sábado, 21 de fevereiro de 2015

saida de sendeiro…

Recapitulemos:
1 - A promessa eleitoral do Cipras era que iria renegociar a dívida, obter um perdão substancial e formar uma coligação de convocasse uma conferência europeia sobre as dívidas soberanas
mas
o acordo diz taxativamente que a República Helénica se compromete a honrar as suas dívidas e os seus prazos de pagamento.

2 - Cipras proclamou que o memorando tinha acabado e troika também.
mas
no acordo o que ficou escrito foi que o “memorando” se passa a chamar Master Financial Assistance Facility Agreement (MFAFA) ou “o actual acordo” e a troika, nome inventado e propagado pelo nosso reviralho, muda de nome para “as instituições” que continuarão a ser o BCE, a CE e o FMI e, claro, os técnicos (da troika) que costumavam visitar Atenas vão continuar a visitar e a vigiar Atenas.
Quanto ao dinheiro, esse só voltará a fluir para a República Helénica quando “as instituições” e o Eurogrupo o aprovarem.

2 - Na primeira reunião do Governo Helénico, realizada com as televisões a transmitirem em directo, foram anunciadas medidas como o imediato aumento do salário mínimo ou a suspensão das privatizações.
mas
no acordo com o Eurogrupo, a Grécia aceitou que não tomará “medidas unilaterais”.

E agora, o que se segue?
Porque o “acordo” é apenas um pré-acordo, o governo helénico, de extremas direita e esquerda, terá de ser "vendido" aos seus próprios deputados e aos seus votantes.
Algo que para quem leu The Pig’s Farm de Orwell parece fácil
mas
no final de Abril haverá nova avaliação, pouco antes de o período de extensão do financiamento caducar no final de Junho e
em Julho e Agosto quando a República Helénica terá de pagar 6.9 mil milhões de euros dos empréstimos vencidos.
Aqui já começará a ser dificil aplicar as premonições de Orwell. (JMF in Observador)

Em Outubro haverá eleições em Portugal, depois serão as da Espanha e antes destas os eleitores ditarão as da Finlandia…

Até lá…

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