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sexta-feira, 18 de julho de 2025

A Esquerda Que Se Afoga na Piscina da História

Ao lermos as análises de Rui Ramos e de João Marques de Almeida sobre a actual situação do Partido Socialista e da extrema-esquerda em Portugal, torna-se quase inevitável a metáfora que ambos sugerem — a de uma esquerda desesperada, lançada à água, debatendo-se para não afundar. Mas não porque a maré esteja especialmente forte. Afunda-se porque já não sabe nadar no tempo em que vive.
Rui Ramos, com a sua habitual precisão histórica, retrata o PS como um partido que, tendo perdido o rumo e a ligação ao país real, já só sabe fazer política de sobrevivência — não com ideias, mas com jogos parlamentares. Como um náufrago, tenta agarrar-se a qualquer bóia que encontre: ora ao Livre, ora ao Bloco de Esquerda, ora a uma suposta “defesa da democracia” contra os perigos que projecta no CHEGA. Mas quem observa de fora percebe o desespero: o PS de 2025 já não nada, apenas se debate. E quanto mais se agita, mais se afunda na irrelevância de um passado que não quer largar. Como nota Rui Ramos, se o país estivesse verdadeiramente nas mãos do PS, estaríamos de facto em piores lençóis. 
João Marques de Almeida, por sua vez, foca-se na extrema-esquerda — essa que já nem se lembra de sair da piscina. Insiste em slogans vazios, em causas que não mobilizam mais do que uma minoria ruidosa e urbana, e ignora o essencial: as pessoas comuns deixaram de a ouvir porque deixaram de a compreender. Ou melhor, porque perceberam que ela deixou de as representar. O autor descreve uma esquerda radical que fala sozinha, sem consciência de que a água lhe sobe até ao pescoço, sem perceber que o seu discurso é uma linguagem morta para quem procura segurança, trabalho e dignidade.

Ambas as análises convergem na constatação de que a esquerda portuguesa — tanto a dita moderada como a radical — está prisioneira de um tempo político ultrapassado. Incapaz de renovar ideias, alianças ou lideranças, mergulha cada vez mais fundo no vazio político e moral. Como um nadador que já não sabe qual a margem da piscina, debatem-se, agarram-se uns aos outros, e acabam por arrastar-se mutuamente.
Entretanto, cá fora, o país observa. Muitos já abandonaram as bancadas da velha piscina partidária. Alguns procuram novas margens. Outros, simplesmente, seguem em frente, conscientes de que não vale a pena tentar salvar quem insiste em não querer ser salvo — porque prefere a fidelidade a dogmas caducos à coragem de enfrentar o mundo como ele é.

O afogamento não é apenas uma metáfora do presente. É, cada vez mais, o destino inevitável de quem insiste em nadar contra o sentido da História.

domingo, 1 de junho de 2025

os Defuntos a que a comunicação social se agarra...

A Coligação Democrática Unitária, o Bloco de Esquerda, o Livre, podem conseguir 10, ou 5, ou 1% dos votos, ou trocar entre si percentagens, agora sobes tu, agora desço eu, agora dá cá, agora toma lá. Pouco interessa. O que interessa é que contam com uma garantia: ainda que não cheguem a somar 10% das preferências do eleitorado, a comunicação social que temos, as televisões, as rádios, a imprensa, dedicar-lhes-ão teimosamente espaço e atenção desproporcionados e a todos os títulos injustificáveis. Bloco exige. PC inabalável. Livre garante. PAN quer. Os media têm até um berloque de esquerda novo, exótico e insular, que já chegou da Madeira.
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Na sexta-feira, 23, o Público sugere uma união de esquerda para as autárquicas, uma ideia menos ambiciosa do que a daquela jornalista que defendia que se a esquerda tivesse ido unida às eleições tirava deputados a AD, IL e Chega [se os partidos fossem todos unidos, conquistavam 230 lugares, troçava adequadamente alguém].
No mesmo dia, o DN informa na pág.13 que Mariana Mortágua, com a força do seu novo grupo parlamentar de uma só, «denunciou alegadas intenções de PSD, Chega, Iniciativa Liberal de “atacar a democracia”».
No Expresso, também no mesmo dia, Rui Tavares indigna-se por se falar de revisão constitucional, um tema de que não se falou na campanha – e faz por não se lembrar se na campanha de 2015 alguém falou da geringonça negociada nas sombra
À noite, na RTP2, volta Mariana Mortágua, que discursa sobre o que ela chama «a extrema-direita e a direita extrema» (um desarrincanço, pensará), e lamenta «o discurso que impuseram ao país».
Vem depois Raimundo, segundo o qual «as eleições agravam a instabilidade».
E depois Inês Sousa Real, que diz mais alguma coisa olvidável: «Resistimos e isso está-lhes atravessado», ri Raimundo na RTP, à hora do almoço de domingo. Após o que Mariana Mortágua anuncia que «uma ampla maioria» no seio do Bloco rejeitou a sua demissão. (Compreendo a dúvida, e esclareço: Mortágua disse de facto que tem «uma ampla maioria». Agora já podem rir.)
«A revisão constitucional é populismo» decide Real do PAN, logo a seguir. Era um argumento exótico, embora não tão extremado como o de Pedro Tadeu, que nessa mesma semana escrevia no DN que o caminho para uma sociedade socialista não pode ser cortado da Constituição, não por falta de uma maioria, não por falta de consenso, não por razões ideológicas, mas porque lá foi inscrito numa determinada fase da evolução pós 25 de abril; e retirar a frase seria, portanto, falsear a história. Quando pensávamos que não havia limites…

Findo o recato do fim-de-semana, o Público de 2.ª feira informa, tremendista e na última página, que o «PCP não se resigna e avisa: “Vamos para cima deles”». E mais informa o Público que o PCP informa que os que votaram na direita vão ser os primeiros a arrepender-se.

domingo, 27 de fevereiro de 2022

já começaram a branquear!

 

domingo, 31 de outubro de 2021

A semelhanças são mais que as divergências...

As recordações do que aconteceu em 2011 devem causar suores frios à gente do Bloco. Já o PCP assiste apreensivo à corrida do seu eleitorado para o Chega, tanto nos subúrbios de Lisboa como no Alentejo.
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O fenómeno não é novo (sucedeu em França com o PCF e a RN) porque estas forças políticas, sejam à esquerda ou à direita, não deixam de colocar o Estado no topo da equação, não deixam de ter uma visão socialista da sociedade, da vida em comunidade, da forma como se governa um Estado. A semelhanças entre o Chega e a extrema-esquerda, principalmente o PCP, são mais que as divergências que o confronto directo aparenta. (in “Pior que 2011” de André Abrantes Amaral)

segunda-feira, 28 de setembro de 2020

agarrem-me senão eu aprovo-o!

Não se aguenta mais a peça “Orçamento: agarrem-me senão eu aprovo-o” levada à cena por Catarina Martins desde que a partir de 2015 assumiu o papel de muleta do PS. 
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Nunca tive o gosto de ver Catarina Martins na sua vida pretérita de palhaça-actriz mas é francamente cansativa esta peça que, devidamente patrocinada por todos nós, mantém nos palcos de Portugal vai para cinco anos.  (in “Os meninos da bolha“ por Helena Matos)

sábado, 16 de março de 2019

“Tudo comunica” diz a Dona de Casa do Mon Oncle de Tati.

O deputada Catarina Martins, com a subtileza de quem resume O Anel dos Nibelungos à história dos problemas de uma família disfuncional, dá-nos num traço rápido a sua visão geral da sociedade:
O essencial consiste na luta permanente entre o público e o privado, que deverá idealmente terminar com a definitiva e justa vitória do primeiro sobre o segundo.
O privado é uma espécie de dragão fumegante que se alimenta de eucaliptos e mata a sede em poços de petróleo.
Contra ele ergue-se o justo herói público, com a invencível espada da nacionalização. A espada mágica vai dizimando tudo à sua volta até que no terreno de batalha reste apenas o Estado, lugar da virtude e da beleza. 
... além da espada, possui um eficaz arsenal que o ajudará a combater o asqueroso animal: as “greves feministas” e as “greves climáticas” são também elas “trovões” –  trovões “anti-capitalistas, socialistas, ecosocialistas, feministas, anti-racistas, internacionalistas” – que põem em debandada os “inimigos poderosos” da “elite financeira” [...]
É o que a jovem Morais, recorrendo a um vocabulário académico, chama “a interseccionalidade das lutas” contra o dragão capitalista e tal interseccionalidade evidencia uma proposição avançada pelo idoso Rosas: “o capitalismo repousa na exploração do capital, mas também no patriarcado, no sexismo, na perseguição das minorias sexuais”. 
A MEP Marisa Matias – cuja genuína felicidade inspira, de resto, efectiva simpatia – enumera também ela algumas lutas nas quais descobre a urgência da unificação, do Sahara Ocidental à Argentina, passando por Lampedusa e Calais.
Tudo comunica” como diz a Dona de Casa (oprimida) do Mon Oncle de Tati. (in «A “luta toda” do Bloco» por Paulo Tunhas)

Será o Bloco de extrema-Esquerda de facto relevante?

Não haverá nada que se passe no mais insignificante atol do Pacífico que, para o Bloco da extrema-Esquerda, seja equívoco, merecedor de dúvida e não explicável em função do que se passa numa qualquer outra parte do mundo
Porque é que nos sinto-mos sempre ligeiramente desconfortáveis ao escrever sobre o Bloco de extrema-Esquerda?
Não preciso de pensar muito para descobrir, a razão é fácil: porque é preciso dar ao Bloco uma importância que ele, não fosse o arranjo que o Costa inventou para chegar a primeiro-ministro, nunca teria tido e que na substância política, de facto não tem.
Isto, como ver o Catarina na televisão com ares de poder, cria um sentimento de irrealidade que provoca o tal mal-estar.
Será o Bloco de extrema-Esquerda de facto relevante?
Merecerá ele que se perca algum precioso tempo a levar a sério a sua existência, com os modos graves e profundos de um comentador televisivo de futebol?
Não estaremos a atribuir demasiada realidade a uma dúbia ficção da nossa imaginação? 
(in «A “luta toda” do Bloco» por Paulo Tunhas)

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

confira a factura de electricidade!

serão, em média, nove euros anuais. [...] Cerca de 60/70 cêntimos na factura mensal!
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Os portugueses vão poder contar com um alívio da factura da electricidade em torno dos 6% com o conjunto de medidas que o PCP diz que vão estar inscritas no Orçamento do Estado para 2019. O número não está completamente fechado porque depende da modulação da medida de redução do IVA da potencia contratada. Ou seja, qual o grau da potencia afectado e a partir de que altura será aplicada a medida, explicou ao ECO fonte oficial do PCP.
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Já de acordo com os valores avançados pela deputada do Bloco de Esquerda, só a descida do IVA ao nível da potência contratada pouparia à factura da luz, em média nove euros anuais. [...] Cerca de 60/70 cêntimos da factura mensal”, disse Mariana Mortágua

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segunda-feira, 11 de junho de 2018

esta srª “gaja” só lá está porque tu lá a colocaste!

a Martins quer ver "reconhecida" a "enorme violência da expansão portuguesa" e quer apenas usar a história para deslegitimar os regimes ocidentais -- e só esses. [.]
Nada disto é novo. Se a memória não me está a trair, lembro-me de a RTP, em 1974, transmitir um esforço artístico progressista em que os personagens repetiam monotonamente “Diogo é cão, Diogo é cão”. [.]
O que verdadeiramente distinguiu os europeus nesta história não foi apenas o uso de escravos na agricultura da América colonial, mas terem sido os primeiros a abolir a escravidão. A Arábia Saudita só a ilegalizou em 1962, o Omã em 1970 e a Mauritânia em 1980. Talvez os portugueses não tivessem feito o mundo melhor, mas também não o fizeram pior. (in “Um dia contra Portugal?” por Rui Ramos)

sábado, 14 de abril de 2018

enorme responsabilidade!

                          (ao que transparece do cartoon deste jornal britânico)  
Enquanto os idiotas-úteis olham bovinamente para a nova “geringonça", o CDS fica de fora
Caberá ao CDS ser o único partido de Oposição?
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Premonição?

domingo, 12 de fevereiro de 2017

a “habilidade do Costa”

Já se percebeu, que se forem encontradas as provas da mentira, que a próxima vítima será Centeno. Um governo que elevou a mentira a método de trabalho precisa de vítimas para proteger o PM. Mas, a acontecer, a demissão de Centeno seria de certo modo injusta. O problema não é o ministro das Finanças e a sua demissão não resolve nada.
O problema é mais profundo. Entre os compromissos com a União Europeia e os acordos com o PCP e o BE, o governo precisa de esquemas, de secretismo, de mentiras. Em suma, aquilo a que muitos chamam a “habilidade de António Costa”.