sábado, 3 de março de 2018

partidos políticos e eleições Itália para memória futura...


Os partidos da direita incluem, além da Forza Italia, os radicais da Irmãos de Itália e da Liga, ambos partidos separatistas, um ligado ao norte e outro ao sul do país, com raízes neofascistas e intenções de reduzir drasticamente a imigração.
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FORZA  ITALIA
Sílvio Berlusconi, líder do Força Itália, está impedido de concorrer nestas legislativas, mas isso não o tem impedido de participar na campanha eleitoral.
O antigo primeiro-ministro, de 81 anos, foi condenado em 2013 por fraude fiscal e só poderá voltar a concorrer a cargos políticos em 2019.
O partido que lidera tem feito da reforma fiscal e da redução transversal dos impostos as suas principais bandeiras.
Berlusconi defendeu a introdução de uma taxa única de imposto de 23%, aplicável quer aos rendimentos quer ao consumo. O objetivo, a cumprir ao longo da legislatura, será baixar a taxa única para 20%.
Matteo Renzi, do PD, reagiu de imediato à proposta, lembrando que Berlusconi nunca a pôs em prática nos três mandatos em que esteve à frente do governo italiano. E lembrou quanto poderia custar aos cofres do Estado: “Uma taxa única de 15% custaria 95 mil milhões de euros e uma de 20% custaria 57 mil milhões."
A proposta de Berlusconi representa um reforço da aliança com a Liga Norte, da extrema-direita. A taxa única de imposto de 15%, a que Renzi aludiu, é uma das propostas mais antigas da Liga, que se opõe às atuais taxas de imposto progressivas, que chegam a 43%.
Outro ponto de união entre o Força Itália, a Liga Norte e os Irmãos de Itália é a política de imigração. O partido de Berlusconi é frontalmente contra a imigração e acusa a esquerda de Renzi de “ter criado um problema que agora não consegue resolver”.
Numa entrevista, que deu esta semana ao canal de televisão Retequattro, Berlusconi criticou a política de “portas abertas” do país e anunciou que pretende iniciar um processo de expulsão dos mais de 600 mil imigrantes “em situação irregular” no país.
Berlusconi referiu-se à imigração como “uma bomba social prestes a explodir” e disse que os imigrantes “vivem de expedientes e do crime”.
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Por que é que o líder do partido Forza Italia, que foi primeiro-ministro quatro vezes mas está impedido de se candidatar ao lugar por ter sido condenado a dois anos de prisão por fraude, é considerado uma força positiva nas eleições? O “pai de todos os populismos”, como o ex-primeiro-ministro – um que nunca foi eleito - Mario Monti lhe chamou numa entrevista ao Le Monde, é visto por alguns analistas como uma presença estabilizadora da economia desequilibrada de Itália, uma das maiores economias da Zona Euro e um país cujos choques podem facilmente impactar todos os países da moeda única, e a força da própria moeda.
Berlusconi está a ser acolhido com “alívio”, escreve o analista Alberto Mingardi, diretor-geral do think tank italiano Instituto Bruno Leoni, no Politico, porque o ex-primeiro-ministro, enquanto líder do Forza Italia (cujo nome surge em grandes letras no logótipo partidário) vai poder controlar os representantes eleitos por este grupo, e os parceiros internacionais “veem-no como uma segurança na eleição”. Isto porque Berlusconi, “que diz que a Itália deve cumprir os objetivos orçamentais e reduzir os impostos mas sem aumentar o défice, parece a escolha de confiança”. Afinal, “a retórica de Berlusconi podia ser exagerada, mas as políticas que pôs em prática nunca o foram”.
No entanto, Berlusconi não tem tido medo de se aproximar da direita mais radical em temas como a imigração. O seu partido, Forza Italia, defende o fim da entrada de imigrantes, e tenciona expulsar 600 mil imigrantes ilegais se chegar ao Governo em coligação. Após um tiroteio em que morreram seis africanos em Itália, alvejados por um extremista de direita, Berlusconi reagiu repetindo a promessa de expulsão de imigrantes e, citado pelo The Guardian, disse que havia uma “bomba social à beira de explodir”.

LIGA NORTE
O partido, que defende maior autonomia para as regiões italianas, em especial, para o norte do país, pode vir a causar grandes dores de cabeça à União Europeia.
O líder do partido, Matteo Salvini defende a saída de Itália da UE. Salvini considera o euro “a moeda alemã” que tem causado danos a todos os outros países europeus e, em particular, à economia italiana.
O manifesto da Liga Norte afirma que Itália deve abandonar o clube dos 27, a não ser que o país consiga renegociar os tratados com a UE.
"Queremos permanecer na UE apenas se pudermos renegociar todos os tratados que limitam a nossa soberania plena e legítima. Na prática, o que queremos é voltar a adoptar os princípios da união económica europeia, anteriores ao Tratado de Maastricht", pode ler-se no manifesto.
As últimas sondagens revelam que o Liga Norte pode recolher 14% dos votos nas eleições do próximo domingo.
O acordo entre Berlusconi, líder da Força Itália e Salvini, da Liga Norte estabelece que se o “bloco” de direita ganhar as eleições, o líder do partido que recolher mais votos terá direito a nomear o primeiro-ministro e a definir a agenda política.

IRMÃOS DE ITÁLIA
O partido foi criado em 2012, na sequência de uma dissidência da coligação Povo da Liberdade, liderada por Berlusconi. A líder do partido, Giorgia Meloni fez parte do quarto executivo do antigo primeiro-ministro: entre 2008 e 2011 foi ministra das Políticas da Juventude.
A ex-jornalista chegou à liderança do partido em 2014, depois de se ter distinguido na oposição às políticas do ex-primeiro-ministro Mario Monti, um tecnocrata, ex-Comissário Europeu que assumiu o cargo após Berlusconi ter resignado.
Nas legislativas de 2013, o Irmãos de Itália conseguiu apenas 2% dos votos. Agora, concorre com o Força Itália, considerado por muitos o “aliado natural”.

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À esquerda, o partido de Matteo Renzi, com Gentiloni como candidato é o Partido Democrático (PD), que tem liderado a recuperação recente da economia italiana mas não consegue, com isso, obter apoio significativo junto dos italianos e o Livres e Iguais de Pietro Grasso.
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PARTIDO DEMOCRÁTICO
O partido que está no poder concorre a estas legislativas com uma agenda política vista como “conservadora” pelos analistas políticos.
O líder do partido, Matteo Renzi, tem tentado fazer valer junto do eleitorado o leve crescimento da economia durante a legislatura do PD que agora termina, aliada à queda ligeira do desemprego.
No plano europeu, o Partido Democrático defende a ligação do país à UE. Enquanto foi primeiro-ministro, Renzi cultivou boas relações com a chanceler alemã, Angela Merkel.
Para lá dos trunfos económicos, o PD tenta também conquistar votos entre os apoiantes do atual primeiro-ministro, Paolo Gentiloni, cujos índices de popularidade estão bem acima dos do líder do partido.
Renzi foi derrotado no referendo constitucional de 2016, o que levou à sua demissão. Desde então, não conseguiu recuperar a popularidade que já conheceu junto do eleitorado italiano. Ao que tudo indica, o seu partido dificilmente conseguirá alcançar os resultados que levaram à sua eleição em 2014.
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LIVRES E IGUAIS
Criado em Dezembro passado pelo atual presidente do Senado italiano, Pietro Grasso, o Livres e Iguais assume-se como um partido de centro-esquerda que quer ser alternativa ao PD de Renzi.
Grasso goza de alguma popularidade a nível nacional, graças à sua carreira como procurador e à luta que levou a cabo contra a Máfia Italiana, a Cosa Nostra.
Sem programa muito definido, o principal argumento do Livres e Iguais é reunir todos os dissidentes e descontentes com o Partido Democrático. As sondagens apontam para que obtenha 6 a 8% das intenções de voto.
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Na extrema-esquerda o partido que parece ter mais intenções de voto, porém, é mesmo M5S - MOVIMENTO 5 ESTRELAS,
Fundado por Beppe Grillo e atualmente liderado por Di Maio. As suas propostas são as comuns de um partido populista e contra as regras instituídas: pretende instituir um rendimento mínimo de 780 euros, aumentar o défice, deitar fora “leis inúteis” que incluem as do trabalho e das pensões. Sem se posicionar nem à esquerda nem à direita, o movimento reúne votos de protesto de quem não vê as suas preocupações refletidas pelos partidos no espetro comum da política.
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Concorre isoladamente e as sondagens conhecidas apontam-no como o “primeiro partido de Itália”.
Sem uma tendência ideológica muito definida - tanto defende medidas consideradas de extrema-esquerda, como a saída da União Europeia, como políticas associadas à extrema-direita, sobretudo medidas anti-imigração.
O atual líder do movimento, Luigi di Maio, é uma das estrelas ascendentes da política italiana. Tem 31 anos e, num espaço de cinco anos, deixou de ser mais um nome a engrossar as listas do desemprego para se tornar vice-Presidente da Câmara dos Deputados.
Luigi di Maio frequentou os cursos de engenharia e direito na Universidade de Nápoles, mas não chegou a terminar nenhum e estava sem trabalho quando se juntou às fileiras do "5 Estrelas".
Agora, é líder da força política que se diz anti-sistema e pretende formar governo ou, pelo menos, alcançar votos suficientes para poder entrar num executivo de coligação.
Embora ainda não tenha definido futuros parceiros de governo, o 5 Estrelas admite forjar alianças logo que sejam conhecidos os resultados.
O Movimento 5 Estrelas é conhecido pelas posições eurocépticas e chegou mesmo a defender a realização de um referendo em Itália sobre a pertença à UE. Entretanto, Luigi di Maio retratou-se e declarou que “não é o momento certo para a Itália abandonar o euro”. Disse, também, esperar evitar o referendo, algo que agora encara como “o último recurso”.
A imigração é outro tema forte para o movimento, que reclama o “fim do serviço de táxi marítimo” para os imigrantes do Norte de África.
Se chegar ao governo, o 5 Estrelas promete revogar mais de 400 leis atualmente em vigor, entre elas, a que proíbe os pais de não vacinarem os filhos. O movimento (a par com a Liga Norte) defendeque os pais não devem ser forçados a vacinar os filhos.


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