quinta-feira, 19 de setembro de 2024
Doadores!!!
Eloquente.
Isto é apenas para cumprir os limites legais que, coitados, são letra morta.
(João Gonçalves)
(João Gonçalves)
domingo, 15 de setembro de 2024
Francisco Lucas Pires
Nenhuma outra figura foi intelectualmente tão relevante para a afirmação da direita liberal em Portugal como Francisco Lucas Pires.
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Forjado numa família que reunia formação clássica e espírito de liberdade, tornou-se um constitucionalista inovador, um jurista criativo, um político de dimensão intelectual rara à escala nacional e europeia – e, acima de tudo, um cidadão inconformado com o destino de Portugal.
(O Príncipe da Democracia de Nuno Gonçalo Poças)
quinta-feira, 12 de setembro de 2024
deixar-se ir e ficar...
Z. Zagalo dizia, a respeito da carreira do sogro do conde d’Abranhos, que o desembargador Amado «deixou-se ir e chegou». É, talvez, a expressão que tudo define. Eça de Queirós não era um sociólogo, terá sido mesmo, de certa forma, injustamente olhado como um retratista de época, que o foi menos do que um observador atento de certos tipos de cidadão português que têm percorrido épocas, regimes, sociedades, modas. «Deixar-se ir e chegar» é a frase definidora de uma certa, e naturalmente generalizada, categoria de elite portuguesa, como quem alcança sem esforço e sem glória, sem saudade e sem registo, embalada por uma conjuntura imutável toda ela feita de gente que se deixa ir e lá vai chegando, em socorro e amparo dos demais imbecis espíritos de Corte, naturalmente extractivos, vulgarmente solidários com a estupidez dos congéneres.
Recordei-me, por estes dias, e a propósito já nem me lembro bem de quê, do saudoso Artur Baptista da Silva, um burlão a quem alguma comunicação social deu – por alturas, evidentemente, do Governo de Passos Coelho – o palco necessário para ensaiar uma narrativa, em benefício de uma agenda política vastamente apreciada na imprensa nacional. O desgraçado aldrabão seria depressa descoberto e não houve, porque nem tudo é tão mau assim, hipótese de o salvar, não sem antes ter direito a largos minutos televisivos, crónicas laudatórias das suas teses, e mesmo a fornecer uma entrevista para uma secção de um jornal (chamada, acertadamente, ‘Vida Inteligente’), a tempo salva de saltar para as bancas e para a eternidade das hemerotecas – tudo possível na medida em que o charlatão, mais vítima que culpado, teve apenas o mérito de embasbacar a cretinice que lhe deu então voz e relevância.
Baptista da Silva não terá percebido, sabe-se lá por que razões, que não precisava de mentir, invocando ocupações profissionais e condições académicas falsas, para se elevar ao patamar da importância pública portuguesa. Exemplos de casos de sucesso, em tonalidades semelhantes às do burlão, sobejam, sem a necessidade da burla descarada, e até já com selos académicos verdadeiros que lhe podiam ter sido oferecidos a troco da difusão da agenda política certa e apreciada. Artur tinha as ideias certas para vingar. Faltou-lhe, talvez, a astúcia necessária. Ter-lhe-ia bastado ser franco, afirmar solenemente e a quem de direito a sua falta de pergaminhos, impôr-se aos almoços certos, sorrir muito, irradiar o seu charme de asno, enfim, existir, pastando, deixar-se ir e, por fim, chegar.
Artur não resistiu à fantochada que o próprio não impôs a ninguém, mas que lhe foi proporcionada. Sobreviveram-lhe os proporcionadores, num país onde tudo se tolera com esporádicos esperneares cívicos, como um boi que, estando impregnado de moscas, sacode, de quando em vez, a cauda para espantar uma ou outra.
Parece haver, em quase tudo, uma certa indisponibilidade para o levantamento da moral colectiva. Talvez mais por falta dessa mesma moral, o que é uma fatalidade; mas, por outro lado, por uma certa e melancólica apatia burguesa que nos afasta de outros patamares de actuação, o que é uma fortuna: afinal, a melancolia é o que nos salva da desgraça revolucionária. Mas entre a revolução e a inércia subsiste, intocável, um oceano de oportunidades. Julgo que lhe chamam reformismo. E que me parece já impossível de alcançar. É que, neste regresso de férias e princípios de Outono, enquanto os Baptistas da Silva homologados e os deputados da Nação, boa parte ainda sem biblioteca, discutem o Orçamento do Estado, os desenhos políticos do futuro, os «cenários», em análises infinitas, todas estas coisas me parecem inúteis e irrelevantes, sem conteúdo histórico ou pertinência intelectual, não se vislumbrando em toda esta cacofonia uma ideia, uma filosofia, um futuro. A melancolia e a apatia começam a parecer-me melhor refúgio, confesso. Pelo menos neste sítio onde tudo corre sem sobressaltos e todos parecem desejar, somente, deixar-se ir e chegar. O leitor perdoará.
terça-feira, 10 de setembro de 2024
segunda-feira, 9 de setembro de 2024
Lei da Rolha
MARCELO DE TELEGRAM
O que impressiona já não é a lei da rolha, mas sim a desfaçatez política de quem apregoa que a lei é igual parta todos. Obviamente, não é, sobretudo para quem tem eventualmente algo a esconder.
Uma coisa é Donald Trump, outra é Marcelo Rebelo de Sousa.
É assim que a esquerda fandanga continua a gritaria sobre o controlo das redes sociais.Que o diga o Marcelo Rebelo de Sousa que ficou a salvo do escrutínio, segundo despacho do milionário presidente da Assembleia da República:
domingo, 8 de setembro de 2024
Milhares de pessoas terão sido assassinadas a tiro, catana, queimadas vivas…
O 7 de Setembro de 1974 em Moçambique tem muito de perturbante. Mas o facto de sabermos tão pouco sobre o que ali aconteceu nessa data também.
até quando o activismo vai impor o medo de perguntar?
Milhares de pessoas terão sido assassinadas a tiro, catana, queimadas vivas… Talvez tenham sido três mil. Talvez mais. Talvez menos. Dificilmente sairemos do domínio das estimativas porque nunca houve a preocupação de saber o seu número ou as circunstâncias da sua morte. Eram brancas, negras, asiáticas, mestiças.
Em Portugal, nos jornais, nas rádios e na televisão nunca houve dúvidas: tratou-se de uma “aventura colonial da última hora” por parte da “miuçalha branca” que ensombrou o “momento de júbilo”.
Comecemos pelo “momento de júbilo”? Estamos em Setembro de 1974.
Os portugueses são informados de que “ O Estado português, tendo reconhecido o direito do povo de Moçambique à independência, aceita por acordo com a Frente de Libertação de Moçambique a transferência progressiva de poderes que detém sobre o território nos termos a seguir enunciados.”
Ou seja, o que em Moçambique temiam, quer as minorias branca e oriental, quer os simpatizantes e dirigentes negros de vários partidos e movimentos nacionalistas, estava consumado: os moçambicanos, a quem menos de três meses antes Almeida Santos, ministro da Coordenação Interterritorial garantira um referendo para decidirem o futuro daquele território, iriam passar a viver numa república popular dirigida pela Frelimo. Como o ministro dos Negócios Estrangeiros, Mário Soares, declarara a 6 de Setembro ao chegar a Lusaka para firmar os acordos com a Frelimo: “a delegação portuguesa estava na Zâmbia para entregar o poder à Frelimo.” De facto era isso que estava a acontecer. É portanto este “o momento de júbilo”. E é aqui que começa a “última aventura colonial” protagonizada pela “miuçalha branca”.
A 7 de Setembro, o Rádio Club de Lourenço Marques é ocupado e passa a designar-se Rádio Moçambique Livre. Os ocupantes declaram-se contra o que definem como entrega de Moçambique à Frelimo. Entre os ocupantes do Rádio Club estão também líderes nacionalistas negros como Joana Simeão, Paulo Gumane e Uria Simango. Apelam à intervenção de Spínola, com quem alguns, na qualidade de membros da FICO (Frente Integracionista de Continuidade Ocidental), se tinham encontrado tempos antes no Buçaco. Aí, garantem, o Presidente da República ter-lhes-ia dito “Façam vocês qualquer coisa que mostre a vontade da Província, para eu vos apoiar.” Eles fizeram “qualquer coisa”. Mas em Setembro de 1974, com o Acordo de Lusaka já firmado, com Spínola cada vez mais fragilizado e obcecado com o futuro de Angola, era tarde demais para que o apoio do ainda presidente da República se pudesse fazer sentir. Os revoltos resistem até 10 de Setembro. Entretanto a violência explodira: violações, gente decepada, queimados vivos, linchados e vários desaparecidos.
Os acontecimentos do 7 de Setembro de 1974, a violência que os acompanhou e a vaga de repressão que lhe sucedeu marcam um antes e um depois: até ao final de Agosto de 1974, tinham deixado Moçambique 5 mil portugueses. Mas só nas últimas semanas de Setembro e primeiros dias de Outubro saem de Moçambique oito mil portugueses para a África do Sul. Em Lisboa começam a cair pedidos de transferência para a “metrópole” de professores, carteiros, funcionários dos caminhos-de-ferro, da aeronáutica, dos bancos. Em Dezembro, segundo revela Vítor Crespo, Alto-Comissário de Moçambique, em Lourenço Marques sobrava apenas um ginecologista e já nenhum ortopedista.
Simultaneamente a repressão cresce no território administrado por Portugal. O Alto-Comissário Vítor Crespo institui que questionar a representatividade da Frelimo é um crime contra a descolonização e um sinal de racismo. Militares e agentes de segurança portugueses desempenham um papel activo na detenção, interrogatório e entrega à Frelimo daqueles que se lhe opõem, nomeadamente de dissidentes da Frelimo e nacionalistas negros que participaram na revolta do 7 de Setembro. Por grotesca ironia a revolta em que os jornais só viam brancos não só teve a participação de dirigentes negros como estes pagaram com a vida o seu protagonismo nestes acontecimentos: Joana Simeão, Paulo Gumane e Uria Simango, além doutros dissidentes da Frelimo, seriam internados em campos de reeducação daquele movimento e queimados vivos mais tarde.. (No caso de Uria Simango a sua própria mulher, Celina, foi também morta.)
Mas a imprensa portuguesa em 1974 não tem dúvidas: no 7 de Setembro está-se perante uma “revolta dos colonos brancos”, uma “aventura colonial da última hora” protagonizada por “rebeldes brancos”, “miuçalha branca”, “grupúsculos”, “reaccionários”, “ultra reaccionários”, “racistas”, “colonialistas” … que ensombraram o “momento de júbilo” representado pela assinatura do Acordo de Lusaka.
Meio século depois o que surpreende não é que o 7 de Setembro de 74 em Moçambique tenha sido relatado assim mas sim a certeza de que hoje voltaria ser relatado assim. Porque, tal como aconteceu a propósito do 7 de Setembro de 74, não se trata tanto da imposição duma visão dos factos e do seu silenciamento mas sobretudo do poder de instituir o medo de perguntar. Do medo de ser rotulado. Do medo de passar para o lado dos controversos, que é meio caminho andado para passar a conservador e de conservador a reaccionário e de reaccionário a outra coisa qualquer já sem retorno social possível.
Por quanto tempo mais vamos ter de esperar para que se perca o medo de desmontar as efabulações sobre a escravatura como pecado do homem ocidental e branco que se tornaram uma espécie de mantra obrigatório?…
Meio século depois quantos crimes foram necessários para chamar ditador a Maduro?
Ou o que vai ser necessário para que deixe de ser visto como um risco denunciar a ideologia de género nas escolas?
E por quanto tempo mais vamos ter de esperar para que se perca o medo de desmontar as efabulações sobre a escravatura como pecado do homem ocidental e branco que se tornaram uma espécie de mantra obrigatório?…
sábado, 7 de setembro de 2024
o apoio aos jovens, do ensino obrigatório ao superior segundo Costa!
O regresso de Costa, em Évora, revelou um primeiro-ministro parado no tempo, fazendo um discurso político como se estivesse no século XX, em que os canais de distribuição informação eram limitados e muitas vezes facilmente manipuláveis.
Os truques com os anúncios e a manipulação dos números já não convencem os cidadãos, designadamente os jovens – que não emigraram! –, pelo menos aqueles mais lúcidos e informados que não engolem as promessas variadas, aliás, algumas das quais reveladoras de uma enorme falta de imaginação. (RuiCostaPinto )
As novas medidas de apoio e a que jovens se destina o plano socialista para impedir a fuga das novas gerações serão
Estudar em Portugal, trabalhar em Portugal e viajar em Portugal para "conhecer a diversidade e beleza do país"?
O presidente do conselho de ministros anunciou, no encontro do Partido Socialista, que o Governo vai aprovar um conjunto de medidas de apoia aos jovens, a começar pelos estudantes do ensino obrigatório ao superior e até aos primeiros anos de trabalho, em Portugal.
quinta-feira, 5 de setembro de 2024
conquista de Mascate no Reino de Ormuz
Neste dia [5 de Setembro], ano de 1507, desembarcou Afonso de Albuquerque no porto de Mascate do Reino de Ormuz, e venceu a resistência que lhe fizeram mais de quatro mil inimigos, que muito bem guarneciam e defendiam a sua Baía e a si mesmos com fortes tranqueiras e bastante artilharia. Mas o nosso valeroso e intrépido Albuquerque, dividindo a sua pouca gente em três terços, intentou e conseguiu o seu desembarque e desbaratou e pôs em fugida, depois de uma brava e porfiada peleja de mais de quatro horas, aos inimigos, desalojando-os da praia e do lugar que entrou e senhoreou por oito dias, dando descanso aos nossos Portugueses e enriquecendo-os com o despojo da terra, a que depois mandou por fogo e à sua famosa Mesquita. Custou-lhe esta vitória a morte de seis Portugueses. Com os mais se fez à vela em dezasseis do mesmo mês para Soar, povoação da mesma costa e do mesmo Rei de Ormuz, e mais defensável por ter uma boa Fortaleza; mas como primeiro lhe tivesse chegado notícia do valor dos nossos Portugueses, se rendeu pacificamente e fez tributários a El-Rei de Portugal. Continuou o nosso Albuquerque a mesma conquista e foi demandar a Vila de Corfação, terra mais forte e regular, e última do domínio de Ormuz na Costa da Arábia, e não obstante estar muito bem provida de gente e artilharia, foi tal o medo que conceberam com a nossa chegada, que a desamparando a terra, foi entrada pelos nossos, saqueada e queimada.
(Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.)
domingo, 1 de setembro de 2024
O Príncipe
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