quarta-feira, 26 de setembro de 2018

taxistas e tachistas...

em princípio, os políticos deviam estar com os taxistas. Reparem:
é uma massa relativamente importante de empresários e de trabalhadores que beneficiam de um monopólio público e das respectivas rendas, e que a qualquer governo poderia interessar ter como clientes satisfeitos. Os taxistas não são funcionários públicos, mas é como se fossem. Mais: estão concentrados nas cidades, cujo trânsito podem bloquear ou perturbar. São o tipo de classe profissional capaz de proporcionar à elite política todas as razões para cedências. Seria fácil, aliás, tratar as plataformas electrónicas como exemplos de “capitalismo selvagem”. O esquerdismo primário que hoje em dia passa por ciência nas universidades dispõe, para o efeito, da necessária doutrina sobre a “uberização da economia”.
Era o que se poderia esperar: a classe política portuguesa tornou-se há muito a guardiã das “realidades que vêm de trás”, para usar uma expressão do presidente da república, desde o que ficou do corporativismo salazarista até ao que sobreviveu do PREC gonçalvista. 

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