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quarta-feira, 28 de outubro de 2026

quando o microfone entra na acampada...

A crise da habitação exige respostas. A crise do jornalismo exige que se volte a fazer perguntas — também àqueles que uma parte das redacções parece ter escolhido como seus representantes na rua. 

Há momentos em que o microfone parece ter deixado de servir para fazer perguntas e passado a funcionar como credencial de pertença. Nas acampadas pela habitação, a fronteira entre relatar um protesto e participar na sua justificação tornou-se o verdadeiro assunto. Quando a reportagem adopta o vocabulário de uma das partes, dispensa os seus protagonistas de explicações e reserva a indignação para a polícia, o espectador recebe uma causa já embrulhada em papel de notícia.

O artigo de Dinis de Abreu, «A crise mediática e a crise da habitação», publicado no Observador em 28 de Outubro, reforça uma crítica que tenho vindo a desenvolver no ReVisões: o jornalismo perde a sua função quando troca o escrutínio pela identificação com os protagonistas que acompanha. Abreu denuncia a amplificação acrítica dos protestos e a insuficiência das perguntas. É nesse diagnóstico que encontro o ponto decisivo. [1]

A minha leitura é esta: parte deste jornalistado parece considerar que uma causa politicamente simpática traz consigo a dispensa de contraditório. O manifestante chega ao directo moralmente certificado; o polícia entra sob suspeita. Entre ambos, o repórter corre o risco de abandonar o lugar de quem investiga para ocupar o de quem distribui razão.
Quando o jornalista entra numa acampada, deve levar perguntas. Se leva apenas aplausos, já escolheu outra profissão.
Uma causa justa não é um salvo-conduto
A crise da habitação existe. A dificuldade de pagar uma renda, comprar casa ou constituir família merece respostas sérias, fiscalização das políticas públicas e persistência jornalística. Precisamente por isso, indigna-me que um problema desta dimensão possa ficar reduzido à dramaturgia de uma praça, à repetição de palavras de ordem e ao calendário das assembleias dos acampados.
Um protesto merece cobertura pela sua relevância. A sua relevância não torna verdadeiras todas as declarações dos participantes, sensatas todas as suas propostas ou legítimos todos os seus métodos. O sofrimento social exige investigação; não oferece imunidade política a quem se apresenta como seu porta-voz.
Quem organiza? Quem decide? Que propostas concretas apresenta? Que efeitos teriam? Quem fica de fora daquela representação? Que relação existe entre os organizadores e estruturas partidárias? São perguntas elementares. Apurá-las não constitui hostilidade à habitação: constitui respeito pelos cidadãos que precisam de soluções e não apenas de imagens comoventes.~

A liberdade de informar à porta da tenda
Há um episódio particularmente esclarecedor. Numa reportagem de 20 de Outubro, o Observador descreveu limitações à circulação de jornalistas e à captação de imagens na acampada de Lisboa, aprovadas em assembleia. Relatou também que uma fotojornalista foi impedida de fotografar numa zona das tendas. A organização invocou privacidade e protecção de pessoas vulneráveis. [2]
Essa justificação pode e deve ser examinada. A protecção de pessoas vulneráveis merece cuidado; uma deliberação de manifestantes não deve, porém, ser aceite como título bastante para administrar a liberdade de informação numa praça pública. A contradição merece destaque: reclamar visibilidade enquanto se pretende escolher o perímetro do olhar jornalístico.
Que reacção mereceria uma restrição semelhante se viesse de um movimento de Direita? A pergunta é um teste à coerência editorial. O direito de informar exige o mesmo empenho perante qualquer organizador. Uma redacção que se deixe domesticar pela simpatia perde autoridade para denunciar as tentativas de domesticação dos outros.
O próprio facto de este episódio ter sido investigado e publicado mostra que existe jornalismo a cumprir a sua função. É esse padrão de independência que deve ser exigido às restantes coberturas, incluindo às televisões.

A polícia não pode ser o culpado de serviço
No comunicado sobre a operação de 25 de Outubro, a PSP apresentou a sua fundamentação: remoção de estruturas de acampamento, tentativas de obter cumprimento voluntário e intervenção após o não acatamento das orientações. Reconheceu igualmente feridos, incluindo agentes. Trata-se da versão policial, que exige confronto com imagens, testemunhos e outros elementos. [3]
Mas exige também ser efectivamente ouvida. Uma reportagem que começa no instante do uso da força e omite a sequência anterior pode mostrar imagens verdadeiras e produzir uma compreensão incompleta. Importa saber o que aconteceu antes, que ordens foram transmitidas, como foram recebidas e se a força empregue foi necessária e proporcionada.
Defendo as forças da ordem no cumprimento da lei. Cabe-lhes garantir direitos, proteger pessoas e preservar o espaço comum. A sua intervenção não se transforma em repressão só porque desagrada aos manifestantes; qualquer eventual excesso deve, por sua vez, ser apurado com seriedade.
A Provedora de Justiça pediu esclarecimentos urgentes sobre as operações de 25 de Outubro, para analisar a sua compatibilidade com o direito de reunião e manifestação. Esse pedido é um acto de fiscalização institucional, não uma condenação antecipada da PSP. O mesmo cuidado deve reger o tratamento das denúncias dos manifestantes: investigar antes de sentenciar. [4]
É aqui que me parece falhar o jornalismo que toma partido: exige presunção de legitimidade para o protesto e parece recusá-la, à partida, à autoridade. O resultado aproxima a reportagem de um libelo político.

Novas gerações, velhas cartilhas
Não atribuo este problema a uma idade. Há jovens jornalistas rigorosos e veteranos rendidos à militância. Critico uma aprendizagem profissional em que a adesão às causas consideradas certas parece, por vezes, valer mais do que a capacidade de fazer perguntas incómodas aos respectivos promotores.
Quando essa cultura prevalece, a linguagem denuncia o alinhamento: a autoqualificação dos organizadores passa para a notícia sem distância; a acusação torna-se enquadramento; o contraditório surge como incómodo. O jornalista deixa de testar a narrativa e começa a protegê-la. É nesse comportamento que reconheço o jornalista-activista, independentemente da idade ou de qualquer filiação formal.
Ao lado dele instala-se o comentador que confunde convicção com conhecimento e familiaridade televisiva com autoridade. Comentar é legítimo. O público deve, contudo, conseguir distinguir a interpretação assumida da reportagem que reclama rigor factual. A mistura beneficia quem quer persuadir sem assumir inteiramente essa responsabilidade.
O Código Deontológico exige verificação, audição das partes e distinção clara entre notícia e opinião. Exige também resistência às limitações ao direito de informar. São critérios da própria profissão, anteriores às simpatias de cada redacção. Aplicá-los aos acampados é uma obrigação profissional. [5]

A praça não recebe um mandato da televisão
Uma assembleia pode decidir o rumo de um protesto entre os seus participantes. Não recebe, por isso, mandato para falar em nome de todos os jovens, de todos os inquilinos ou do país inteiro. A designação «popular» não resolve o problema da representatividade.
As câmaras podem ampliar uma mobilização; não multiplicam os cidadãos que nela participam nem substituem os mecanismos da democracia representativa. Quando o discurso de activistas da extrema-esquerda é apresentado como tradução evidente da vontade popular, o jornalismo ajuda uma facção a reclamar uma legitimidade que deveria interrogar.
É essa promoção que contesto: o salto entre dar voz e conferir mandato, entre acompanhar uma reivindicação e adoptar os seus intérpretes. Quem discorda também faz parte do povo, mesmo quando está a trabalhar, permanece em casa ou não leva uma bandeira para o directo.

Quem escrutina tem de aceitar escrutínio
A responsabilidade pertence igualmente às direcções editoriais. São elas que escolhem a duração dos directos, os títulos, os convidados e as perguntas que ficam por fazer. Se premiam a excitação e toleram a confusão entre informação e militância, ajudam a produzir a crise de confiança de que depois se queixam.
Quero um jornalismo capaz de incomodar o Governo, a polícia, os partidos e os organizadores de protestos com a mesma independência. Um jornalismo que investigue a habitação para além das tendas e examine as tendas para além da propaganda.
Quem quer militar tem toda a liberdade para o fazer. Aos cidadãos assiste o direito de saber quando estão perante militância. A carteira profissional exige mais do que transportar um microfone para dentro de uma causa.

Fontes



sábado, 17 de outubro de 2026

DAS URNAS PARA AS TENDAS...

«Quando a esquerda, nas urnas, é lançada para a oposição, a pressão que vai exercer nas ruas é proporcional ao peso do poder perdido.»

Este aforismo, inspirada no célebre Princípio de Arquimedes, que anteriormente designei por Princípio da Flutuabilidade Política, parece encontrar uma nova demonstração nos movimentos de tendas e acampamentos que, sob a bandeira do direito à habitação, se multiplicam nas cidades portuguesas. O que aparentemente nasceu de uma reivindicação social legítima apresenta hoje características de uma mobilização política organizada, protagonizada, em parte substancial, por militantes, antigos dirigentes, candidatos e simpatizantes das organizações partidárias situadas à esquerda do Partido Socialista, algumas delas eleitoralmente reduzidas a uma expressão que dificilmente lhes permitiria conseguir, dentro do Parlamento, a visibilidade que procuram conquistar nas ruas.

Importa esclarecer, desde já, uma questão fundamental: a crise da habitação é real e suficientemente grave para dispensar encenações revolucionárias. O Instituto Nacional de Estatística registou, no segundo trimestre de 2026, um aumento homólogo de 10,2% na renda mediana dos novos contratos de arrendamento. Não é uma invenção da propaganda comunista, nem um artifício da agitação bloquista, mas um problema que afecta trabalhadores, famílias, reformados e jovens e que exige respostas económicas e sociais. A questão que aqui interessa analisar não é, portanto, a legitimidade da reivindicação, mas a identidade política daqueles que se apresentam como seus intérpretes privilegiados, os métodos que utilizam e, sobretudo, a tentativa de converter uma dificuldade social efectiva em instrumento permanente de pressão sobre o poder político.

1. O Princípio da Flutuabilidade Política e a transformação da contestação social numa estratégia de recuperação da influência perdida.

O fenómeno merece ser observado para além da actual conjuntura portuguesa. Quando uma força política perde capacidade de influência nas instituições, tende a procurar noutros espaços a visibilidade e a pressão que já não consegue exercer com a mesma eficácia através da representação eleitoral. Esta transferência não é exclusiva da esquerda, nem constitui necessariamente uma perversão democrática; torna-se, porém, politicamente problemática quando a mobilização da rua começa a ser apresentada como expressão de uma legitimidade superior àquela que resulta do voto.

Em Portugal, os resultados das legislativas de 2025 ajudam a compreender o ambiente em que se desenvolve esta estratégia. O Bloco de Esquerda ficou reduzido a um deputado, com 1,99% dos votos, enquanto a CDU obteve apenas três deputados e 2,91% dos sufrágios. O Livre, importa reconhecê-lo, seguiu a trajectória contrária, crescendo para seis deputados e 4,07%, o que impede generalizações abusivas sobre uma derrota eleitoral de toda a esquerda. Mas a perda de influência parlamentar do PCP e do BE é inequívoca, tal como é evidente que ambos possuem uma experiência acumulada de organização social, sindical, associativa e reivindicativa que ultrapassa largamente a sua actual representação eleitoral.

É aqui que o Princípio da Flutuabilidade Política adquire particular utilidade interpretativa: quanto menor é o peso institucional de determinadas organizações, maior pode tornar-se o valor estratégico da sua capacidade de mobilização extra-institucional. As urnas contam votos, mas as manifestações contam presenças; e, para quem domina a técnica da agitação política, algumas centenas de manifestantes, convenientemente enquadrados por câmaras de televisão, podem proporcionar uma notoriedade pública desproporcionada em relação à verdadeira dimensão eleitoral das organizações envolvidas.

2. Quem segura, afinal, as cordas das tendas?

A investigação publicada pelo Observador, em 16 de Outubro, sob a responsabilidade de Rui Pedro Antunes, constitui uma contribuição importante para ultrapassar a habitual narrativa dos movimentos espontâneos, horizontais e presumivelmente independentes de qualquer influência partidária. O jornalista identificou ligações políticas de numerosos protagonistas da plataforma Casa Para Viver, que congrega diversas organizações de defesa da habitação e outras associações de intervenção social, confirmando a presença destacada de personalidades provenientes do PCP e do Bloco de Esquerda.

Entre os nomes identificados encontra-se Nuno Ramos de Almeida, dirigente do movimento Vida Justa, antigo protagonista do Que Se Lixe a Troika, com passagem pelo PCP e pelo BE, posteriormente reaproximado dos comunistas e actualmente assessor de um vereador da CDU na Câmara de Almada. Surge igualmente Rita Silva, fundadora do Habita!, que foi deputada municipal em Lisboa, candidata autárquica e assessora parlamentar do Bloco de Esquerda. E encontramos André Escoval, porta-voz do Porta a Porta — Casa para Todos, militante do PCP e antigo dirigente comunista em Vila Franca de Xira.

O mesmo padrão repete-se noutras organizações associadas à plataforma. No universo do Habita! encontramos percursos como os de Luís Seixas do Carmo, candidato autárquico da CDU, e Lídia Canha Fernandes, antiga deputada municipal e assessora parlamentar bloquista. O colectivo 1.º Esquerdo resulta da convergência de movimentos em que participaram figuras próximas do BE, incluindo Fábio Salgado e João Vasco Cruzeiro Oliveira Barata, ambos com experiência de representação autárquica bloquista. Na Associação do Património e da População de Alfama, a presidente, Lurdes Pinheiro, foi candidata da CDU, enquanto a Associação dos Inquilinos Lisbonenses é presidida por Pedro Ventura, igualmente candidato comunista em eleições autárquicas.

Estes elementos não demonstram, por si só, a existência de uma central partidária que distribua ordens a cada organização, mas tornam pouco convincente a imagem de um universo inteiramente desligado das estruturas políticas. Não é necessário descobrir um comité central escondido debaixo de cada tenda para reconhecer uma rede de afinidades partidárias, experiência militante e interesses políticos convergentes. E muito menos é necessário presumir que os cidadãos que participam nestas manifestações sejam todos militantes ou simpatizantes comunistas e bloquistas.

3. O associativismo político e a velha escola da agitação

Seria ingenuidade imaginar que movimentos capazes de organizar manifestações, manter estruturas de comunicação, gerir redes sociais, negociar apoios logísticos, mobilizar voluntários e assegurar uma presença pública continuada resultam exclusivamente do entusiasmo ocasional de cidadãos que se encontraram por acaso numa praça. A experiência organizativa possui uma história, uma aprendizagem e uma cultura política próprias, e poucas organizações portuguesas desenvolveram essas competências de forma tão sistemática como o PCP e as diferentes correntes da esquerda revolucionária.

Do antigo associativismo comunista às organizações trotskistas, marxistas-leninistas e maoistas, passando pelas diversas cisões, dissidências e recomposições partidárias, existe uma longa tradição de intervenção através de sindicatos, associações de moradores, organizações estudantis, comissões populares e movimentos de causas. Parte desse universo encontrou expressão no BE, no MAS e noutras estruturas minoritárias, embora não esteja demonstrado que todas essas organizações participem na direcção dos actuais acampamentos. A continuidade mais importante não é, aliás, necessariamente orgânica, mas metodológica: transformar problemas sociais concretos em plataformas de mobilização, associar reivindicações particulares a uma contestação política mais abrangente e procurar exercer sobre o Governo uma pressão que ultrapasse a relação de forças parlamentar.

É precisamente por isso que importa distinguir a espontaneidade dos participantes da experiência dos organizadores. Uma pessoa pode aderir a uma manifestação porque não consegue pagar a renda, enquanto quem prepara a manifestação pode ter objectivos políticos muito mais vastos. A autenticidade do descontentamento de quem protesta não garante a neutralidade política de quem organiza o protesto.

4. Da habitação à Palestina: a utilidade política da interseccionalidade

Um dos aspectos mais reveladores da plataforma Casa Para Viver reside na coexistência de movimentos habitacionais com organizações antirracistas, feministas, ambientalistas, LGBTQI+ e de outras causas políticas e sociais. Os seus promotores invocam a chamada interseccionalidade, conceito que procura relacionar diferentes formas de desigualdade e discriminação, mas cuja aplicação à mobilização política permite igualmente agregar organizações distintas numa mesma frente de contestação.

Assim se compreende que manifestações convocadas para reclamar casas, rendas acessíveis e segurança no arrendamento se transformem, por vezes, em espaços de exibição de bandeiras palestinianas, palavras de ordem antifascistas e reivindicações sem relação imediata com o problema habitacional. Nada impede que um cidadão se manifeste simultaneamente por várias causas, mas a acumulação de agendas ideológicas coloca uma questão inevitável: estamos perante uma reivindicação nacional transversal sobre o acesso à habitação ou perante uma coligação de organizações políticas que utiliza a habitação como denominador comum de uma contestação mais ampla?

A pergunta torna-se especialmente pertinente quando a própria plataforma reúne associações que já actuavam conjuntamente noutras campanhas e manifestações, reproduzindo uma cultura de mobilização que, em muitos casos, precede a actual crise política. A habitação funciona, neste contexto, como uma causa agregadora particularmente eficaz, porque mobiliza dificuldades reais e permite reunir sectores que dificilmente alcançariam semelhante projecção pública agindo isoladamente.

5. Quem paga as tendas, os cartazes e a organização?

A investigação sobre as ligações partidárias suscita uma segunda questão, não menos importante, que é a do financiamento. Os responsáveis pelos principais movimentos asseguram que não recebem dinheiro dos partidos políticos, explicando que suportam os respectivos custos através de donativos, festas populares, vendas de materiais, iniciativas de angariação de fundos e colaborações logísticas pontuais de autarquias.

Nuno Ramos de Almeida afirma que uma festa anual do Vida Justa, realizada no 25 de Abril, consegue financiar grande parte da actividade da organização. André Escoval apresenta exemplos de angariações através da venda de crachás, autocolantes e produtos em festas populares, admitindo igualmente apoios logísticos autárquicos. Entre estes apoios encontram-se estruturas de segurança, estrados, fotocópias e transporte, sendo significativa a referência a um pedido dirigido à Câmara de Oeiras, presidida por Isaltino Morais, precisamente porque contraria a ideia de que todos os recursos provenham exclusivamente de autarquias comunistas ou bloquistas.

Não existem, nos elementos publicamente demonstrados que sustentam esta análise, provas de financiamento partidário clandestino, nem é legítimo transformar a existência de um advogado ou de uma comunicação profissional em evidência de pagamentos encobertos. Mas a inexistência de prova de irregularidade não elimina a necessidade de transparência, sobretudo quando algumas estruturas não possuem personalidade jurídica e outras não divulgam facilmente a identidade dos seus responsáveis, os seus órgãos dirigentes ou informação sobre a origem e utilização dos recursos mobilizados.

Quem representa formalmente cada organização? Quem decide as estratégias de protesto? Que donativos são recebidos, que apoios públicos são disponibilizados e em que condições? Quem fornece os meios materiais e como são prestadas contas aos participantes? Estas perguntas não constituem uma acusação criminal, mas exigências normais de escrutínio democrático. A independência não se demonstra apenas proclamando-a; reforça-se tornando verificáveis os mecanismos de decisão e de financiamento.

6. A rua como sucedâneo das urnas

A ocupação da Praça D. João I, no Porto, ilustra a transformação de uma reivindicação social num conflito de natureza simultaneamente política, mediática e institucional. A instalação de tendas, as decisões tomadas em assembleias populares, a intervenção policial, as denúncias de violência e a posterior desmobilização, justificada pelos organizadores com uma alegada infiltração de elementos de extrema-direita, colocaram o movimento no centro do debate nacional. Os incidentes e as acusações formuladas pelos diversos intervenientes exigem apuramento objectivo, tanto relativamente à proporcionalidade da intervenção policial como às circunstâncias da alegada infiltração, que não deve ser tratada como facto provado apenas porque foi denunciada.

Importa também não confundir organizações distintas: a acampada portuense apresentou-se como uma iniciativa própria, enquanto a plataforma Casa Para Viver manifestou solidariedade e promove outras acções de mobilização. A existência de causas comuns e de contactos entre activistas não basta para demonstrar uma cadeia de comando comum. O que se pode analisar, isso sim, é a convergência de discursos, métodos de protesto e objectivos de pressão política.

Nenhum democrata deve contestar o direito à manifestação pacífica, nem aceitar que a força pública seja utilizada desproporcionadamente. Mas esse direito não autoriza a apropriação indefinida do espaço público, a desobediência indiscriminada às regras legais ou a pretensão de substituir as instituições representativas por assembleias improvisadas nas praças. O direito de protestar não equivale ao direito de governar, e o ruído de uma manifestação não possui, por mais intenso que seja, a legitimidade eleitoral de um sufrágio universal.

Aqui reside a questão essencial. A rua pode contestar, denunciar, exigir e influenciar, mas não constitui uma segunda Assembleia da República, onde as forças políticas derrotadas possam recuperar artificialmente a representação que os eleitores lhes recusaram.

7. A memória política que Portugal não deveria esquecer

Para quem conhece a história do PREC, algumas características desta cultura de mobilização não são inteiramente desconhecidas. A reivindicação da rua como expressão privilegiada da vontade popular, a organização de frentes sociais em torno de causas mobilizadoras e a tendência para apresentar a legitimidade revolucionária como superior à legitimidade eleitoral fizeram parte dos conflitos políticos de 1974 e 1975. As circunstâncias actuais são muito diferentes, e seria intelectualmente desonesto equiparar automaticamente os protestos habitacionais contemporâneos aos acontecimentos revolucionários daquela época; mas a história permite reconhecer métodos de pressão política e, sobretudo, recordar o perigo de confundir intensidade militante com representatividade democrática.

Esta é precisamente a razão pela qual o Princípio da Flutuabilidade Política merece ser entendido como uma hipótese interpretativa séria, e não apenas como uma frase espirituosa. A esquerda revolucionária portuguesa acumulou décadas de experiência na transformação de reivindicações sociais em instrumentos de influência política, e essa capacidade organizativa não desaparece quando as suas organizações perdem deputados ou diminuem a votação. Pelo contrário, pode adquirir maior importância estratégica no exacto momento em que os canais institucionais se tornam menos favoráveis.

Naturalmente, nem todas as manifestações promovidas pela esquerda são expedientes de compensação eleitoral, até porque estes movimentos já existiam antes das últimas derrotas do PCP e do BE. A Casa Para Viver, por exemplo, convocou protestos desde 2023, quando o Governo era socialista. Mas este antecedente não invalida o princípio: demonstra que as redes de mobilização possuem continuidade própria e que podem ser politicamente valorizadas de forma diferente consoante a conjuntura, a posição dos partidos e a sua capacidade de influenciar as decisões do poder.

8. A verdadeira questão social não pertence à extrema-esquerda

Há, finalmente, uma conclusão que considero politicamente indispensável. A direita não pode cometer o erro de entregar à extrema-esquerda o monopólio da questão social. A habitação, tal como os salários, as pensões, a segurança no trabalho e a protecção da família, não constitui património ideológico do PCP, do BE ou de qualquer organização que se apresente como representante exclusivo dos desfavorecidos.

As Novas Direitas, se pretendem representar efectivamente os sectores populares, têm de compreender que a defesa da comunidade nacional exige igualmente políticas capazes de garantir condições dignas de existência aos trabalhadores e às suas famílias. Não basta denunciar a instrumentalização política dos protestos: é necessário apresentar respostas convincentes à escassez habitacional, aos obstáculos à construção, às dificuldades dos jovens no acesso à primeira habitação, à insegurança dos contratos e ao peso insustentável das rendas nos rendimentos familiares.

Deixar esta questão entregue aos profissionais da agitação seria repetir um dos erros históricos da velha direita liberal: imaginar que a estabilidade institucional e o funcionamento do mercado dispensam uma verdadeira preocupação com a justiça social. Pelo contrário, quanto mais a direita negligenciar as dificuldades concretas das populações, mais oportunidades oferecerá à esquerda radical para transformar o sofrimento social em capital político.

 Q.E.D.: o peso do poder perdido

Os acontecimentos de Outubro de 2026 não demonstram matematicamente que a pressão exercida nas ruas cresce sempre na exacta proporção do poder político perdido. Demonstram, porém, algo suficientemente relevante: a perda de representação eleitoral não significa necessariamente a perda da capacidade de mobilização, e pode aumentar o valor estratégico dessa capacidade para os partidos e movimentos que procuram recuperar protagonismo político.

As ligações pessoais e políticas identificadas entre a plataforma Casa Para Viver e dirigentes ou antigos representantes do PCP e do Bloco de Esquerda são suficientemente expressivas para afastar a ideia de um associativismo genericamente apolítico. Não provam, por si mesmas, um comando central partidário, nem autorizam acusações de financiamento clandestino; mas revelam a presença organizada de uma cultura militante que sabe utilizar causas sociais reais como instrumentos de contestação e influência política.

O que não pode aceitar-se é que o jornalistado e o comentariado, tão diligentes a investigar as ligações ideológicas dos movimentos situados à direita, descubram subitamente uma comovente inocência associativa quando os protagonistas pertencem à esquerda radical. A transparência que se exige aos outros deve aplicar-se igualmente aos que aparecem nas televisões como representantes espontâneos de um povo cuja dimensão eleitoral raramente é mencionada.

E assim regressamos à sentença inicial, cuja pertinência a actual conjuntura veio reforçar: «Quando a esquerda, nas urnas, é lançada para a oposição, a pressão que vai exercer nas ruas é proporcional ao peso do poder perdido.»

Q.E.D. — Quod Erat Demonstrandum.

Porque uma coisa é lutar por uma casa para viver; outra, muito diferente, é transformar as tendas numa sede partidária sem letreiro, a praça num parlamento alternativo e o descontentamento dos cidadãos numa tentativa de recuperar, pela pressão da rua, aquilo que não se conseguiu conquistar pelo voto.

Fontes e referências

  1. Rui Pedro Antunes, «Comunistas e bloquistas lideram movimentos de luta pela habitação», Observador, 16 de Outubro de 2026.
  2. Plataforma Casa Para Viver — manifesto e organizações subscritoras.
  3. Assembleia da República — resultados eleitorais da XVII Legislatura.
  4. INE — Estatísticas das Rendas da Habitação, 2.º trimestre de 2026 (síntese Lusa/RTP).

terça-feira, 21 de setembro de 2021

cuide-se Senhor Almirante !

paara os tótós que afrmam que a vacinação correu bem porque os enfermeiros Costa & Temido não tiraram férias e correram o País a vacinar-nos!

domingo, 7 de junho de 2020

Os portugueses são racistas?

Nunca corremos a tiro as populações indígenas, como fizeram os colonos europeus quando ocuparam as terras do Tio Sam. Nunca tivemos apartheid, ao contrário do que aconteceu na África do Sul ou na Rodésia. Cruzámo-nos em África e na Ásia com as populações autóctones, tivemos filhos e muitas vezes assumimo-los.
A ministra da Justiça, Francisca Van Dunem, veio dizer na semana passada, num discurso geralmente bem estruturado, que há racismo em Portugal.
«Durante décadas, apregoar a inexistência de fenómenos racistas na sociedade portuguesa tornou-se um quase lugar-comum. A repetição incessante da ideia não teve, contudo, a virtualidade de a converter em verdadeira. A maior expressão de preconceito racial consiste, precisamente, na negação deste preconceito» - disse a ministra.
Terá razão?
Confesso que, até há bem pouco tempo, não dava pela existência de racismo em Portugal.
Vivi a juventude no tempo do Estado Novo, e nunca senti que esse fosse um problema.
Sempre joguei à bola com negros, aplaudi os feitos de jogadores africanos.
O próprio facto de um dos grandes ídolos nacionais ser Eusébio era um travão contra o racismo: não fazia sentido idolatrarmos a sua figura e aplaudirmos os seus feitos… e depois dizermos mal dos ‘pretos’.
E a história da colonização portuguesa aponta no mesmo sentido. 
Há quem diga que ela foi igual a outras.
Não foi. 
Nunca corremos a tiro as populações indígenas, como fizeram os colonos europeus quando ocuparam as terras do Tio Sam.
Nunca tivemos apartheid, ao contrário do que aconteceu na África do Sul ou na Rodésia.
Cruzámo-nos em África e na Ásia com as populações autóctones, tivemos filhos e muitas vezes assumimo-los.
E no tempo de Salazar houve uma política de integração progressiva dos negros nas colónias africanas (aliás muito criticada), criando-se o estatuto dos ‘assimilados’ - nativos que já partilhavam a cultura europeia.
Houve actos racistas?Claro que houve - e muitos.
Mas isso decorria da evidência de uns serem colonizadores (e supostos portadores de um estádio de civilização ‘superior’) e os outros serem colonizados.
A regra, porém, era a convivência mais ou menos pacífica.
Basta ir hoje a Angola ou Moçambique para o constatarmos: os negros gostam dos portugueses, enquanto detestam os russos e os cubanos - apesar de estes lá terem estado muito menos tempo.
Mas então por que é que, de repente, se passou a falar tanto de racismo em Portugal?
A responsabilidade foi, sobretudo, do Bloco de Esquerda - que tem a capacidade de ir colocando sucessivos temas na ‘agenda’.
Esgotada uma ‘causa’, vem logo outra a seguir.
Depois de lançadas as ‘causas’ da legalização do aborto, da despenalização das drogas leves, das salas de chuto, dos direitos dos homossexuais, da mudança de sexo aos 16 anos, da igualdade de género, da contestação dos Descobrimentos, etc., que têm ocupado a agenda mediática nos últimos anos, há que inventar outras.
O racismo está nessa linha.
Foram os dirigentes do BE que começaram insistentemente a falar da existência de racismo em Portugal.
E a afirmação contagiou outros partidos de esquerda, como o PS.
Ora, de tanto se falar dos assuntos, eles transformam-se em realidades.
Há quem pense, como a ministra, que os problemas se resolvem por se falar muito deles.
Discordo completamente: o discurso anti-racista, repetido a propósito e a despropósito, acabou por acordar demónios adormecidos.
O racismo, que há muito tempo estava em estado de hibernação em Portugal, veio à superfície.
A discussão instalou-se, os ânimos exaltaram-se, as posições extremaram-se - e aquilo que não constituía um problema tornou-se de repetente uma questão gravíssima.
Veja-se o que aconteceu com o artigo de Fátima Bonifácio.
Se não fosse o alarido feito à sua volta, passaria sem grandes ondas.
Mas a atitude da direcção do Público, fazendo mea culpa por publicar o texto, chamou brutalmente a atenção para ele.
Atrevo-me a dizer que a insólita reacção da direcção do jornal fez mais pelo racismo em Portugal do que 100 artigos como aquele ou piores. 
Aliás, a ministra da Justiça, ela própria, é o exemplo vivo da inexistência de racismo em Portugal.
E o primeiro-ministro é outro.
Há uns bons anos, uma pessoa das minhas relações - essa sim racista - disse-me que António Costa nunca chegaria a líder do PS por ser «monhé». E acrescentou: «Os portugueses não gostam de monhés».
Ora, António Costa não só chegou a líder do PS como chegou a primeiro-ministro, cumpriu uma legislatura e será com certeza reeleito.
Num país racista, isto não seria possível.
Dir-se-á que aqui e ali há referências à  cor da sua pele.
Mas são raras - e têm muito mais que ver com o facto de ser de esquerda do que com a sua ascendência goesa.
Os ataques que Costa sofre, mesmo aqueles que têm aparentemente um cunho racista, são mais devidos a questões políticas do que a questões raciais.
Nesta medida, remexendo uma vez mais na ferida do ‘racismo’, Francisca Van Dunem prestou um mau serviço à causa anti-racista.
Repito: na minha juventude, ninguém via o racismo como um problema; hoje enche páginas de jornais.
De quem é a culpa? 
Dos que querem à força provar que o racismo existe - e fazem um alarido quando alguém tem uma opinião diferente da deles.
Dos que propagam aos quatro ventos as suas teorias - mas que calam os outros quando estes se querem manifestar.
Depois das campanhas anti-racistas que o BE lançou, a sociedade portuguesa é hoje muito mais racista do que era antes.
Os conflitos raciais tendem a multiplicar-se. 
Mas não era isso mesmo que o BE queria?
Acho que sim.
O BE quer ter ‘causas’ para fundamentar as suas lutas, desestabilizar a sociedade e criar um permanente ambiente de guerra.
É esse o seu objetivo. (in “Os portugueses são racistas? “ por José António Saraiva)

quinta-feira, 21 de novembro de 2019

um acto "vergonhoso....

Grades metálicas cercam já todos os acessos à Assembleia da República e estão também a ser colocadas barreiras de betão com mais de uma tonelada para reforçar esta protecção.
"A casa da Democracia está a ser cercada. Para além das grades que já nos habituaram, agora também, imagine-se, com blocos de cimento de quase uma tonelada cada. Mas em que país estamos em que os maus da fita, afinal, são aqueles que todos os dias são o garante da segurança e do Estado de Direito Democrático?!!! Que país é este que menospreza as suas forças de segurança?". (César Nogueira, dirigente associativo) 
"Este é o cenário que está a ser montado junto à casa da democracia, para receber amanhã os polícias. O Governo não tem que ter medo, o Governo deve é ter vergonha na forma como tem tratado as forças de segurança, com as suas múltiplas promessas, com a ausência de condições de trabalho, salário digno, entre outros"
Esta "medida de segurança" surge depois do comando da PSP de Lisboa ter proibido que os seis agentes marcassem o gozo de folgas ou dias de férias para esta quinta-feira, o que para as associações sindicais se trata de uma tentativa de condicionar a participação dos polícias na manifestação.

sexta-feira, 7 de março de 2014

uma manifestação “à séria” e de gente séria!

quem ganhou?
Tenho a vantagem de estar “fora do futebol” e, por tal, não entendo a política ou os movimentos sociais como: “ganhou”, “perdeu” ou “empatou”.
Mas rendo-me por momentos e entendo que
- na “maior manifestação de sempre” das forças de segurança ganharam todos e
- perdemos nós, quando milhares de agentes de autoridade deixaram os seus postos e consequentemente, durante horas, abandonaram a nossa segurança de pessoas e bens.
Por isso, uns e outros deverão ter consciência das suas vitórias e dai tirar necessárias ilações.
Verdadeiramente quem perdeu foi
- a “imprensa a que temos direito”, vampirescamente sedenta do sangue que não houve e
- o recém-ressuscitado “reviralho” politico,
duas velharias, esquecidas que já não volta aquele “estado novo” que gostavam trazer de novo às suas escritas e tertúlias pseudo-intelectuais …


(a modernidade das técnicas de contenção de manifestantes usada pela PSP convenceu-me. Temos uma polícia que tem muito para ensinar àquilo que nos mostram das congéneres por esse mundo fora! Um case-study para os especialistas de segurança.)

sábado, 23 de novembro de 2013

da Lógica

O matemático que está ministro quer reintroduzir o estudo da Lógica e das suas específicas divisões: teoria dos conjuntos, de modelos, da recursão e da prova.
Vem isto a propósito da manifestação das polícias e da invasão da Casa da Democracia - mesmo que parada no topo das escadarias - e dos comentários na “opinião publicada” que tudo misturam.
 
Se os nossos “especialistas em generalidades” alguma vez tivessem estudado Lógica, saberiam que o “conjunto manifestação A” não se pode confundir com o “conjunto invasão B”. São diferentes, porque a diferença entre dois conjuntos (A e B) é o conjunto dos elementos que pertencem a A mas que não pertencem a B.
 
Ai vai um exemplo:
Um determinado cidadão vai clamando por acções violenta anti-governo (e disso dá como exemplo o “conjunto invasão B”), de imediato os “idiotas úteis” referem, usando o “conjunto intersecção A∩B” que para eles é a liberdade de expressão.
(até aqui evitei chamar aos “especialistas” um “conjunto vazio”…)
Poderia continuar a apresentar ligações aos modelos, à recursividade e, claro, à prova. Deixo aos meus leitores a liberdade de fazerem tal conectividade.
 
O efeito do estudo da Lógica vai demorar gerações a produzir efeitos mas, apesar disso vejo-o como positivo, apesar de ter a esperança que os vindouros sejam poupados a ler, ouvir ou ver “especialistas em generalidades”.
(a imagem é de um “conjunto impróprio”)

sábado, 26 de outubro de 2013

Estou preocupado!


Com excepção do tablóide sulista e do quase tablóide nortista a imprensa a que temos direito está, pé ante pé, a tratar Governo e governantes com luvas de pelica e até enorme amabilidade.

Curiosamente a “direita bloguista”, onde me incluo, vai “malhando” nos “escuteiros-mirins” que nos governam, aponta-lhes todas as falhas e, quiçá, a falta do chá que não tomaram em pequeninos. É, nesta última, que assenta a minha preocupação: de tanto chá que bebemos, os “escritos” que produzimos arriscam-se a não produzir efeito e serem apenas chazadas!

Hoje há manif dos “que se lixe a troika” (um nome, que por ser demasiado ordinário para cativar aqueles que “estando de acordo” conheceram as chávenas em pequeninos, cada vez mais, se fica pelos idiotas-úteis e pelo pior do reviralho)   

Amanhã, se aos "manifestantes" não for acrescentado o estranho zero "à direita" poderemos ter a confirmação se o “novo” tratamento jornalístico é para ficar ou se apenas reflecte o passo à retaguarda dos trotski-maoistas que por ai andam a escrever e comentar… ao que parece por lhes ter sido negado lugar no governo ou na Comissão Europeia!

quinta-feira, 28 de março de 2013

juros a acrescentar à divida...

O PSI20 fechou a perder 0,02% para 5.822,09 pontos terminando o mês com uma desvalorização de 2,77%.
Após a entrega da moção de censura do PS as “yields” das obrigações portuguesas sobem 4,6 pontos base para 3,082%, no prazo a dois anos, 5,7 pontos para 5,105% a cinco anos e 5,7 pontos para 6,429% a 10 anos.
Sgundo o Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) de 2012, realizaram-se 3.012 manifestações, envolvendo 16.672 elementos policiais, para regularização do trânsito, prevenção geral e manutenção da ordem pública,
A taxa de poupança das famílias aumentou dos 9,1% em 2011 para os 11,6% em 2012.
O Instituto Nacional de Estatística apurou um défice orçamental equivalente a 6,4% do PIB em 2012, ligeiramente inferior aos 6,6% que foram assumidos pelo Governo e pela тройка
O preço da gasolina deverá continuar a subir na próxima semana, entre dois e três cêntimos por litro, enquanto o preço do gasóleo deverá ficar inalterado.
As exportações portuguesas de bens alimentares para Angola estão a ficar retidas no porto de Luanda, devido às inspecções laboratoriais que passaram a ser exigidas pelas autoridades daquele país.
Os bancos do Chipre, que estavam fechados há duas semanas, abriram portas esta manhã.
Após seis dias de intensas consultas, na sequência das inconclusivas eleições gerais de Fevereiro, o ex-responsável do Partido Comunista Italiano não conseguiu garantir uma maioria estável no hemiciclo
A dívida pública do Japão é equivalente ao dobro do Produto Interno Bruto (PIB) e é a maior entre as economias industrializadas (a divida pública portuguesa foi em 2012 120,3% do PIB).

sábado, 2 de março de 2013

eram muitos...


Eram muitos, muitos, da classe média empobrecida ou reformados a quem roubaram o final digno que sonharam. Eram também muitos os que, passada a casa dos 50, dificilmente voltarão a ter emprego nestes tempos de mudança.
Desiludidos, traídos, mostraram o que sentem e esperam que a tutoria, nacional e estrangeira, que nos rege assim o perceba. Não lhes interessava a “guerra dos milhões” da opinião publicada que apenas os usa para vender papel (cada vez menos!).
Também houve o “folclore dos espontâneos” que um dia, independentemente da sua actual idade, irão crescer e ficar adultos.
O bom povo veio à rua e espera que os que fazem a democracia o percebam...antes que lhes acabem com os partidos ou, pior, lhes apareça alguém que lhes tire a democracia!
 
(No final “os de um partido” apoderam-se do palco e da “grandola”.
Ninguém vira “os do costume” na marcha, excepto na combinada “entrevista” para os noticiários da noite...e logo saiam para longe!
Punhos ao alto, desafinaram e julgaram-se em 75, esquecendo o resultado do acto de cidadania do 25 de Abril desse ano.
Continuam a olhar apenas para os seus umbigos e para as tv´s que lhes dão publicidade!
Mas estes nunca aprendem, nem percebem!)

domingo, 24 de fevereiro de 2013

o fim das Democracias como nós as conhecemos?


«No espaço de uma semana o grau de ameaça subiu de nível. Numa escala de 5 (o menor grau) a 1 (o mais elevado), o grau de ameaça ao Executivo está a agora a meio da tabela: grau 3, o que equivale a uma ameaça significativa.
É o resultado da recente onda de protestos que tem seguido os membros do Governo por todo o país.
Nesta fase as autoridades têm informações que apontam para protestos mais organizados e com maiores recursos técnicos e humanos. A operação já pode envolver o Gabinete Coordenador de Segurança e um maior número de efectivos. Este nível de alerta pode ser designado de «Zulu», isto porque a partir de agora é considerado provável que os membros do Governo possam ser atingidos por objectos ou até empurrados.
A segurança às altas figuras do Estado foi reforçada. Noventa por cento dos guarda-costas da PSP estão destacados para esta operação, na sequência dos recentes protestos que têm acompanhado todas as deslocações de membros do Governo pelo país. (no tvi24)»
 
Quando a minha geração cortou com a geração dos nossos pais, lutou para que Portugal tivesse uma “democracia”. Uns mais à inglesa, outros mais à soviética. Seria o nosso legado para filhos e netos.
Hoje isto começa a estar alterado!
Não interessam as razões, que as há e bem fortes, mas tudo leva a acreditar que se caminha para a geração dos nossos avós que cortou com a Monarquia e, pouco depois, com a Republica. Sabemos qual foi o resultado!
Com outra sequencia e/ou outros motivos é TVisível que noutros países e culturas se passam situações similares.
Onde é que nós errámos?