quinta-feira, 2 de março de 2017

…sempre que se fala em offshores a reacção popular é “puxar da pistola”.

Não vou discutir se bem ou mal – até acho que, em muitas circunstâncias, há todas as razões para puxar mesmo da pistola –, estou apenas a constatar que se trata de um terreno ideal para toda a demagogia. E para o mais rasteiro populismo, mas já lá irei.
Comecemos pela demagogia.
Não houve 10 mil milhões de euros “a sair pela porta do cavalo”, como acusou Catarina: houve 10 mil milhões cuja saída (legal até ver) foi comunicada pelos bancos mas não foi devidamente registada pela máquina fiscal. Esses 10 mil milhões nunca pagariam o SNS, pois se houver algum imposto devido (e pode não haver) estaremos a falar de alguns milhões de euros, no máximo.
Os 10 mil milhões também não “fugiram” do país, como disse Costa: pelo menos uma boa parte deles destinou-se a pagar operações comerciais, informou o seu secretário de Estado. E ninguém podia “verificar o que aconteceu” a dinheiro que, na altura, não aparecia registado no sistema informático.
Sobretudo nada disto tem a ver com o combate à evasão fiscal e à cobrança de dívidas fiscais, algo que melhorou muito nos últimos anos a todos os níveis da máquina fiscal.

Em contrapartida, tudo isto tem a ver com uma insinuação soez: a da conivência com a fuga ao fisco dos “grandes”. (in “Populismo? Quem disse que a peste não tinha chegado a Portugal?” por José Manuel Fernandes)

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