reVISÕES
quarta-feira, 29 de julho de 2026
Uma Análise ao Partido CHEGA: esquerda social e direita populista?
domingo, 26 de julho de 2026
Quando a Direita recupera a Questão Social
- A velha direita aceitou essa divisão política.
- A Esquerda falava de justiça; a Direita falava de défice.
- A Esquerda falava dos trabalhadores; a Direita falava dos mercados.
- A Esquerda organizava sindicatos, associações e redes culturais; a Direita organizava conferências sobre competitividade e privatizações.
- Contra o crime e contra a precariedade.
- Contra a desordem e contra os privilégios.
- Contra a globalização sem fronteiras e contra o abandono dos territórios.
"Serão afastados": a frase que devia ter acordado toda a gente
sexta-feira, 24 de julho de 2026
A Ruptura que o Comentariado Ainda Não Compreendeu
A direita liberal portuguesa morreu. O jornalistado e o comentariado é que ainda não receberam a certidão de óbito.
A velha direita já não existe
O jornalistado e o comentariado continuam a analisar a direita portuguesa através de categorias mortas.
Procuram “moderados” e “radicais”, “responsáveis” e “populistas”, “europeístas” e “extremistas”, como se o conflito actual fosse apenas uma disputa de intensidade dentro da mesma família política.
Não é.
A velha direita liberal dissolveu-se culturalmente, perdeu a sua base social, aceitou quase todas as premissas progressistas e reduziu-se a uma versão contabilisticamente mais prudente da esquerda.
A Nova Direita ocupa agora esse espaço vazio com uma proposta diferente: soberanista, comunitária, social, identitária e metapolítica.
Pode ainda estar incompleta. Pode conter contradições, improvisações e insuficiências doutrinárias. Mas a ruptura já aconteceu.
“Eles” ainda não deram por isso...
Continuam a discutir se a velha direita deve deslocar-se um pouco mais para o centro ou um pouco mais para a direita.
Não perceberam que já não existe velha direita para deslocar.
Dela resta apenas o cadáver político (...e um comentariado aplicado em entrevistá-lo.)
domingo, 19 de julho de 2026
Luís Neves, o atrelado, os bidões e o jornalismo de joelhos
sexta-feira, 17 de julho de 2026
quinta-feira, 16 de julho de 2026
A Metapolítica como Nova Frente de Combate Cultural na Europa
- · Domínio Cultural: Focada na conquista da hegemonia cultural (popularizada por pensadores como Antonio Gramsci), busca moldar a linguagem, a moral e o imaginário coletivo.
- · Dimensão Filosófica: Dedicada ao estudo dos fundamentos atemporais e das grandes categorias que condicionam o agir humano.
- · Correntes Radicais: A actuação que visa superar as próprias bases da política institucional tradicional.
- - A política é cultural antes de ser eleitoral.
- - A identidade é o eixo central da mobilização.
- - O universalismo liberal é visto como ideologia dominante a contestar.
- - A guerra cultural é método e não apenas retórica.
- - A influência da Nouvelle Droite é directa ou indirecta.
segunda-feira, 13 de julho de 2026
A Direita precisa de aprender com Gramsci — sem se tornar gramsciana
- Gramsci oferece instrumentos para compreender a hegemonia.
- Leão XIII oferece princípios para orientar a sociedade.
Notas
[1] Duarte Branquinho, «Para um gramscismo de direita», Breviário, Junho de 2026: breviario.substack.com.
[2] Sobre a circulação do conceito de «gramscismo de direita» entre a Itália e a França e a recepção de Gramsci pelo GRECE, ver Le Monde, «Entre l’Italie et la France, itinéraire du “gramscisme de droite”».
[3] Karl Ekeman, análise sobre o «gramscianismo de direita», metapolítica e estratégia cultural, Columbia Center for Contemporary Critical Thought.
[4] Estudos sobre Jean-Yves Le Gallou enquanto mediador de ideias, promotor da reinformação e organizador de redes metapolíticas francesas.
[5] Estudos académicos sobre Marco Tarchi e a Nuova Destra italiana, incluindo a sua actividade editorial, metapolítica e apropriação crítica de conceitos gramscianos.
[6] Francesco Giubilei, «Cultural Hegemony and the Need for Conservatives to Build a Cultural Policy», Deliberatio.
[7] Frank Furedi, intervenções sobre hegemonia cultural, liberdade de expressão e contestação das ortodoxias institucionais europeias.
[8] Benedikt Kaiser, Der Hegemonie entgegen — Gramsci, Metapolitik und Neue Rechte, Jungeuropa Verlag.
[9] Duarte Branquinho tem desenvolvido, em textos, intervenções e publicações digitais, temas relacionados com a Nouvelle Droite, a metapolítica, Jean-Yves Le Gallou e a recepção não marxista de Gramsci.
domingo, 12 de julho de 2026
Da Velha à Nova Direita: uma mudança de paradigma na política europeia
Durante décadas, a direita europeia habituou-se a definir-se sobretudo por oposição à esquerda. Defendia a economia de mercado, a propriedade privada, a autoridade do Estado e a estabilidade institucional, mas raramente produzia uma reflexão própria sobre a cultura, a identidade ou a formação das ideias dominantes. Limitava-se, muitas vezes, a gerir a realidade construída pelos seus adversários.
É precisamente contra esta insuficiência intelectual que surge aquilo a que hoje chamamos Nova Direita. Importa, porém, distinguir dois significados frequentemente confundidos.O primeiro refere-se à Nouvelle Droite francesa, nascida no final da década de 1960 em torno do GRECE e de autores como Alain de Benoist, Dominique Venner ou, em sentido mais amplo, Julien Freund. Não se trata de um partido político, mas de uma escola de pensamento que pretende reconstruir a cultura política europeia através da filosofia, da história, da antropologia e da reflexão sobre a civilização.
O segundo significado diz respeito ao conjunto de partidos nacional-conservadores, soberanistas e identitários que cresceram em praticamente toda a Europa nas últimas duas décadas. Embora muitos deles revelem afinidades intelectuais com algumas ideias da Nouvelle Droite, não constituem uma tradução automática desse pensamento nem possuem entre si a mesma coerência doutrinária.
É precisamente esta distinção que Duarte Branquinho tem procurado estabelecer. Nos seus textos, a Nova Direita aparece antes de tudo como uma renovação intelectual da direita europeia e não apenas como uma sucessão de partidos eleitorais.
Essa renovação parte de uma crítica comum às grandes ideologias do século XX. Recusa o marxismo por reduzir a sociedade à luta de classes e ao igualitarismo abstracto. Recusa igualmente o liberalismo absoluto quando este dissolve todas as comunidades históricas em nome do indivíduo isolado e do mercado global.
A questão central deixa então de ser exclusivamente económica para se tornar essencialmente civilizacional.
É neste ponto que Alain de Benoist desempenha um papel decisivo. Em Vu de droite — publicado em Portugal sob o título Nova Direita, Nova Cultura — defende que a verdadeira batalha política é, antes de tudo, uma batalha cultural. As sociedades vivem de valores, símbolos, memórias e identidades antes de viverem de programas eleitorais.
Curiosamente, esta ideia aproxima-se de uma das maiores intuições de Antonio Gramsci. Embora separados por universos ideológicos completamente distintos, ambos reconhecem que quem conquista a hegemonia cultural prepara inevitavelmente a hegemonia política.
Gramsci via essa hegemonia como instrumento da transformação socialista. A Nova Direita procura utilizar o mesmo método para fins diferentes: recuperar a continuidade histórica das nações, reforçar a identidade europeia e reconstruir o espaço cultural perdido pela direita tradicional.
É precisamente esta recuperação da leitura gramsciana que Benedikt Kaiser desenvolveu de forma particularmente sistemática. Kaiser considera que a direita deixou durante demasiado tempo a cultura, a universidade, a comunicação social e as organizações intermédias entregues à esquerda. Daí defender uma verdadeira metapolítica, entendida não como propaganda, mas como construção paciente de um novo consenso cultural capaz de anteceder qualquer vitória eleitoral.
Nesta perspectiva, a política começa muito antes das eleições. Começa nas escolas, nas universidades, nas associações, nos sindicatos, nas redes sociais, nas editoras, nos jornais, nas famílias e nas comunidades concretas.
A influência de Julien Freund introduz uma dimensão complementar. Freund recorda que o político possui autonomia própria e que nenhuma sociedade pode eliminar definitivamente o conflito. A distinção entre amigo e adversário, a necessidade da autoridade e a permanência das comunidades políticas pertencem à própria condição humana. A política não desaparece através da moralização do discurso público nem mediante a simples gestão técnica dos problemas.
Dominique Venner acrescenta outra preocupação: a continuidade histórica da civilização europeia. A identidade não resulta apenas da cidadania jurídica; constrói-se através da memória, da tradição, da cultura e da transmissão entre gerações.
Neste aspecto, a Nova Direita distancia-se simultaneamente do nacionalismo puramente estatista e do cosmopolitismo globalista. A comunidade nacional deixa de ser apenas uma realidade administrativa para voltar a ser entendida como uma comunidade histórica.
Mas talvez exista um elemento frequentemente esquecido neste debate. Muito antes da Nouvelle Droite, Leão XIII havia procurado responder à questão social através da encíclica Rerum Novarum.
Contra o socialismo revolucionário, defendeu a propriedade privada, a família e a liberdade. Contra o capitalismo desumanizado, defendeu o salário justo, a dignidade do trabalho, o descanso, a associação profissional e a responsabilidade social dos empregadores.
A Doutrina Social da Igreja ofereceu, assim, uma terceira via que recusava tanto o collectivismo como o individualismo económico absoluto.Sob este prisma, não deixa de ser significativo que alguns sectores da direita europeia contemporânea tenham voltado a colocar a questão social no centro do seu discurso. A defesa do trabalho, da família, da natalidade, da subsidiariedade e da coesão nacional aproxima-se, em diversos aspectos, da tradição inaugurada por Leão XIII, ainda que cada partido a interprete de forma distinta.
É neste enquadramento que Duarte Branquinho situa o fenómeno português. Na sua leitura, Portugal deixou de constituir a antiga “excepção portuguesa”, caracterizada durante décadas pela ausência de uma direita nacional-popular comparável à existente em França, Itália, Áustria ou Países Baixos.
Todavia, Branquinho distingue cuidadosamente entre uma família intelectual e um partido concreto. Reconhece que o CHEGA participa de várias das preocupações presentes na Nova Direita europeia — soberania, identidade, imigração, crítica do multiculturalismo ou da burocracia europeia — mas considera igualmente que determinadas opções tácticas e eleitorais podem comprometer a coerência doutrinária de um projecto político.
A sua crítica ao chamado “chegalismo” deve ser entendida precisamente nesse contexto: como advertência contra o risco de substituir uma arquitectura intelectual consistente por uma sucessão de respostas conjunturais às expectativas eleitorais.
Esta distinção merece ser preservada. Nenhuma escola de pensamento se esgota num partido. Nenhum partido representa integralmente uma tradição intelectual. As ideias possuem normalmente um tempo muito mais longo do que os ciclos eleitorais.
Talvez seja precisamente aqui que resida a principal novidade da Nova Direita. Ela procura deixar de ser apenas uma direita parlamentar para voltar a ser uma direita cultural.
Pretende disputar universidades, editoras, centros de investigação, meios de comunicação, fundações, associações cívicas e espaços de produção simbólica. Noutras palavras, procura construir aquilo que Gramsci chamaria uma nova hegemonia cultural, mas colocando essa hegemonia ao serviço de valores radicalmente diferentes.
A velha direita acreditava que bastava ganhar eleições. A Nova Direita parte de um pressuposto distinto: antes das urnas existe a cultura; antes dos governos existe a visão do mundo; antes das maiorias existe aquilo que uma sociedade considera naturalmente verdadeiro.
É por isso que a verdadeira mudança talvez não consista apenas no aparecimento de novos partidos, mas no reaparecimento de uma tradição intelectual que durante décadas permaneceu dispersa, marginalizada ou esquecida.
Se esse processo conduzirá a uma verdadeira renovação da direita europeia permanece uma questão em aberto. Mas uma coisa parece hoje evidente: a discussão deixou de ser apenas sobre governos.
Passou a ser, sobretudo, sobre civilização.










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