reVISÕES
domingo, 13 de setembro de 2026
Resposta do Claude Anthropic à pergunta O CHEGA não está apenas a protestar?
10 anos depois podemos contabilizar as consequência da “geringonça”!
segunda-feira, 7 de setembro de 2026
Chamam-lhes extrema-direita enquanto o "seu" mundo desaparece...
Durante anos discutiu-se como chamar-lhes. Talvez esteja na altura de perguntar porque é que os eleitores lhes chamam.
Podemos continuar a chamar-lhes populistas, radicais, extremistas, fascistas, extrema-direita ou escolher qualquer outra palavra suficientemente assustadora para evitar a pergunta desagradável.
Quer à esquerda, quer à direita, estarão os velhos partidos - e, sobretudo, as ideologias políticas do pós-guerra que os sustentaram - a começar a desaparecer?
Talvez o fenómeno político europeu mais importante deste nosso tempo já não seja o crescimento dos chamados partidos “populistas”. Talvez seja a progressiva retirada do consentimento popular às respostas que os partidos tradicionais deram, durante décadas, às grandes questões europeias.
A Alemanha deixou ontem um aviso difícil de ignorar
Na Saxónia-Anhalt, a AfD venceu as eleições regionais de 6 de Setembro com 43,8% dos votos. Mais do dobro do resultado obtido em 2021. A CDU ficou reduzida a 17,2%.
Não estamos perante 8%, 12% ou mesmo 20% de voto de protesto. Estamos perante uma força política que se tornou, naquele Estado alemão, claramente maioritária em relação a qualquer dos partidos tradicionais.
E a evolução programática da AfD é igualmente instrutiva. A sua corrente na Saxónia-Anhalt já não se limita a exigir a expulsão de quem permanece ilegalmente no país. Questiona a dependência estrutural da Alemanha de trabalhadores estrangeiros, contesta a imigração como resposta permanente ao declínio demográfico e pretende reverter parte da liberalização das regras de nacionalidade.
O que está em causa já não é apenas controlar fronteiras. É discutir que sociedade deverá existir dentro delas.
França: já não se fala apenas de “controlar”
Em França, o Rassemblement National de Marine Le Pen e Jordan Bardella há muito ultrapassou a velha fórmula da simples “regulação” dos fluxos migratórios.
Defende o fim do reagrupamento familiar enquanto mecanismo automático, a supressão do direito do solo, o tratamento de pedidos de asilo fora do território francês e uma redução muito profunda da imigração legal. Marine Le Pen chegou a defender um saldo anual de imigração de apenas 10 mil pessoas.
Pode concordar-se ou discordar-se. O que já não parece sério é fingir que estas propostas constituem apenas uma excentricidade marginal de alguns eleitores zangados.
Áustria: a palavra que deixou de poder ser pronunciada
Na Áustria, o FPÖ de Herbert Kickl foi ainda mais longe e transformou a palavra remigração em conceito político assumido.
O partido defende uma inversão profunda da política migratória, mais expulsões, fortes limitações ao reagrupamento familiar, redução dos incentivos económicos associados ao acolhimento e uma política que deixe de considerar a imigração crescente como inevitabilidade histórica.
Há poucos anos, pronunciar algumas destas ideias bastaria para colocar imediatamente alguém fora do perímetro do debate aceitável.
Hoje dão votos. Muitos votos.
E depois há a Dinamarca (o caso que lhes estraga a narrativa...)
A Alemanha, França e Áustria ainda permitem ao nosso jornalistado e comentariado resolver o problema recorrendo ao vocabulário habitual: “extrema-direita” mas Mette Frederiksen não é de extrema-direita.
É social-democrata.
E foram os Social-Democratas dinamarqueses que endureceram fortemente a política de asilo, reduziram entradas e reagrupamentos familiares, intensificaram os retornos de requerentes recusados e defenderam centros de recepção e processamento fora da Europa.
Em 2026, o próprio partido pergunta publicamente se a Dinamarca não estará a repetir os “erros dos anos 70” ao receber continuamente grandes contingentes de trabalhadores provenientes de países terceiros.
E aqui começa o verdadeiro problema para a classificação tradicional.
Quando uma política que ontem era denunciada como exclusiva da “extrema-direita” passa a ser praticada por um dos mais antigos partidos social-democratas da Europa, talvez não estejamos apenas perante uma deslocação da direita.
Talvez estejamos perante uma deslocação do próprio centro político.
A imigração é apenas o sintoma mais visível
Seria um erro reduzir esta transformação à imigração.
A mesma ruptura começa a aparecer na discussão sobre soberania nacional, globalização, política industrial, proteccionismo, natalidade, família, prioridade dos nacionais no Estado social, segurança, identidade cultural e relação entre os Estados e a União Europeia.
Até a velha separação económica entre direita liberal e esquerda social começa a desfazer-se. Algumas das chamadas novas direitas recuperam temas laborais, sociais e proteccionistas que a velha direita abandonara e que uma esquerda progressivamente cultural e identitária deixou de monopolizar.
O mapa político está, portanto, a ser redesenhado diante dos nossos olhos.
Os partidos podem sobreviver. O mundo que representavam é que pode não sobreviver com eles.
A CDU continuará a chamar-se CDU. Os Socialistas franceses continuarão a existir. Os partidos Social-Democratas europeus conservarão sedes, símbolos e aparelhos. Os partidos Liberais e Democrata-Cristãos também.
Mas isso não significa que sobreviva o consenso político em que todos eles viveram durante décadas.
É esse, provavelmente, o verdadeiro significado do que está a acontecer.
Podemos continuar a discutir se a AfD é radical, se o RN é populista, se Kickl é extremista ou se determinados conceitos são aceitáveis no salão respeitável do comentário televisivo.
.
Enquanto discutimos os rótulos, os eleitores estão a mudar o conteúdo.
E talvez, daqui a alguns anos, percebamos que o fenómeno decisivo não foi a chegada dos chamados “extremos”.
Foi o desaparecimento do mundo político que lhes abriu a porta.
O vazio que a AfD pode ocupar!
domingo, 6 de setembro de 2026
O CHEGA veio depois...
Mil vezes repetido, um spin passa a verdade?
É precisamente o que começa a acontecer no chamado caso Luís Neves.
A acreditar em certo jornalistado e comentariado, tudo teria começado quando o CHEGA resolveu, por capricho, apresentar uma moção de censura. André Ventura teria descoberto mais uma oportunidade para aparecer nas televisões, provocar o Governo e fabricar uma crise política onde nada de substancial existiria.
Só há um pequeno problema: os factos vieram antes do CHEGA.
Vieram das notícias. Vieram de jornalistas que fizeram aquilo que o jornalismo deve fazer: investigar, perguntar, contrariar versões oficiais e não pedir licença ao politicamente correcto.
E chegaram depois à própria Procuradoria-Geral da República.
Amadeu Guerra, o PGR, confirmou a existência de três inquéritos criminais relacionados com Luís Neves, aos quais acrescem processos de outra natureza. Dois dos inquéritos foram considerados suficientemente relevantes para continuarem a ser tramitados com urgência durante as férias judiciais.
Portanto, talvez seja conveniente acertar os relógios: não foi o CHEGA que inventou os inquéritos; foram os inquéritos e as notícias que criaram o problema político.
Quando a imprensa faz jornalismo
É por isso justo reconhecer o trabalho daquela parte da imprensa que recusou o silêncio confortável.
Sem essas notícias, provavelmente continuaríamos entre explicações administrativas, coincidências, informalidades, equívocos, atrelados, automóveis apreendidos, obras particulares e sucessivas versões tranquilizadoras.
Uma imprensa livre não existe para proteger governos. Nem ministros. Nem oposições.
Existe precisamente para incomodar todos eles.
E talvez seja essa imprensa divergente — tantas vezes desprezada porque não acompanha o consenso do comentariado televisivo — que ainda impede que determinados assuntos sejam enterrados debaixo da conveniente designação de “polémica política”.
O CHEGA não inventou o caso. Politizou as consequências
Pode discutir-se a proporcionalidade de uma moção de censura ao Governo por causa da permanência de um ministro. Isso é legítimo.
O que não é intelectualmente sério é fingir que a moção criou o problema.
O CHEGA confrontou-se com uma limitação institucional: o Parlamento português não dispõe de um instrumento equivalente a um “impeachment” parlamentar de um ministro, capaz de obrigar autonomamente à sua demissão.
Um ministro responde politicamente perante o primeiro-ministro. Se Luís Montenegro decide mantê-lo, é inevitavelmente a responsabilidade política do chefe do Governo que passa a estar em causa.
Daí a moção de censura.
Pode considerar-se excessiva. Pode votar-se contra. Mas não se pode simultaneamente proclamar que o caso Luís Neves é grave, exigir esclarecimentos, admitir comissões de inquérito — e depois tratar como extravagante o partido que resolveu levar essa responsabilidade política até às últimas consequências.
A estranha cegueira dos outros
André Ventura chamou-lhe uma espécie de “esquizofrenia de coragem”. A expressão é brutal, mas identifica uma contradição evidente.
Vários partidos reconhecem a gravidade do problema. Criticam Luís Neves. Querem explicações. Alguns admitem investigação parlamentar.
Mas quando chega o momento de assumir consequências políticas, recuam.
E então o problema passa subtilmente a ser… o CHEGA.
É um mecanismo já conhecido: primeiro ignoram-se as notícias; depois minimizam-se os factos; finalmente, quando já não é possível ignorá-los, transfere-se o centro da discussão para quem teve a ousadia de os transformar numa questão política.
Há que branquear as notícias e voltar a nomear os culpados do costume.
Desta vez, porém, existe um obstáculo difícil de apagar: os jornalistas investigaram, o Ministério Público abriu inquéritos e o Procurador-Geral confirmou-os publicamente.
O CHEGA veio depois.
E mil repetições de um spin não conseguem alterar essa cronologia.
Porque, em democracia, antes da conveniência partidária deveria existir uma coisa muito mais simples:
DECÊNCIA senhores: O CHEGA veio depois.
sexta-feira, 4 de setembro de 2026
a nossa extrema-esquerda rasca!
sábado, 29 de agosto de 2026
sexta-feira, 28 de agosto de 2026
Alain de Benoist por Rui Albuquerque
O último número de "Éléments" (221), a revista da nova direita francesa, movimento lançado e dirigido há décadas por Alain de Benoist, abre com um seu editorial com o título "Le libéralisme autoritaire", que é mais um violento ataque ao liberalismo.
A filosofia política de Benoist e da "Nouvelle droite" sempre foi profundamente antiliberal. Em quase todas as suas obras, contando-se várias dezenas delas desde a passada década de 50, o pensador francês manifesta o seu antiliberalismo, considerando-o como a filosofia das Luzes que foi responsável pela decadência do Ocidente, uma ideia cara a muitos filósofos desde que o Iluminismo se tem vindo a impor desde o século XVIII. Benoist tem uma concepção intencionalmente reducionista da filosofia liberal, considerando que esta se esgota numa única ideia de "mercado", entendido como um simples local de trocas mercantis e não o espaço societário de relacionamento humano que permite o desenvolvimento de uma ordem social cooperativa e cataláctica. Aquilo que é, para os liberais, a livre cooperação entre os indivíduos e as suas instituições, em vista da ordenação das suas pretensões sem a necessidade de um intermediário autoritário permanente, para a nova direita francesa é um mercadejar interesseiro e primário, que retira dimensão e espessura existencial ao Homem.
O ponto central desta crítica está na condenação daquilo a que chamam (indevidamente) o " homo economicus liberal": um ser individual, frio, atomizado, racional e egoísta, exclusivamente preocupado com o lucro que poderá alcançar das transações em que se envolve. Este cliché redutor ridiculariza uma filosofia política que tem a sua base no Humanismo e na teoria sobre a liberdade, o indivíduo, a sociedade e o Estado, que longe está de se esgotar neste pensamento simplificado, que nem sequer é económico, com que costuma ser atacado pelos seus detratores. De resto, nunca o Liberalismo Clássico - que foi sempre uma filosofia sobre o homem na sua relação com o poder soberano – aceitou o paradigma do "homo economicus" como bom, menos ainda como um postulado teórico seu.
Mas o que, por ora, interessa aqui é reter o facto desta «nova direita» não aceitar o mundo ocidental que nasceu das Luzes, de que, melhor ou pior, são herdeiros as democracias e o Mundo em que vivemos. No mesmo número da revista sucedem-se dois interessantes artigos sobre o chamado “conservadorismo nacional-revolucionário”, com expressão muito intensa na Alemanha do início do século XX e do período entre as duas grandes guerras. Intelectuais como Arthur Moeller, Werner Sombart, Oswald Spengler, Carl Schmitt ou Ernst Junger contribuíram, com responsabilidades desiguais, para uma ideologia que paradoxalmente se diz simultaneamente conservadora e revolucionária, porque é, por um lado, contra o mundo moderno em que se vivia (e vive), decorrente do Iluminismo, e conservadora, por outro, porque quer recuperar os valores, princípios e formas de vida que lhe eram anteriores. Essencialmente, trata-se de um reacionarismo contra o mundo moderno, de que hoje Benoist, Duguin e certos movimentos da direita e da esquerda populista e extremada são defensores. O mundo que exite é mau, é péssimo, foi uma corrupção de um outro quase idílico que o liberalismo, o parlamentarismo e a democracia destruíram. É isto que sumariamente pensam.
Esta leitura enviesada e perversa da realidade tem, hoje, uma enorme influência cultural, política e partidária, muitas vezes não intuída, refletindo-se na crítica da posição ocidental de defesa da Ucrânia contra a Rússia (Putin até restaurou a religião e a Igreja no seu país, tal como outrora Napoleão o fez, outrora, em França...), na condenação das democracias liberais, no ataque à União Europeia (que se põe frequentemente a jeito...), que, segundo eles, deveria regredir para algo que nunca foi, uma mera união aduaneira e não um espaço de integração de soberanias, etc. Em 2027 a vitória previsível de Le Pen em França, que sempre contou com o aporte cultural e ideológico de Benoist, esclarecerá até onde este reacionarismo será capaz de chegar.
terça-feira, 25 de agosto de 2026
Quando a Direita recupera a Questão Social — e rompe o monopólio da Esquerda
A esquerda europeia nasceu para representar trabalhadores. Falava de salário, renda da casa, serviços públicos, emprego, estabilidade e dignidade material. Hoje fala sobretudo de identidades, linguagem, representação simbólica e minorias.
…hoje as Novas Direitas falam de
- Lei Laboral / idade da reforma Critica reformas que prolongam a vida
activa; defende reforma aos 65 anos ou com 40 anos de descontos, apresentando‑se
como defensor dos trabalhadores.
- Pensões e subvenções políticas Propõe fim de subvenções vitalícias e
acesso à pensão em moldes mais favoráveis ao trabalhador; retórica anti elite
política.
- Luta de classes Assume papel de “partido de protesto” contra “sistema”
e “casta”; usando linguagem próxima da luta de classes, embora articulada com
nacionalismo e securitarismo.
- Direitos sociais e Estado Combinação de defesa de políticas sociais
(pensões, energia, trabalho) com um discurso de ordem, e controlo; aceitando
intervenção estatal selectiva.
- Globalização e proteccionismo Discurso crítico da globalização e das
elites tecnocráticas; apelo ao operariado “abandonado pela esquerda”.
.
É aqui que regressamos a Antonio Gramsci.
Uma força política não conquista hegemonia apenas quando vence eleições.
Conquista-a quando consegue retirar ao adversário as palavras com que este
legitimava o seu poder.
Durante décadas, a Esquerda possuiu quase em exclusivo palavras como
«trabalhador», «justiça social», «desigualdade», «exploração», «precariedade»,
«pobreza» e «privilégio».
A velha direita liberal-conservadora aceitou essa divisão do trabalho
político.
Depois admirou-se por ter perdido culturalmente os sectores popular (in
Revisões)
.
É neste ponto que a experiência do CHEGA e das Novas Direitas se torna
particularmente interessante.
O partido procura reunir sectores que a análise política tradicional
considerava incompatíveis: trabalhadores oriundos da esquerda, pequenos
empresários sufocados por impostos e burocracias, reformados, agentes das
forças de segurança, populações das periferias urbanas e eleitores
culturalmente conservadores.
O cimento desta coligação não é a consciência de classe.
É a percepção de abandono.
Abandono pelo Estado, pelos partidos tradicionais, pelas elites
económicas, pelas instituições europeias, pelos grandes meios de comunicação e
por uma classe dirigente que parece viver protegida das consequências das
decisões que toma.
A mensagem é simples: quem trabalha, desconta, cumpre a lei e sustenta a
comunidade está a ser sacrificado por quem governa, especula, parasita ou
beneficia de privilégios.
Esta mensagem pode ser excessivamente simplificadora. Pode ser usada
demagogicamente. Mas possui uma força emocional que o discurso tecnocrático da
velha direita e o moralismo identitário da nova esquerda deixaram de ter. (in
ReVisões)
.
A Direita não está a tornar-se de esquerda porque o fenómeno que estamos
a observar não corresponde necessariamente a uma esquerdização do CHEGA e das
Novas Direitas e pode corresponder ao regresso da Direita à questão social.
A velha direita portuguesa abandonou durante demasiado tempo os
trabalhadores à Esquerda, a cultura aos progressistas; os sindicatos aos
comunistas e a solidariedade ao Estado burocrático e contentou-se em “defender
o mercado”, esquecendo-se de “defender a comunidade”.
As Novas Direitas terão de compreender que a Nação não é apenas
território, bandeira, fronteira e memória. É também protecção entre gerações,
dignidade do trabalho, justiça nas contribuições, segurança económica e
reconhecimento daqueles que sustentam a comunidade.
Gramsci ajuda a compreender como se disputa a hegemonia. Leão XIII
recorda que a sociedade não pode ser reduzida nem à luta de classes nem à luta
de todos contra todos e Benedikt Kaiser e Duarte Branquinho mostram que uma
direita nacional que abandone a questão social acabará por abandonar o próprio
povo. (in ReVisões)
Uma coisa já parece evidente: a Esquerda deixou de possuir o monopólio
da linguagem da justiça social porque confundiu durante demasiado tempo “uma
conquista cultural” com um “direito de propriedade”.
E agora começa a perder aquilo que julgava possuir por herança.
A tese central fica, assim, mais forte do que no texto inicial: não se
trata apenas de o CHEGA e as Novas Direitas reciclarem temas da Esquerda para
capturar eleitores; trata-se de retirar esses temas à interpretação marxista e
integrá-los numa visão nacional, social e comunitária da Direita.
segunda-feira, 24 de agosto de 2026
a vichyssoise para 2026
“Vou fazer aquilo que me apetece.” Foi assim que Marcelo Rebelo de Sousa sintetizou, ontem, na Universidade de Verão do PSD, a sua vida pós-Belém.


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