ainda mais longe e transformou a palavra remigração em conceito político assumido.

O partido defende uma inversão profunda da política migratória, mais expulsões, fortes limitações ao reagrupamento familiar, redução dos incentivos económicos associados ao acolhimento e uma política que deixe de considerar a imigração crescente como inevitabilidade histórica.

Há poucos anos, pronunciar algumas destas ideias bastaria para colocar imediatamente alguém fora do perímetro do debate aceitável.

Hoje dão votos. Muitos votos.

E depois há a Dinamarca (o caso que lhes estraga a narrativa...)

A Alemanha, França e Áustria ainda permitem ao nosso jornalistado e comentariado resolver o problema recorrendo ao vocabulário habitual: “extrema-direita” mas Mette Frederiksen não é de extrema-direita. 

É social-democrata.

E foram os Social-Democratas dinamarqueses que endureceram fortemente a política de asilo, reduziram entradas e reagrupamentos familiares, intensificaram os retornos de requerentes recusados e defenderam centros de recepção e processamento fora da Europa.

Em 2026, o próprio partido pergunta publicamente se a Dinamarca não estará a repetir os “erros dos anos 70” ao receber continuamente grandes contingentes de trabalhadores provenientes de países terceiros.

E aqui começa o verdadeiro problema para a classificação tradicional.

Quando uma política que ontem era denunciada como exclusiva da “extrema-direita” passa a ser praticada por um dos mais antigos partidos social-democratas da Europa, talvez não estejamos apenas perante uma deslocação da direita.

Talvez estejamos perante uma deslocação do próprio centro político.

A imigração é apenas o sintoma mais visível 

Seria um erro reduzir esta transformação à imigração.

A mesma ruptura começa a aparecer na discussão sobre soberania nacional, globalização, política industrial, proteccionismo, natalidade, família, prioridade dos nacionais no Estado social, segurança, identidade cultural e relação entre os Estados e a União Europeia.

Até a velha separação económica entre direita liberal e esquerda social começa a desfazer-se. Algumas das chamadas novas direitas recuperam temas laborais, sociais e proteccionistas que a velha direita abandonara e que uma esquerda progressivamente cultural e identitária deixou de monopolizar.

O mapa político está, portanto, a ser redesenhado diante dos nossos olhos.

Os partidos podem sobreviver. O mundo que representavam é que pode não sobreviver com eles.

A CDU continuará a chamar-se CDU. Os Socialistas franceses continuarão a existir. Os partidos Social-Democratas europeus conservarão sedes, símbolos e aparelhos. Os partidos Liberais e Democrata-Cristãos também.

Mas isso não significa que sobreviva o consenso político em que todos eles viveram durante décadas.

É esse, provavelmente, o verdadeiro significado do que está a acontecer.

Podemos continuar a discutir se a AfD é radical, se o RN é populista, se Kickl é extremista ou se determinados conceitos são aceitáveis no salão respeitável do comentário televisivo.

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Enquanto discutimos os rótulos, os eleitores estão a mudar o conteúdo.

E talvez, daqui a alguns anos, percebamos que o fenómeno decisivo não foi a chegada dos chamados “extremos”.

Foi o desaparecimento do mundo político que lhes abriu a porta.

O vazio que a AfD pode ocupar!

A AfD partiu para as eleições de 6 de Setembro na Saxónia-Anhalt com valores entre 40% e 43% nas sondagens, contra 22% e 23% da União Democrata-Cristã (CDU), o partido do chanceler alemão, Friedrich Merz.
Após várias eleições a direita radical poderá conseguir pôr pela primeira vez um dos seus — no caso, o cabeça de lista Ulrich Siegmund — a governar um estado.
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Nestas eleições, segundo o comentariado, os "vencedores" podem muito bem ser os pequenos partidos a decidir. se os Verdes a subirem para 6% e o Partido Social-Democrata (SPD) para 8% entrarem no Parlamento estadual, mas se não conseguirem transpor a fasquia dos 5% ficam de fora e o cenário inverte-se com a AfD a atingir a maioria absoluta,

terça-feira, 15 de abril de 2025

as Linhas Vermelhas e a Política de Exclusão

A Emergência de Novos Desafios
A Alemanha está actualmente no centro de uma agitação política significativa. Embora o novo governo ainda não tenha oficialmente tomado posse, as tensões políticas são palpáveis, refletindo-se nas recentes sondagens e nas reações do público. Este período de transição e incerteza destaca as complexidades da política alemã e os desafios que o novo governo enfrentará.
Os resultados da sondagem mais recente representam um momento marcante no cenário político europeu. Pela primeira vez, o partido Alternativa para a Alemanha (AfD) liderou uma sondagem nacional, ultrapassando a União Democrata-Cristã (CDU) por um ponto percentual. Esta conquista do AfD é particularmente significativa num contexto onde a formação do novo governo está prestes a ser apresentada.
No dia 16 de abril, será revelado o novo governo alemão, resultante de um acordo entre os partidos democratas cristãos CDU/CSU e o socialista SPD. Contudo, a decisão de excluir a AfD, o segundo partido mais votado, das negociações para a formação do governo gerou um descontentamento considerável entre os eleitores.
A insatisfação com a exclusão da AfD foi refletida nas últimas sondagens, onde a CDU registou uma queda desde as eleições de final de fevereiro. Esta diminuição do apoio à CDU parece ter beneficiado a ascensão do AfD, que agora se encontra numa posição inédita de liderança em sondagens nacionais. A ascensão do AfD, um partido frequentemente associado a posturas eurocéticas, levanta questões sobre o futuro da política alemã e a direcção que o país tomará.
Tanto na Alemanha como em Portugal, as chamadas "linhas vermelhas" ou a política de "não é não" têm-se mostrado ineficazes. Na Alemanha, a exclusão da AfD das negociações para a formação do governo não fez diminuir o apoio ao partido; pelo contrário, parece ter galvanizado os seus eleitores. Este fenómeno sugere que a estratégia de marginalizar certos partidos pode ter o efeito oposto ao pretendido, fortalecendo a sua base de apoio em vez de enfraquecê-la.
O desenvolvimento na Alemanha tem reverberações que vão além das suas fronteiras. O fortalecimento de um partido como o AfD, que muitas vezes adopta uma postura crítica em relação à União Europeia, pode influenciar as dinâmicas políticas em toda a Europa. Outros países poderão observar de perto como a Alemanha lida com esta nova configuração política e tirar lições para as suas próprias estratégias eleitorais e de governança.
O novo governo alemão enfrentará vários desafios imediatos. Primeiro, terá que abordar a crescente polarização política e encontrar maneiras de unir uma sociedade cada vez mais dividida. Segundo, a gestão da economia, especialmente num período de incertezas globais, será crucial. E terceiro, a política externa, incluindo as relações com a União Europeia e outras potências mundiais, requererá uma abordagem equilibrada e estratégica.
Os recentes desenvolvimentos políticos na Alemanha destacam um período de mudança e incerteza. A ascensão do AfD nas sondagens, a formação do novo governo e as reações do público alemão são indicativos de um cenário político em evolução. À medida que a Alemanha se prepara para apresentar o seu novo governo, as atenções estarão voltadas para como este navegará os desafios internos e externos que surgirem. Em última análise, a resposta a estas questões moldará não apenas o futuro da Alemanha, mas também terá implicações significativas para a política europeia em geral.

terça-feira, 16 de outubro de 2018

…if they go to early elections the rise of AfD will be inevitable!

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only for the most interested people a opinion text from a serious analist!
You will quickly realize that the losers who will bring the biggest problems to the current federal coalition of Christian Democrats/Socialists will be the actual partner SPD.
... and the worst of it is that if they go to early elections the rise of AfD will be inevitable!
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(dificilmente isto aparecerá na imprensa a que temos direito!)
“The CSU will hold 85 seats (compared to 101 seats won in the 2013 vote), the Greens 38 seats (compared to 18), Free Voters 27 (compared to 19), the SPD 22 (compared to 42), the AfD 22 and the FDP 11.
The CSU lost votes to the far-right Alternative for Germany (AfD) party, the Greens and the Free Voters, a protest party of mainly conservative independents.
The loss of votes to AfD has largely been blamed on Ms Merkel’s decision to allow one million asylum seekers to Germany in 2015.
Martin Sichert, AfD leader in Bavaria, said: “We are very pleased because the goal for the Bavaria state election was to send an earthquake towards Berlin.”
mais AQUI

sábado, 18 de fevereiro de 2017

deputado do AfD, Steffen Königer, cumprimenta os LGBTTQQ

No parlamento de Brandenburg, 'os verdes' fizeram uma proposta que exigia direitos iguais e igualdade social para os LGBTTQQ (Lesbian, Gay, Bi-sexual, Trans, Two-spirit, Queer, Questioning). O deputado do AfD, Steffen Königer, usou 2 minutos nos cumprimentos iniciais aos presentes, dirigindo-se a 60 géneros reconhecidos hoje em dia.
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Queridos transgêneros, bis and the other gens from aparecidosilva on Vimeo.