quinta-feira, 10 de setembro de 2015

análises ao debate Passos-Costa

O que realmente foi substantivo neste debate foi a frase de Costa para Passos: “Porque não vai lá a casa debater com Sócrates?” Nesse momento, no Bairro dos Actores, percebeu-se, e no Largo do Rato também, que Costa não só deixou cair Sócrates como não está disposto a perder um voto que seja por causa do antigo líder socialista. (Helena Matos)
António Costa tinha de ganhar. Mas Costa, como certos artistas, não gosta de facilidades. Por isso, tornou as coisas ainda mais difíceis para si próprio, ao começar com a negação de uma série de evidências: qualquer governo teria feito crescer a riqueza sob o programa de ajustamento; foi o PSD quem chamou a troika; para viabilizar a segurança social, basta manter as contribuições. Passos foi, como sempre, muito explicativo e não falou do que iria fazer, mas pôde desmontar quase tudo: o decréscimo de riqueza em Portugal foi menor do que em outros países sujeitos a ajustamento; foi o PS quem chamou a troika, porque o país não tinha financiamento, e por isso também o PS, até 2011, cortou salários e aumentou impostos; até o PS admite diversificar as fontes de financiamento da segurança social. (Rui Ramos)
A que partido é que este debate equivalente serviu mais? Passos Coelho tinha de ser claramente destronado, e não foi. Mas Costa foi tão credível como o Primeiro-Ministro, mostrando-se à altura do chefe de governo em todos os dossiers. (Marina Costa Lobo)
Santo Deus, o que terá passado pela fervilhante cabeça de António Costa? Não sei se o ouviram: troika, troika, troika; e mais troika, troika, troika; e ainda, para quem tivesse abandonado a sala por minutos para voltar a encher a chávena com café, troika. Quem suspirou pela troika? Pedro Passos Coelho. Quem negociou com a troika? Pedro Passos Coelho. Quem teve vontade de ir ao Bairro Alto tomar um copo com a troika? Pedro Passos Coelho.
Já perto do final do debate, o líder do PS ficou tão incomodado com as referências ao seu “ante-antecessor” (peço desculpa, a palavra, se é que se pode chamá-la assim, não é minha) que perguntou a Passos Coelho, com comovente indignação: “Porque é que não vai lá a casa debater com José Sócrates?”. A resposta a essa angustiante pergunta seria simples: porque, graças ao próprio António Costa, não é preciso. (Miguel Pinheiro)
António Costa falou bastante menos (cerca de 4 minutos menos), mas pareceu ter falado bastante mais. Melhor indicador não é possível. Hoje as hostes socialistas terão uma noite de alegria. As hostes da PàF devem estar a pensar que mais valia Passos Coelho ter ido debater com Catarina Martins, guardando Paulo Portas para este debate decisivo. Como representante da esquerda, elegi o canal público. Se vos parecer que viram o debate diferente do meu é porque, provavelmente, viram o debate num canal privado. (Luis Aguiar Conraria)
Na forma António Costa esteve melhor. Teve a iniciativa, foi mais eficaz no discurso e procurou, dentro do possível, reagir ao passado que o ligava ao anterior Governo do PS.
No conteúdo, mais equilibrado porque Passos conseguiu transmitir as principais mensagens que levava de forma mais acutilante. Associar Costa a um regresso ao passado, relembrar a incerteza e a posição do PS face à Grécia e colar à campanha do PS muitas promessas populistas de que as pessoas já não acreditam. (Luís Bernardo)

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