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sexta-feira, 18 de setembro de 2026

A austeridade que não desapareceu: Saúde, Educação e Administração Pública

Em 2015, António Costa anunciou o fim da austeridade. Dez anos depois, talvez seja mais rigoroso dizer que desapareceu uma determinada forma de austeridade porque outra, menos visível, ficou escondida nos serviços que envelheceram, nas reformas adiadas e nas necessidades empurradas para amanhã.

Num artigo anterior procurei analisar as consequências políticas da ruptura de 2015. Importa agora olhar menos para a engenharia parlamentar e mais para aquilo que interessa ao cidadão: o Estado que ficou depois de oito anos de governos liderados por António Costa.

Nem todos os problemas actuais nasceram entre 2015 e 2023. Alguns vinham de trás, outros foram agravados pela pandemia e vários pertencem já à responsabilidade dos governos posteriores. Mas oito anos são tempo suficiente para avaliar prioridades, capacidade reformadora e antecipação de problemas.

A austeridade pode existir sem se chamar austeridade

António Costa conseguiu convencer grande parte do país de que era possível “virar a página da austeridade” mantendo simultaneamente disciplina orçamental. E os resultados contabilísticos foram politicamente relevantes: Portugal passou de um défice de 4,5% do PIB em 2015 para um excedente de 0,1% em 2019.

Mas equilíbrio das contas e qualidade do Estado são coisas diferentes.

No mesmo período, o consumo público desceu de 17,9% para 16,9% do PIB. O número não prova, por si só, degradação dos serviços. Mostra, porém, que o discurso do fim da austeridade coexistiu com uma contenção significativa da despesa pública relativamente à dimensão da economia.

A austeridade menos visível não precisa de assumir a forma de cortes salariais ou despedimentos. Pode surgir como investimento adiado, equipamentos envelhecidos, carreiras pouco atractivas, renovação tardia de quadros e reformas estruturais sucessivamente adiadas.

Saúde: quando ter SNS não significa conseguir chegar ao SNS

Na Saúde, os números obrigam a alguma prudência. Houve expansão de recursos e há indicadores que melhoraram. Mas continuam a existir dificuldades de acesso suficientemente importantes para não poderem ser tratadas como mera percepção.

No final de 2025, 14,6% dos utentes inscritos nos cuidados de saúde primários continuavam sem médico de família sem que isso resultasse da sua própria opção. Entre diferentes Unidades Locais de Saúde, a cobertura variava entre 53,2% e 100%.

O ponto relevante não é afirmar que António Costa inventou a falta de médicos. É perguntar por que razão, depois de oito anos de governação, o país continuava sem uma solução estrutural para um problema tão previsível como a insuficiência e a distribuição dos recursos humanos no SNS.

Foi aqui que a promessa do fim da austeridade encontrou a realidade: gastar mais não é necessariamente reformar melhor.

Educação: o problema que envelheceu à nossa frente

Na Educação, o envelhecimento dos professores era conhecido, mensurável e previsível.

O Conselho Nacional de Educação estima que, dos cerca de 122 mil docentes activos em 2024/2025, apenas aproximadamente 76 mil permaneçam em funções em 2034/2035. Isso corresponde a uma quebra potencial de 37% da oferta docente e a uma necessidade média de recrutamento de cerca de 3.800 professores por ano.

Ao mesmo tempo, o número global de docentes aumentou 5,6% entre 2014/2015 e 2023/2024. Logo, também aqui seria errado contar a história como se tudo se resumisse a cortes.

O problema é outro: Portugal deixou envelhecer a profissão sem garantir atempadamente a sua renovação.

Quando um Estado conhece a idade dos seus professores, sabe aproximadamente quando se reformarão e conhece o número de jovens que entram na profissão, a futura falta de docentes dificilmente pode ser apresentada como surpresa.

Administração Pública: mais trabalhadores, mas um Estado mais velho

Também na Administração Pública convém evitar frases feitas. Os números oficiais mostram que o emprego público cresceu em termos líquidos desde 2015. Portanto, o problema não pode ser reduzido a uma suposta redução generalizada de funcionários.

O que os dados mostram é algo diferente: o Estado envelheceu.

Em 2024, a idade média dos trabalhadores das administrações públicas era de 48,4 anos, quase cinco anos acima da registada em 2011. Excluindo forças armadas e de segurança, subia para 49,3 anos. Em Junho de 2024, 66,5% dos postos eram ocupados por trabalhadores com 45 ou mais anos.

Isto ajuda a explicar um paradoxo: podemos ter mais trabalhadores no Estado e, simultaneamente, serviços com dificuldades de resposta, carreiras próximas de vagas de aposentações e organismos com dificuldades de renovação de competências.

O debate, portanto, não é simplesmente entre Estado grande ou pequeno. É entre Estado capaz e Estado incapaz.

As "contas certas" não chegam

Reconhecer que os governos de António Costa melhoraram o equilíbrio orçamental não obriga a concluir que todas as estruturas do Estado foram bem administradas. Da mesma forma, reconhecer problemas graves nos serviços públicos não permite atribuir-lhe automaticamente cada urgência fechada, cada aluno sem professor ou cada atraso administrativo.

Há, porém, uma responsabilidade política que merece ser discutida: governar durante oito anos perante tendências que eram perfeitamente previsíveis.

O envelhecimento dos professores era conhecido. O envelhecimento dos funcionários públicos era mensurável. As dificuldades de recrutamento no SNS estavam identificadas. A pressão sobre diferentes serviços podia ser antecipada.

Governar não consiste apenas em resolver a crise que apareceu hoje. Consiste também em impedir que a crise anunciada há dez anos chegue amanhã.

Onde ficaram as reformas?

António Costa foi um gestor politicamente eficaz: sustentou a geringonça, reforçou o PS, alcançou uma maioria absoluta e fez do equilíbrio das contas uma credencial de respeitabilidade europeia.

Mas uma década depois, a pergunta relevante é outra: que reformas estruturais ficaram?

Na Saúde continuam por resolver importantes desigualdades no acesso. Na Educação aproxima-se uma exigente renovação do corpo docente. Na Administração Pública, o número de trabalhadores recuperou, mas o envelhecimento continua a pressionar numerosas carreiras e serviços.

Não é necessário negar o que correu bem para reconhecer o que ficou por fazer. Essa distinção é precisamente o que separa análise de propaganda.

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Dez anos depois, o problema já não é saber se António Costa conseguiu acabar politicamente e nos mídia com a palavra “austeridade”. Sim. Conseguiu!

A questão agora é saber se, enquanto festejávamos o "desaparecimento" daquela palavra, não fomos acumulando outra austeridade, silenciosa e diferida: 

a austeridade que do Estado que adiou durante demasiado tempo a renovação de si próprio. 

E essa factura acabou por chegar.


Os principais dados usados vêm da ERS, Conselho Nacional de Educação, DGAEP e Pordata. A ERS confirma os 14,6% sem médico de família por motivo não voluntário em 2025; o CNE projecta a redução de 37% da oferta docente até 2034/35; e a DGAEP confirma a forte concentração etária no emprego público. 

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Dez anos depois: já podemos julgar António Costa e a geringonça?

Uma década é tempo suficiente para deixar de discutir intenções e começar a contabilizar consequências?

Em 2015 disseram-nos que estava a nascer uma extraordinária inovação democrática. António Costa perdera as eleições, a coligação PSD/CDS vencera-as, mas uma nova maioria parlamentar formada pelo PS, BE e PCP permitiria afastar o Governo de Passos Coelho. Era constitucionalmente possível. Nunca esteve aí a questão. A questão era outra: rompia-se uma prática política que, com diferentes equilíbrios e protagonistas, ajudara a estruturar o funcionamento do regime português desde a Constituição de 1976. E essa ruptura foi apresentada não como excepcional, mas como progresso.

Dez anos depois, talvez possamos finalmente perguntar: progresso para onde?

A geringonça não mudou apenas um Governo

Como escrevi recentemente no ReVisões, António Costa não acabou com a democracia nem suspendeu a Constituição. Fez algo politicamente mais subtil: alterou as regras não escritas através das quais funcionara o semi-presidencialismo português. Até então, eleições legislativas, Presidência da República e formação do Governo relacionavam-se através de convenções políticas destinadas a preservar um mínimo de cooperação institucional.

Em 2015 essas convenções foram ultrapassadas. Costa percebeu que, dispondo primeiro de uma maioria parlamentar negativa contra Passos Coelho e depois de uma maioria positiva capaz de sustentar um Governo socialista, podia governar apesar de ter perdido as eleições. Foi uma jogada politicamente brilhante, mas as jogadas brilhantes também podem produzir consequências duradouras que os seus autores não controlam.

Abriu-se uma porta que nunca mais se fechou. Num sistema partidário entretanto muito mais fragmentado, governar passou a depender crescentemente da combinação parlamentar possível em cada momento. O resultado foi uma maior instabilidade, governos mais frágeis e uma Presidência da República repetidamente empurrada para a utilização da dissolução parlamentar.

O “Príncipe Perfeito”

É aqui que o excelente texto de Nuno Poças acrescenta outra dimensão ao problema. Durante anos, António Costa foi tratado por grande parte do jornalistado e comentariado como uma espécie de “Príncipe Perfeito” da política portuguesa: o homem que descobrira a quadratura do círculo, acabando com a austeridade sem abandonar o equilíbrio orçamental, aumentando rendimentos sem comprometer as contas e conseguindo governar ao centro enquanto mantinha comunistas e bloquistas como sustentáculo parlamentar.

E quem ousasse recordar Passos Coelho, a bancarrota de 2011, a intervenção externa ou o esforço de recuperação subsequente era rapidamente remetido para o inferno dos “austeritários”. Passos deixou progressivamente de ser tratado como um adversário político com ideias diferentes e foi transformado numa categoria moral: era o homem mau; Costa, o homem bom. Durante demasiado tempo, uma parte importante da imprensa confundiu análise política com distribuição de certificados de bondade.

A austeridade não desapareceu. Mudou de nome

A grande habilidade política de Costa foi convencer o país de que acabara com a austeridade. Mas reduzir investimento, adiar obras, deixar degradar equipamentos, comprimir serviços ou administrar o Estado tendo como prioridade os resultados contabilísticos também tem um preço. A factura não desaparece: é transferida para o futuro.

E o futuro chegou. Está hoje visível na Saúde, na Educação, na Justiça, nos Registos e em múltiplos sectores da Administração Pública. Seria simplista atribuir todos os problemas actuais exclusivamente a António Costa: houve uma pandemia, crises internacionais, alterações demográficas, problemas herdados e erros dos governos que se seguiram. Mas seria igualmente intelectualmente desonesto fingir que oito anos de governação socialista não deixaram uma marca profunda nas estruturas que hoje apresentam sinais de exaustão.

Durante demasiado tempo confundiram-se “contas certas” com boa governação. Não são a mesma coisa. Um Estado pode apresentar resultados contabilísticos aceitáveis e simultaneamente estar a consumir lentamente o seu capital material, humano e institucional.

Saúde, Educação e Estado

Na Saúde acumularam-se problemas de recursos humanos, urgências condicionadas, dificuldades de resposta e uma dependência crescente do sector privado por parte de quem o pode pagar. Na Educação, a falta de professores tornou-se estrutural, o corpo docente envelheceu e a substituição geracional não foi suficientemente preparada. Na Administração Pública, o cidadão conhece demasiado bem atrasos, serviços congestionados, estruturas envelhecidas e uma digitalização que, em demasiados casos, se limita a transferir para o utente tarefas anteriormente executadas pelo próprio serviço.

Nada disto nasceu num único Conselho de Ministros e seria intelectualmente pobre fingir o contrário. Mas a política também se julga pelo que um Governo antecipa — e, sobretudo, pelo que não quis antecipar quando dispunha de estabilidade parlamentar, dinheiro europeu e condições políticas para reformar.

E onde estava o jornalistado?

Talvez esta seja a parte mais incómoda desta história. Costa não governou num vazio mediático. Governou beneficiando durante largos períodos de um ambiente político e jornalístico extraordinariamente favorável. Muitos dos jornalistas e comentadores que hoje ocupam posições centrais nas redacções iniciaram ou consolidaram as suas carreiras precisamente durante os anos da geringonça. Para essa geração, 2015 tornou-se quase um ponto zero da política portuguesa: Costa representava a moderação e Passos o radicalismo; BE e PCP eram parceiros legítimos da governação, enquanto uma direita que contestasse o novo consenso era facilmente apresentada como suspeita ou extremada.

Não é preciso imaginar conspirações para perceber o fenómeno. As hegemonias culturais raramente precisam de ordens. Funcionam quando determinadas ideias passam a ser consideradas naturais e outras deixam sequer de ser interrogadas. Durante anos tornou-se natural considerar Costa um extraordinário estratega; muito menos natural foi perguntar qual seria o preço futuro daquela estratégia.

Agora conhecemos pelo menos parte da resposta.

Dez anos depois

É também por isso que a simples reaparição de Passos Coelho no debate público continua a provocar reacções tão intensas. Não é necessário transformá-lo num salvador, nem sequer desejar o seu regresso à liderança política. Basta perceber o que representa: uma memória incómoda para a narrativa construída depois de 2015.

Recorda que Portugal esteve próximo da bancarrota, que houve um programa externo de assistência, que existiu um esforço de recuperação e que António Costa recebeu em 2015 um país que já saía dessa emergência. A partir daí inaugurou um novo ciclo político que pode hoje ser analisado não pelas promessas feitas, mas pela herança deixada.

Dez anos depois, já não estamos obrigados a acreditar na propaganda de 2015. Podemos olhar para o estado da Saúde, da Educação, da Justiça e da Administração Pública; podemos observar a fragmentação partidária, a instabilidade governativa e a transformação das regras políticas não escritas; e podemos também perguntar até que ponto uma comunicação social demasiadamente fascinada pelo engenho político de Costa cumpriu plenamente a sua obrigação de escrutinar o poder.

António Costa venceu muitas batalhas. Dominou o PS, neutralizou eleitoralmente os seus parceiros à esquerda, governou durante anos e chegou às instituições europeias. Foi, nesse sentido, um político extraordinariamente eficaz. Mas eficácia na conquista e conservação do poder não é necessariamente sinónimo de eficácia na transformação de um país.

E é essa a pergunta que, dez anos depois, interessa realmente colocar: que Portugal deixou António Costa?

A resposta não deve ser procurada nos elogios de 2015, nem nas memórias selectivas do jornalistado e comentariado. Deve procurar-se nos hospitais, nas escolas, nos tribunais, nos serviços públicos e no próprio funcionamento do sistema político.

Talvez seja precisamente por isso que alguns não gostam de regressar a 2015: não porque o passado possa regressar, mas porque chegou finalmente o momento de fazer a conta.

domingo, 13 de abril de 2025

outra vez o Bloco Central na Política Portuguesa?

Primeiro foi Pedro Siza Vieira. Estava Março a acabar e o antigo ministro, que chegou a ser número dois de António Costa, afirmava numa entrevista ao PÚBLICO: “Precisamos de um governo muito forte para uma emergência, um governo de bloco central”. Dias depois foi a vez de Ferro Rodrigues ex.PAR e antigo SecGeral do PS declarar que “o país pode estar a caminhar para uma situação limite que pode exigir uma solução desse género“, sendo que o género é o bloco central. 
Porquê este regresso da hipótese dum bloco central? Vem aí uma geringonça!
A hipótese de um bloco central, uma aliança entre os dois maiores partidos portugueses, o PSD e o PS, surge novamente no horizonte político devido à exclusão do Partido CHEGA de possíveis coligações e à ausência de uma maioria absoluta para qualquer partido. Assim, é possível que o PSD e o PS já tenham iniciado negociações para formar um novo Bloco Central após as eleições de 18 de Maio.

A ideia de um Bloco Central não é nova. Após as eleições de 4 de Outubro de 2015, que resultaram na vitória da coligação PSD-CDS sem maioria absoluta, o derrotado PS manteve um simulacro de negociações com o PSD-CDS enquanto efetivamente negociava com o BE e o PCP, com os quais já estava em contato visando uma solução de governo desde antes das eleições. Esse movimento estratégico levou à formação da "geringonça", uma coligação inédita que permitiu ao PS governar com o apoio da extrema-esquerda.
Agora, o cenário parece repetir-se, mas com nuances diferentes. Se em 2015 o PS deu “uma facada nas costas” ao PSD-CDS e formou a "geringonça", é possível premonizar que, para se manter no poder, fará o mesmo aos partidos da extrema-esquerda. Pelas mesmas razões, o PSD-CDS pode usar o “não é não” ao CHEGA, excluindo o partido de quaisquer negociações futuras. O resultado lógico é a formação de um novo Bloco Central.

Este possível regresso do Bloco Central reflete a instabilidade e a fragmentação do atual panorama político português, onde alianças temporárias e estratégicas parecem ser a chave para a governabilidade. 
Se a história se repetir, a política portuguesa enfrentará um novo período de ajustes e redefinições, com consequências que poderão ressoar por muitos anos.

terça-feira, 5 de dezembro de 2023

...começou a descida com a geringonça

terça-feira, 26 de outubro de 2021

serviu o Costa, mas o recreio acabou!!!

O desespero do Governo [minoritário] para aprovar o Orçamento de Estado (OE) para 2022, um ministro da Defesa vaiado pela tropa, um primeiro-ministro obrigado a pedir desculpa aos patrões, caos nos hospitais (que são recorrentes) e o anúncio em catadupa de greves da função pública, médicos, enfermeiros e professores em Novembro (culminando tudo com uma manifestação nacional da CGTP).
A geringonça foi uma mentira que durou 6 anos e que só serviu o Costa.
O país regressou ao pântano mas em pior estado: nenhum problema se resolveu, só se atirou dinheiro para cima dos problemas.

sábado, 28 de março de 2020

Preparados para enfrentar outra Crise?


Quando a geringonça chegou ao poder em Novembro de 2015, já não havia um programa de ajustamento a cumprir e o registavam-se quatro factores extremamente favoráveis:
O crescimento generalizado das economias europeias, americanas e asiáticas (algo que por si só favorece as exportações e o investimento estrangeiro).
Taxas de juro extraordinariamente baixas, devido essencialmente ao programa de quantiative easing do Banco Central Europeu.
crescimento do turismo, não só pelo aumento da quantidade e qualidade da oferta (para que muito contribuíram as companhias aéreas low cost), mas também pelo aumento da procura resultante do facto de outros destinos tradicionais se terem tornado muito pouco atractivos por motivos de segurança.
queda do preço do barril de petróleo que reduz o défice da balança comercial e liberta recursos financeiros para serem aplicados em outras actividades económicas.
agora
analisemos se as medidas mais emblemáticas da geringonça tornaram o país melhor ou pior preparado para enfrentar uma crise:
Redução do horário dos funcionários públicos de 40 horas para 35 – não só se traduziu num aumento da despesa (em pagamento de horas extraordinárias, e na contratação adicional de pessoal para compensar as horas perdidas) como também numa degradação generalizada dos serviços públicos. Esta medida teve um impacto particularmente grande no sector da saúde pública.
Aumento do número de funcionários públicos – foram mais de 26.000 entre 2017 e 2019 (fonte); e mais 15.000 em 2019 (fonte) o que representa mais despesa fixa numa altura em que com a digitalização e automação o estado deveria ser mais eficiente.
Aumento insustentável de pensões e prestações sociais – aumento da abrangência do Rendimento Social de Inserção; aumentos extraordinários das pensões; alargamentos dos subsídios de desemprego; aumento dos abonos de família; mais facilidades no acesso antecipado às reformas.
Recorde de cativações orçamentais – o que se traduz numa degradação dos serviços públicos assim como num investimento público em níveis abaixo do governo de de Passos Coelho (fonte).
Aumento da carga fiscal para níveis recorde, sobretudo através dos impostos indirectos, como o imposto sobre os combustíveis  – essencial para pagar o aumento da despesa; mas que reduz o rendimento disponível dos cidadãos e das empresas que é essencial para a poupança e para o investimento. Para 2020, estava previsto mais um aumento na carga fiscal (fonte).
desincentivo ao investimento e encorajamento à emigração dos quadros mais qualificados – a não redução do IRC sendo Portugal o quarto país da OCDE com a taxa efectiva de imposto sobre as empresas mais alta no valor de 27,5% (fonte); aumento da progressividade do IRS sendo Portugal o quarto país da OCDE com a maior taxa marginal de IRS de 72% (fonte).
De referir ainda que muito recentemente, o PS criou obstáculos e dificuldades ao alojamento local (fonte e fonte), acabou com os vistos gold em Lisboa e no Porto (fonte); aprovou uma contribuição adicional sobre as empresas com mais rotatividade (fonte); e ameaçou os investidores com a obrigatoriedade do englobamento dos rendimentos (fonte).

domingo, 6 de outubro de 2019

o "frágil" futuro económico de Portugal


Anunciado o pedido de assistência financeira em 2011, pelo socialista José Sócrates, coube ao social-democrata Pedro Passos Coelho e ao centrista Paulo Portas, a tarefa ingrata de avançar com duros cortes.
Em 2015, apesar de vencerem as eleições, Paulo Portas e Passos Coelho ficam impedidos de formar governo, face a um coligação legislativa entre socialistas, comunistas e a extrema-esquerda, bloco de esquerda, opositores ao tratado orçamental europeu.
O novo primeiro-ministro, António Costa, manteve a austeridade mas abriu os cofres do Estado para devolver salários da função pública e beneficiou do início de um ciclo económico positivo.
.
Os indicadores económicos dizem que Portugal recuperou. A imagem é positiva mas o que pensam os portugueses, os que sofreram com a austeridade? Perguntámos aos passageiros de um comboio que fazia a ligação entre Lisboa e Cascais, o que pensam da situação. [...]
mas o que pensam os portugueses, os que sofreram com a austeridade?
Questão: "Já acabou, a crise económica?"
Resposta: "Sei lá... Acho que não!"
Resposta: "Quando era o Escudo a gente governava-se melhor, não é? Desde que apareceu o Euro, nós ganhamos, ganhamos e não vemos absolutamente nada. As coisas estão cada vez mais caras. Isso é um engano. "



quarta-feira, 29 de maio de 2019

Portugal vai exportar uma geringonça prá União Europeia?

0 Nuno André Martins refere que
Liberais e socialistas europeus tentam cozinhar uma 'geringonça europeia', mas as quedas de Michel na Bélgica, Tsipras na Grécia e Kurz na Áustria também complicam as contas no Conselho Europeu. (in “Liberais e socialistas cozinham geringonça europeia ao almoço” por Nuno André Martins )
e
a Mariana Espírito Santo escreve que
« As hipóteses do alemão Manfred Weber, que é o candidato do Partido Popular Europeu, a maior força no Parlamento, não são as mais favoráveis, nomeadamente devido à sua experiência.»
a jornalista que aponta para uma geringonça à portuguesa, refere que o
«Macron indicou que o sucessor de Jean-Claude Juncker na cadeira de topo em Bruxelas tinha de ter “credibilidade” e “experiência governativa” e que Weber nunca esteve num Governo alemão, faltando-lhe portanto o currículo que os líderes europeus parecem desejar. O Costa, está alinhado com esta visão e reiterou o seu apoio ao candidato socialista Frans Timmermans.

Sánchez, o primeiro-ministro espanhol, que também concorda com esta avaliação de Weber, estará a contactar com vários líderes europeus para fazer campanha a favor de Timmermans, contra o candidato alemão.» (in “Líderes europeus rejeitam Manfred Weber como próximo presidente da Comissão Europeia” por Mariana Espírito Santo)

terça-feira, 28 de maio de 2019

Oposição na Polónia vai usar as eleições para testar possibilidade de uma 'geringonça'

A sondagem a que a Lusa se refere como divulgada pelo Parlamento Europeu(sic) revela que na Polónia a recém-criada "Coligação Europeia", lidera as sondagens para as eleições de Maio com 37,5% das intenções de voto
à enorme distância de 1,2% está do partido conservador Lei e Justiça, do primeiro-ministro Mateusz Morawiecki, que é segundo nas projecções com 36,3% das intenções de voto.



«A aliança pró-União Europeia é composta por vários partidos de esquerda e de centro-direita o Partido Popular da Polónia (PSL), a Aliança Democrática de Esquerda (SLD), os Verdes e outros pequenos partidos que defendem(?) os temas que agitaram o país nas últimas semanas:
o novo pacote de reformas sociais do Governo, a greve dos professores, os direitos da comunidade LGBTI [Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgénero e Intersexo e PQosP] ou o papel da Igreja Católica na esfera pública.»

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Iliteracia Politica: Marx, Lenine, Estaline, Trotsky: a sorte de estarem mortos!

Havia, não sei se ainda há, uma deputada do PCP que desconhecia por completo a existência do Gulag. Interrogada a propósito, explicou que nunca estudara ou lera nada sobre o assunto. Sobre os presos políticos na China, confessou que não dominava “a fundo essa situação de modo a dar uma opinião séria e fundamentada”. Se tivessem continuado a questionar a senhora acerca de cada maravilha marxista, suspeito que a senhora teria continuado a professar ignorância acerca de todas, o que sugere que, para se ser comunista, ajuda não se fazer a mínima ideia do que é o comunismo.
Mas tamanho analfabetismo, deficiência cognitiva ou o que quiserem sugere também outras coisas. Lembrei-me da lendária entrevista à deputada Rita Rato (decerto um pseudónimo), ao ler, no Observador, a recente entrevista a Catarina Martins, líder do Bloco de Esquerda. Diz dona Catarina que no BE não se encontram sequer vestígios dos totalitarismos, das perseguições e do ódio normalmente associados à extrema-esquerda. Como não ousaria presumir que dona Catarina é mentirosa, deduzo que é portentosamente distraída: a julgar pelas atitudes das suas figuras ou através dos regimes que as suas figuras veneram e dos regimes que as suas figuras execram, o BE alimenta-se quase em exclusivo dos totalitarismos, das perseguições e do ódio. O BE, portanto, é de extrema-esquerda e a respectiva chefe não sabe.
Em Portugal, os profissionais da política ocupam tanto tempo a falar da importância da educação alheia que nunca arranjaram vagar para cuidar da própria. É provável que a dona Rita tenha reduzido a sua aprendizagem à leitura do “Avante!”, das obras completas de Alice Vieira e dos livros da Anita (“Anita Vai a uma Sessão de Esclarecimento” e “Anita Não Vai Procurar Emprego no Sector Privado” são clássicos óbvios). E a dona Catarina já afirmou que prefere cirurgiões especializados nos Monty Python do que formados em Medicina.
isto é:
Em lugar de organizarem “universidades” de Verão, as cúpulas partidárias fariam melhor em enfiar-se o ano inteiro numa. Ou pelo menos em explicações de português, no caso do dr. Costa.


sábado, 29 de dezembro de 2018

um mentiroso e muitos ignorantes!

O Centeno foi convidado do Governo-Sombra da TVI e afirmou que a economia não estava a arrancar em 2015 e havia dúvidas em 2016. Vamos à Prova dos Nove!
Vejamos: o Costa tomou posse no dia 26 de Novembro de 2016, e o último trimestre de 2015 já é de desaceleração em relação aos três primeiros trimestres de 2105 [aos idiotas-úteis aconselho que comparem o 4º Trimestre de 2018 com o homologo de 2015 - ao tempo governo da troika]. 
Já agora,
de acordo com com os números oficiais do INE divulgados em 2017, a economia portuguesa cresceu 1,8% em 2015 e,
em 2016, no primeiro ano de governação da geringonça, o PIB diminuiu 0,2% para uns, outra vez anémicos, 1,6%. 
mais:
ao contrário do que também afirmou o Centeno, o crescimento abrandou em resultado directo das incertezas geradas pela formação do governo do PS com o apoio do PCP e BE, depois do Costa perder as eleições de Outubro para Pedro Passos Coelho e Cavaco Silva estar constitucionalmente obrigado a aceitar a geringonça. 
Note-se ainda que, em finais de 2014, já o crescimento tinha mesmo arrancado: a economia vinha a recuperar desde 2014, quando apresentou um crescimento marginalmente positivo e um acréscimo do PIB já em aceleração em 2015

quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

“Virada a página dos anos difíceis…”

Como? “Anos difíceis?”
Então onde foi parar a austeridade? Continua? Ou afinal nunca existiu?
O Costa não é dado a grandes inovações retóricas e há quatro anos que lhe ouvíamos o mantra do “virar a página da austeridade”.
Fazer a agulha para “anos difíceis”, uma fórmula muitas vezes preferida pelos que tiveram de aguentar o barco quando os tempos eram mesmo tempestuosos – esses tais “anos difíceis” –, é uma inflexão que trai um estado de espírito pois a humildade não é só pose, é também alguma inquietação.
[...]
O Costa, como de resto todos nós, não acreditou que a geringonça durasse toda a legislatura. Se tivesse acreditado tinha sido mais prudente e menos inventivo nos orçamentos que fez os seus parceiros aprovar. É que se à primeira qualquer cai, à segundo só cai quem quer, à terceira quem insiste e à quarta só mesmo quem não tem alternativa – e foi isso que se passou com estes sucessivos Orçamentos do Estado que, de acordo com a avaliação do Conselho de Finanças Públicas, se revelaram documentos mais fictícios do que reais (eu chamar-lhes-ia mesmo mentirosos), já que os deputados aprovavam uma coisa no Parlamento e depois o Governo executava outra, com gigantesco sacrifício do investimento e dos serviços públicos. [...]

De mentira em mentira, o Costa e a esquerda conseguiram ganhar tempo, gerir expectativas e comprar a paz. Agora, o discurso do governo está a esgotar-se à medida que o seu escrutínio se torna possível. [...]
Por exemplo, mesmo que o Costa faça loas à devolução dos rendimentos e garanta que a economia portuguesa está a convergir com a UE, os números mostram o contrário: o poder de compra relativo dos portugueses em 2017 é inferior ao em 2016, e cada vez Portugal vai afundando mais na lista de países europeus. Isto é, o Produto Interno Bruto per capita, já ajustado do poder de compra, recuou para 76,6% da média da União Europeia em 2017. Em 2009, antes da crise, ultrapassava os 82%
.
É por isso extraordinário que um primeiro-ministro que, há um ano, na sua mensagem de Natal, tinha prometido “mais crescimento” (o crescimento diminuiu) e “melhor emprego”, com os resultados que estão à vista no depauperado sector privado, venha agora dizer que as empresas “têm de ser competitivas a recrutar e a valorizar a carreira dos seus quadros.”
E assim regressamos ao “virar da página dos anos difíceis”, sinal também de que se receia mesmo que outros anos difíceis venham aí. 

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

Só não sei porque é você e eu nos calamos!

Há um mistério na sociedade portuguesa.
- Morrem dezenas de pessoas em incêndios, e o governo diz que não é a protecção civil.
- Desaparece e reaparece material dos paióis militares e dos barcos de guerra, e o governo manda informar que não é sentinela nem polícia.
- Morrem mais pessoas na derrocada de uma estrada entre pedreiras, e o governo esclarece que não é direcção-geral, nem câmara municipal. Enfim,
- a lista podia continuar.  
.A questão é esta: ao certo,
o governo é responsável do quê em Portugal?  (in “O governo é responsável de quê? ” por Rui Ramos)

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

crescimentos ou acréscimos?

Em 2018, Portugal deverá registar um crescimento de 2,2%, menos uma décima do que o previsto pelo Executivo português. Contudo, em comparação com os parceiros europeus, no mesmo ano, 20 cresceram mais. Veja em que carruagem está a economia portuguesa no comboio da União Europeia.

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Como foi possível?

Há três anos o PS perdia as eleições. No dia 4 de Outubro de 2015 António Costa era um derrotado. A 4 de Outubro de 2018 é um dominador. Como foi possível? Juntando Marx e Marcelo
Essa dicotomia tornou possível ao PS governar sem oposição. Ao PCP blindar-se para vários anos no conglomerado dos funcionários públicos [...] Ao BE em particular e à “esquerda caviar” em geral tornar-se num secretariado do politicamente correcto, determinando sobre quem vai cair a onda de indignação da semana [...]
Protagonista incontornável deste processo é esse Presidente que do fogo de Pedrogão ao assalto aos paióis de Tancos ou à substituição da PGR tudo banaliza. A começar pelas suas próprias palavras: os esclarecimentos que iam ser “cabais” nunca apareceram. Os “inquéritos integrais” não se sabe onde estão. A procuradora sobre cuja substituição o PR dizia não fazer a “mínima ideia” afinal já estava substituída.
Como se sai disto? 

terça-feira, 10 de julho de 2018

Foi você que pediu uma geringonça?

No Outono de há três anos, pouca gente percebeu o que era a geringonça.
Muitos confundiram-na com uma maioria de esquerda:
uns imaginaram que o PS se teria finalmente rendido às “políticas de esquerda”, tal como o BE e o PCP concebem essas políticas;
outros esperaram que o BE e o PCP,  depois de anos de “protesto”, se tivessem rendido ao princípio da “responsabilidade” de governo, tal como o PS compreende essa responsabilidade. Ora, a verdade é que não aconteceu nem uma coisa, nem outra.
O PS manteve-se fiel a Bruxelas, como não podia deixar de ser num país financeiramente dependente do BCE: aumentou os salários, mas esvaziou os serviços através de cativações – porque, como o Costa já admitiu, não se pode ter tudo... 
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“Nunca aprendemos nada. Se calhar foi pena termos pedido o resgate quando o pedimos. Mais um ou dois meses e falhavam os pagamentos aos funcionários públicos. Se isso tivesse acontecido talvez se tivesse aprendido de vez”.
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Ainda é possível que acabemos por ver muito mais coisas. Mas já é claro no que consiste a geringonça. A geringonça não é a maioria de esquerda. A geringonça é o regime, toda a oligarquia, depois de fracassadas as ideias e liquidadas as expectativas, a tentar salvar-se, agarrando-se ao Estado. A “Terceira via” do PS falhou em 2001, outra vez em 2011 e finalmente em 2015. (in “Foi você que pediu uma geringonça?” por Rui Ramos)

sexta-feira, 2 de março de 2018

As geringonças têm notórias vantagens...


O alargamento da geringonça, agora a quatro (PS, PCP, BE e PSD), tem sido discutido do ponto de vista das vantagens eleitorais de cada partido. [...]
O PS sofreu nas eleições de 2015 o segundo maior desaire desde 1991, e deixou de acreditar na “Terceira Via”.
PCP e BE nem com o ajustamento cresceram eleitoralmente, e descobriram que é impossível sair do Euro.
O PSD foi dizimado nas autárquicas, e convenceu-se que as reformas só servem para perder votos.
Os quatro partidos da geringonça não são mais do que “aparelhos” assustados, a tentar manter-se acima da água, agarrando-se ao Estado. A lei das finanças, em que insistiram contra o presidente da república, pode servir de símbolo do cinismo que substituiu todas as ideologias. [...]
As geringonças têm notórias vantagens. Aos governos, poupa-os a um verdadeiro escrutínio, substituído por “sessões de trabalho” cúmplices. Às oposições, abre-lhes a porta dos celeiros e fumeiros do poder. É assim que a geringonça alargada lambe os beiços com a ideia de partilhar o dinheiro dos alemães, de dividir o Estado em feudos regionais (a “descentralização”), ou de se ver livre desse incómodo que é o Ministério Público.

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

o Governo autorizou a compra de cinco aeronaves

Estamos em Dezembro, o anuncio foi feito com pompa e circunstância em plena época de fogos florestais.
Já viu algum?
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O Governo autorizou o início de negociações com a Embraer para comprar cinco aeronaves militares KC-390, usadas também para combate a incêndios florestais.
A resolução do Conselho de Ministros, publicada esta quinta-feira (26Jul17) em "Diário da República" com efeitos imediatos, refere a compra "até cinco aeronaves KC-390, com opção de mais uma" e ainda a respectiva sustentação logística e um simulador de voo (fullflight simulator CAT D), para instalação e operação em território nacional.

terça-feira, 28 de novembro de 2017

o pior da politica...

Em Outubro de 2015, os eleitores portugueses escolheram entre dois candidatos principais a primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho e António Costa. Optaram maioritariamente por Passos Coelho. Mas umas semanas depois, António Costa, o derrotado, agarrou a desesperada disponibilidade de outro derrotado, o Partido Comunista, que trouxe a reboque o Bloco de Esquerda, e fez os acordos necessários para alcançar no parlamento o que não conseguira nas eleições. Costa fez-se assim primeiro-ministro. Foi há dois anos. Mas agora, depois de aprovado o Orçamento de Estado para 2018, parece haver duvidas outras vez. Quem é o primeiro-ministro? No Diário da República, ainda é António Costa. Mas no Orçamento de Estado, parece que também é Arménio Carlos, à frente dos sindicatos comunistas a quem o governo cede e concede.
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Durante dois anos, as eleições de 2015 foram apagadas da história do regime. Se era preciso criticar o governo, que se falasse de “problemas de comunicação”. Da noite de 4 de Outubro de 2015 é que não. Mas esse permanece o ponto de partida necessário para compreender o que se está a passar. A tradição de o governo caber aos partidos vencedores das eleições e não aos derrotados, tinha a sua razão de ser, tal como o costume de os primeiros-ministros precisarem de um mandato eleitoral e não apenas de uma maioria parlamentar.
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Aos que agora descobriram que o “fim da austeridade” é afinal a “rendição à Fenprof”, é preciso perguntar: que esperavam que António Costa fizesse para se manter no governo a não ser este circo de concessões ao PCP ou de equívocos com o Bloco de Esquerda?
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Entre aqueles que passaram dois anos muito despreocupados, parece que há agora quem se comece a preocupar. Deploram a divisão da população entre os sindicalizados do PCP no Estado, de um lado, e os empregados do sector privado e trabalhadores independentes, do outro. 
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Não sei o que vai acontecer. Ninguém sabe, desde que os velhos projectos do regime faliram em 2001-2002. Uma coisa sei, porém: a actual maioria social-comunista nunca será capaz de fazer mais do que o que já fez, que é aumentar os salários e pensões dos dependentes do Estado, com esperança de se reeleger em 2019.
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Os últimos dois anos provaram que António Costa e os seus parceiros nunca tiveram, de facto, alternativa nenhuma. Porque consumir a folga criada pelo ajustamento da troika, pela política do BCE, pelo petróleo barato e pelo crescimento económico na Europa, compensando eventuais desequilíbrios com cativações e impostos — é um expediente, mas não é um plano. 

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

e quem é que se lembra da Opel na Azambuja?

... os partidos da geringonça já estão a trabalhar para prejudicar a economia, como mostram três casos recentes.
- Como resposta aos incêndios do Verão, o PCP e o BE atacaram o cultivo do eucalipto e as indústrias do papel, um sector onde Portugal lidera na Europa. O maior produtor, a Navigator, foi o segundo maior exportador nacional em 2016, atrás da Petrogal. Contribui com 3% para o total das exportações e com 1% do PIB. A Navigator cria ainda dezenas de milhares de postos de trabalho. Mas o BE e alguns sectores do PS acabariam de bom grado com a indústria do papel em Portugal, contribuindo assim para o aumento do desemprego, a redução das exportações e o empobrecimento do país.
- O governo, com o PCP e o BE a reboque, também resolveu atacar a Altice e a PT. Assistir a um governo socialista a atacar um investidor externo que salvou o que restava da PT é extraordinário. Foi um executivo socialista (sem qualquer responsabilidade de António Costa, devo reconhecê-lo) que contribuiu para destruir o valor da PT, empurrando-a para aventuras empresariais no Brasil que a levaram quase à falência. O investimento da Altice salvou o que restava da PT (excluindo o investimento na OI) e milhares de empregos. Aliás, até ao incêndio de Pédrogão Grande e até à aquisição da TVI, o governo não atacava a Altice nem qualquer situação laboral na PT. De um lado, os ministros das Finanças e da Economia fazem tudo o que podem para captar investimento externo. Por outro lado, o PM e os camaradas comunistas e bloquistas atacam os investimentos da Altice em Portugal.
- O terceiro caso diz respeito à Autoeuropa. Já muitos o disseram, é uma empresa modelo, quer nas relações laborais entre a administração e os trabalhadores, quer na capacidade de produção, e que ocupa desde 2000 um lugar entre os três maiores exportadores nacionais. Devido às guerras entre o PCP e o BE, e os seus sindicatos, a fábrica conheceu na semana passada a sua primeira greve. A CGTP não descansa enquanto não conquistar o poder entre os trabalhadores. No contexto dessa luta sindical, a contribuição da Auto Europa para o crescimento da economia portuguesa é secundária.
Os problemas na Autoeuropa não afectam apenas as exportações, também podem prejudicar o investimento externo. Há muitos países na União Europeia que gostariam de trazer a Autoeuropa para os seus territórios. E, na feliz expressão de Daniel Bessa, ela si muove, se for necessário. Além disso, as outras grandes empresas olham preocupadas para o que se passa em Palmela. Sublinharia, desde logo, a Bosh Car e a Continental Mabor, igualmente campeões de exportações e ambas resultado de investimentos vindos da Alemanha.