terça-feira, 7 de março de 2017

o Costa sabe-o!

Na noite em que perdeu as eleições, António Costa foi “virtuoso” no sentido em que Maquievel usou o termo no Principe. Levantou uma questão central da vida política: Tenho uma oportunidade para conquistar o poder? E percebeu que tinha. […] Um novo governo do PSD e do CDS seria uma enorme ameaça ao poder da esquerda, sobretudo do PCP, no aparelho do Estado.
Domesticada a extrema-esquerda, Costa lidou com a eleição presidencial da melhor maneira. Aliado às esquerdas radicais no parlamento, precisava de uma figura moderada e do PSD em Belém; por isso, fez o necessário para ajudar a eleição de Marcelo Rebelo de Sousa.
O Costa está assim no centro de duas alianças políticas. Tem uma maioria de esquerda no parlamento e fez um mini bloco central com o Presidente, empurrando o PSD e o CDS mais para a direita, num país desequilibrado para a esquerda (por isso estamos como estamos, endividados, sem capital e empobrecidos).
Apesar dos gritos e das indignações da direita, a curto prazo, Marcelo não tem condições políticas para mudar o seu comportamento. E o Costa sabe-o.
[…] na Europa a situação também se tornou favorável para o governo. As políticas monetárias do BCE permitem a ilusão do que a crise acabou e o suficiente para o governo reverter algumas das medidas mais impopulares do último governo de direita. A política de juros baixos e de injeção de dinheiro nos mercados serve sobretudo para ajudar os países mais endividados, como Portugal e a Itália. Draghi tudo fará para continuar a auxiliar o seu país e apoiando a Itália, ajuda Portugal.
em ano de eleições […] a evolução política na Europa pode ser ainda mais favorável para o Costa porque a geringonça colocou o PS numa situação invejável para a maioria dos partidos da esquerda moderada na Europa.
Em Espanha, o PSOE está a lutar para continuar a ser o maior partido de esquerda.
Em França, o partido socialista está a chegar ao fim (mais em baixo).
Em Itália, o Partido Democrata dividiu-se.
No Reino Unido, os Trabalhistas foram raptados por grupos de trotskistas. Apenas na Alemanha, o SPD parece estar em condições de regressar ao poder, depois da chegada de Martin Schulz à liderança.

E as eleições na Alemanha (e em França) podem ajudar o Costa e a geringonça. (in “E as coisas podem continuar a correr bem a Costa” por João Marques de Almeida

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