domingo, 14 de abril de 2024

Habitação Social na Quinta da Baldaya

 um anuncio com pompa e circunstância 

No âmbito do PRR, o IHRU (Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana) anunciou para Benfica a construção de 266 fogos para arrendamento acessível, destinados sobretudo a habitação, mas também a comércio e serviços, num investimento de 51,8 milhões de euros.
A obra irá decorrer na "Quinta da Baldaya", local situado entre a Estrada de Benfica, a Rua das Garridas e a Rua General Morais Sarmento. Uma boa notícia para o nosso Bairro e para as famílias, no acesso a habitação para arrendamento acessível, com preços acessíveis, numa altura em que o país atravessa uma grave crise no setor habitacional.

sexta-feira, 12 de abril de 2024

O pão que o Governo amassou

O Orçamento do Estado 2023 introduziu uma “novidade”: as novas tabelas de retenção para trabalhadores por conta de outrem (e pensionistas) a partir de 1 de julho de 2023. Esta lógica de taxa marginal é efetuada através da conjugação da aplicação de uma taxa sobre o rendimento mensal com a dedução de uma parcela a abater, à semelhança do que acontece na liquidação anual do imposto. O novo modelo de tabelas de retenção na fonte prevê também a inclusão de uma parcela a abater por dependente, de valor fixo, em linha com o previsto no Código do IRS, substituindo o atual sistema de redução de taxas consoante o número de dependentes.
[…]
Esta maravilhosa “novidade” parece fantástica até porque o tema impostos em Portugal é antigo e transversal a partidos e grupos económicos. Todos sabemos que somos agraciados há anos com uma das cargas fiscais mais elevadas da Europa. No entanto, nada disto é “fantástico” para os incautos. É preciso perceber aquilo que o Governo não diz.
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Vamos aos exemplos práticos: Um trabalhador que seja solteiro, separado ou divorciado, com dois dependentes e aufira um salário bruto de €1500, em termos práticos recebe €1150,50 líquidos ao final do mês. A partir de 1 de julho, ou seja, no final deste mês e com esta extraordinária medida do nosso Governo, vai descontar menos e receber mais: €1174,45. Feitas as contas, são €23,95 a mais entre julho e dezembro que podem representar uma dor de cabeça no IRS de 2024.

segunda-feira, 8 de abril de 2024

o desastre de La Couture

Em La Couture, perto de Béthune, em Pas-de-Calais, a igreja e um monumento surpreendentemente realista lembram-nos que durante a Grande Guerra, Portugal comprometeu-se com os Aliados, aqui, entre Artois e a Flandres. Um compromisso tardio e pouco decisivo.

Em 1914, Portugal era ainda uma jovem República, oficialmente neutra, mas ainda assim ligada à Grã-Bretanha por uma antiga aliança.
Em ~Dezembro de 1915, os britânicos pediram-lhe que requisitasse todos os navios alemães ancorados nos seus portos. Portugal cumpre. Em resposta, em 9 de março de 1916, a Alemanha declarou guerra.

Uma Força Expedicionária é formada e enviada para treinamento. Em fevereiro de 1917, as primeiras tropas desembarcaram em Brest em grande segredo.
No final de 1917, a Força Expedicionária contaria com 565.000 homens vinculados ao Primeiro Exército Britânico do General Horne. Ele foi encarregado da defesa de uma frente de 11 quilômetros na Flandres Francesa. A sua sede está estabelecida aqui em Saint-Venant.
 

Mas o moral dos “Serranos”, as tropas portuguesas, será severamente testado pelo terrível Inverno de 1917 nesta planície lamacenta do Lys. A república foi derrubada por um governo muito menos combativo. E acima de tudo, os reforços não chegarão mais. Os britânicos dão prioridade ao transporte de tropas americanas recentemente engajadas.

Em 9 de abril de 1918, primeiro dia da Batalha do Lys, apenas uma divisão portuguesa de 9.000 homens permaneceu ao lado dos Aliados. Perante o poder inimigo, os portugueses não conseguirão resistir. A ofensiva deixou 398 mortos enterrados aqui no cemitério português de Richebourg.

A extrema-esquerda

11 de Julho de 2009
Vasco Pulido Valente

Como se explica a existência em Portugal (ou seja, na Europa do Ocidente) de dois partidos da extrema-esquerda, ainda largamente inspirados na doutrina ortodoxa do marxismo-leninismo de meados do século passado?

Como se explica a existência de um PC pouco diferente do que era quando Cunhal o "reconstruiu" e de um Bloco, derivado de pequenos grupos radicais, que apesar de uma cosmética às vezes brilhante, continua a essência e o ethos dos revolucionários de 60 e 70?

O mundo mudou e eles não mudaram, mas não deixam por isso de ocupar agora (irremediavelmente) uma parte essencial da cena política. Nem historiadores, nem "politólogos" se interessaram muito por esta anomalia, embora ela revele o carácter profundo do que hoje sucede no país. Claro que, à superfície, não é difícil compreender a coisa. Em primeiro lugar, a miséria atávica de Portugal e o genérico atraso da economia. Em segundo lugar, e como consequência, uma sociedade que não se conseguiu "modernizar". Em terceiro lugar, a inflexão do PS para a direita, principalmente quando está no governo. Em quarto lugar, no caso do PC, a disciplina estalinista que garante a solidez de um núcleo central e, se quiserem, a confiança de um eleitorado fiel. E em quinto lugar, no caso do Bloco, a particular eficácia de uma dúzia de dirigentes na televisão, no Parlamento e nos jornais. Só que tudo isto, que serve para sublinhar o óbvio, não esclarece a substância do anacronismo, que uma extrema-esquerda com 20 por cento do voto manifestamente é.

O isolamento de Portugal esclarece melhor essa estranha ressurreição. Ao contrário da Europa, a classe média indígena (a que pertence o que resta da velha classe operária) foi poupada à longa desilusão com o "socialismo real" e com as múltiplas variedades de marxismo-leninismo que o pretenderam corrigir e substituir.

A Ditadura não permitiu que se visse a subserviência do PC à estratégia global da URSS, ou que, por exemplo, se vivesse Budapeste e Praga como se viveram em França ou em Itália. A brevidade do PREC salvou muita fantasia. A falência filosófica e doutrinal da "grande narrativa" da esquerda quase não se sentiu em Lisboa. 
O PC português (para não falar do Bloco, mais tardio e periférico) não sofreu o descrédito do PC italiano ou espanhol, nem fugiu, escorraçado e melancólico, para o refúgio patético do eurocomunismo. É nesse vácuo histórico, na ausência dessa decisiva memória, que assentam e alastram os 20 por cento de Francisco Louçã e Jerónimo de Sousa.
Vê até ao fim e decide o teu voto!

domingo, 7 de abril de 2024

[deixem-me ser mauzinho: Uma jornalista que já o percebeu…]

Estamos a viver a “normalização” da extrema-direita
Uma vitória de Trump seria uma bênção para as forças populistas e nacionalistas europeias. 
[Teresa de Sousa no Publico em 7 de Abril de 2024]
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“Um vento novo varre o Velho Continente, favorável aos partidos de direita radical e extrema, escreve o jornalista francês Charles Sapin [que aprendeu, em França, a analisar estes movimentos políticos] num livro publicado recentemente — Les moissons de la colère. Sapin percorreu a Europa para tentar compreender as razões profundas desta transformação. Continuando a ler as sínteses de apresentação do livro, publicadas nos jornais franceses, o autor refere que “na Suécia, antigo paraíso social-democrata, na Finlândia, templo da moderação política, na Itália, país fundador da União Europeia, incluindo os até agora muito liberais Países Baixos, as forças populistas e nacionalista governam.” Em quase todos os países europeus, “conhecem uma ascensão fulgurante.” “De Portugal, onde o Chega multiplicou os seus resultados nas urnas, à Áustria, onde o FPO está à frente nas sondagens para as europeias, sem esquecer a Alemanha, onde a AfD já é a segunda força política do país.” Sapin trabalhou no diário Le Figaro e na revista semanal Le Point.

SMO…agora entram os “tudólogos” a educar a gente!

A reintrodução do serviço militar obrigatório não resolveria escassez de pessoal nas Forças Armadas. Analistas alertam para impacto na economia ao retirar mão-de-obra qualificada do mercado laboral. (Joana Abrantes Gomes no Eco 6 Abril 2024)


A articulista, que “de analistas” só cita uma “tudologa”, por exemplo, esquece um inquérito da Sedes feito no início de 2024, que dava conta de que 47% das pessoas eram a favor do regresso do serviço militar obrigatório (numa amostra de 820 indivíduos), introduziram o tema na opinião pública portuguesa nas últimas semanas, num ano em que se cumprem exatamente duas décadas do fim do regime de conscrição no país.

quinta-feira, 4 de abril de 2024

uma questão de higiene democrática

Infelizmente, parece que é provável que o PS ganhe as próximas eleições e, pior do que isso, não é impossível que haja maioria parlamentar de esquerda. Dividida em quatro partidos, ou em três que vão a votos, a direita não se entende num projeto alternativo ao PS, e aquela que sem conseguiu entender (AD) parece não estar a entusiasmar o eleitorado por aí além. Isto tem várias explicações, mas a fragilidade do pessoal dirigente desses partidos é uma delas e não será a menor. Hoje em dia vai para a política quem tem pouco que fazer, quem galgou desde pequenino o cursus honorum das jotas e quem lá está por vício. Dificilmente se encontram pessoas com experiência de vida própria e independente da política em cargos partidários e de governo do estado.