segunda-feira, 21 de junho de 2021

O código de … Cabrita

Reconstrução do trajecto do carro de Eduardo Cabrita do Centro de Formação da GNR em Portalegre até ao local do acidente na A6, ao km 77,6, no sentido Estremoz-Évora, junto ao nó nascente da auto-estrada, próximo de Azaruja (São Bento do Mato) em 18-6-202
O carro em que seguia o ministro Eduardo Cabrita despistou-se e atropelou mortalmente um trabalhador apeado de 43 anos que executava serviços de manutenção, devidamente sinalizados, na berma da via da A6, ao quilómetro 77,6, junto ao nó nascente, próximo de Azaruja (São Bento do Mato), no sentido Estremoz-Évora, ontem, 18-5-2021, pelas 13:10 (TVI24).
Não foi noticiado a que horas o ministro partiu do Centro de Formação da GNR, em Portalegre. Mas, como a TVI, passou imagens do evento a que o ministro foi, não será difícil à estação saber a que horas o ministro partiu. E se a comitiva teve alguma paragem no caminho, o ministro certamente que a indicará.
Como o tempo de viagem, segundo o Google Maps, é de cerca de 58 minutos (ver reconstituição), não é provável que o ministro tenha almoçado em Portalegre, pois o almoço teria de haver terminado cerca das 12:12.
Por outro lado, Lisboa fica a cerca de 1:45 horas do local do acidente (de acordo com o Google Maps) e a cerca de 2:43 do evento em Portalegre.
Não é crível que o comandante do Centro de Formação não convidasse o seu ministro para almoçar na cantina do quartel. Portanto, o ministro, bom garfo, há de ter marcado o almoço para um restaurante na viagem, pois de outro modo sujeitava-se, e à sua comitiva, a almoçar em Lisboa, cerca das 15 horas. Não é verosímil que a barriga do ministro Cabrita aguentasse tanto jejum.
Uma hipótese de trabalho é de que o restaurante onde a comitiva tivesse marcado o almoço fosse a meio caminho. Por exemplo, em Évora, onde há mesas com estrelas Michelin. Era sexta, os ministros costumam fazer abrir o fim de semana mais cedo, e a tarde estaria possivelmente livre.
Porém, o Inconveniente apurou que dos restaurantes eborenses estrelados, no Degustar e no Dom Joaquim, não estava prevista receber a comitiva, e no Origins responderam que não estavam autorizados a fornecer essa informação por causa da lei da protecção de dados. Ainda pensámos em alegar que éramos ativistas russos, mas desligaram-nos o telefone.
Até agora, o ministro não deu a cara sobre as circunstâncias do acidente, nem providenciou informação alguma. A primeira nota fornecida pela GNR indicava que o ministro não seguia no BMW de alta cilindrada que teve o acidente.
Como perguntar para informar o público é o serviço do jornalismo, o Inconveniente fura o bloqueio censório e pergunta:
Qual era a velocidade permitida naquela zona onde decorria a manutenção assinalada?
A que velocidade seguia na altura do acidente o carro do ministro e a sua comitiva?
O carro oficial do ministro Eduardo Cabrita, titular da Administração Interna, responsável pelas polícias e o cumprimento do Código da Estrada, observa as regras de circulação, nomeadamente a velocidade máxima de circulação em cada troço?
Quais as instruções que o ministro impõe ao seu motorista e escolta sobre o cumprimento do Código de Estrada e a velocidade da sua viatura e quais deu especificamente nesta viagem de volta de Portalegre a Lisboa?

O Inconveniente irá investigar este caso. E pede aos leitores que nos enviem informação, cujo sigilo de origem garantimos, para jornalinconveniente@protonmail.com.

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