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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

“Baste a quem basta o que lhe basta” ou "o mínimo elevado a virtude"

Fernando Pessoa escreveu-o em Mensagem, no poema "O das Quinas", o verso severo: “Baste a quem basta o que lhe basta.

É um aviso, não um elogio. Um diagnóstico de decadência moral e política: quando o mínimo passa a bastar, o máximo deixa de ser exigido e o País encolhe.
É exactamente aqui que estamos. Uma parte influente da Direita Caviar e da Esquerda Rasca decidiu que, para a Presidência da República, basta não ser Ventura. Não importa quem é o candidato, o que pensa, o que fez, o que fará. Basta-lhe não ser o outro. Não deveria bastar.
A campanha em torno de António José Seguro foi reduzida a isto: um exercício negativo, um anti-programa, um busto da República para pôr em Belém. Não se vota num homem real, com passado político, escolhas, responsabilidades; vota-se numa abstracção piedosa chamada “democracia”, “humanismo”, “decência”. É o vazio apresentado como virtude.

O artigo “Basta não ser Ventura” acerta no nervo do problema ao perguntar: o que significa votar num candidato presidencial? 
Dizem-nos que é possível votar em Seguro sem ser socialista, sem o apreciar, sem aderir ao partido que o sustenta, um voto “asséptico”, “higiénico”, sem consequências.
Mas, dizem os mesmos, não é possível votar em André Ventura sem “ingressar” no Chega, sem prestar culto à personalidade, sem assinar por baixo do estilo. Porquê? 
Porque razão o voto em Seguro é um voto “neutro”, enquanto o voto em Ventura é uma conversão ideológica?
A resposta é simples e cínica: porque convém aos oligarcas do comentariado e do jornalistado. Porque assim se bloqueia qualquer voto instrumental, qualquer voto de sinalização política, qualquer voto que queira marcar temas que só Ventura levou à campanha do caos migratório ao risco para a coesão social, do imobilismo sistémico ao perigo de uma restauração do domínio do PS.
O voto deixa de ser um instrumento do eleitor e passa a ser um teste moral imposto pelos mediadores do regime.

Histeria selectiva, memória curta
Os mesmos que hoje anunciam o apocalipse democrático se Ventura vencer, nunca se mostraram especialmente perturbados com o que o PS - e José Sócrates - fizeram efectivamente ao regime entre 2005 e 2011. A subversão, o endividamento, a captura institucional, o desprezo pelas regras: tudo isso passou. O escândalo, agora, são cartazes. A comoção, agora, é imaginária.
Esta histeria anti-fascista não protege a democracia: empobrece-a. Dispensa o escrutínio, desvaloriza o debate, sacraliza um candidato e demoniza o outro. O País é infantilizado; o eleitor, tratado como suspeito.

O precedente que assusta — e que se normaliza
Quando a lógica é “salvar a democracia suspendendo a democracia”, o fim aproxima-se rapidamente. No Reino Unido, o governo trabalhista já ensaiou a supressão de eleições locais onde o partido de Nigel Farage pode vencer. Eis a última estação da campanha virtuosa: cancelar eleições para defender eleições.
Quem acha isto exagero devia ler melhor os sinais. A pedagogia do medo prepara sempre a legitimação do interdito.

o mínimo que não basta
“Baste a quem basta o que lhe basta.” Pessoa escreveu-o como epitáfio de uma vontade cansada. Não como programa político. Eleger um Presidente porque não é outro é aceitar o mínimo como critério supremo. É desistir de perguntar quem é, o que pensa, o que representa. É transformar Belém num altar de boas intenções vagas.
A democracia não se defende com bustos. Defende-se com escolhas reais, com escrutínio duro, com eleitores livres — inclusive livres para votar sem pedir licença moral aos oligarcas do dia.
Se isto é demasiado para a Direita Caviar e para a Esquerda Rasca, o problema não é do eleitor. É do regime que se habituou a viver do mínimo — e a chamar-lhe virtude.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

previsões no Correio da Manha...a um ano de distancia!

vamos lá ver se este acertou ou se apenas mandou um "bitaite" prós tótós...
.
"Tudo indica que a realidade vai acelerar na corrida às presidenciais. É curioso como, quando ainda falta quase um ano para irmos a votos, as eleições para Belém despertam já tanto interesse, tantas movimentações e tantos cálculos políticos. Sinal da importância do cargo. Os portugueses gostam verdadeiramente do Presidente da República que é eleito, independentemente da margem da vitória. Cada Presidente acaba, de uma maneira ou de outra, por ser o Presidente de todos nós, e isso é sintoma do profundo laço emocional que nos une ao chefe do Estado. Por outro lado, o anterior Presidente não se pode recandidatar, e a escolha do senhor que se segue deverá ter implicações para uma década. Será, portanto, uma longa campanha, e o lote de candidatos começa a definir-se. André Ventura promete oficializar em fevereiro. Se houver más sondagens, terá dificuldade em desistir. Marques Mendes é o candidato para manter a Presidência ligada ao PSD. E à direita é tudo, com a eventual junção de um nome liberal para marcar o ponto, tal como, aliás, à esquerda, farão o PCP e o Bloco. Mais a sério, António José Seguro ou Mário Centeno, ou os dois, tentarão o pleno dos votos do PS para conseguirem chegar à segunda volta. Ao lado, ou acima dos partidos, vai correr Gouveia e Melo. Sendo Ventura divisivo, sobram os outros quatro nomes. Um deles deverá ser o próximo chefe do Estado."

comentariado e jornalistado!

acham que esta sondadeira e este comentador têm condições para continuar a comentar?

sábado, 17 de janeiro de 2026

André Ventura contra todos os outros...

Sobre as presidenciais, depois de todos os debates, polémicas e sondagens, só parece haver duas ideias geralmente aceites. A primeira é que André Ventura é o candidato com mais probabilidade de passar à segunda volta. A segunda ideia é que André Ventura é o candidato com menos probabilidade de ser eleito. Entre estes dois lugares-comuns, está desenhado o impasse da política portuguesa.

A primeira opinião traduz o facto de André Ventura ser o único líder político em actividade que interessa aos portugueses. Os debates mais vistos foram aqueles em que ele esteve. E foi curioso ver alguns dos seus rivais adoptarem contra ele os tiques e os truques que lhe são atribuídos: interrupções, elevações da voz, risos. Julgam mesmo que o sucesso de Ventura foi apenas técnica de comunicação. Não percebem que foi uma questão de substância, isto é, que Ventura interessou, não porque tivesse jeito e graça, mas porque falou do que os portugueses estavam a falar: o choque a que o país foi sujeito quando percebeu que os governantes, sem lhe perguntarem, tinham decidido abolir qualquer controle da imigração. Toda a gente falava disso em privado, ninguém falava em público, por receio de ser posto na fogueira como racista ou desumano. Ventura foi o líder político que ousou falar do assunto, e da perspectiva que importa: a da coesão nacional, que é o primeiro pilar da democracia, da segurança e da solidariedade social.
Esqueçam o estilo. Ventura é o único político activo que está associado a uma causa, e mais: à necessidade de manter essa causa, que não é uma causa qualquer, mas existencial, no debate público. Perante Ventura, os demais políticos podiam ter reagido comprometendo-o em políticas públicas de resposta aos problemas; em vez disso, viram apenas a oportunidade de, fazendo dele um monstro a que seria preciso resistir, arranjarem uma maneira de ficarem no poder sem resolverem problema nenhum. Percebe-se que o país não se possa arriscar a não ter André Ventura na segunda volta.
A segunda opinião traduz uma convicção: a de que o país, embora alarmado com o caos migratório, o colapso dos serviços públicos ou a estagnação económica, e, por isso, a precisar de levar André Ventura à segunda volta como testemunha desse alarme, ainda não quer rupturas, e, portanto, acabará por não eleger Ventura. É com o que contam os outros candidatos. Nenhum deles está associado a uma grande causa, nenhum deles prestou um grande serviço ao país, nenhum deles beneficia sequer de grande estima, como Marcelo Rebelo de Sousa quando foi eleito. São apenas candidatos contra André Ventura, e só esperam ser eleitos, não porque o país os deseje como presidentes, mas por não serem Ventura. Cotrim de Figueiredo, que pisou as “linhas vermelhas” por distracção, tentou logo redimir-se, colando-se ao governo de Montenegro (“conte comigo”). Eis o que é o anti-venturismo: a redução da política à defesa mecânica do status quo. É isso que estes candidatos representam da maneira mais indiferenciada. 

Ganharão mesmo, esses anti-Venturas? E se ganharem desta vez, ganharão da próxima? Talvez André Ventura ainda represente, para muitos, um risco. Mas perante a perigosa experiência a que a oligarquia está a sujeitar a sociedade portuguesa, esse risco parecerá, por comparação, cada vez menor. Haverá um momento em que Ventura, por mais controverso, surgirá como o único meio de restaurar a normalidade. Com o seu anti-venturismo tão cínico como bacoco, a oligarquia anda apenas a adiar o dia em que já não conseguirá parar André Ventura.
(imagem acrescentada em 20Jan26)

 

os candidatos para o Pinheiro do Observador...

Luís Marques Mendes reagiu com inesperado amadorismo à polémica sobre a sua vida profissional e as suas ligações políticas. Qualquer pessoa dotada da capacidade para antecipar o óbvio deveria ter percebido há muitos meses que, depois do caso Spinumviva, um candidato com uma empresa familiar que tem como sócios a mulher e os filhos iria ser alvo do mais implacável escrutínio. Além de ter dissolvido a sociedade, Marques Mendes deveria ter tomado a iniciativa de revelar a lista completa dos clientes e de explicar detalhadamente o que fez para cada um deles. Em vez disso, ficou à espera que surgissem as perguntas e as suspeições, como se estivesse a fazer figas para que ninguém se lembrasse de falar sobre o assunto. Podia ter controlado e arrumado o tema, mas ficou a servir de saco de pancada dos adversários.
António José Seguro também teve dificuldades em ver o óbvio. Com o espaço da direita hiperlotado, evidentemente ele devia ter-se apresentado desde o início como o único candidato viável da esquerda. Há aquela frase célebre: “Se anda como um pato, se nada como um pato e se fala como um pato, então é porque é um pato”. Se Seguro foi líder da JS, se foi líder do PS e se fez toda a vida no PS, então é porque é socialista e, por definição, de esquerda. Mas, até chegar a essa conclusão incontestável e começar a apelar ao voto útil de toda a esquerda, António José Seguro embrulhou-se em conversas sobre “gavetas” e sobre a sua irreprimível vontade de agradar à direita desiludida com Marques Mendes.
Henrique Gouveia e Melo também tentou, absurdamente, agradar a toda a gente: aos que odeiam o sistema e aos que idolatram o sistema; aos que adoram Mário Soares e aos que desconfiam de Mário Soares; aos que já votaram no PS, aos que já votaram no PSD, aos que já votaram na IL e aos que já votaram no Chega. O almirante conseguiu o extraordinário feito de fazer com que os eleitores tenham hoje mais dúvidas sobre o que lhe anda na cabeça do que tinham no tempo em que ainda não tinha aberto a boca para falar sobre nada. Ninguém verdadeiramente sabe se um voto em Gouveia e Melo é útil ou pernicioso. Nas presidenciais, queria ser o novo general Ramalho Eanes, mas corre o risco de ser o novo almirante Pinheiro de Azevedo.

André Ventura comportou-se na primeira parte da campanha como a atual líder do Partido Conservador inglês. As pessoas mais próximas de Kemi Badenoch dizem que ela tem a capacidade autodestrutiva de começar uma rixa mesmo numa sala vazia. Como se sabe, o combustível político de André Ventura são os inimigos. Esses inimigos podem ser internos ou externos, mas convém, apesar de tudo, que não sejam totalmente imaginários, para que o líder do Chega não pareça um fantasista ou um charlatão. A dada altura, acalmou-se e disciplinou-se. O seu grande objetivo nesta campanha era convencer os fiéis do Chega de que o voto útil nesta eleição era nele e não no almirante — e tudo indica que conseguiu.

João Cotrim de Figueiredo apostou nos jovens, que, em tese, sentem a liberdade de votar sem se deixarem condicionar por cálculos e contas.
Catarina Martins tentou apresentar-se como a legítima herdeira de Mário Soares e de Jorge Sampaio, ignorando que não é possível passar uma vida inteira a habitar o radicalismo para depois se reclamar como a representante confiável da esquerda moderada e bem comportada.
António Filipe refugiou-se na mais empedernida ortodoxia, tentando assim persuadir os simpatizantes do PCP de que o voto em qualquer outro candidato será uma rendição ao desprezível “consenso neoliberal”.
Jorge Pinto apareceu como o último recurso de um partido que preferia a unidade da esquerda e só apresentou um candidato próprio porque tinha mesmo de ser.
[https://observador.pt/opiniao/estas-presidenciais-vao-ser-as-eleicoes-do-voto-util/]

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

do "la barrage.fr" às "linhas vermelhas.pt"

França e Portugal: duas presidenciais, o mesmo “sistema imunitário” (e o mesmo risco de falha)
Em França, a presidência é o coração do regime; em Portugal, é a chave de aberturas e fechos (dissolver, vetar, arbitrar). Mas há um traço comum que atravessa Paris e Lisboa: quando surge um candidato que ameaça reordenar o tabuleiro, activa-se a mesma liturgia — o “cordão sanitário” com incenso mediático, a palavra “perigo” em loop, e a velha moral do “voto responsável” a bater à porta do eleitor como Testemunha de Jeová em véspera eleitoral.
Le Pen e Ventura: semelhanças reais, diferenças decisivas
Semelhança principal: ambos são tratados como teste de stress ao regime. Marine Le Pen, no segundo turno de 2017 e 2022, foi o adversário “útil” para reunir contra si uma coligação negativa: não se vota “por” Macron; vota-se “contra” Le Pen. A literatura e a análise pós-eleitoral descrevem bem este mecanismo, onde a competição se organiza menos por adesão do que por repulsa. 
Em Portugal, Ventura encaixa no mesmo molde: chega ao patamar em que a pergunta já não é “se” tem base eleitoral, mas “se” o sistema consegue impedir que essa base se converta em maioria agregada no segundo turno. E os dados recentes apontam para uma eleição fragmentada e para uma segunda volta provável — e, ao mesmo tempo, para um nível de rejeição de Ventura suficientemente alto para tornar difícil ganhar o frente-a-frente final.
Diferença decisiva: em França, o “frente republicana” é um reflexo condicionado antigo e nacional; em Portugal, o anti-Chega é mais recente e mais dependente da engenharia mediática diária (comentariado, jornalistado, “fact-checking” selectivo, indignação por turnos). 
Resultado: o mecanismo pode ser eficaz… mas também pode cansar, e quando cansa transforma-se em combustível.
O papel das imprensas: a França do “barramento” e Portugal do “cerco permanente” 
Imprensa francesa: tende a funcionar como amplificador do “barramento” (la barrage), sobretudo na segunda volta, reforçando a ideia de que há uma fronteira moral a defender — o que facilita a convergência táctica entre campos ideologicamente incompatíveis (do centro liberal à extrema-esquerda). Essa dinâmica ficou visível nos ciclos recentes e ganhou novo relevo com a crise de governabilidade francesa e a reorganização das alianças à esquerda. 
Imprensa portuguesa: faz algo semelhante, mas com um estilo mais “micro-gestão”: não é só “na segunda volta”. É todos os dias, a todas as horas, com o candidato transformado em assunto, e o assunto transformado em alarme. O paradoxo é conhecido: quanto mais o cerco fecha, mais o sitiado consolida a tribo — e depois, para espanto geral, “cresceu nas sondagens”. (Mistério insondável: ninguém sabe porquê. Nem o painel de comentadores. Nem o painel de comentadores do painel de comentadores.)
E aqui há um detalhe moderno: Ventura não depende apenas dos canais tradicionais; usa-os como matéria-prima para circular nas redes, recortando, reenquadrando e devolvendo ao público sob a forma de “prova” de perseguição. Há investigação académica recente exactamente sobre este padrão de uso de notícias e redes por Ventura enquanto “gatekeeper”. 
A “rejeição” de Le Pen e o risco do efeito bumerangue
O “modelo francês” tem funcionado assim: Le Pen chega ao segundo turno; o sistema une-se; Le Pen perde. Só que, quando se repete demais, a fórmula envelhece. E o envelhecimento acelera quando:
a crise do custo de vida não abranda;
a imigração e a segurança permanecem no centro do quotidiano;
a esquerda radical é percebida como sócia táctica do “sistema” para bloquear a direita populista (mesmo quando diz odiar o “sistema”). 
Em França, este quadro é agravado por um factor objectivo e explosivo que a esquerda tem tentado em Portugal: a incerteza jurídica sobre a própria elegibilidade de Marine Le Pen para 2027, por via do processo e do recurso em curso. Se Le Pen ficar impedida, a sucessão interna (Bardella) pode mudar o estilo e a eficácia eleitoral do RN. 
Ou seja: o “barramento” pode voltar a funcionar… mas também pode falhar por saturação, ou por substituição de rosto e estratégia.

Pode acontecer “uma França” em Portugal?
Sim — mas com especificidade portuguesa.
O cenário “França”: Ventura passa à segunda volta; junta-se um bloco “anti” (do centrão à esquerda) para o travar; Ventura perde, mas sai reforçado politicamente porque normaliza o Chega como pólo inevitável do sistema. Isto é praticamente o equivalente funcional do que sucedeu em França (perder e crescer), adaptado ao nosso semi-presidencialismo. E o próprio retrato recente da corrida portuguesa sugere exactamente a combinação “segunda volta provável + rejeição elevada” que alimenta esse desfecho. 
O cenário “fadiga das ”linhas vermelhas": a campanha anti-Ventura atinge tal nível de histeria que se torna contraproducente; parte do eleitorado não “converte” no segundo turno e escolhe abstenção ou voto de protesto. Numa eleição com fragmentação e cansaço, isto pode apertar perigosamente o resultado.
O cenário chamemos-lhe o “acidente de regime”: uma segunda volta Ventura vs. candidato do “centrão” com baixa capacidade de mobilização emocional; a máquina mediática faz o que sabe, mas não consegue entusiasmar o eleitorado “anti” tradicionalmente abstencionista - e, quando o anti não sai de casa, a matemática torna-se cruel.

Premonições: 
Com a informação pública disponível hoje, a aposta mais prudente é:
  • Ventura tem probabilidade alta de chegar à segunda volta, porque a fragmentação empurra os votos para três ou quatro pólos e ele tem um eleitorado muito identificado. 
  • Ganhar a segunda volta é mais difícil, precisamente por causa da rejeição elevada e do reflexo de “todos contra”.
A consequência política, mesmo numa derrota, pode ser grande: o Chega passará a ser o eixo em torno do qual a direita e o centrão se reorganizam (uns por aproximação táctica, outros por exclusão ritual). E a médio prazo isto empurra Portugal para o mesmo dilema francês: ou o sistema reforma as suas falhas (custos, serviços públicos, imigração, segurança, justiça), ou continuará a fabricar candidatos que diz abominar.

A Europa terá nestas presidenciais (em França e em Portugal) um barómetro:
  • Se o “cordão” vencer sempre, Bruxelas respira — mas a pressão social acumula-se por baixo.
  • Se o “cordão” falhar uma vez, a mudança pode ser abrupta, e a UE terá de lidar com governos e maiorias mais soberanistas, mais conflituais e menos disponíveis para a moralização permanente de tudo.
Em suma: França e Portugal não são cópias — mas rimam. E, quando a história rima demasiadas vezes, há dias em que deixa de ser poesia e passa a ser contabilidade eleitoral.

sábado, 27 de dezembro de 2025

André Ventura e a Lição Francesa

Do Cordão Republicano ao Cerco Mediático
Há fenómenos políticos que as nossas elites recusam aprender — mesmo quando lhes batem à porta com a subtileza de um elefante dançante.
Um desses fenómenos é o chamado “cordão sanitário”, invenção francesa que, como todas as invenções francesas pós-1958, tem um ar importante, muito perfume intelectual, mas uma eficácia prática próxima do nada.
E, tal como Paris exportou Maio de 68 para o mundo, parece ter agora exportado para Lisboa a sua histeria moralista de “frente republicana” contra o candidato que não devia existir, que não devia falar, e que sobretudo não devia ter votos: André Ventura.
Só que, ao contrário de França, onde a sucessão de Presidentes amparados pelo sistema produziu um país cansado mas obediente, Portugal já não está nesse ponto de docilidade patriótica.
O meteorito Ventura e o erro sistemático das sondagens
Comecemos pelo óbvio: as sondagens continuam a mostrar Ventura abaixo dos outros candidatos — ora 14 %, ora 15 %, ora 16 %, com a promessa tácita de que, se todos os entrevistados forem muito bem comportados, talvez ele desapareça espontaneamente.
É comovente.
E totalmente falso.
Desde 2019 que o Chega é sistematicamente subestimado, não porque os institutos sejam incompetentes (embora alguns sejam), mas porque:
  • . o eleitor do Chega responde pouco,
  • . confia menos ainda,
  • . e não está disponível para ser julgado moralmente por um inquérito telefónico.
Resultado: Ventura vale sempre mais do que as sondagens dizem.
É um facto empírico, um padrão estatístico, e — pior ainda para quem muito se indigna nas televisões — um padrão consistente
O núcleo duro: o que os outros candidatos não têm
Nesta corrida presidencial, Gouveia e Melo tem prestígio militar, Mendes tem prestígio televisivo, Seguro tem prestígio partidário.
André Ventura tem outra coisa: um eleitorado fiel, resistente e emocionalmente ligado à sua candidatura.
É o único candidato que tem aquilo que a ciência política americana chama base — não simpatizantes ocasionais, mas gente que vota, volta a votar e ainda convence dois vizinhos.
Para um sistema partidário fragmentado, isto vale metade do caminho até à segunda volta.
O mito do “cordão republicano” português (dito da “abrilada”)
A ideia francesa foi simples:
  • . Qualquer pessoa contra Marine Le Pen unia-se;
  • . O povo obedecia;
  • . A esquerda e a direita fingiam que ainda existia uma fronteira nítida entre ambas.
Mas Portugal não é França, e os nossos eleitores não seguem instruções como um batalhão napoleónico.
Se Ventura chegar à segunda volta (e tudo indica que sim), o tal cordão republicano terá vários problemas:
  • A direita moderada não vê Ventura como ameaça existencial, ao contrário da narrativa moralizante dos comentadores.
  • O eleitorado português é menos ideológico e mais pragmático — votar “contra alguém” tem pouco apelo cívico.
  • Há um desgaste crescente das instituições, que só torna o discurso anti-sistema mais apelativo.
  • E, sobretudo, não existe em Portugal um consenso moral anti-Ventura comparável ao anti-Le Pen francês.
Portanto, o cordão tenderá a transformar-se num "chocalho" - muito barulho, pouca contenção.

O que assusta o "Sistema" não é Ventura: é a aritmética

A verdade é esta:

Ventura não se tornará candidato forte porque “a extrema-direita está a crescer”, como os jornais repetem por hábito; tornar-se-á forte porque os outros candidatos dividem o espaço político entre si, enquanto ele concentra sozinho todo o voto protesto.


Num país fatigado de:
  • .relatórios que ninguém cumpre,
  • .comissões parlamentares que não servem senão para teatro,
  • .comentadores que acham que o povo existe para lhes dar audiências,
- André Ventura surge como a única ruptura perceptível.
Para as classes políticas tradicionais, isto é insuportável — não porque ameaça a democracia, mas porque ameaça a sua centralidade.
A fronteira real não é esquerda/direita - é sistema/anti-sistema
Se Ventura chegar à segunda volta, Portugal não replicará o modelo francês: não há Macron, não há gaullistas, não há socialistas com peso moral para liderar cruzadas republicanas.
Haverá, isso sim:
  • o candidato do sistema, seja Mendes, seja Gouveia e Melo, seja Seguro e 
  • o candidato anti-sistema, André Ventura.
Isto é: A escolha será entre duas percepções de país.
E nessa escolha, a velha moralização ideológica terá pouco peso...
Se a elite portuguesa insistir no erro francês - demonizar o eleitor, em vez de compreender as razões do seu voto - então, tal como em França, acabará a perguntar-se como foi possível que “isto” lhes tivesse acontecido.
A resposta é simples: não ouviram quando ainda havia quem falasse.

 

 

 

sábado, 20 de dezembro de 2025

De um lado, o candidato do Príncipe Real. Do outro, o candidato do País Real.

Há debates que, mesmo quando fingem discutir ideias, acabam por revelar algo muito mais cru: quem fala para quem. Não por aquilo que dizem, mas por aquilo que pressupõem. Não pelo tom, mas pelo destinatário implícito. O debate entre João Cotrim Figueiredo e André Ventura foi um desses momentos raros de clarificação social — quase sociológica — da política portuguesa contemporânea.
De um lado, o candidato do Príncipe Real. Do outro, o candidato do País Real.

Cotrim Figueiredo falou, como sempre, para uma fracção muito específica do País: aquela que vive confortavelmente instalada na convicção de que o Estado é um estorvo, os impostos um roubo e a “sensibilidade social” uma excentricidade cara. Um discurso afinado para os 5% que confundem privilégio herdado com virtude adquirida e baptizam de meritocracia aquilo que, na prática, é a transmissão silenciosa da vantagem por redes familiares, contactos certos e portas que nunca estiveram verdadeiramente fechadas.
É um liberalismo de salão, bem-educado, urbano, perfumado de cosmopolitismo e convicto de que o mundo começa nas Avenidas Novas, passa pela Foz e termina num brunch tardio ao domingo. Tudo o resto é folclore, custo social ou “externalidade”.

André Ventura, pelo contrário, falou para quem não tem tempo para essas subtilezas. Falou para quem depende do Estado não por ideologia, mas por necessidade. Para quem sabe que igualdade de direitos não é um slogan constitucional decorativo, mas uma linha de defesa mínima contra a arbitrariedade económica e social. Falou para o País que trabalha, paga, espera, e quase nunca é ouvido.
Não se trata aqui de santificar Ventura ou de absolver excessos retóricos. Trata-se de reconhecer um facto simples e incómodo: um falou para o povo; o outro falou para a elite. Um representou, conscientemente ou não, o partido popular; o outro defendeu, com elegância e bons modos, a elite de facto — essa mesma que se julga “naturalmente” superior, embora raramente o seja por mérito próprio.
.
O mais curioso — e talvez o mais trágico — é assistir ao entusiasmo juvenil por este liberalismo importado, sobretudo entre uma geração que ainda não trabalhou, não pagou impostos, não enfrentou a precariedade e sonha enriquecer sem perceber de onde vem, historicamente, a riqueza em Portugal. Votam contra os seus próprios interesses com o fervor típico da alienação bem-embalada.
O debate não foi entre direita e direita, nem entre modelos económicos. Foi entre dois Países. Um pequeno, seguro de si, convencido de que governa por direito natural. Outro vasto, real, imperfeito, mas vivo. E quando esses dois Países se olham de frente, percebe-se porque tantos se sentem incomodados.
Não é populismo. É aritmética social.
Cinco por cento não são o País.
E nunca o foram.

terça-feira, 16 de dezembro de 2025

Um Partido de perder!

Durante décadas, o Partido Socialista foi, em Portugal, um partido dividido — mas não fragmentado. As suas grandes disputas foram quase sempre pessoais, geracionais ou circunstanciais, nunca verdadeiramente ideológicas. Mário Soares contra Salgado Zenha, Soares contra Manuel Alegre: combates duros, sim; mas travados dentro de uma mesma casa, com uma ideia comum de partido e de regime.
Hoje, isso acabou.
As eleições presidenciais tornaram-se o espelho cruel dessa mutação. O exercício de imaginar o voto dos antigos líderes do PS é mais do que uma curiosidade política: é um diagnóstico. Um partido em que os seus antigos secretários-gerais votam em quatro candidatos distintos não está “plural”; está desagregado.
O PS deixou de ser um partido com correntes. Tornou-se um arquipélago.

A origem do estilhaçamento: Sócrates, a bancarrota e a mentira fundadora
A fragmentação começa com José Sócrates — não apenas com a sua governação, mas sobretudo com a forma como ela terminou. A bancarrota de 2011 não foi apenas financeira; foi moral, estratégica e identitária.
Até aí, o PS conseguia oscilar entre o discurso social e a prática orçamental com relativa impunidade. A intervenção externa acabou com essa ambiguidade. Pela primeira vez, o partido foi obrigado a escolher entre a ilusão ideológica e a realidade contabilística.
António José Seguro fez essa escolha. Pagou por ela.
Ao aceitar o quadro imposto pela União Europeia e pelo FMI, Seguro assumiu a heresia máxima dentro de um PS ainda intoxicado por retórica soberanista e voluntarista. Foi atacado, sabotado e, por fim, derrubado. Pedro Nuno Santos — então jovem promessa — chegou ao ponto de defender que a dívida não devia ser paga. Não era apenas uma divergência táctica: era uma ruptura com a própria ideia de Estado responsável.
A partir daí, o PS nunca mais recompôs a sua coluna vertebral.
A geringonça: o poder como anestesia ideológica
Se Sócrates abriu a fenda, a geringonça alargou-a até à ruptura.
Em 2015, o PS fez algo que nunca tinha feito: aliou-se formalmente às extremas-esquerdas para governar. Muitos socialistas detestaram a solução. Mas calaram-se. O poder tem esse efeito: suspende a consciência crítica.
O problema é que a geringonça não foi apenas uma solução parlamentar. Foi uma mutação identitária. Ao aceitar governar dependente do Bloco, do PCP e - mais tarde, indirectamente -  do Livre, o PS deixou de ser o eixo do sistema para passar a ser apenas mais uma peça de uma frente ideológica.
A partir desse momento, o partido passou a viver dividido entre dois projectos incompatíveis:
  • · um PS centrista, europeu, social-democrata no sentido clássico; e
  • · um PS de frente popular, refém da agenda da esquerda radical.
Esses dois PS coexistem hoje — mas já não se reconhecem.
As presidenciais como sintoma, não como causa
É neste contexto que surge a candidatura de António José Seguro. E é por isso que ela está condenada — não por falha do candidato, mas pela doença do partido.
O PS que apoia Seguro não é o PS que governa câmaras com o Bloco. Não é o PS que flerta com greves políticas, nem o PS que tolera a captura do discurso social por sindicatos ideologizados. A recente “greve geral” apenas agravou o problema: empurrou votos socialistas para candidatos do Bloco e do PCP, fragmentando ainda mais o eleitorado que, teoricamente, deveria convergir.
O resultado pode ser histórico — e não no bom sentido: o pior desempenho de sempre de um candidato presidencial apoiado pelo PS.
Não é Seguro que falha. É o PS que já não existe como unidade política coerente.
O espelho europeu: quando os partidos socialistas se desfazem
O que se passa em Portugal não é excepção. É atraso.
Em França, o Partido Socialista colapsou após a presidência de Hollande, esmagado entre o macronismo centrista e a esquerda radical de Mélenchon. Restou um esqueleto eleitoral que acabou diluído em alianças artificiais.
Em Itália, o velho campo socialista dissolveu-se em fusões sucessivas, dando origem a partidos híbridos, sem identidade clara, permanentemente dependentes de coligações instáveis.
Em Espanha, o PSOE sobrevive — por agora — à custa de alianças com forças que minam a própria ideia de Estado nacional, pagando o preço de uma crescente perda de credibilidade institucional.
Na Alemanha, o SPD mantém-se apenas como gestor cansado de consensos, sem narrativa mobilizadora, eclipsado ora pelos Verdes, ora pela nova direita.
Em todos os casos, o padrão repete-se:
  • · perda de identidade ideológica;
  • · alianças tácticas transformadas em dependências estruturais;
  • · eleitorado tradicional desmobilizado; e
  • · emergência de partidos “homónimos” - uns mais radicais, outros mais tecnocráticos - que acabam por dividir, fundir ou substituir o original.
o PS português chegou tarde ao seu próprio declínio?
O PS português vive hoje aquilo que os seus congéneres europeus viveram há dez ou quinze anos. A diferença é que chega mais tarde — e, talvez por isso, com menos margem de manobra.
Já não se trata de escolher líderes. Trata-se de escolher o que o partido é — ou se ainda é alguma coisa.
Enquanto essa escolha não for feita, o PS continuará a fragmentar-se em eleições presidenciais, autárquicas e legislativas. Continuará a perder votos para a esquerda radical e credibilidade para o centro. Continuará, sobretudo, a ser um partido que fala a várias vozes — e já não convence ninguém.
O problema não é o candidato.
O problema é o partido.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

mesmo nas Presidenciais... valem o que valem!

Segundo a jornalista Joana Mourão Carvalho e o Estudo de Opinião da Consulmark2 
Se as eleições presidenciais de 18 de janeiro fossem este domingo, Luís Marques Mendes disputaria a segunda volta com um de quatro outros candidatos: António José Seguro, Henrique Gouveia e Melo, André Ventura ou João Cotrim de Figueiredo.
A sondagem realizada pela Consulmark2 para a Euronews mostra um cenário um tanto inesperado, com o candidato apoiado pelo PSD a surgir em primeiro lugar com apenas 16,9% das intenções de voto, seguido por António José Seguro com 13,0%, Henrique Gouveia e Melo com 12,7%, André Ventura com 12,6% e João Cotrim de Figueiredo com 12,2%. Há portanto um empate técnico a quatro para disputar quem segue para a segunda volta.
Já Catarina Martins não vai além dos 2,0%, seguida de muito perto de António Filipe com 1,9% das intenções de voto. Jorge Pinto não chega sequer a 1%.
A sondagem realizada pela Consulmark2 para a Euronews mostra um cenário um tanto inesperado, com o candidato apoiado pelo PSD a surgir em primeiro lugar com apenas 16,9% das intenções de voto, seguido por António José Seguro com 13,0%, Henrique Gouveia e Melo com 12,7%, André Ventura com 12,6% e João Cotrim de Figueiredo com 12,2%. Há portanto umempate técnico a quatro para disputar quem segue para a segunda volta.
Já Catarina Martins não vai além dos 2,0%, seguida de muito perto de António Filipe com 1,9% das intenções de voto. Jorge Pinto não chega sequer a 1%.
Resultados sem distribuição aritmética dos NS/NR 
A sondagem foi realizada entre 19 e 28 de novembro de 2025, já com os debates televisivos a decorrer. A amostra teve 795 entrevistas telefónicas: 380 homens e 415 mulheres. A margem de erro é de 3,4%.
Um total de 89% dos inquiridos disse ter intenção de votar a 18 de janeiro e 52,8% já decidiram em quem irão votar. Apenas 2,2% assumem a abstenção e quase metade (47,2%) ainda não sabe em quem vai votar. A maioria deles vai esperar pela campanha eleitoral para decidir.
Com distribuição de indecisos, na primeira volta, Marques Mendes aparece destacado em primeiro lugar com 22,0%, mas o cenário de empate a quatro repete-se com Seguro a obter 16,9% das intenções de voto, Gouveia e Melo 16,6%, Ventura 16,4% e Cotrim 15,9%. Mais longe estão Catarina Martins (2,6%), António Filipe (2,5%) e Jorge Pinto (0,8%).
A decisão do voto 
Já na percepção pública de qual vai ser o resultado, 41,4% dos inquiridos neste estudo acreditam que Marques Mendes será o próximo Presidente da República.
O candidato da família social-democrata também é o melhor avaliado em diversas categorias: melhor perfil para ser presidente da República (29,35), conhece melhor os problemas do país (38%), transmite maior credibilidade (33%), mais reconhecimento internacional (36,1%) e mais próximo das pessoas (32,5%). Também lhe é reconhecida a maior capacidade de diálogo (41,9%).
Marques Mendes apenas é ultrapassado na capacidade de liderança, categoria onde é Gouveia e Melo que reúne maior consenso (37,9%).
Luís Marques Mendes ganha todos os “confrontos” e André Ventura perde todos
Tudo indica que será necessária uma segunda volta para eleger o próximo presidente da República. Em todos os cenários apresentados aos inquiridos, Luís Marques Mendes ganha aos três candidatos que estão mais próximos em pontos percentuais. Se for André Ventura a passar a uma segunda volta, o candidato apoiado pelo PSD vence com 64,8%. Se for Gouveia e Melo, Marques Mendes ganha a eleição com 46,0%. Se o adversário for António José Seguro, a margem encurta para 43,6%.
Outro ponto a destacar é que André Ventura perde em todos os cenários na segunda volta com qualquer outro dos três candidatos, seja no confronto com Marques Mendes, Gouveia e Melo ou Seguro. Os níveis de rejeição do líder do Chega numa segunda volta é um aspeto que tem vindo a ser demonstrado em sucessivas sondagens para as eleições presidenciais.
Os cenários na segunda volta 

Ficha técnica
Estudo de opinião sobre a atual situação social e política em Portugal, realizada pela Consulmark2, Estudos de Mercado e Trabalho de Campo, Lda para Euronews.
Universo: Indivíduos maiores de 18 anos residentes em Portugal. Amostragem por quotas pelas variáveis sexo, idade e região, com base nos Censos 2021. A amostra teve 795 entrevistas efetivas: 380 homens e 415 mulheres; 168 entre os 18 e os 34 anos, 421 entre os 35 e os 64 anos e 206 para os 65 e mais anos; Norte 262, Centro 133, Oeste e Vale do Tejo 64, Grande Lisboa 159, Península de Setúbal 61, Alentejo 37, Algarve 38, R. A. Açores 20 e R. A. Madeira 21.
Técnica: Entrevistas telefónicas (CATI).
Datas de realização do Trabalho de Campo: Decorreu entre 19 e 28 de novembro de 2025.
Taxa de resposta: 46,2%.
Erro máximo de amostragem, para um intervalo de confiança de 95%: + 3,4%.
Responsabilidade do estudo: Consulmark2, Estudos de Mercado e Trabalho de Campo, Lda, sob a direção técnica de José Constantino Costa.
Em “O VOTO”, a percentagem de Ns/Nr/Recusas distribuída aritmeticamente é de 22,2%.
Publicado a 04/12/2025 - 15:12 GMT+1 •Últimas notícias 15:40

domingo, 2 de fevereiro de 2025

previsão, quiçá premonição, para um pais ingovernável!

Algures no passado recente, aquando da candidatura de André Ventura à Presidência da República, escrevi no Blog reVisões, para publicação no pós eleições, a minha previsão dos resultados dos candidatos.
Ao tempo como candidato, só se conhecia Ventura, enquanto os mídia promoviam Gouveia e Melo, que ainda não tinha avançado com a candidatura.
Hoje, parece que já se perfilam mais candidatos. Apesar do Almirante Melo continuar em silêncio, já é possível dar expressão àquela minha previsão.
André Ventura: O candidato do partido Chega continua a angariar apoios, especialmente entre os eleitores desiludidos com os partidos tradicionais. Ventura tem uma presença mediática forte e um discurso polarizador, o que lhe garante uma base de apoio fiel.
Gouveia e Melo: A imprensa tem promovido o Almirante, apesar de ele ainda não ter avançado oficialmente com a candidatura. A sua gestão da pandemia de COVID-19 conferiu-lhe uma imagem de competência e liderança, que poderá converter-se em votos caso decida candidatar-se.
Outros candidatos: Outros nomes têm surgido no panorama político, cada um com suas bases de apoio e propostas. Ainda é cedo para determinar o impacto de cada um, mas a corrida promete ser disputada.

Com base nas tendências atuais e nas sondagens disponíveis até ao momento, eis a  previsão actual dos resultados:
André Ventura: 25% a 30% dos votos. A sua base de apoio é sólida, mas pode ser limitada pela polarização do seu discurso.
Gouveia e Melo: 20% a 25% dos votos. Se decidir avançar, poderá capitalizar a sua popularidade recente e angariar votos dos eleitores à procura de uma alternativa aos partidos tradicionais.
Outros candidatos: O restante dos votos será dividido entre os outros candidatos, com alguns obtendo resultados mais expressivos dependendo da sua capacidade de mobilização e da força das suas campanhas.
O cenário ainda é fluido e muito pode mudar até à data das eleições. No entanto, estas previsões baseiam-se nas informações disponíveis até agora e na minha análise das tendências políticas actuais.