quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

O alarme da dívida disparou...

A bóia
Já passou à história que Teixeira dos Santos nem às paredes confessa o que tem sofrido nos confrontos com José Sócrates. Mas esta semana foi demais.
Ao sair da reunião do Ecofin, com os ministros das Finanças da UE, o ministro português suplicou que a Europa se despache a desbloquear os novos mecanismos de ajuda. Traduzido para português corrente, Teixeira dos Santos disse isto: atirem-nos a bóia, porque estamos mesmo, mesmo a afogar-nos.
Mas José Sócrates acha que não. Diz que a economia está a reagir melhor do que ele tinha previsto.
Pasme-se: o Primeiro-ministro congratulou-se com a evolução do último trimestre, exactamente na semana em que o governador do Banco de Portugal veio desfazer as ilusões: entrámos em recessão. Ponto final.
Cavaco Silva chamou Teixeira dos Santos a Belém, um dia depois de ter recebido o presidente da Comissão Europeia.
E os sinais estão lá todos: caminhamos a passos largos para a ruptura.
Mas Sócrates não quer pedir ajuda ao FMI. Só aceita ajuda do Fundo Europeu.
Há alguém que lhe explique que a diferença é, cada vez mais, nenhuma?
E que levar o país para o abismo pode ser crime público? por Ângela Silva no Pagina 1
Recorde-se que
No último trimestre do ano passado, o PIB português caiu 0,3% em relação ao trimestre anterior, porque as medidas de austeridade se começaram a fazer sentir nessa altura (recorde-se que Pinto de Sousa só no fim de Setembro acordou para a gravíssima crise do desequilíbrio financeiro externo do país). Ora a austeridade foi muito reforçada no Orçamento para 2011. Só por milagre o PIB não descerá de novo no primeiro trimestre deste ano, o que tecnicamente configura uma recessão.

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