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terça-feira, 17 de março de 2026

O Islão político e a crise das democracias ocidentais

Grande parte do debate público europeu continua a tratar o fenómeno do Islão político com uma mistura de ingenuidade e simplificação.
Para alguns, trata-se apenas de um extremismo religioso. Para outros, de uma reacção defensiva de comunidades marginalizadas.
Ambas as interpretações falham um elemento essencial: o Islão político é, antes de tudo, uma ideologia moderna de poder.
Tal como outras ideologias revolucionárias do século XX, procura reorganizar a sociedade segundo um modelo político totalizante. A religião desempenha um papel central, mas sobretudo enquanto instrumento de legitimação política.
A revolução iraniana de 1979 constitui um exemplo paradigmático:
Influenciado por pensadores como Ali Shariati, o Islão xiita foi reinterpretado através de categorias inspiradas no pensamento revolucionário moderno. A narrativa religiosa passou a estruturar-se como uma luta histórica entre oprimidos e opressores.
Khomeini transformou essa retórica numa arquitectura institucional baseada na tutela política dos juristas islâmicos.
O resultado não foi uma simples teocracia tradicional.
Foi um regime revolucionário que instrumentalizou a religião para legitimar um Estado autoritário.
Este modelo não se limita ao Irão. O Islão político desenvolveu ao longo das últimas décadas uma dimensão transnacional, procurando influenciar comunidades muçulmanas muito para além do Médio Oriente.
Nas democracias ocidentais, essa influência manifesta-se frequentemente através de uma estratégia dupla: mobilização identitária e tentativa de restringir a crítica pública sob o argumento da discriminação religiosa.
Se essa estratégia tiver sucesso, as democracias liberais enfrentarão um paradoxo singular:
Ao tentar proteger a diversidade cultural, poderão acabar por enfraquecer os princípios liberais que tornam essa diversidade possível.  

segunda-feira, 9 de março de 2020

a nova Invasão Otomana!.

O Exército Turco ajuda os muçulmanos a atravessar a fronteira, com escavadoras, barcos, etc. O governo grego mostrou um carro blindado a atravessar a fronteira, por ironia, um veículo financiado pela UE,.
Como reportam os jornalistas, a maioria dos "refugiados" são do Paquistão, Afeganistão, Turquia, e colocam deliberadamente as mulheres e as crianças na frente, quando há jornalistas por perto, sendo activamente ajudados pelas forças turcas que cortam os arames farpados, aplanam rampas para os barcos, incentivam aos movimentos e usam escavadoras para apropriar os caminhos.

sábado, 24 de maio de 2014

abstenção: de quem é a culpa?

Muito se vai ouvir falar da abstenção que será uma “boa” desculpa para a pior das campanhas eleitorais em democracia. Tão má que teve o condão de dar os piores shares de audiência às tv’s a que temos direito.
Na realidade, nas últimas três Eleições para o Parlamento Europeu o número de votantes manteve-se estável e independente dos chamados “eleitores inscritos” que, como é sabido, tem hoje um valor próximo do total dos portugueses apurados no Censo de 2011.

O gráfico que junto é disso elucidativo... o “resto” vai ser conversa para enganar “idiota útil”


Fica também confirmado que o afastamento dos eleitores da União Europeia é antigo…  

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

dos sinais da direita extra-parlamentar!

Embalados na música da imprensa a que temos direito poucos se têm apercebido dos avanços da direita extra-parlamentar! As “opiniões publicadas” estão orgulhosos de a apelidarem “extrema” e, porque só falam, em loop, uns com os outros ou porque só se escrevem, se transcrevem ou se partilham naquilo a que chamam redes sociais, não se apercebem dos avanços que a direita nacionalista e populista vai tendo Europa fora e, por simpatia, também, cá dentro.
Aqueles que convivem diariamente com os mais jovens só não se apercebem disto se forem cegos ou surdos, “eles”:
- querem "uma saída para crise", são contra o "brutal pacote de austeridade", exigem "a refundação do Estado", estão “contra as privatizações”, querem “mais estado” e, para marcar a diferença, até
- mudaram de “look” para algo próximo do jovem intelectual do final dos “anos 60” (aquilo que os nossos pais chamavam de “arrumadinho”),
- abandonaram o “saco de lona a tiracolo”, a t-shirt estampada, apararam a barba e retiraram o “gel” do cabelo que agora lavam com frequência e já
- gozam com os “idiotas úteis” que teimam na ideia de que teriam que ter a “cabeça rapada”! 
 
Esta ”nossa nova direita extra-parlamentar”, que é mais xenófoba que racista, cresce lentamente e, como há poucos que conhecem as Leis de Newton, vai vencendo a “inércia” sem que os doutos opinadores o percebam. 
 
Em toda a Europa as populações atribuem a crise à União Europeia e, farta das promessas de uma esquerda que perdeu ideologia, vai elegendo os populistas de direita:
- na Holanda ao agitar o espectro da "ameaça do Islão", o líder populista Geert Wilders conquistou pontos nas eleições municipais e deu um grande passo para a sua ascensão ao cargo de primeiro-ministro,
- em França o partido de Jean-Marie Le Pen causou “surpresa” nas eleições regionais francesas ao atingir os 20% em várias regiões,
- na Hungria o partido Jobbik continua a seduzir inúmeros eleitores e com a formação populista, xenófoba, anti-cigana e nacionalista de Gábor Vona pesa na formação dos actuais dois terços da maioria parlamentar,
- os dinamarqueses são notícia por causa das suas posições xenófobas e dotaram-se das leis de imigração mais restritivas da Europa, um verdadeiro insulto ao pensamento liberal,
- nas eleições municipais em Viena de Áustria, o Partido da Liberdade obteve quase 30% dos votos, e
muito mais podia acrescentar…
 
Cuidemo-nos! Deixem de falar e escrever para os próprios umbigos e para os “amigos” do feiçebuque, esqueçam as arruadas parlamentares, as ocupações de escadas e ministérios, reparem nos sinais e não esqueçam aqueles vossos “amigos” do “estado novo” que de 25 para 26 mudaram para “revolucionários” porque o inverso pode acontecer e
“eles” já estão aí! 
 
(mais que a auto alcunhada “esquerda” que autofágica se diminui, são “estes”, que vejo crescer de dia para dia, que me preocupam!)

segunda-feira, 7 de maio de 2012

um “negócio” que faliu.

Durante algum tempo, esperemos que pouco, iremos assistir às “grandes vitórias” que os políticos que temos obtiveram na estranja mesmo que por entrepostos partidos.
Os nossos rosas andarão enfunados com a vitória gaulesa apesar de se saber que até o “rato mickey” ganhava ao senhor merkel e que agora se seguirá uma merkolandia.
Como a fruta que já começa a estar fora de época, os laranjas irão salientar a enorme vitória do seu helénico “partido europeu” apesar dele ser de cor mais azul-escuro que abóbora.  
Para os lados do folclore canhoto se clamará o triunfo grego que não foi mais que um desesperado canto de cisne e apenas serviu para protesto à qualidade dos frutas e dos flores que nos andaram vender. 

A reacção dos mercados foi imediata e indica-nos que ficámos pior, mesmo que à partida já soubéssemos que não iríamos ficar melhor e, agora sim, os primeiros a sair serão os gregos que, provavelmente, nos irão arrastar para fora desta europa que nada, ou quase nunca, teve alguma coisa a “ver connosco”.
Terá sido, uma aventura continental que não resultou ou, mais apropriadamente, um negócio europeu que faliu?