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sábado, 14 de agosto de 2021

chamava-se Brites d'Almeida era ossuda e muito feia

Os historiadores tomam em linha de conta que a história de Brites de Almeida é uma lenda; mas, assim mesmo, é inegável que Brites se tornou uma heroína celebrada pelo povo nas suas canções e histórias tradicionais.
Brites de Almeida teria nascido em Faro em 1350, de pais pobres e de condição humilde, donos de uma pequena taberna. A lenda conta que desde pequena, Brites se revelou uma mulher corpulenta, ossuda e feia, de nariz adunco, boca muito rasgada e cabelos crespos. Estaria então talhada para ser uma mulher destemida, valente e, de certo modo, desordeira.
Teria 6 dedos em cada mão, o que teria alegrado os pais, pois julgaram ter em casa uma futura mulher muito trabalhadora. Contudo, isso não teria sucedido, sendo que Brites teria amargurado a vida dos seus progenitores, que faleceriam precocemente. Aos 26 anos ela estaria já órfã, facto que se diz não a ter afligido muito.
Vendeu os poucos haveres que possuía, resolvendo levar uma vida errante, negociando de feira em feira. Muitas são as aventuras que supostamente viveu, da morte de um pretendente no fio da sua própria espada, até à fuga para Espanha a bordo de um batel assaltado por piratas argelinos que a venderam como escrava a um senhor poderoso da Mauritânia.
Acabaria, entre uma lendária vida pouco virtuosa e confusa, por se fixar em Aljubarrota, onde se tornaria dona de uma padaria e tomaria um rumo mais honesto de vida, casando com um lavrador da zona.
Encontrar-se-ia nesta vila quando se deu a batalha entre portugueses e castelhanos. Derrotados os castelhanos, sete deles fugiram do campo da batalha para se albergarem nas redondezas. Encontraram abrigo na casa de Brites, que estava vazia porque Brites teria saído para ajudar nas escaramuças que ocorriam.
Quando Brites voltou, tendo encontrado a porta fechada, logo desconfiou da presença de inimigos e entrou alvoroçada à procura de castelhanos. 
Teria encontrado os sete homens dentro do seu forno, escondidos. Intimando-os a sair e a renderem-se, e vendo que eles não respondiam pois fingiam dormir ou não entender, bateu-lhes com a sua pá, matando-os. De seguida, tê-los-à cozido, no seu forno, juntamente com o pão com chouriço. Diz-se também que, depois do sucedido, Brites teria reunido um grupo de mulheres e constituído uma espécie de milícia que perseguia os inimigos, matando-os sem dó nem piedade.

quarta-feira, 14 de agosto de 2019

BATALHA DE ALJUBARROTA

14 DE AGOSTO DE 1385
E se D. Juan I estivesse lúcido?
Sabe-se hoje que o rei de Castela jazia na retaguarda da sua posição, atingido por uma febre que o paralisou
Se Nuno Álvares Pereira e os seus conselheiros ingleses fizeram tudo certo na preparação da crucial Batalha de Aljubarrota, o rei de Castela não podia ter errado mais. A tática da Velha Albion incluiu aqui as armadilhas dos fossos e das covas de lobo (só destas últimas foram descobertas 830, até hoje), disfarçadas com ramagens e situadas em frente à vanguarda portuguesa. De resto, a “receita” inglesa estava lá toda: reconhecimento e escolha do terreno de batalha antes de o inimigo o fazer, linhas de água laterais, envolvidas por barrancos, estreitamento natural, em determinado ponto, do pequeno planalto de S. Jorge (na verdade, localizado no concelho de Porto de Mós, uma dúzia de quilómetros a nordeste de Aljubarrota, freguesia de Alcobaça). O contingente inimigo, de 20 mil a 30 mil homens, vinha de Leiria a caminho de Santarém (que estava do lado do rei de Castela), para depois rumar a Lisboa, que D. Juan I não desistia de tomar. “O exército português estava ali a dar tudo por tudo”, diz o investigador João Gouveia Monteiro. “Se o rei castelhano chegava a Lisboa, era o fim, o desastre. Eles queriam atalhar o caminho à hoste inimiga num ponto em que já se encontrasse bem internada em Portugal, que não fosse próximo de Castela – em Pinhel ou Trancoso receberiam facilmente reforços – mas que também estivesse suficientemente longe de Lisboa, para que, se a batalha corresse mal, tivessem alguma esperança de recuperação.” E o exército castelhano tinha mesmo de ir ao combate. Ainda se encontrava longe de Lisboa, e não podia continuar a marcha até Santarém com um exército inimigo na retaguarda, pronto a atacar pelas costas. Os castelhanos não sabiam, mas o efetivo de Nuno Álvares Pereira era de dez mil homens, 800 dos quais experientes mercenários ingleses (na sua maioria arqueiros).
Os castelhanos ainda fizeram uma patética manobra de reconhecimento do dispositivo de Nuno Álvares Pereira, enviando um proeminente nobre, Pero López de Ayala, e um irmão do Condestável, Diogo, ao acampamento do exército português, com o pretexto de uma proposta de negociações. Foram rapidamente corridos dali, sob ameaças de morte. No entanto, o “batido” Ayala (cronista-mor) foi veemente no que depois disse ao rei: aconselhou a que se não combatesse naquele dia, porque os portugueses tinham barrancos laterais, que conduziam a linhas de água, e que isso iria tornar difícil que as alas de cavalaria castelhanas entrassem no confronto. E, de facto, não conseguiriam participar no combate. D. Juan I, que sofria de sezões (uma espécie de paludismo moderno), ardia em febre e não entendia o que estava a acontecer no campo de batalha. Havia já 15 dias que era transportado numa liteira, na qual jazia agónico. Nem sequer se terá apercebido bem de que uma grande parte das suas tropas não chegara ao campo de S. Jorge – ainda estava na coluna de marcha, muito a norte. Pensando que ia ser fácil, e sem ter noção das armadilhas que o esperavam, o exército invasor decidiu atacar.
A batalha iniciou-se às seis da tarde e ao fim de uma hora encontrava-se decidida e terminada. E foi cruel. Logo na primeira investida do inimigo, a cargo de cavaleiros franceses, cedidos pelo rei gaulês, Carlos VI, a D. Juan I, a chacina começou. Historiadores espanhóis estimam que fossem entre 800 e 1 200 homens. Muitos morreram, e os que foram feitos prisioneiros acabaram executados, ali mesmo, no Campo de S. Jorge, por ordem de D. João I. Calcula-se que tenham morrido na batalha três mil a quatro mil castelhanos, franceses e fidalgos portugueses (casos de Pedro e Diogo,
os irmãos de Nuno Álvares Pereira que combatiam por D. Juan I), e outros tantos na fuga, assassinados por populares numa noite de facas longas (donde o mito da padeira de Aljubarrota). Do lado do Condestável, as baixas estimadas situavam-se entre 200 e 600 homens.
Numa vala comum, no Campo de S. Jorge, foram encontrados 2 874 ossos humanos (depois datados em laboratório como sendo do séc. XIV), correspondentes a 414 indivíduos do sexo masculino, com idades à morte entre 18 e 65 anos. Observam-se golpes nos occipitais (crânio) e nos fémures (pernas), sinais de agressões direcionadas. Muitos desses homens terão sido mortos quando já estavam caídos no chão ou quando se encontravam em fuga e foram atingidos por trás. Um estudo da especialista Eugénia Cunha, sobre a patologia traumática desses indivíduos, revela “um ambiente de grande pressa e confusão”. Não há grandes diferenças de lateralidade nas lesões, o que significa que os escudos serviram de pouco. É impressionante o que os ossos nos contam.

terça-feira, 14 de agosto de 2018

Batalha de Aljubarrota


decorreu no final da tarde de 14 de Agosto de 1385 entre tropas portuguesas com aliados ingleses, comandadas por D. João I de Portugal e o seu Condestável D. Nuno Álvares Pereira, e o exército castelhano e seus aliados franceses e aragoneses liderados por D. João I de Castela. 

A batalha deu-se no campo de São Jorge, na localidade de Picoto, pertencente à freguesia de Calvaria de Cima, concelho de Porto de Mós, nas imediações da vila de Aljubarrota, entre o referido concelho e Alcobaça.


sexta-feira, 14 de agosto de 2009