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quarta-feira, 16 de agosto de 2023

PONTE TRANCÃO: ANATOMIA DE UM ESCÂNDALO

Um dia após a Câmara Municipal de Lisboa ter anunciado que a nova ponte sobre o Trancão receberia o nome de Dom Manuel Clemente, o ciclo noticioso foi dominado por uma petição da “sociedade civil” contra o nome da ponte. Essa petição foi seguida quase desde o primeiro instante por quase toda a comunicação social. O aumento do número de assinaturas ia sendo assinalado nos media com evidente regozijo. A TSF chegou a anunciar a ressurreição do "activismo cívico".

Confesso que fiquei bastante curioso com toda esta atenção. Já promovi bastantes petições, por assuntos de maior relevância que uma ponte pedonal, com um número bastante superior de assinaturas, e nunca tinha visto qualquer reacção por parte da comunicação social. Por isso fui tentar perceber o que poderia ter de tão especial esta petição, para com mil assinaturas ter direito a cobertura televisiva.

A primeira coisa que descobri, sem grande esforço, é que quando falavam em activismo cívico estavam de facto a falar de activismo partidário. Os promotores da tal petição (que já tinham promovido uns cartazes durante a JMJ), eram militantes do Bloco (assim como as estruturas usadas nos tais cartazes, diga-se de passagem). Estes dados já ajudavam a explicar parte do interesse da Comunicação Social (que passou o dia seguinte a ignorar uma petição em sentido contrário, que crescia ao mesmo ritmo que a do “activismo cívico”). Mesmo assim, mesmo para uma petição do Bloco, a cobertura mediática estava mais forte do que habitual.

O mistério resolveu-se ao perceber quem era Tiago Rolino, que deu a cara corajosamente por esta petição. Tiago passou o dia a explicar que a petição não era contra a Igreja, era pelo respeito às vítimas. Mesmo sabendo que tinha escrito uma petição onde mentia descaradamente sobre o Patriarca de Lisboa. O nosso corajoso activista é um investigador do CES, ou seja, um discípulo de Boaventura Sousa Santos. Ou seja, a personagem que difamou o Patriarca de Lisboa, em nome das vítimas, é discípulo do homem que durante anos abusou sexualmente de alunas, com a cobertura da mesma instituição onde Tiago Rolino trabalha. Pelos vistos a ele só lhe interessam algumas vítimas, as do seu mestre não o parecem preocupar.

Também por total coincidência, a publicação da petição do investigador do CES, que ocupou todo o ciclo noticioso, abafou a notícia de que o livro que acusava Boaventura Sousa Santos de ter abusado, com a conivência do CES, de várias mulheres, tinha sido suspenso por ameaças legais do profeta de Coimbra. Ou seja, no dia em que se sabe que as vítimas de Boaventura e do CES estão a ser silenciadas, temos um dos seus investigadores a falar das vitimas de outros todo o dia na televisão. E assim se contruiu uma “movimentação cívica”, que permitiu abafar mais um escândalo do CES.


Pelo caminho, a comunicação social foi ignorando a petição “JMJ: saudação e apelo aos presidentes da Câmara de Lisboa e Loures” que em menos de 24 horas, e sem qualquer apoio da CS, recolheu quase 8 mil assinaturas. O silenciamento chegou ao ponto de a TSF ter falado comigo sobre a petição e depois não ter publicado qualquer das declarações que recolheu. Entretanto, de forma misteriosa, quando esta petição começava a ganhar tracção o site da Petição Pública esteve quase um dia inteiro em baixo. E a petição que estava a avançar a ritmo galopante, estagnou.

Por tudo isto é essencial continuar a assinar e a difundir a petição “JMJ: saudação e apelo aos presidentes da Câmara de Lisboa e Loures”. Porque é importante demonstrar que há realmente uma sociedade civil, que não está refém dos interesses do Bloco nem do Profeta do CES. Aquilo a que assistimos foi a um linchamento público do Senhor Patriarca, baseado em falsidades e promovido por quem quer esconder os seus próprios esqueletos. Temos o dever de deixar claro que não ficaremos reféns de tal gente. José Maria Seabra Duque

quinta-feira, 6 de agosto de 2020

ele não queria que lhe dessem o nome...

...e os lisboetas sempre a chamaram e chamam de "A Ponte" 
Em 1958, o Estado Novo decidiu oficialmente a construção da ponte e no ano seguinte, foi aberto um concurso público internacional, para que fossem apresentadas propostas para a construção. Após a apresentação de quatro propostas, em 1960, a obra foi adjudicada à empresa norte-americana United States Steel Export Company, que em 1935, já tinha apresentado um projecto para a sua construção. A 5 de Novembro de 1962 iniciam-se os trabalhos de construção. Menos de quatro anos após o início, isto é, passados 45 meses, a ponte sobre o Tejo é inaugurada (seis meses antes do prazo previsto) no dia 6 de Agosto de 1966.
Oito anos depois, por iniciativa do "putschista" de Beja, João Varela Gomes, que após a inventona comunista do 28 de Setembro fora nomeado, improvisadamente, para presidir às primeiras comemorações da Revolução Republicana de 5 de Outubro de 1910, foi-lhe mudado o nome para "Ponte 25 de Abril".


terça-feira, 6 de agosto de 2013

a Ponte...

Corria o ano de 1953 quando foi criada uma comissão com o objectivo de estudar e apresentar soluções sobre a questão do tráfego ferroviário e rodoviário entre Lisboa e a margem sul do Tejo. Eram várias as soluções que tinham surgido após uma primeira em 1876. Como curiosidade registe-se que todas foram apresentadas em anos de profunda crise económica ou política (em 1888, 1889, 1890, 1913, 1929 e 1935).
Em 1958 decidiu-se oficialmente a construção de uma ponte e aberto um concurso público internacional para que fossem apresentadas propostas para a construção. Em 1960, após a apresentação de quatro propostas, a obra foi adjudicada à norte-americana United States Steel Export Company, que, já em 1935, tinha apresentado um projecto para a sua construção.
A 5 de Novembro de 1962 iniciaram-se os trabalhos de construção.
Quatro anos após, passados 45 meses, a ponte sobre o Tejo foi inaugurada a 6 de Agosto de 1966, seis meses antes do prazo previsto...
O seu custo rondou, preço à época da sua construção, o valor de dois milhões e duzentos mil contos, 15 milhões de euros na actualidade.
A ponte, que se chamou de Salazar e foi rebaptizada de “vinte e cinco de abril” sempre foi conhecida pelos alfacinhas como a “Ponte”. Assim o continua a ser por aqueles que a”viram” construir...
Contudo o facto menos falado e muito escondido (a bem de uma certa “transparência”?) é que, para se construir a ponte, pela primeira vez desde o século XIX, se recorreu, com êxito, ao crédito externo.
Não pensem que, como foi, e é, amplamente propagado existia, por parte do “estado novo”, uma aversão a que se recorresse a dinheiro que fosse emprestado por aquilo a que hoje chamamos “mercados”.
O problema é que ninguém nos emprestava um “chavo” enquanto não pagássemos aquilo que devíamos!
Durante meio século fomos párias nos mercados internacionais e nem o ouro acumulado, em tempo de guerra, nos libertou de ter que pagar, já no sec. XXI, as prestações e respectivos juros da divida que já vinha do sec. XIX.
A “Ponte”, além de ligar o Norte ao Sul, ligou-nos ao mundo moderno da finança internacional.

sexta-feira, 4 de março de 2011

gestores de qualidade... a receber bonús.

Metro, Carris, CP e Fertagus transportaram mais pessoas em Janeiro enquanto na Ponte passaram menos cinco mil carros por dia. A Carris transportou 20,6 milhões de passageiros, ou seja, mais 388 mil pessoas que em Janeiro de 2010 (dados do Jornal Economico). Talvez devido ao susto provocado por aquele aumento de passageiros os brilhantes gestores da Carris decidiram extinguir seis carreiras de autocarros a partir de sábado, “no âmbito do processo dinâmico de ajustamentos da oferta à procura”. Além disso a transportadora vai suspender duas carreiras ao fim-de-semana, encurtar o percurso de outras cinco e limitar o funcionamento de uma carreira às horas de ponta (pode ler-se no Jornal Público). É este o tipo de gestão e de gestores de Empresas Publicas com que este governo e os partidos do centrão oferecem em troca dos “votinhos” do "povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio”. Pense nisso da próxima vez que os tiver que eleger... se antes não lhe perderem o numero de eleitor.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

"aprovados" TGV, Aeroporto e 3ª Ponte de Lisboa...

«Face à situação das finanças públicas e ao actual contexto de financiamento da economia portuguesa, fica o Governo obrigado a suspender, durante o ano de 2011, a construção do TGV Lisboa-Poceirão, da terceira travessia do Tejo e do novo aeroporto de Lisboa», lia-se na proposta de aditamento à Proposta do OE que pretendia suspender as grandes obras públicas em 2011. tsf Com os votos contra do PS, Bloco de Esquerda e PCP e a abstenção do PSD o Parlamento rejeitou a proposta do CDS que considerava, nos tempos mais próximos, não haver dinheiro para fazer aquelas “obras”, sem mais um aumento de impostos.
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