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segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Quando a hipocrisia fala mais alto do que a liberdade...

A queda de um ditador deveria ser, numa democracia liberal, um momento de clareza moral. Um instante raro em que as diferenças ideológicas se suspendem perante um facto simples: um regime opressivo termina, um povo livra-se de um poder ilegítimo, e o mundo torna-se, ainda que imperfeitamente, um lugar menos injusto. No caso da Venezuela, nada disso aconteceu. Pelo menos não em Portugal.
Perante o colapso do regime de Nicolás Maduro, assistiu-se antes a um espectáculo de hesitação, desconforto e racionalização. Ninguém ousou defender abertamente o ditador, é certo. Mas muitos apressaram-se a explicar por que razão a sua queda era, afinal, problemática. O argumento-chave foi o de sempre: o sacrossanto “direito internacional”, invocado selectivamente, como arma retórica, não como princípio coerente.
Esta reacção revela uma profunda hipocrisia. Os mesmos que hoje erguem o direito internacional como um dogma absoluto nunca o mobilizaram com igual zelo para condenar a ditadura venezuelana, as eleições fraudulentas, a repressão política, a miséria imposta a milhões ou o êxodo massivo da população. O direito internacional só se torna súbita e miraculosamente relevante quando serve para travar uma acção americana — sobretudo se essa acção estiver associada a Donald Trump.

É aqui que entra o conhecido Trump Derangement Syndrome (TDS): a incapacidade de avaliar qualquer acontecimento internacional fora do reflexo pavloviano do anti-trumpismo. Tudo o que Trump faz está mal por definição; tudo o que os Estados Unidos fazem é suspeito à partida. A análise deixa de ser política ou estratégica e passa a ser emocional, moralista e previsível.
Daí surgirem comparações absurdas, como a equiparação entre a intervenção americana na Venezuela e a invasão russa da Ucrânia. A comparação não resiste a uma análise minimamente séria. Na Ucrânia, uma democracia foi atacada por uma ditadura, resultando numa guerra prolongada, centenas de milhares de mortos e milhões de refugiados. Na Venezuela, uma ditadura foi derrubada, sem vítimas civis, por uma acção cirúrgica que pôs termo a um regime ilegítimo. Confundir estes dois cenários é mais do que erro: é cegueira ideológica.
Também se ignoram factos politicamente incómodos. Maduro sempre apoiou a Rússia na agressão à Ucrânia. Nunca manifestou solidariedade com os ucranianos. Ainda assim, muitos dos que hoje choram o “direito internacional” parecem mais indignados com Washington do que alguma vez estiveram com Moscovo ou Caracas.
A insensibilidade em relação aos portugueses da Venezuela é outro aspecto revelador. Durante anos, milhares viveram sob um regime que destruiu a economia, corroeu a segurança e forçou a emigração em massa. Ainda assim, figuras da política portuguesa preferiram condenar a intervenção americana a celebrar o fim de um poder que directamente afectou compatriotas seus. Para alguns, Maduro era um mal menor face ao pecado original de uma acção liderada pelos EUA.
Há, ainda, a leitura geopolítica simplista que anuncia o fim da ordem internacional e a legitimação das “esferas de influência” da Rússia e da China. Mas essa leitura ignora que a intervenção na Venezuela pode precisamente reforçar a posição americana, enfraquecer a China enquanto potencial aliada energética de Caracas, pressionar a Rússia através do mercado petrolífero e expor, mais uma vez, a irrelevância estratégica da Europa, dividida entre a submissão envergonhada e a indignação retórica.
O mundo mudou. As organizações internacionais estão fragilizadas, a Europa fala muito e pesa pouco, e o idealismo jurídico já não substitui o poder real. Lamentar isso não o faz desaparecer. Recusar-se a pensar o mundo como ele é, preferindo fantasias morais selectivas, apenas garante mais irrelevância.
A queda de um ditador é sempre motivo de alegria. Tudo o resto — as reticências, as comparações delirantes, as invocações selectivas do direito internacional — diz mais sobre quem comenta do que sobre o acontecimento em si. Talvez seja tempo de abandonar preconceitos automáticos, olhar os factos de frente e reconhecer uma verdade simples: nem tudo o que desagrada às esquerdas é um erro histórico, e nem toda a acção americana é, por definição, um crime moral.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Resumo do encontro entre Zelenskyy e Trump

segundo Volodymyr Zelenskyy:
- Tivemos uma conversa substancial.
- O plano de paz de 20 pontos tem 90% de concordância.
- As garantias de segurança para a Ucrânia têm 100% de concordância.
- As concessões territoriais são dolorosas e podem ser decididas através de um referendo.
- Os ucranianos no estrangeiro também participarão no referendo.
- Se seguirão reuniões com líderes europeus.
- "Espero que as decisões sejam tomadas já em Janeiro."

segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

para conferir o que "eles" bitaitam!!!

“Estamos a enfrentar mudanças muito grandes, passaremos da era da guerra para a era da pz”, disse Orbán na sua tradicional conferência de imprensa de final do ano, ao falar sobre as recentes eleições nos Estados Unidos da América.

Segundo o primeiro-ministro da Hungria, se o novo presidente dos EUA, que tomará posse em 20 de janeiro, “fizer apenas parte do que prometeu o mundo enfrentará mudanças tremendas”.
Orbán mencionou, entre outros, que a nova realidade mudará a forma de pensar a família, as políticas de género, a guerra ou a economia.

Sobre estas questões, Orbán e Trump defendem valores muito semelhantes, centrados na importância da visão tradicional da família e na crítica às políticas de género. Ambos apelam a um cessar-fogo imediato na Ucrânia.

quinta-feira, 28 de agosto de 2025

passou todas as marcas...

Marcelo Rebelo de Sousa acusou esta quarta-feira que Donald Trump de ser "um ativo russo", e que está a favorecer os interesses de Putin e da Federação Russa no conflito ucraniano.
A polémica acusação ao seu homólogo norte-americano, feita pelo Presidente da República durante a intervenção que fez na Universidade de Verão do PSD, uma reunião anual que junta vários jovens quadros do atual partido do governo, caiu como uma autêntica 'bomba' e foi recebida com apreensão e estupefação junto da comunidade diplomática.
Embora o governo não tenha ainda reagido à declaração de Marcelo, um diplomata português não hesitou, quando contactado pelo 24Horas em desabafar: 
"Desta vez, o Presidente da República passou todas as marcas."

segunda-feira, 18 de agosto de 2025

repetir Munique ou o preço de vender a paz

Em 1938, líderes europeus reuniram-se em Munique para selar o que acreditavam ser um triunfo diplomático: o apaziguamento de Adolf Hitler. Cedendo-lhe a região dos Sudetas, retiraram-na da Checoslováquia sem que esta tivesse sequer assento à mesa. Churchill classificou o episódio como “uma derrota total e sem guerra”. Menos de um ano depois, o mundo mergulhava no conflito mais mortífero da história.
Hoje, os ecos de Munique voltam a fazer-se ouvir — não na Baviera, mas no Alasca. A possibilidade de um encontro entre Donald Trump e Vladimir Putin, centrado na “resolução” do conflito na Ucrânia por via de cedências territoriais à Rússia, representa uma afronta directa à memória histórica e à ordem internacional construída precisamente para evitar a repetição dos erros de 1938.
Se há algo que a história nos ensinou com brutal clareza, é que ceder à força não garante paz; garante mais força ao agressor. O Acordo de Munique não deteve Hitler. Pelo contrário, convenceu-o de que o Ocidente era fraco, indeciso e manipulável. Essa ilusão alimentou a sua sanha expansionista, culminando na ocupação da Polónia e no início da Segunda Guerra Mundial. O mesmo erro está prestes a ser cometido com Putin. 
Sob a retórica populista de “trazer a paz”, insinua-se uma lógica geopolítica profundamente perigosa: a de que a soberania de um país pode ser negociada entre potências, desde que isso traga estabilidade aos interesses das grandes nações. A Crimeia? O Donbass? Pequenos preços a pagar, dirão alguns, para “normalizar” relações com Moscovo e encerrar uma “guerra que não é nossa”. Mas esse raciocínio é moralmente falido e estrategicamente suicida.

A Ucrânia não é apenas um campo de batalha. É um teste. Um teste à credibilidade das democracias ocidentais, à viabilidade da ordem internacional baseada no direito, e à vontade coletiva de resistir ao autoritarismo. Ceder território ucraniano à Rússia seria consagrar o uso da força como instrumento legítimo de política externa no século XXI. 
Seria abrir caminho a futuras “Muniques” — na Moldávia, nos Bálcãs, nos países bálticos. Seria, acima de tudo, trair todos os compromissos que sustentam a paz na Europa desde 1945.

E o que ganharia a Europa? Nada! 
Perderia segurança, perderia aliados, perderia a confiança num sistema multilateral que, apesar das suas imperfeições, tem prevenido o retorno do caos. Mais grave ainda: perderia a autoridade moral para condenar qualquer outro acto de agressão no futuro.

Um possível acordo com Putin, à revelia da Ucrânia, seria um pacto de cinismo. Um novo Munique. E a Europa, se calar, tornar-se-á cúmplice.
Não há neutralidade possível entre o agressor e o agredido. 
A História já julgou Munique.
Vamos permitir que a História se repita — não por ignorância, mas por conveniência.

terça-feira, 4 de março de 2025

Brian Glenn, o agente provocador do 28 de Fevereiro na Casa Branca

O acontecimento do dia 28 de fevereiro na Casa Branca, envolvendo Brian Glenn e o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, foi um episódio bem pensado, destinado a reduzir a zero o representante eleito de um país europeu. A indecente transformação de uma reunião entre dois estados democráticos num reality show foi não apenas desrespeitosa, mas também uma armadilha moral que desnudou a vulnerabilidade de um líder em meio à guerra.

O Agente Provocador
Brian Glenn, desempenhou um papel fundamental na transformação daquela reunião solene num espetáculo midiático. A estratégia pareceu ser clara: transformar um fórum diplomático num espetáculo televisivo de entretenimento e, simultaneamente, desestabilizar e descredibilizar Zelensky aos olhos do público internacional.
A Armadilha
Zelensky foi, de facto, a vítima de uma cilada bem arquitetada. Sem qualquer aviso prévio, encontrou-se em uma situação para a qual não estava preparado. Glenn, utilizando táticas de provocação e manipulação, buscava criar um cenário onde o presidente ucraniano fosse forçado a reagir impulsivamente, o que poderia ser usado contra ele em um momento posterior.
A Resposta
Apesar da surpresa e do constrangimento inicial, Zelensky demonstrou uma incrível compostura. Qualquer pessoa minimamente inteligente compreende que o presidente ucraniano vive há três anos um inferno que não se deseja nem aos nossos piores inimigos. É, pois, compreensível que ele tenha caído em uma armadilha que não conhecia, mas é admirável a maneira como respondeu aos delírios verbais com dignidade e firmeza.

…e agora?
O incidente do dia 28 de fevereiro levanta várias questões sobre a ética e a moralidade nas relações internacionais.
Transformar reuniões diplomáticas em espetáculos mediáticos não apenas desrespeita os líderes envolvidos, mas também mina a seriedade e a importância das discussões que ocorrem nesses encontros.

segunda-feira, 3 de março de 2025

sarilhos na Casa Branca

 

[Eu sei! Eu estive lá!]
A guerra é frequentemente descrita como o lugar para onde jovens, que não se conhecem nem se odeiam, são enviados para se matarem, por ordem de líderes velhos que se conhecem e se odeiam, mas permanecem seguros nos seus gabinetes. Esta citação brutalmente honesta questiona a moralidade da guerra e a responsabilidade dos líderes.
A ti, que defendes ou atacas Zelensky, Putin ou Trump, pergunto: Mataste algum dos que chamavas inimigos ou viste morrer, ao teu lado, aquele camarada que ontem jantou contigo?
Esta questão é um apelo à tua reflexão sobre os custos humanos da guerra e a verdadeira natureza do heroísmo e do sacrifício.

Na sexta-feira, o mundo assistiu a um triste espetáculo de egotismo e isolacionismo na Sala Oval, onde o presidente Donald Trump, conhecido por seu comportamento imprevisível e ego inflado, demonstrou que suas decisões são frequentemente guiadas mais pelo ressentimento pessoal do que por uma análise racional da política externa. Para Trump, a recusa do presidente ucraniano Volodymyr Zelensky em ajuda-lo na campanha contra Joe Biden em 2020 parece ter pesando mais do que o papel crucial de Zelensky na resistência contra a Rússia.

JD Vance, o alinhado com a ideologia MAGA, reflecte o pensamento de muitos eleitores do devastado Midwest americano, que acreditam que os Estados Unidos não têm que de gastar recursos ou envolver tropas na defesa de uma Ucrânia que nem sabem onde fica. Esse isolacionismo, misturado com a desilusão económica, cria uma narrativa poderosa para aqueles que se sentem abandonados pelo sistema político.
“Construir a paz é mais difícil do que conduzir uma guerra”.
Em tempos de conflito e incerteza, as palavras de Clemenceau lembram que a verdadeira vitória reside na construção de uma paz duradoura, uma tarefa árdua que exige mais coragem e sabedoria do que a condução de qualquer guerra. E ao refletirmos sobre os desafios atuais, devemos sempre lembrar os sacrifícios de quem está na linha de frente e a responsabilidade daqueles que tomam as decisões.
Aquela frase de Georges Clemenceau, citada por José Manuel Fernandes no Observador, é uma verdade universal que ressoa profundamente nos corredores do poder ao longo da história e até os dias atuais mas Clemenceau, que teve um papel central nos Tratados de Versalhes após a Primeira Guerra Mundial, viu o seu trabalho diplomático ser usado como pretexto por Adolf Hitler para desencadear a Segunda Guerra Mundial. Esta ironia trágica sublinha a complexidade da construção da paz e a fragilidade dos acordos de pós-guerra.

sábado, 1 de março de 2025

a arte de preparar a GUERRA EUROPEIA

JD Vance: Durante quatro anos nos EUA, tivemos um Presidente que aparecia em conferências de imprensa e falava negativamente sobre Vladimir Putin. Depois, Putin invadiu a Ucrânia e destruiu uma parte significativa do país. O caminho para a paz e para a prosperidade é talvez apostar na diplomacia. Tentámos o caminho de Joe Biden — bater no peito e fingir que as palavras do Presidente dos Estados Unidos importavam mais do que as ações do Presidente dos Estados Unidos. O que faz a América um bom país é a América envolver-se em diplomacia. É isso que o Presidente Trump está a fazer
Zelensky: Posso fazer uma pergunta?
JD Vance: Claro.
Zelensky: Ele ocupou partes, grandes partes da Ucrânia, partes do leste e da Crimeia. Ocupou-as em 2014. Durante muitos anos — e não estou a falar sobre Biden —, mas durante 2014 ninguém o parou. Ele ocupou [as terras]. Ele matou pessoas. Sabia que acordo era? [o que existia com Putin]
Trump: 2015?
Zelensky: 2014.
JD Vance: É 2014.
Trump: Eu não estava cá.

Zelensky: Sim, durante 2014 até 2022, a situação era a mesma. As pessoas estavam a morrer na linha de contacto [onde as hostilidades paravam]. Ninguém o parou. Vocês souberam, que nós tivemos várias conversas, conversas bilaterais, e assinámos [um contrato] com ele [Putin]. Eu, em 2019, assinei com ele um contrato. Eu assinei com ele, com Macron e Merkel, assinámos um [acordo] de cessar-fogo. Todos me disseram que ele nunca iria [invadir a Ucrânia]. Assinámos um contrato de gás, mas ele quebrou o cessar-fogo. Ele matou as nossas pessoas e não trocámos prisioneiros. Nós assinamos o contrato da troca de prisioneiros, mas ele não o fez. De que tipo de diplomacia, JD, está a falar? O que quer dizer com isso?
JD Vance: Estou a falar sobre um tipo de diplomacia que vai acabar com a destruição do seu país. Senhor Presidente, com o devido respeito, eu penso que seja desrespeitoso que venha à Sala Oval e tente discutir em frente aos meios de comunicação social norte-americanos. Está agora a forçar recrutas a ir para a linha da frente, porque tem falta de homens. Devia agradecer ao Presidente por tentar pôr fim a este conflito.
Zelensky: Alguma vez foi à Ucrânia para dizer que problemas é que temos?
JD Vance: Eu fui lá. E vi e li as história e sei o que acontece quando leva as pessoas para uma viagem de propaganda, senhor Presidente. Discorda que tem problemas a convencer pessoas a juntar-se às suas Forças Armadas? E acha que é respeitoso chegar à Sala Oval dos Estados Unidos da América e atacar a administração que está a tentar prevenir a destruição do seu país?
Zelensky: [Tenho] muitas questões. Primeiro que tudo, durante uma guerra, toda a gente tem problemas, até vocês, que têm um grande oceano. Não sentem agora, mas vão sentir no futuro, Deus vos abençoe…
Trump: Não sabe nada disso. Não nos diga como nos vamos sentir. Nós estamos a tentar resolver um problema. Não nos diga como nos vamos sentir. Não está em posição de nos ditar nada, de como nos vamos sentir. Não está numa posição muito boa…
Zelensky: Eu estou a dizer que vão sentir a influência…
Trump: Não tem as cartas. Connosco começou a ter cartas.
Zelensky: Eu não estou a jogar cartas.
Trump: Está a jogar às cartas, sim. Está a brincar com a vida de milhões de pessoas. Está a brincar com a Terceira Guerra Mundial. O que está a fazer é muito desrespeitoso para o país, para este país.
JD Vance: Alguma vez disse ‘obrigado’ durante este encontro?
Zelensky: Eu disse-o hoje.
JD Vance: Foi à Pensilvânia e fez campanha pela oposição em outubro. Ofereça algumas palavras de apreço aos Estados Unidos da América e ao Presidente que está a tentar salvar o seu país.
Zelensky: Acha que se falar muito alto sobre a guerra…
Trump: Ele não está a falar alto. Ele não está a falar alto. O seu país está com um grande problema.
Zelensky: Posso falar?
Trump: Não, já falou muito. O seu país está com um grande problema…
Zelensky: Eu sei.
Trump: Não está a ganhar. Não está a ganhar isto [a guerra]. E tem uma chance de sair razoavelmente desta guerra…
Zelensky: Senhor Presidente, nós estamos a tentar ficar no nosso país. Estamos fortes desde o início da guerra. Estivemos sozinhos e somos gratos. Eu disse obrigado a esta administração…
Trump: Nós demos-vos, através de um Presidente estúpido [Joe Biden], 350 mil milhões de dólares. Nós demos-vos equipamentos militares. Sobreviveu de forma corajosa, mas teve de usar os nossos equipamentos militares. Se não tivesse usado o nosso equipamento militar, esta guerra teria acabado em duas semanas.
Zelensky: Em três dias. Eu ouvi isso de Putin.
Trump: Menos até.
Zelensky: Em duas semanas.
Trump: Vai ser muito difícil fazer negócios assim.
JD Vance: Apenas diga obrigado.
Zelensky: Eu disse muitas vezes obrigado ao povo norte-americano.
JD Vance: Aceite que há desentendimentos e vamos discutir esses desentendimentos em privado, em vez de discutir em frente aos meios de comunicação social norte-americanos quando está errado. Nós sabemos que está errado.
Trump: Eu acho que é bom para o povo norte-americano ver o que se passa.
JD Vance: Eu entendo, senhor.
Trump: Eu acho que é muito importante. É por isso que mantivemos [esta conversa] por tanto tempo. Tem de ser grato. Não tem cartas.
Zelensky: Eu estou grato.
Trump: Não tem as cartas. Enterrou-as. Tem pessoas que morreram. Tem poucos soldados. Tem poucos soldados. E depois diz-nos: ‘Eu não quero um cessar-fogo. Eu quero isto e isto’. Olhe, se conseguirmos um cessar-fogo agora mesmo, eu diria para aceitá-lo, porque as balas paravam e os homens paravam de ser mortos.
Zelensky: Claro que quero um cessar-fogo. Com um acordo.
Trump: Vai ter um cessar-fogo mais rápido do que um acordo.
Zelensky: Pergunte ao nosso povo sobre o cessar-fogo, sobre o que eles pensam.
Trump: Isso não foi comigo. Isso não foi comigo. Foi uma pessoa chamada Biden, que não é uma pessoa esperta.
Zelensky: Era o seu Presidente.
Trump: Foi sobre o Obama. Foi com o Obana. O Obama deu-lhe lençóis e eu dei-lhe Javelins.
Zelensky: Sim.
Trump: Eu dei-lhe os Javelins para destruir aqueles tanques todos. O Obama deu-lhe lençóis. De facto, o que fica é que Obama deu lençóis e Trump deu Javelins. Tem de ser mais grato. Porque deixe dizer-me: sem nós, não têm cartas. Connosco tem as cartas. Mas sem nós, não tem as cartas.


segunda-feira, 24 de fevereiro de 2025

a Arte da Negociação

A Arte da Negociação, de Donald Trump, é um livro que oferece a visão dele sobre como realizar negociações eficazes e garantir o melhor acordo possível (BATNA). Embora Trump seja principalmente conhecido pelo seu envolvimento no setor imobiliário, muitos dos princípios apresentados no livro podem dar-nos a conhecer como ele os aplica à politica. Vamos explorar como essas ideias podem ser interpretadas e adaptadas para fortalecer suas habilidades de negociação e, ao mesmo tempo, maximizar resultados em sua organização.
1. Pensamento Estratégico
Trump escreve sobre o planeamento cuidadoso de antes de qualquer negociação, destacando a importância de ter objetivos claros e estar bem preparado. Isso significa não apenas conhecer os “produtos e serviços” que precisa adquirir, mas também estudar o “mercado” (as 5 Forças de Porter), entender os pontos fortes e fracos dos fornecedores (Análise SWOT), prever possíveis objeções (Análise de Risco) e identificar oportunidades de concessões (TCO).
2. Criar Valor para Ambas as Partes
Um dos principais pontos do livro é a ideia do "ganha-ganha". Trump sugere que o sucesso nas negociações não depende apenas de vencer, mas de criar uma situação onde todos saem ganhando. Isso é crucial, pois relações de longo prazo podem ser mais vantajosas do que vitórias pontuais. Para isso, usa o tipo de negociação “integrativa”, onde ambos os lados buscam ampliar o valor da fatia para colaborar com o resultado.
3. Usar o Tempo.
No livro, Trump enfatiza a paciência e o uso do tempo como uma ferramenta de negociação. Ele explica que, muitas vezes, as melhores ofertas aparecem para quem sabe esperar e deixar a outra parte falar primeiro. Ancorar uma negociação, abrindo o orçamento logo de início não é uma boa estratégia.
4. Assumir Riscos Calculados
Trump aborda o conceito de assumir riscos como uma parte fundamental do processo de negociação. Isso pode significar estar disposto a testar novos parceiros ou buscar soluções alternativas que ofereçam mais valor a longo prazo.
5. Negociar em Posições de Força
Neste livro, Trump destaca a importância de sempre negociar a partir de uma posição de força, garantindo que o opositor tenha alternativas viáveis. Isso reflete-se no conceito de BATNA (Best Alternative to a Negotiated Agreement).
6. Dominar a Arte da Comunicação
Trump é conhecido por ser um comunicador eficaz, usando tanto palavras quanto ações para impactar negociações. Ele entende o poder de uma boa apresentação e de transmitir confiança e clareza.
7. Enfrentar Impasses com Criatividade
No “A arte da negociação” Trump escreve sobre como lidar com situações em que as negociações parecem estar em um beco sem saída. E sugere que a criatividade e a flexibilidade são essenciais para resolver problemas inesperados e transformar obstáculos em oportunidades.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2025

Polígrafar a 31 Verdade ou Consequência?

a Notícia foi a 9 e os Comentários a 10.
Conferir a 31 de Janeiro



segunda-feira, 20 de janeiro de 2025

Programa de Governo EUA 47° Presidente

PROGRAMA do 47º PRESIDENTE dos EUA
.
POLÍTICA EXTERNA
a) NATO - desde 1945 que os países europeus quase nada contribuem, quer em meios militares, quer em orçamento, para as despesas da organização.
Pretende que, sobretudo a França, a Alemanha e o Reino Unido, e restantes países da NATO europeus, passem a contribuir com mais meios e mais dinheiro e aliviem assim as correspondentes contribuições dos EUA;
b) Restabelecer as negociações com a Rússia, por forma a pacificar a zona euro-asiática;
c) Reexaminar o acordo nuclear feito com o Irão;
d) - É a favor da Autodeterminação dos Povos e da sua capacidade de Autogoverno;
e) – Quer reactivar os Acordos de Abraão entre Israel e vários países Árabes, que ele Celebrou no seu 1º mandato, ou seja, os Acordos de Paz no Médio Oriente, que a administração Biden deixou cair;
f) – Quer restabelecer a Paz na Europa.
Para tal quer restabelecer os contactos com a Federação Russa e a Ucrânia para rapidamente se chegar a um Cessar-Fogo e tentar chegar a um Acordo de Paz permanente.
Recordo que não fomentou, nem entrou em nenhum Conflito Armado, no seu 1º mandato, desagradando profundamente assim à Indústria do Armamento americana (o poderoso complexo industrial-militar, de que já falava Eisenhower); tendo mesmo começado a retirar tropas dos EUA de vários teatros de conflito, criados pelos seus antecessores;
g) - Quer restabelecer a Paz no Médio Oriente, em posição de força que obrigue o Irão e seus aliados movimentos terroristas a baixar as armas;
h) – É a favor da Soberania plena dos Estados e contra a globalização.
Recorde-se que a globalização, sobretudo após a admissão da China na Organização Mundial do Comércio, virou-se contra as populações da Classe Média dos Estados Unidos e da Europa.
O grande ganhador foi a China.
Obviamente quer corrigir essa situação e devolver à Classe Média americana a sua fortaleza e bem-estar.
POLÍTICA INTERNA
1º. – Antes da Crise do Covid19 (Vírus da China) o desemprego era de 3,6% nos EUA, o mais baixo desde a Fundação deste país; o desemprego dos Hispânicos e dos Negros, era o mais baixo desde a fundação dos Estados Unidos; o melhor resultado que Biden conseguiu foi 4,1%.
2º. – Imigração - o que está no seu programa: - Quer impedir a Imigração Ilegal.
A sua máxima é: - querem vir para os Estados Unidos, venham, mas é para trabalhar e produzir.
Para virem para os EUA têm de vir legalmente, têm que aprender a nossa língua, respeitar os nossos costumes, respeitar as nossa Leis.
Em caso de cometerem crimes nos EUA, serão deportados para os países de onde vieram.
a) Vigiar mais efectivamente as fronteiras dos EUA, sobretudo com o México;
b) Repatriar os Imigrantes Ilegais, sobretudo os que já tiverem cadastro policial por infrações à lei americana;
c) Impedir a entrada de novos imigrantes ilegais;
d) Vedar mais a fronteira dos EUA/México, quer com redes de segurança, quer com muros, (que já existem em boa parte da mesma) quer em policiamento para suster a imigração ilegal, o contrabando, o tráfico de drogas, e de armas;
e) Estabelecer especial vigilância sobre os imigrantes que queiram entrar nos EUA, sobretudo os oriundos dos países muçulmanos;
ECONOMIA
Quer baixar os Impostos Directos sobre a Classe Média e sobre as Empresas, de forma a que possam viver melhor sem a carga que o Estado lhes tem imposto; fê-lo no 1º mandato com excelentes resultados; quer voltar a essa política.
a) Baixar os impostos sobre as pessoas, reformulando os escalões;
b) Baixar os impostos para as empresas;
c) Requalificar as infra-estruturas rodoviárias dos EUA, construídas nas décadas de 1950 e 1960, que estão em estado de degradação visível, recorrendo sobretudo a joint-ventures com investidores privados;
d) Requalificar hospitais e aeroportos que estão a ficar obsoletos;
e) Tentar repatriar boa parte da indústria americana, que se tinha deslocalizado para outros países;
f) Quer atrair Investidores nacionais e internacionais dando-lhes apoios Federais destinados a Re-Industrializar os EUA, para devolver os empregos aos americanos, que foram em grande parte destruídos pelos acordos liberais: “America First”;
g) Quer acabar com o negócio das excessivas medidas, ditas de “ambientais”, que têm contribuído para deteriorar a economia americana, em favor da China e da India;
h) Introduzir direitos niveladores aos produtos oriundos dos países asiáticos, em que vigorem esquemas de remuneração que distorcem a concorrência sã, e que estão a prejudicar a economia americana; - (salários de miséria, inexistência de férias, trabalho infantil, etc.);
SAÚDE 
a) Substituir o "Obamacare" por outro programa; começou a fazê-lo no 1º mandato corrigindo várias medidas negativas e que em nada favoreciam o cidadão americano.
b) Eliminar do mesmo o que custa muito dinheiro, e que está a arruinar o orçamento dos EUA, e repor e melhorar alguns programas pré-existentes de seguros, e programas de reforma em vigor
(Miguel Mattos Chaves)

quarta-feira, 6 de novembro de 2024

Quais são os estados que vão decidir se ganha Trump ou Biden?

Pequenas variações percentuais no voto nos estados chave podem ser a diferença entre perder por muito, por pouco, ganhar a tangente ou até ter uma grande vitória no Colégio Eleitoral. 

Wisconsin, Michigan e Pensilvânia e, numa segunda linha, Nevada, Arizona e Geórgia. Estes estados são os mais prováveis serem aqueles que decidirão entre a reeleição do incumbente Joe Biden e o regresso de Donald Trump à Casa Branca. Ganhar estes estados é crucial para vencer a eleição presidencial de 5 de novembro, independentemente do que as sondagens digam sobre o voto popular.

Para ganhar as eleições para à Casa Branca não basta ser o candidato mais votado, é preciso vencer o Colégio Eleitoral, o conjunto dos 538 eleitores escolhidos por cada estado com base no número de senadores (2 para todos) mais o número de congressistas de cada um (desde apenas um nos estados menos populosos a 51 na Califórnia) e ainda três para o distrito federal de Washington. Pode acontecer o candidato mais votado no voto popular perder a eleição, como aconteceu a Hillary Clinton em 2016 e a Al Gore em 2000, duas eleições muito renhidas. Em 2020, o democrata Joe Biden ganhou tanto o voto popular (por 4,5 pontos percentuais) como o colégio eleitoral, mas as margens nos estados decisivos que lhe deram a vitória foram muito curtas. Com menos 1 ponto percentual de diferença face ao rival republicano Donald Trump teria perdido.

Tirando no Maine e no Nebraska, onde alguns grandes eleitores são selecionados por base nos resultados nos distritos do Congresso e outros com base nos resultados no todo do estado, os grandes eleitores dum determinado estado deverão todos votar no candidato mais votado naquele estado. Basta um voto a mais no estado decisivo, e a eleição está ganha, com pelo menos 270 grandes eleitores vence-se a nível nacional.

Há dois tipos de estados nas eleições, os estados seguros (ou garantidos), onde a eleição está decidida quase à partida, com base no histórico eleitoral e nas sondagens, havendo os estados azuis, onde se espera que seja o Partido Democrata a ganhar, e os estados vermelhos, onde se espera que ganhe o Partido Republicano, e depois existem os swing states ou estados oscilantes, que oscilam de eleição para eleição, ou se espera que possam oscilar, entre os dois partidos. Claro que depois na realidade existem estados que não se esperando que sejam renhidos também não podem ser dados como garantidos para nenhum dos campos, mas estrategicamente é melhor para as campanhas dos candidatos focarem-se nos estados não seguros que têm mesmo de ganhar. Demasiada ambição pode ser contraproducente, mais até do que uma estratégia defensiva quando se está com alguma vantagem no mapa. Neste momento, como está o cenário?

Em 2020 houve 17 estados ganhos com uma margem de no máximo cerca de 10%, sendo extremamente difícil de imaginar com as condições atuais algum dos estados ganhos por bem mais que 10% a mudar de mãos. Mesmo que apareçam algumas sondagens a indicarem corridas renhidas noutros lugares, nesta fase do campeonato devemos olhar mais para as médias das últimas eleições, ainda mais quando as deste ano são uma repetição do duelo de 2020. Embora os estados mais renhidos este ano até possam ser outros.

Começando pelo oeste americano, os três estados da costa (Califórnia, Oregon e Washington) não deverão ser renhidos e continuarão a ser fortemente democratas. Mesmo que Trump reduza as margens de vitória de Biden neles, o que é provável, o que pode ajudar Trump a ganhar pela primeira vez o voto popular, um sonho dele. No oeste mais interior, a caminho do Midwest, vemos um norte fortemente republicano, com poucas hipóteses de passar de mão, mais a sul o Colorado e Novo México, outrora estados oscilantes, só mudariam para a cor vermelha numa grande vitória de Trump, tornando-os assim extremamente improváveis de serem estados decisivos.

O mesmo não pode ser dito do Nevada e do Arizona, estados do sudoeste, com uma grande população de origem hispânica, que foram ganhos por pouco e muito pouco por Biden em 2020. Estes dois fazem parte do conjunto de estados mais provável de decidir a eleição. Neste momento, de acordo com as sondagens, Trump parece estar bem posicionado para os vencer. Mas estes não chegam.

Mais para o interior, o gigante Texas com os seus 40 grandes eleitores, deverá continuar republicano, embora nos anos 2016 a 2020 tenha ficado mais renhido. Com tantos grandes eleitores, poderia ser tentador à campanha de Biden tentar ganhá-lo. Mas, dada a força de Trump e o seu crescente apoio entre os hispânicos, o estado não será decisivo, e também provavelmente, pouco renhido em novembro.

Indo agora para a metade leste americana, onde estão concentrados a maioria dos grandes eleitores, o sul deverá continuar republicano, com Trump a reforçar provavelmente a Flórida com os seus 30 grandes eleitores, um tradicional estado oscilante, que desta vez será muito difícil de ganhar pelos democratas. As sondagens também indicam um iminente regresso da Geórgia à coluna vermelha.

Mais a norte, junto à costa, o mapa deverá continuar quase todo azul, com Biden com vitórias muito prováveis em quase todos estes estados, embora seja expectável uma melhoria da performance de Trump em estados muito populosos como Nova Iorque e Nova Jérsia, mas que continuará insuficiente para os fazer mudar de cor. Na Nova Inglaterra (Massachusetts, Connecticut, Rhode Island, New Hampshire, Vermont e Maine) espera-se que Biden continue em primeiro.

O mesmo não se pode dizer dos estados dos Grandes Lagos e arredores que em 2016 foram cruciais para dar uma vitória inesperada a Donald Trump. O Iowa e o Ohio muito dificilmente voltarão para os democratas. Segundo as sondagens, Trump não estará mais forte do que em 2020 nos estados que ao irem do campo republicano de volta para o campo democrata foram decisivos para Biden ganhar: o Wisconsin, o Michigan e a Pensilvânia. Mas estes foram tão renhidos nas duas últimas eleições que pequenas variações a favor de Trump podem-no pôr de volta à Casa Branca.


Se o debate foi decisivo, Trump já as perdeu.

Se o debate entre Trump e Harris.for decisivo para as eleições de Novembro, o ex-presidente já as perdeu. Apresentou-se mal preparado, se é que o chegou a ser, com um discurso difuso e perdido a falar essencialmente no passado, e com alguns disparates inadmissíveis, como a sugestão de que se os democratas ganhassem os norte-americanos acabariam todos a comer cães e gatos. 
E isto perante uma candidata medíocre, que ocupou uma posição do mais alto nível numa administração que deixa o mundo a ferro e fogo. Trump e os republicanos não conseguiram ajustar-se à saída de jogo de Biden. Vão pagar caro por isso. (Rui Albuquerque)


Foi um frente a frente intenso, onde Kamala surpreendeu Trump com postura agressiva. Adversário ripostou, mais eficaz na imigração e na economia. Eleitores de base ficaram satisfeitos — e os outros? (Cátia Bruno)

eleições americanas

 


...de regresso ao tempo passadp

Quem observasse a realidade ou o mercado das apostas eleitorais (cuja precisão se revelaria assinalável) estranharia o seu flagrante contraste com as sondagens e com as projecções da generalidade dos especialistas, comentadores e pivots.
Mas, pensávamos que, os especialistas, comentadores e pivots deviam saber do que falavam, e as empresas de sondagens, que diziam ter finalmente apurado um sistema de projecção eleitoral meticuloso e fiável, deviam estar certas:
…e até davam um empate técnico entre os dois candidatos à presidência americana, entremeado aqui e ali pela ligeira vantagem de um dos contendores, que ora era insignificante porque estava “na margem de erro” (sobretudo se a vantagem fosse republicana) ora indiciava uma clara “dinâmica de vitória” (sobretudo se fosse democrata).


quinta-feira, 22 de agosto de 2024

o Fenómeno Kamala

Candidata tem mensagem "curta", mesmo com élan da Convenção Democrata. 
Com desistência de Kennedy, "eleição vai ser disputada em pequenos nichos".
(Vasco Rato, ex-presidente da FLAD)

sábado, 10 de agosto de 2024

a tradição parece ter deixado de ser o que era...

Donald Trump podia ter escolhido Nikki Haley, mulher e republicana moderada, ou Tim Scott, senador negro do Sul, para “equilibrar” a sua candidatura, mas preferiu consolidar o seu popular “populismo” com um dos representantes do nascente “populismo intelectual”: o “branco pobre” dos Apalaches, famoso pela sua Era Uma Vez um Sonho (Hillbilly Elegy), James David "JD" Vance que protagonizava uma história de sucesso muito americana – serviço nos Marines com uma passagem pelo Iraque em guerra que o desiludira quanto à cruzada neoconservadora para exportar a democracia, Yale, sucesso empresarial, conversão ao catolicismo e sensibilidade ao nacionalismo, aos reveses da emigração desregulada e ao solidarismo social do pós-liberalismo norte-americano. E pensamento articulado, coisa rara nos dias que correm – na política e na América.
Kamala Harris
tinha, na sua short list, três candidatos a vice: 
Mark Kelly, senador do Arizona, Josh Shapiro, governador da Pensilvânia, e Tim Walz, governador do Minnesota. O curriculum de Kelly tinha tudo para conquistar conservadores e independentes: aviador de combate na guerra do Golfo e astronauta, e eleição e reeleição para o Senado pelo Arizona em 2020 e 2022, uma proeza num Estado que desde 1962 era republicano. Mas, aparentemente, Kelly não era suficientemente “normal” para normalizar o progressismo de Kamala Harris.
Joshua David Shapiro, congressista pela Pensylvania, eleito Procurador-Geral pelo Estado entre 2017 e 2023, onde dirigira com rigor as investigações sobre os abusos sexuais na Igreja Católica, e Governador da Pennsylvania em 2023, também tinha um bom curriculum.  E seria o primeiro judeu praticante a entrar na Casa Branca como vice da primeira mulher “negra” presidente.  Pena que na crise nascida dos ataques do Hamas em 7 de Outubro Josh se tivesse revelado crítico das manifestações anti-judaicas e pró-palestinianas nas universidades americanas. Era preciso alguém mais “normal.”
e o escolhido foi
Tim Walz, que vinha, não para equilibrar mas para exponenciar o progressismo de Kamala; um homem que, com a propaganda adequada,  podia convencer os conservadores mais distraídos, passando maravilhosamente por americano médio, por cidadão comum, por um afável “moderado” cuja branquitude, a masculinidade, a pertença à classe média e as “piadas à pai de família” dissociariam o ticket democrata das políticas radicais que o mesmo Walz tinha vindo a promover e que vinham afastando a Esquerda…do “cidadão comum”. 
Assim, com este recurso à “normalidade”, diluía-se o dilema de uma esquerda “too woke to connect with voters” ou em claro processo de desconexão com o povo trabalhador; uma esquerda que, assim, não teria já de escolher entre a “wokeing class” e a “working class”.


sábado, 16 de março de 2024

da LUSA para as Primárias...

A mudança de retórica de DeSantis ocorre numa fase em que Trump procura redefinir a sua campanha para a corrida à Casa Branca em 2024. Trump continua amplamente popular junto da base do Partido Republicano e é o favorito nas primárias presidenciais do partido no próximo ano.

Durante a entrevista, DeSantis começou por não dar uma resposta clara quando questionado sobre se Trump perdeu, referindo: “Quem coloca a mão na Bíblia em 20 de janeiro a cada quatro anos é o vencedor”.

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terça-feira, 4 de abril de 2023

o Trump vai preso?

preso por pagar a uma puta?

Segundo o Miguel Pinheiro, Diretor Executivo do Observador, uma das advogadas de Trump, o ex-Presidente deverá entregar-se na terça-feira, às 14h15 locais. Se isso não acontecesse, seria preciso o estado de Nova Iorque pedir a extradição de Trump ao estado da Florida, onde o ex-Presidente vive.
Nesse cenário, o que faria o governador da Florida e concorrente de Trump nas próximas eleições? Ron deSantis já respondeu: recusaria colaborar com as autoridades judiciais.
A Cátia Andrea Costa, a Mariana Lima Cunha e a Marta Leite Ferreira confirmam que ele poderá entregar-se na próxima terça-feira