quarta-feira, 29 de outubro de 2014

…e depois admiram-se que o “outro” lhes chame preguiçosos!

(extracto da entrevista em 22-10-2014 2:59 por Raquel Abecasis, em Nova Iorque)

Há casos portugueses?
No caso português já há dois ou três, sobretudo raparigas, que se deixaram encantar pelo entusiasmo dos noivos ou por um espírito de aventura, que agora estão a querer voltar. [No total] Há 12 ou 15 [portugueses no Estado Islâmico], não sabemos exactamente bem, mas é um número muito reduzido.
Essas duas ou três jovens pediram apoio ao Ministério para regressar a Portugal?
Não pediram apoio ao Ministério. Isto não se passa nada em termos burocráticos, de requerimento, de pedido de apoio, passa-se através das famílias.
Mas precisam de autorização para poderem regressar?
Tal como não tiveram autorização para sair, também não pedem autorização para voltar, mas depois temos um problema de saber…
Estão registados. E quando quiserem entrar no país?
Sim, esse é um dos problemas que temos e é um problema que não podemos ignorar, porque não podemos deixar que as pessoas voltem sem fiscalização. Neste momento, em Portugal, esse problema não se põe com nenhuma acuidade, porque o número é ainda muito restrito.
Mas já há casos de pessoas que querem voltar a Portugal?

Há dois ou três casos que os pais dizem que querem voltar. Não temos ainda um conhecimento seguro sobre isso. Não vai ser apenas um problema do Ministério porque envolve vários ministérios, desde o Ministério da Saúde, porque, muitas vezes, essas pessoas precisam de tratamento, apoio psicológico. Depois, há problemas de polícia. Teoricamente, sabe-se que houve casos de pessoas que cometeram crimes e esses crimes têm que ser analisados e avaliados se são susceptíveis de processo penal nos próprios países. Há um conjunto muito complexo de circunstâncias que têm de ser analisadas devidamente.

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