quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

O novo PREC (Processo de Reversão Em Curso)

A prazo, com a inevitável subida das taxas de juro, voltaremos a chamar uma troika para nos salvar, tal como em 1983 tivemos de chamar novamente o FMI, quatro anos depois do fim do primeiro resgate.
E voltarão a dizer-nos que, quando estávamos no bom caminho, veio uma crise internacional e lixou tudo.
Infelizmente, [com a “saída limpa”] ao contrário do que sucederia com um programa cautelar formal, deixámos de ter quem nos vigiasse, estabelecesse limites e impusesse um caderno de reformas a fazer.
O governo anterior agradeceu e, a partir de 2014, trabalhou para ganhar as eleições, ao mesmo tempo que passava uma imagem de responsabilidade. Ou seja, o governo andou em campanha durante pelo menos um ano.
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Ironicamente, é agora o governo de Costa que beneficia da margem de manobra que este “programa cautelar” do BCE lhe dá. Mas em vez de usar a usar para corrigir o que tem de ser corrigido, indo mais longe onde é possível, como no ataque às rendas das PPP e de alguns monopólios e oligopólios, limita-se a andar para trás, criando todas as condições para que o passado recente se repita.
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Em vez de prudência, o governo de Costa dá-nos um PREC (Processo de Reversão Em Curso) apressado:
Num só ano, reverte (parcialmente) a sobretaxa de IRS. Reverte o horário de trabalho da função pública. Reverte os cortes salariais na função pública. Reverte privatizações (ainda por cima, de empresas que davam imenso prejuízo). Reverte o IVA na restauração. Reverte metade da Contribuição Extraordinária de Solidariedade, que já só se aplicava a pensões acima de 4500€. Mais grave, reverte a discussão que se começava a fazer sobre a sustentabilidade da Segurança Social..
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É possível que tudo corra bem. Que as taxas de juro continuem baixíssimas por muito tempo. Que o baixo preço do petróleo continue a ajudar as nossas contas externas. Que os nossos parceiros cresçam tanto que queiram comprar ainda mais o que produzimos. 


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