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terça-feira, 2 de setembro de 2025

Impacto da Ascensão do Partido CHEGA no Panorama Político Português

A ascensão do CHEGA representa uma mudança significativa no panorama político português, que tradicionalmente foi dominado por um bipartidarismo entre o Partido Socialista (PS) e o Partido Social Democrata (PSD). O impacto desta ascensão, a meu ver, pode ser analisado em várias vertentes:
- Quebra do Bipartidarismo:
A principal consequência é a erosão do modelo bipartidário. A presença de uma terceira força política robusta no parlamento, com uma representação significativa, dificulta a formação de maiorias absolutas e obriga os partidos tradicionais a procurar novos equilíbrios e alianças.
- Polarização do Debate Político:
O CHEGA trouxe para o centro do debate temas que antes estavam nas margens, como a imigração, a segurança, a justiça e a corrupção, com abordagens muitas vezes radicais e polarizadoras. Isto força os outros partidos a posicionarem-se sobre estas questões, contribuindo para uma maior clivagem ideológica.
- Influência na Agenda Política:
Mesmo sem fazer parte do governo, a dimensão do CHEGA no parlamento confere-lhe uma capacidade de influência na agenda legislativa e no debate público, pressionando os partidos do centro a adotar algumas das suas preocupações ou a reformular as suas próprias propostas para não perderem eleitorado.
- Dificuldade na Formação de Governos (o “não” é não”!):
A fragmentação parlamentar resultante da ascensão de novos partidos torna mais complexa a formação de governos estáveis, podendo levar a soluções de governo minoritárias ou a coligações mais amplas e, por vezes, menos coesas.
- Desconfiança nas Instituições:
O discurso antissistema e de desconfiança nas instituições, uma marca de partidos populistas, pôde contribuir para um aumento da desilusão cívica e para uma menor participação eleitoral, ou, paradoxalmente, para uma maior mobilização de eleitores insatisfeitos.

Em suma
o emergir do PARTIDO CHEGA alterou profundamente a dinâmica política portuguesa, desafiando as lógicas estabelecidas e introduzindo novos desafios para a governabilidade e a representação democrática.

domingo, 13 de julho de 2025

O CHEGA: Muito para além da caricatura de liberais e social-fascistas

O Partido CHEGA veio provocar uma grave perturbação nas cabeças que apenas conseguem pensar em aritmética binária — 0 ou 1, sim ou não — e não concebem a existência de um terceiro dígito, um terceiro vector político, que poderíamos chamar de “nim” ou “talvez”.

Na realidade, o partido de André Ventura veio romper com a estrutura conservadora da alternância a dois, entre PSD e PS, expondo os limites de um sistema político que se tornou viciado na rotatividade e incapaz de responder a exigências de renovação real.
O CHEGA é de Direita Conservadora nas políticas de identidade, mas assume posições socialistas ou social-democratas em muitas matérias económicas. Se aplicarmos o verdadeiro sentido da expressão social-democracia segundo a ciência política — e não o uso adulterado a que estamos habituados — encontraremos no CHEGA muitas propostas que recordam a encíclica "Das Coisas Novas", texto fundador da doutrina social da Igreja.
A emergência do CHEGA representa, pois, não uma simples cópia da direita populista europeia, mas uma originalidade portuguesa com traços distintos. O país percebeu esta novidade e confiou nela, mas os “influencers” e os influenciáveis — em muitos casos profundamente ligados às estruturas montadas após a revolução de Abril — continuam presos à velha grelha de leitura ideológica, onde tudo deve caber entre o bem e o mal, entre fascistas e democratas, entre esquerda “progressista” e direita “reacionária”.
Este novo realinhamento político e cultural está em marcha e, embora a comunicação social tradicional o tente caricaturar, a clarificação está em curso. Aos poucos, vai-se percebendo que o CHEGA força os restantes partidos a posicionarem-se de modo mais honesto: o PS como partido social-democrata da Segunda Internacional; o PSD como partido democrata cristão, hoje perdido entre a nostalgia cavaquista e a hesitação liberal.

Mas vejamos exemplos concretos da componente social do CHEGA, frequentemente ignorada ou deturpada:
- Propõe um salário mínimo superior ao do PS;
- Recomenda um aumento da carga fiscal sobre a banca, algo que aproxima as suas propostas às do BE e do PCP;
- Apresenta uma proposta de aumento de pensões mais ambiciosa do que a dos socialistas, tendo-se mesmo abstido na votação parlamentar para permitir a sua aprovação.
Ou seja, a “direita radical” que muitos se apressam a demonizar apresenta em certas áreas, propostas que estão à esquerda do PS.

Tal como sucede em vários países europeus, também em Portugal a clivagem não é entre “extrema-direita” e “direita moderada”, mas sim entre quem quer manter o regime tal como está e quem quer verdadeiramente mudá-lo — com voz, identidade e autoridade política.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2025

quinta-feira, 3 de outubro de 2024

“uma Direita Mal-Educada”. A sorte que temos por a ter!

“Em Portugal, André Ventura é um dos poucos líderes partidários que compreendeu a ameaça cultural.
Podemos usá-lo como exemplo de como é possível dar-lhe seguimento político. Vamos ver isso olhando para dois dos assuntos mais discutidos por ele: a imigração e a segurança.

Estes dois assuntos, que escolheu e que o distinguem, acertam no coração do fanatismo woke. O debate sobre imigração desmonta a fantasia do multiculturalismo. Como é que o faz? Descendo ao concreto. Levando as pessoas a pensar: quais culturas são compatíveis com a nossa?, em que circunstâncias?, pelo turismo?, pelo comércio?, pelo trabalho? Todas estas dúvidas e possibilidades foram limitadas até à chegada do Chega e, sobretudo, até que Ventura elegesse com ele 50 deputados à Assembleia da República. Contra a força deste pequeno exército, tornou-se impossível manter a censura sobre a discussão, e o estigma sobre quem se atrevesse a duvidar. O debate sobre segurança devolve a autoridade ao Estado, tirando-a do relativismo e dos sentimentos (para onde a liturgia woke a levou e onde a pretendia manter). Por outras palavras, o debate sobre segurança reduz a autoridade hierárquica e brutal dos criminosos, e a autoridade fáctica dos grupos de pressão – ou seja, dos Climáximos, das “plataformas”, “núcleos” e “colectivos” onde a extrema-esquerda vive mal disfarçada.” (Margarida Bentes Penedo)

terça-feira, 10 de setembro de 2024

domingo, 7 de abril de 2024

[deixem-me ser mauzinho: Uma jornalista que já o percebeu…]

Estamos a viver a “normalização” da extrema-direita
Uma vitória de Trump seria uma bênção para as forças populistas e nacionalistas europeias. 
[Teresa de Sousa no Publico em 7 de Abril de 2024]
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“Um vento novo varre o Velho Continente, favorável aos partidos de direita radical e extrema, escreve o jornalista francês Charles Sapin [que aprendeu, em França, a analisar estes movimentos políticos] num livro publicado recentemente — Les moissons de la colère. Sapin percorreu a Europa para tentar compreender as razões profundas desta transformação. Continuando a ler as sínteses de apresentação do livro, publicadas nos jornais franceses, o autor refere que “na Suécia, antigo paraíso social-democrata, na Finlândia, templo da moderação política, na Itália, país fundador da União Europeia, incluindo os até agora muito liberais Países Baixos, as forças populistas e nacionalista governam.” Em quase todos os países europeus, “conhecem uma ascensão fulgurante.” “De Portugal, onde o Chega multiplicou os seus resultados nas urnas, à Áustria, onde o FPO está à frente nas sondagens para as europeias, sem esquecer a Alemanha, onde a AfD já é a segunda força política do país.” Sapin trabalhou no diário Le Figaro e na revista semanal Le Point.