quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

“pouco menos que ruinosa”

Na opinião de Paul Krugman, Prémio Nobel da Economia em 2008 que esteve em Portugal nos anos imediatos à Revolução de 1974, aquilo que o Governo português classificou ontem como “um sucesso atendendo às circunstâncias”, pela voz do ministro das Finanças, “diz alguma coisa sobre o desespero total da situação europeia”.
Estas afirmações surgiram numa entrada no blogue deste economista no sítio electrónico do diário norte-americano The New York Times, onde qualifica como “pírrico” o leilão de obrigações de ontem e diz: “Mais uns sucessos como este e a periferia europeia será destruída.” A razão por que Krugman considera ruinosa a taxa de ontem tem a ver com a perspectiva do “fardo do pagamento de juros crescentes sobre uma economia que provavelmente enfrentará anos de uma deflação opressora devido à dívida”.
De acordo com o Instituto de Gestão da Tesouraria e do Crédito Público, sabemos que o Estado vai voltar ao mercado para emitir uma nova linha de Bilhetes do Tesouro no próximo dia 19 de Janeiro, que terá maturidade em 20 de Janeiro de 2020. O montante indicativo fixado é de 750 milhões de euros. Sabe-se que entretanto já recorreu à colocação de dívida, fora do mercado, vendendo 1,1 mil milhões de euros alegadamente à China e vai ter de voltar ao mercado ainda muitas outras vezes, para conseguir os cerca de 40 mil milhões de euros de financiamento de que necessita este ano. dn e dn Os dados oficiais mostram que cada português vai pagar cerca de 3900 euros este ano por conta das amortizações de dívida pública e em juros pelos créditos mais antigos. A factura vai subir 435 euros por pessoa, quase 13% face a 2010, numa altura em que tudo aponta para uma nova recessão, para mais desemprego e para uma forte moderação salarial, como mostram os cálculos do DN com base em dados do Governo publicados no Orçamento do Estado. Isto é, os portugueses vão desembolsar mais, quer pelos juros, mais 27% ou 593 euros em 2011, quer pela dívida que tem de ser saldada ou amortizada.
Cortes nos apoios sociais, nos salários da função pública, na prestação de serviços públicos, o congelamento de pensões e a forte subida de quase todos os impostos são, no fundo, as medidas que servirão para o Estado cumprir esse desígnio: ser bom pagador.dn
Algo que nós sabemos que não é.

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