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sexta-feira, 3 de julho de 2026

o dia em que a velha direita percebeu que já não manda sozinha ...na direita!

Jorge Fernandes [Investigador no Ramón y Cajal no Conselho Superior de Investigação Científica, Madrid .
https://observador.pt/opiniao/uma-enorme-vitoria-de-andre-ventura/ ] tem razão no essencial: o episódio do Código Laboral marcou um antes e um depois na relação entre o PPD/PSD e o CHEGA. Onde talvez eu me afaste ligeiramente da sua leitura é na natureza dessa vitória. Não foi apenas uma vitória parlamentar de André Ventura, nem apenas uma demonstração de força negocial. Foi, acima de tudo, uma revelação política: o CHEGA deixou de se comportar como simples partido de protesto e apresentou-se como aquilo que, na verdade, já vinha sendo — a expressão portuguesa da Nova Direita.

Durante muito tempo, a direita instalada habituou-se a tratar o CHEGA como um instrumento útil, embora desagradável. Serviria para pressionar o PS, para assustar a esquerda, para engrossar maiorias ocasionais, para votar aquilo que fosse conveniente ao Governo, e depois regressaria obedientemente ao seu lugar no canto da sala, com a etiqueta pronta: populista, radical, inconveniente, mas parlamentarmente aproveitável.

O problema é que André Ventura percebeu uma coisa que muitos no PPD/PSD ainda não perceberam: quem tem 60 deputados não está na Assembleia da República para fazer de figurante. E quem representa mais de um milhão e quatrocentos mil votos não tem obrigação política, moral ou estratégica de se ajoelhar diante de uma direita antiga, cansada, liberal na economia, tímida na cultura, assustada na imigração e dependente de agências de comunicação para fabricar frases ocas.

A ambiguidade estratégica de Luís Montenegro — ora com o PS, ora com o CHEGA, conforme a conveniência do dia — podia talvez funcionar enquanto o CHEGA aceitasse o papel de força auxiliar. O episódio do Código Laboral mostrou que esse tempo acabou. Ventura recusou ser transformado em bengala parlamentar de uma reforma que, na sua leitura, falhava precisamente onde uma direita popular não pode falhar: no trabalho, na família, na segurança económica e na dignidade de quem vive do salário.

E aqui está a novidade que muitos comentadores ainda fingem não ver. O CHEGA não se limitou a votar contra uma proposta do Governo. Fez algo mais profundo: recusou a redução da direita portuguesa ao liberalismo económico de gabinete. Recusou a ideia de que ser de direita significa necessariamente aceitar qualquer reforma laboral em nome da competitividade, da flexibilidade e da bela música tecnocrática que geralmente termina sempre no mesmo sítio: mais insegurança para quem trabalha e mais conforto para quem manda.

É aqui que a leitura de José Costa-Deitado [ Universidade de Santiago de Compostela Prof Emérito FCT/ UNL Nova SBE - https://cdeitado.blogspot.com/2026/06/benedikt-kaiser-uma-aula-sobre.html  ] sobre a Nova Direita se torna especialmente pertinente. A Nova Direita europeia — francesa, alemã, italiana — não é apenas uma direita mais barulhenta, nem uma direita com bandeiras maiores, nem uma direita com slogans mais duros sobre imigração. É, no seu melhor, uma tentativa de reconstruir a direita em torno de três eixos que a velha direita abandonou: soberania, identidade e justiça social.

Benedikt Kaiser [Deutscher Autor und Publizist der Neuen Rechten.]  é importante precisamente por isso. A sua reflexão sobre metapolítica, hegemonia e patriotismo solidário aponta para uma direita que compreende que a batalha política não se ganha apenas no Parlamento, nem apenas nas eleições, nem apenas nos soundbites televisivos. Ganha-se antes no vocabulário, nas ideias, nas instituições, na cultura, nas redes sociais, nos temas que se impõem e nos conceitos que deixam de pertencer automaticamente à esquerda.

Durante décadas, a esquerda apropriou-se da palavra “social”. A direita liberal deixou. Pior: colaborou. Aceitou que falar de salários, trabalho, protecção familiar, abandono das periferias, insegurança económica ou dignidade dos pequenos fosse matéria da esquerda. A velha direita ficou com a gestão, os défices, os impostos, as empresas, os mercados e os congressos onde se anunciam “novos ciclos” sem que nada realmente comece.

Ora, a Nova Direita começa precisamente quando a direita deixa de pedir licença para falar do social. E é isso que o CHEGA, com todas as suas imperfeições, excessos, simplificações e teatralidades, parece ter compreendido melhor do que o PPD/PSD. A direita que quer disputar o povo não pode apresentar-se apenas como contabilista da ordem liberal. Tem de falar de pertença, de segurança, de trabalho, de fronteiras, de família, de soberania, de comunidade e de justiça.

Não se trata de converter o CHEGA num partido operário clássico, nem de fingir que André Ventura é uma versão portuguesa de Benedikt Kaiser. Seria absurdo. Kaiser pensa em termos metapolíticos, doutrinários, culturais e estratégicos; Ventura age no terreno parlamentar, mediático e eleitoral. Kaiser escreve para formar quadros e construir hegemonia; Ventura fala para ocupar o espaço público e transformar ressentimento social em força política. Mas a convergência é clara: ambos perceberam que a direita do século XXI não pode limitar-se a administrar o neoliberalismo com bandeiras nacionais à porta.

O episódio do Código Laboral foi, por isso, mais do que um chumbo. Foi uma declaração de independência. Ventura disse ao PPD/PSD que a sua maioria, quando existe, não é propriedade de Montenegro. Disse à direita liberal que a palavra “reforma” não é sagrada. Disse ao país que o CHEGA não aceita ser útil apenas quando vota a favor. E disse ao seu próprio eleitorado que não está no Parlamento para servir de muleta a uma direita que gosta muito de invocar o povo em campanha, mas que rapidamente o esquece quando chegam as propostas redigidas no idioma dos consultores.

Claro que isto incomoda. Incomoda o PPD/PSD, porque lhe retira o monopólio simbólico da direita. Incomoda a Iniciativa Liberal, porque mostra que há uma direita para além da fantasia do mercado perfeito. Incomoda o PS, porque percebe que a oposição social já não lhe pertence por direito hereditário. E incomoda o comentariado, porque o obriga a rever as suas gavetas mentais: afinal, o CHEGA não cabe apenas no rótulo preguiçoso de “extrema-direita”. Há ali outra coisa. Uma coisa mais incómoda: uma direita popular, nacional, social e culturalmente contra-hegemónica.

Jorge Fernandes viu bem a vitória de Ventura. Mas talvez a vitória seja ainda maior do que parece. Ventura não ganhou apenas uma votação. Ganhou centralidade. Ganhou autonomia. Ganhou o direito de dizer ao PPD/PSD: vocês já não decidem sozinhos o que é a direita em Portugal.

E isto muda tudo.

A velha direita portuguesa sempre viveu convencida de que havia apenas duas hipóteses: ou a direita respeitável, isto é, ela própria; ou a direita irresponsável, isto é, todos os que não aceitassem a sua tutela. O CHEGA veio baralhar esta geometria. Não quer apenas sentar-se à mesa. Quer mudar a mesa. Quer mudar a ementa. Quer mudar a linguagem do jantar. E, pior ainda para os donos antigos da casa, trouxe convidados que nunca tinham sido admitidos na sala principal.

Pode discutir-se se o fará bem ou mal. Pode criticar-se Ventura, e deve criticar-se quando for necessário. Pode reconhecer-se que há no CHEGA impulsos contraditórios, improvisações, tentações demagógicas e excessos de comunicação. Mas o essencial é outro: a direita portuguesa entrou numa fase pós-PPD. E o PPD/PSD ainda não percebeu que já não está perante uma dissidência; está perante uma concorrência histórica.

O Código Laboral foi apenas o episódio. A recomposição da direita é o acontecimento.

A vitória de André Ventura não foi ter chumbado uma reforma. Foi ter obrigado toda a gente a perceber que a Nova Direita portuguesa já não pede autorização para existir.


Agulhada final 
A velha direita ainda pensa que o CHEGA é uma indisciplina parlamentar. O problema dela é complexo: continua a confundir o nascimento de uma Nova Direita com uma birra de bancada. 
O episódio do Código Laboral não foi só uma vitória táctica de Ventura; foi o momento em que o CHEGA se apresentou como Nova Direita portuguesa, social, nacional e não apenas liberal-conservadora. Como base factual, usei os dados oficiais da XVII Legislatura, onde o CHEGA surge com 60 deputados e 1.437.881 votos; a notícia do chumbo do pacote laboral em 19 de Junho de 2026; a justificação de Ventura sobre os “erros” da proposta para quem trabalha; e a matriz Kaiseriana da metapolítica, hegemonia e “patriotismo solidário”

sábado, 13 de abril de 2019

...e, de repente, dei por terem passado 30 anos!

Esta é uma fotografia do dia da inauguração do Pavilhão Poli-desportivo da Junta de Freguesia de Benfica. 
Estavam acabadas a “requalificação para instalações da Junta” da antiga sede do Sport Lisboa e Benfica com a instalação dos Serviços Administrativos da Junta – incluindo a sua informatização -, do espaço para a realização das Assembleias de Freguesia, do novo Centro Clínico e do Centro Cultural. A Piscina (de “água quente” dedicada ao ensino da Natação) tinha sido concluída um ano antes e nela funcionavam 14 Escolas de Natação das Associações Desportivas da Freguesia .

Da esquerda para a direita:
O Vogal da Cultura e Desporto, Fernando Saraiva, que nos anos seguintes virá a ser um notável Presidente da Junta em mandatos que marcam profundas mudanças na Freguesia.
Augusto Teixeira, assessor do Vogal da Cultura e Desporto. Do seu trabalho resultaram, entre outras, a criação da Associação de Comerciantes de Benfica, as Feiras de Produtos Regionais, as iluminações de Natal das principais ruas da freguesia. Teixeira virá a ser Vereador e Presidente de Junta. em município e freguesia, no Distrito de Viseu.
O Vogal para Actividades Desportivas, Fernando Henriques, da sua aplicação ao serviço dos fregueses resultaram os Campeonatos de Futebol de Salão que envolveram todas as Associações Desportivas da freguesia, os Campeonatos de Judo (organizados com a direcção do Mestre Carlos Santos) – um deles internacional e, em anos sucessivos, duas deslocações a França dos atletas da Junta aos Campeonatos Europeus de Juniores em Moirans.
O Presidente executivo e Secretário da Junta, José Costa Deitado, e o Presidente e Deputado Municipal, Manuel Damásio.
José Spinola, assessor para a Área Social,  a quem se deve muito do trabalho de recuperação efectuado nos espaços mais degradados da Freguesia. De salientar a sua acção na recuperação dos danos causados pelo incêndio que destruiu as habitações de uma antiga família (de origem cigana) que há mais de duzentos anos  era referenciada na antiga freguesia de Benfica, ainda do Município de Belém.
O Vogal Tesoureiro da Junta, Carlos Fernandes, sem o qual não teria sido possível realizar todas as obras -Centro Clínico, Centro Cultural, Piscina e Pavilhão Poli-desportivo– com recursos financeiros da Junta e praticamente sem recorrer ao público do Fundos de Equilíbrio Financeiro.
Não está na fotografia a Vogal da Acção Social e Centro Clínico, Teresa Alcântara, que transformou o Posto de Enfermagem vindo das antigas instalações da Estrada de Benfica num moderno Centro Clínico com Direcção Clínico e duas dezenas de Especialidades Médicas. A ela se ficou também a dever a criação do Serviço Jurídico de Apoio aos Fregueses e Retrato Social da Freguesia baseado num Estudo de Opinião apurado num milhar de entrevistas presenciais.
A titulo de “curiosidade”:
ao tempo nem os Membros do Executivo, nem os assessores eram remunerados. Trabalhavam a titulo gratuito!