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sábado, 18 de maio de 2024

As novas direitas nacionalistas e identitárias

[porque em 9 de Junho podemos corrigir ainda mais o 10 de Março]
tome nota:
Das direitas conservadoras, fazem parte o Fidesz, de Órban na Hungria e os polacos do Lei e Justiça;
Das direitas populares, o Rassemblement National, de Le Pen em França e a AFD alemã.
Os Fratelli d’Italia [e o CHEGA de Portugal] estão no meio caminho.
São diferenças naturais porque, ao contrário das esquerdas, fundamentalmente internacionalistas, as direitas, por serem nacionalistas e identitárias, variam de país para país. […]
.
Aqui, em Portugal, o fenómeno CHEGou mais tarde porque associando os valores da Direita ao Estado Novo vencido há cinquenta anos, a Esquerda [e a extrema-Esquerda] conseguiram manter uma forte hegemonia cultural, explorando os complexos de inferioridade e a ânsia de “correcção” das classes políticas dos partidos à direita do PS. […]

O sucesso de André Ventura – que, apesar da feroz oposição quase unânime dos media e da opinião publicada, conseguiu romper a cerca – foi ter aparecido como alternativa para um eleitorado desiludido e afastado da política (os abstencionistas), para parte significativa dos novos eleitores e para os desiludidos com a crise, a precariedade e a decadência da sociedade e do país.

sexta-feira, 26 de abril de 2024

O início dos festejos

[ o que lamentavelmente ainda não se disse ]

Os que agora comemoram, alvoroçados, o golpe militar de Abril, festejam, justamente, o triunfo da Democracia…


O facto de, até ao 25 de Novembro, os presos políticos do COPCON ultrapassarem em número os presos políticos do Estado Novo em 74, enquanto comunistas e maoistas tomavam conta da rua, são minudências que não contam para o saldo democrático.

As longas guerras civis em Angola e Moçambique a que a Descolonização daria origem são irrelevantes pecados de juventude;

O estado actual dos outros dois Dês de abril, Democracia e Desenvolvimento, são os episódios de pré-senilidade de quem, há tantos anos, carrega aos ombros tão amplas liberdades e conquistas.

Com tudo isto, não há-de Abril festejar os seus exemplares cinquenta anos?

quinta-feira, 25 de abril de 2024

“..., sempre ?”

Há agora uma novidade que tende a passar despercebida: é que hoje os saudosistas não são já os nostálgicos do antigo regime, nem até do antigo Portugal do Minho a Timor, são antes os que, de lágrima ao canto do olho, punho erguido e cravo ao peito, saem à rua numa viagem sentimental até ao golpe militar de há meio século e aos “bons velhos tempos” do festivo processo revolucionário que se lhe seguiu.
Quem agora tende a perder-se num “oh tempo volta para trás” feito de velhas palavras de ordem, antigas canções de protesto e novos saneamentos e cancelamentos, são os que, denegrindo irrealisticamente o país que era e floreando delirantemente a revolução e a exemplar descolonização que lhe puseram fim, se abstraem do país que temos e do presente que aqui está.
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Se o Portugal nação multinacional e pluricontinental se transformou numa utopia nostálgica, arquivada nos mapas que sobrepunham o então “império português” à carta da Europa, também o Portugal comunista que alguns quiseram impor pela força acabou dezoito meses depois de Abril, no dia 25 de Novembro de 1975.
Essa é, goste-se ou não, a data fundacional da democracia pluralista em Portugal.

Há até quem a transfira para a Constituição de 1976, ou ainda para Setembro de 1982, com o fim do Conselho da Revolução e do poder de controlo dos restos do MFA sobre os representantes do povo.

quarta-feira, 24 de abril de 2024

as amplas liberdades democráticas em Bruxelas

Onde também se teme o “perigo da extrema-direita” é em Bruxelas. E foi precisamente para evitar que a “extrema-direita” perturbasse a ordem pública que a Conferência Nacional do Conservadorismo (NatCon) foi sendo consecutivamente cancelada, por prevenção.

E como perturbaria a ordem pública uma conferência que reunia um primeiro-ministro de um país da União Europeia, um ex-primeiro ministro e uma ex-ministra do Reino Unido, um candidato à presidência de França, vários deputados e intelectuais europeus, 600 pessoas ordeiras? 
Perturbando os activistas “antifas” que, perturbados com a eventualidade do Congresso, ameaçavam perturbar a ordem pública, manifestando-se na rua, junto ao local do iliberal evento. A polícia teria, evidentemente, de os proteger dos iliberais congressistas, impedindo que o Congresso se realizasse.
Foi precisamente por isso que Emir Kir, o autarca do distrito de Saint-Josse da capital belga, proibiu a reunião, não sem acrescentar que, fosse como fosse, a “extrema-direita” não era bem-vinda na sua cidade.
Depois de pressionar os directores dos hotéis que, imprudentemente, tinham concordado em acolher o Congresso, forçando à sua mudança de local por duas vezes, na terceira escolha, o temerário Hotel Claridge, a polícia teve mesmo de intervir: havia que evitar a todo o custo a emissão de “discurso de ódio” dos congressistas dentro de portas e que proteger a hipersensibilidade à ideia alheia das duas dúzias de democratas que, cá fora, exerciam a sua liberdade de expressão.
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As intervenções dos primeiros-ministros da Itália, do Reino Unido e da própria Bélgica, exigindo que se repusesse a legalidade, puseram fim ao censório episódio, a lembrar o nosso saudoso PREC e a esclarecer-nos quanto ao verdadeiro paradeiro da “democracia iliberal” – então e agora.

 

sábado, 16 de março de 2024

um cravo em abril...

A pouco mais de um mês do cinquentenário do 25 de Abril, a democracia portuguesa mostrou a sua maturidade com a maior descida da abstenção de há décadas e a afluência às urnas de um eleitorado jovem, que, com elevado sentido cívico e vontade de participação democrática, saiu à rua para votar.

No entanto, os comentadores e as forças vivas (e mortas) do regime, que começaram a noite eleitoral a saudar esta mudança (“O povo português é sábio e responde prontamente quando sente que a democracia está em perigo”), acabaram por ter de dar ao (afinal não tão sábio) povo uma lição de democracia:
“É importante que haja mais gente a votar, mas … dependendo do objectivo desse voto”; ou “Eu percebo que o nosso instinto quando vemos a abstenção baixar seja de nos congratularmos do ponto de vista cívico e democrático, mas tudo depende dos partidos que representarem essa queda da abstenção. É arriscado dizermos que a abstenção cair é bom sem sabermos quem foi o maior contribuinte para ela baixar.” (Sic)
Era, de facto, arriscado dizer que era bom, quando já havia indícios de que o maior contribuinte para a queda da abstenção e para o voto jovem pudesse ser um partido “anti-democrático”. O PCP? O Bloco de Esquerda? O Livre? O PAN? Não: os animais propriamente ditos, os Untermensch, os grunhos, os “deploráveis” do Chega, aqueles com quem a Esquerda já tinha dito que ninguém na Esquerda e muito menos na Direita podia falar; os que, liderados pelo único demagogo da política portuguesa, tinham conseguido ludibriar o povo com falsas promessas. Com os barões da democracia parlamentar em pé de guerra perante o engrossar do grupo de sem-maneiras, de pé-descalços, de pobretanas, de iletrados, de novos-ricos da política, enfim perante um grupo fresquinho de “fascistas” (PSD e CDS podiam, por escassos momentos, folgar as costas enquanto o pau ia e vinha em costa alheia), quase nos esquecemos que estas eleições antecipadas foram geradas por uma crise política.

segunda-feira, 22 de janeiro de 2024

Quem vai decidir por nós?

O poder da Esquerda

Uma série de escândalos de grande, média e pequena corrupção, desde um primeiro-ministro que já ficou atrás das grades, até às notas e anedotas que circulam pelos gabinetes de S. Bento. E como se não bastasse, nas empresas, trocámos industriais e capitalistas portugueses por accionistas anónimos estrangeiros – chineses, espanhóis, americanos. Não temos um único banco nem uma única grande indústria nas mãos de portugueses e ninguém na classe política, nos media de referência, na oligarquia desta Terceira República parece muito preocupado com isso.
Quem são os responsáveis? Os governantes, que são quem manda, e os governados, que são quem vota.
Mas há uns mais responsáveis que outros. Quem governa Portugal, desde há quase 50 anos, é a Esquerda, com escassos intervalos de centro-direita, basicamente passados a tentar tapar os buracos da Esquerda.
É preciso ter isto presente e saber o que se quer e o que não se quer, para daqui a dois meses não haver equívocos sobre tudo ou quase tudo.
É que, ao contrário do que disse Bill Clinton a George Bush-pai (“It’s the economy, stupid!”), desta vez não é a economia. Ou não é só a economia, já que a economia nacional – excluindo a tributação, os ruinosos rasgos nostálgicos de sobre-estatização, o desinvestimento nos serviços públicos e a falta de incentivo à iniciativa privada nacional, que não são de somenos – é mais depressa decidida em Bruxelas e em Frankfurt do que em Lisboa. Como já não há economias socialistas de direcção central, aqui, a margem de decisão será só se a nossa vai ser mais ou menos socialista, mais ou menos capitalista, mais ou menos liberal, mais ou menos caótica, mais ou menos condicionada pela conjuntura internacional e decidida pela Comissão Europeia – e pelo BCE.
Assim, na escolha eleitoral, devem sobretudo pesar questões políticas, como a independência e a identidade nacionais e a sua defesa, o entendimento da História, a liberdade de expressão, os valores de referência. Queremos viver numa comunidade política independente, num Estado nacional, com fronteiras, numa Europa de nações, ou queremos a abolição dessas fronteiras no federalismo europeu, etapa e via para o globalismo selvagem?


Quem vai decidir por nós II

 

As questões “fracturantes”

E que valores queremos para a sociedade e para as famílias? Queremos descartar os velhos, oferecendo-lhes a morte? Evitar os nascituros, interrompendo-lhes voluntariamente a vida? Queremos o delirante encorajamento da ambiguidade e da transexualidade desde a infância por leis passadas à socapa por executivos em gestão?
Tudo isto tem sido obra da Esquerda, que deixou de se preocupar com aquilo que tradicionalmente a nobilitava – a justiça social e a causa dos trabalhadores, dos marginalizados, dos mais frágeis – para ir atrás de imaginativos “activismos” minoritários de entediadas elites urbano-depressivas. Numa sociedade onde, felizmente, ninguém é penalizado pela sua índole e pelos seus costumes, a maioria dos portugueses espera, pelo menos, não passar a ser perseguida pela sua, talvez pouco imaginativa, “normalidade” – esperança que poderá bem vir a ser vã.
E quanto à História? Vão continuar a chover subsídios aos historiadores e divulgadores da História nacional como uma crónica de esclavagismo e exploração, num masoquismo incontinente, pago pelos impostos de todos? E o Portugal do Estado Novo, vai ser contextualizado e olhado com verdade, no bem e no mal, ou vai continuar a ser divulgado como uma filial da Inquisição e do Terceiro Reich, responsável por todos os males, perante o angelical e impoluto regime que há 50 anos lhe sucedeu?
Este ano completam-se 500 anos sobre o nascimento de Camões e a morte de Vasco da Gama: que irão fazer para os celebrar os que designaram e financiaram uma comissão de festas para, de 2021 e até 2026, celebrar os 50 anos da revolução de Abril e do regime?
É em relação a estes pontos, éticos e ideológicos, que devemos medir e avaliar as agendas dos que se apresentam a voto nas eleições que se aproximam – julgando-os por isso e não pela simples enunciação, mais ou menos vocal, mais ou menos articulada, da sua maior ou menor vontade de combater o partido do governo. É tendo por eixo estes pontos que o eleitorado que se identifica com a Direita – ou mesmo com a não-Esquerda – deve orientar o seu voto, já que são eles que vão determinar a comunidade e a sociedade onde vamos viver – nós, os nossos filhos e os nossos netos.
O voto, o voto útil, já não deve servir só para recusar um mal maior, mas também combater males “subsidiários”, as tais questões fundamentais a que alguns responsáveis políticos escolhem chamar “questões de consciência”, deixando-as, numa cómoda ambiguidade, na mão dos representantes, para que decidam por nós segundo a sua inclinação pessoal.
Deveremos nós, os representados, que sabemos o que queremos e o que não queremos, passar uma procuração a deputados cuja opinião desconhecemos para que votem “em consciência” em questões fundamentais?
Se queremos viver numa comunidade mais segura e numa sociedade mais justa e melhor, não basta rejeitar o que está: temos o direito e o dever de exigir que nos apresentem propostas claras.

sábado, 6 de janeiro de 2024

50 Anos depois...

A Esquerda habituou-se e habituou-nos a ser, ou pelo menos a parecer, o partido do povo, o partido da democracia, do progresso, da justiça social, da modernidade, de todas as coisas boas. Em Portugal, particularmente, este discurso não foi difícil de sustentar na segunda metade do século XX, sob o regime do Estado Novo, que proibia os partidos políticos e as liberdades democráticas.

É certo que o regime autoritário, nascido do pacto dos militares da Ditadura Nacional com Salazar, viera substituir uma democracia que tinha muito pouco de democrática; uma democracia instalada por um regicídio, em que votavam 7% dos cidadãos, só homens, e em que as eleições eram inevitavelmente ganhas por um partido – o Partido Democrático –, primeiro de Afonso Costa e depois de António Maria da Silva.

De qualquer modo, a partir dos anos 50, o regime estava em séria perda de apoio e popularidade, como mostrou o sucesso de rua da candidatura de Humberto Delgado – um populista vindo da ala mais radical e fascistizante do Estado Novo. Por essa época, as mudanças na Igreja Católica e o aparecer de novas gerações sem memória da “balbúrdia sanguinolenta” da Primeira República tornavam mais claras as grandes carências e desigualdades sociais do país, que os sucessivos governos progressistas também não tinham melhorado.

Salazar não procurava a popularidade. Nos anos trinta fizera algumas cedências de estilo em manifestações multitudinárias ao modo dos fascismos europeus, seus aliados na guerra de Espanha; mas, de resto, escolhia aquele estilo do “sábio”, do “eremita”, do “Professor”, longe das multidões. Apesar de haver uma acção importante na criação de infraestruturas, na luta contra o analfabetismo, nas bases da Educação popular e de estar em curso uma segunda revolução industrial, a sensação de muitos era a de viver num país pobre sob uma velha autocracia adormecida na ponta ocidental da Europa, apoiada pelos padres e pelos polícias.

Paradoxalmente, a guerra de África em 1961, a guerra que levaria, treze anos depois, à crise no corpo de oficiais e ao golpe militar de 25 de Abril, proporcionaria um tempo de renovação do Regime. Vencida a conspiração dos generais em Abril de 1961, a guerra reunia à volta do Governo uma vaga patriótica que ia dos republicanos coloniais à nova geração da direita nacional, a geração que, nos anos 60, ia enfrentar a Esquerda nas universidades e servir em África.

Após o desaparecimento de Salazar e a vinda de Marcelo Caetano, em 1968-74, a Esquerda continuou com sucesso a concentrar-se no poder cultural; e quando foi preciso encontrar uma ideologia legitimadora, escolheu identificar-se em bloco com “a Democracia”, independentemente das opções totalitárias, identificando a Direita com “a Ditadura”, quando não com os totalitarismos fascista e nacional-socialista. Há cinquenta anos que o faz.

Em 1974-75, as inventonas do 28 de Setembro e do 11 de Março neutralizaram a direita “ultramarinista”. Depois houve a manipulação pelos comunistas e esquerdistas de um MFA onde não abundavam as “mentes brilhantes” e o tímido aparecimento de uma direita da Esquerda que serviu de direita do Regime.

A poucos anos da queda final do comunismo na Rússia e na Europa Oriental, estivemos em risco de ter uma experiência comunista e esquerdista em Portugal; risco que deixou marcas, mas a que escapámos graças ao povo do Norte e aos pactos de Ialta. E, dirão alguns, também ao Dr. Soares; mas o Dr. Soares, como outros democratas, só acordou para o perigo totalitário quando viu que era a vítima seguinte. Antes disso, os “fascistas” estavam muito bem nas democráticas prisões de Abril, que conseguiram a proeza de, em Outubro de 1974, depois do 28 de Setembro, terem mais presos do que antes do golpe militar. Sem contar o pessoal da PIDE-DGS.

Hoje as coisas mudaram, na Europa e aqui. Só não mudou a patética reivindicação da Esquerda do monopólio da “Democracia”. E, no entanto, por diferentes razões – imigração agressiva e descontrolada, identidades nacionais ameaçadas, oligarquias partidárias instaladas, protesto – muitos eleitores europeus (supomos que todos eles xenófobos, homofóbicos e portadores das mais deploráveis e abjectas patologias) estão a votar democraticamente nos tais partidos da direita nacional populista, a que chamam de “extrema-direita”, “pós-fascistas” e de “direita radical”.

Aparentemente, os eleitores deixaram de se impressionar com os adjectivos com que, à esquerda, os arautos de todas as democráticas virtudes os continuam a mimar. De tal modo que em alguns países europeus os ditos partidos “de extrema-direita” já estão no governo e noutros deixou de se poder governar sem eles e muito menos contra eles. E tudo isto sem golpes de Estado, sem autoritarismos, em democracia.

Vamos a ver como vai ser por cá e pelo mundo no ano que agora começa.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2023

uma potencia europeia de terceira classe!

Falemos da direita, e do momento que atravessa, começando pela Europa.
Hoje, na Europa, há fundamentalmente duas famílias de direita. Ambas são nacionalistas, no sentido em que o valor nação e a independência nacional são denominadores comuns de todas as direitas. E, portanto, até em contraponto com uma certa tendência ou vocação “federalizante” da União Europeia. Esse aspecto nacional é importante. E, depois, acho que há essencialmente duas linhas bastante marcadas nessas direitas. Uma que eu chamaria nacional conservadora, e está mais ligada a valores religiosos, o conceito de família, e é mais tradicionalista. É, por exemplo, o caso dos polacos, que estão muito nessa linha. Portanto, têm muito essa preocupação com esses valores de família, a não permissão do aborto, e da eutanásia, o casamento ser entre um homem e uma mulher, e não ser dois homens ou duas mulheres. Essas coisas tradicionais.
E depois, há uma direita mais popular, ou populista, se quiser, que está mais preocupada, por exemplo, com questões de imigração e de segurança. É uma direita que eu vejo muito aparecer com estes partidos que têm ganho agora eleições, como o Partido da Liberdade na Holanda, do Geert Wilders, os democratas suecos, ou até mesmo o Rassemblement National, da Le Pen. Esta direita não está muito preocupada com as questões mais tradicionais. Para mim, são estas duas as famílias significativas que aparecem. A grande diferença destas direitas em relação às direitas tradicionais, é que as direitas tradicionais eram muito cépticas e críticas da democracia partidária. E estas não são, pelo contrário. Estas, estão muito preocupadas em dizer que são elas, essencialmente, que representam o povo e o voto popular.

Mas são acusadas de fascismo.
Ah, isso os inimigos chamam-lhes de tudo. Mas a direita já há muito tempo que faz parte de governos, nomeadamente na Hungria e na Polónia, e nunca acabou com as eleições. Tanto que na Polónia, agora, perderam as eleições e vão sair. Portanto, isso é uma treta. Os movimentos fascistas tinham a preocupação exactamente de dizer que eram contra a democracia, porque a democracia não era uma expressão da vontade popular, mas sim de grupos de interesses, de oligarquias, e das oligarquias do poder. E as de hoje não, e têm cumprido. Nos Estados Unidos, o Trump esteve quatro anos no poder e não acabou com a democracia. Perderam as eleições e saíram. Podem ter protestado, enfim, alegadamente, que houve fraude, mas na hora de sair, saíram. Portanto, não me parece que essa agenda anti-democrática esteja de pé.

Quais considera serem os principais factores que explicam este crescimento da direita?
Este crescimento da direita tem essencialmente a ver com o facto de os partidos tradicionais, e até os partidos conservadores tradicionais, incluindo os democratas-cristãos, não se terem adaptado nem encontrado respostas para problemas novos. E, na Europa, há dois problemas muito fortes – um deles é a desindustrialização, com o fim da Guerra Fria, e a migração praticamente das indústrias todas para fora da Europa, algo que se deu em quase todos os países, com a Alemanha a ser uma das excepções, porque ainda guardou uma certa capacidade industrial, nomeadamente no ramo automóvel. Mas de um modo geral, o aparecimento e o sucesso de novos partidos repousa essencialmente, sobretudo hoje, que não há propriamente grandes influências internacionais… Não há União Soviética, e os Estados Unidos continuam a existir, mas não estão propriamente a fazer partidos onde não faz sentido existirem. Portanto, a força dos novos partidos resulta essencialmente de um vazio criado anteriormente. E aqui em Portugal, lá está, as pessoas também estão um bocado fartas do centrão. Quer dizer, já há 50 anos que o poder tem sido ou dos socialistas, ou do PSD, e a situação também não é brilhante. Se formos ver, há 50 anos, a ordem, até do ponto de vista económico… Nós hoje estamos muito mais para trás. Já fomos ultrapassados por quase todos os países que estavam no âmbito soviético. Portanto, não podemos dizer que toda esta governação tenha sido brilhante. Assim, não é de estranhar que surjam novas forças. Aliás, embora nós não tenhamos em Portugal, pelo menos por enquanto, aqueles problemas que na Europa geraram essa grande força dos novos partidos, como o problema de uma imigração massiva.

Mesmo assim, a imigração não pára de aumentar…
Começa a estar um bocadinho, mas ainda estamos muito longe disso. Não temos os problemas de uma imigração, culturalmente, de difícil integração, como a França tem, ou os suecos têm. Não temos isso, e também não temos um problema, por exemplo, de separatismo como tem a Espanha, que dá origem ao Vox. O Vox é exactamente uma resposta dos espanhóis, digamos, “zangados” com o separatismo catalão e achando que o Partido Popular não está a defender capazmente essa unidade da Espanha.

E em Portugal, o Chega surgiu também como uma forma de a direita se afirmar, depois de décadas de “timidez”?
É curioso, porque o partido Vox em Espanha nasceu essencialmente de políticos e quadros médios do Partido Popular, e que saíram por não estarem contentes. E aqui, o doutor Ventura vem do PSD. Nestas coisas da política, vai-se também buscar exactamente onde há vazios e, de facto, em Portugal havia um vazio à direita muito grande, que vinha já desde há quase 50 anos. Portanto, nesse aspecto o Chega foi pegar numa série de questões… Enfim, também são partidos de protesto. Às vezes, pode até nem ser tanto o que eles significam do ponto de vista do que querem fazer, mas que aparecem como protesto ao que está. E, portanto, à medida que a situação se agrava, normalmente esses partidos também vão crescendo. É natural, é o que está a acontecer na Europa toda.

Mas acha que as propostas que apresentam podem realmente solucionar os problemas?
As propostas são mais ou menos todas iguais. Se for ver o que os partidos dizem que vão fazer, a parte técnica de soluções é mais ou menos igual. O que interessa aqui, acima de tudo, para fazer a distinção da política, são os valores e princípios políticos. Portanto, por exemplo, se é mais partidário da independência nacional ou é mais europeísta, ou se aceita a eutanásia ou se é contra. São essas questões, umas de costumes, outras de política. Porque hoje, há duas coisas que não estão muito em questão, e uma delas é o modelo democrático. Aliás, é muito engraçado, porque os partidos de esquerda, o Bloco e o Partido Comunista, cujas ideias já foram várias vezes postas em prática, não têm essas acusações. Quer dizer, o comunismo teve 70 anos na União Soviética, e não fez grande coisa. Mas aparecem, de certo modo, como se nunca tivessem sido experimentadas. E os partidos que aparecem à direita com alguma radicalidade são imediatamente acusados de fascistas ou de nazis, ou reacionários, extrema-direita. É engraçado, porque não há direita, só extrema-direita, passa-se do centro para a extrema-direita…

Se Portugal seguisse a tendência da Europa, o Chega talvez acabasse por formar governo…
Não sei não, porque na Europa, governos dessa linha da direita só há na Itália, na Hungria… Na Holanda ainda não fizeram Governo, mas é natural que consigam também, têm 37 deputados mais ou menos.

E na Alemanha, a direita também está a crescer…
Sim, na Alemanha o AfD também subiu bastante. 
O que vamos assistir é uma coisa muito interessante, que é: fora da esquerda, não se poderá fazer governos sem esses partidos de direita entrarem ou a apoiarem. Essa é que será a situação. Não quer dizer que eles sejam Governo, mas não se vai governar sem eles, e isso é um ponto interessante. Essa é que é será a novidade

sábado, 28 de outubro de 2023

O Fascismo


A Itália, sendo uma nação antiga, é um Estado recente. Ainda que desde Dante, Petrarca e Maquiavel possa falar-se numa língua, numa cultura e numa identidade italianas, a estatalidade só lhe chegaria em 1861, quando o Rei Vittorio Emanuele II da Sardenha unificou a península e se intitulou rei de Itália. Assim, foi só no século XIX que o Estado italiano, a monarquia dos Saboia e a Itália independente se consolidaram, encontrando as suas raízes culturais nas óperas de Verdi e nos romances de Alessandro Manzoni. Mas tal como a Alemanha e como quase todos os Estados da Europa e das Américas a Itália far-se-ia sobretudo na guerra e pela guerra.
A Itália unida tentou desde logo participar na partilha de África mas teve um pesado insucesso militar quando, num dos poucos desastres de forças europeias coloniais perante tropas locais, a expedição do general Baratieri, em Aduá, foi vencida pelos etíopes de Menelik II.
No princípio do século XX, há em Itália um vigoroso movimento cultural que manifesta uma identidade rica e modernizante. Il Leonardo, de Papini e Prezzolini, Lacerba, de Papini e Ardengo Sofici, ou La Voce são algumas publicações da chamada “idade das revistas”; e Filippo Tommaso Marinetti, do Movimento Futurista, publica em Fevereiro de 1909 um Manifesto que iria desencadear muitas outras proclamações do género, da Rússia aos Estados Unidos e da Inglaterra a Portugal.
Mussolini: de socialista a fascista
A Grande Guerra vem surpreender e perturbar um dirigente socialista italiano, Benito Mussolini, homem da esquerda do Partido Socialista e director do jornal Avanti. Nas vésperas Grande Guerra, a Itália estava numa situação política e diplomática especialíssima: fazia parte da Tripla Aliança, com os Impérios Centrais da Alemanha e a Áustria, mas, para os nacionalistas italianos, o inimigo histórico era a Áustria dos Habsburgo.
Ainda que, em Itália, o intervencionismo reunisse gente da direita, do centro e da esquerda, o Partido Socialista Italiano era pela neutralidade. Por isso o socialista revolucionário Benito Mussolini, ao passar a integrar o bloco intervencionista, foi expulso do Partido.
Mussolini alistou-se então como voluntário, foi ferido e experimentou o que muitos europeus de todas as fés e quadrantes experimentaram com a guerra – o fim de uma época, o fim dos seus mestres e referências e o nascer de um tempo novo.
Com outros da sua geração, vai fundar, em Milão, no dia 23 de Março de 1919, os Fasci di Combatimento. Da reunião sai um programa que é muito fruto do pensamento e da acção do núcleo fundador, onde há ex-socialistas e sindicalistas revolucionários, futuristas, ou seja, modernistas reaccionários, e também arditi, os ex-combatentes das forças especiais. À luz dos critérios pré-guerra, o programa era um cocktail contraditório: nacionalista, socialista (defendia a nacionalização dos bancos e a expropriação dos latifúndios), democrático (era pelo direito de voto universal, incluindo as mulheres, para os maiores de 18 anos) e jacobino (queria a nacionalização dos bens das congregações religiosas).
Este programa vai evoluir e modificar-se, em função das circunstâncias e dos aderentes. O “fascismo de esquerda”, o primeiro, o milanês, vai alterar-se com a adesão dos agricultores do Norte e da Emília Romanha, perante o risco de ocupação das suas propriedades. O chamado “fascismo agrário” cresceu muito graças aos agricultores que, receosos da ocupação por militantes de esquerda, apelavam aos Squadristi fascistas.
Mussolini procurou sempre ser o árbitro e o mediador entre a esquerda e a direita fascistas. A sua estratégia de manter uma força de milícias armadas, os Squadristi, que protegia os comícios e as sedes do partido e que atacava as sedes socialistas e os jornais de esquerda, e de, ao mesmo tempo, concorrer a eleições e manter um grupo parlamentar, mostra bem essa sua preocupação táctica.
Não era uma estratégia original, já que o Partido Socialista actuava da mesma forma. No fim da guerra, com a revolução dos Bolcheviques na Rússia, a opção pela violência coexistia com o legalismo eleitoral, com os socialistas a obterem 1. 840 000 votos e 156 deputados num parlamento de 508. Nesta conjuntura, a componente maximalista tomava a dianteira e os socialistas italianos lançavam-se na empresa de “copiar a Rússia” com uma retórica radical, pontuada por clichés marxistas, que anunciava a “crise inevitável e próxima do regime capitalista” que “nada nem ninguém podia salvar”.
Para Ângelo Tasca, companheiro de Gramsci na revista Ordine Nuovo, Mussolini joga com o “nacionalismo exasperado” e as “reivindicações sociais radicais”, isto é, com a Itália da “vitória traída” e a Itália “nação proletária”, vítima das “nações plutocráticas”, como a França e a Inglaterra.
Mil Novecentos e Vinte abre com greves maciças na Indústria e com lutas sociais no campo, o que leva os patrões e as classes médias a preparar a resistência às ocupações. Mussolini está a integrar o “bloco anti-socialista”, articulado pelo primeiro-ministro Giolitti, com o apoio do Vaticano. Por essa altura (entre o Verão de 1920 e o princípio de 1921) o Duce está a multiplicar os “fascios”, que passam de 108 a cerca de mil.
É a guerra de classes, a guerra civil de baixa intensidade; mas, ao contrário do que acontecera na Rússia, os vencedores não iriam ser os “vermelhos”, mas os “negros”.
Os fascistas e os Squadristi têm aqui um papel fundamental: apesar do mau estado das estradas, criam um sistema de mobilização e coordenação intercidades que multiplica a força das expedições punitivas e defensivas na Itália do Norte e do Centro, contando com a simpatia discreta do Exército; enquanto a burguesia, assediada e amedrontada pelo “perigo comunista”, passa da desconfiança à neutralidade colaborante.
Por esta altura, o Governo liquida o caso de Fiume e Mussolini deixa cair D’Annunzio, que “libertara” a cidade do Adriático. Em Livorno, em Janeiro de 21, no XVII Congresso do Partido Socialista Italiano, os comunistas abrem a secessão. Os socialistas mantêm-se fortes no Parlamento, onde os católicos populares de Don Sturzzo também têm uma boa representação.
Mussolini vai então defender uma nova aliança para uma nova maioria: “uma nova e grande coligação […] das três forças verdadeiramente eficazes na vida do país” – os socialistas, os católicos populares e os fascistas. É nesse espírito que assina um “pacto de pacificação” com os socialistas, em Agosto de 1921. As forças conservadoras voltam-se contra ele, bem como os sectores esquadristas mais radicais – do Vale do Pó, da Toscânia, de Veneza Júlia, de Bolonha –, que também se insurgem contra o acordo.
É Dino Grandi quem corporiza esta linha crítica dos esquadristas. Nesta altura, os Fasci já passavam dos 300 mil filiados. No Congresso de Roma dá-se a pacificação interna e os Fasci são abolidos, passando a Partido Nacional Fascista (PNF).
O PNF organiza-se rapidamente em milícia nacional, numa rede de ocupação territorial que conta com a cumplicidade de quadros militares. Os governos sucedem-se, com as esquerdas incapazes de chegar a um acordo entre socialistas, comunistas e populares. Os comunistas italianos hesitam, tal como os seus correligionários alemães hesitariam na véspera da conquista do poder por Hitler: entre dois males, qual seria o pior, o fascismo ou a “democracia burguesa”?
No Verão de 22, o esquadrismo fascista desenvolve operações violentas em Cremona, Novara e Ravena. Em Ravena, na comemoração do sexto centenário da morte de Dante, incendeiam sedes partidárias de esquerda.
Mussolini, numa série de discursos em Agosto e Setembro de 22, trata de tranquilizar as instituições, ao mesmo tempo que conversa com dirigentes conservadores e liberais, para tentar um governo de coligação. E propõe uma política externa não-sujeita à Sociedade das Nações e à Inglaterra, que vê como o poder imperialista por excelência.
A marcha dos condottieri
A Marcha sobre Roma nasce neste clima. É decidida em Milão, em meados de Outubro, torna-se pública no encontro de Nápoles (24-25 de Outubro) e inicia-se na noite de 27 para 28 de Outubro. Um Quadrunvirato (o fascismo, à semelhança do bonapartismo, retomava as hierarquias romanas), formado por Italo Balbo, Emilio De Bono, Cesare Maria De Vecchi e Michele Bianchi, assume a direcção do Partido e das operações. Os fascistas começam a ocupar centros políticos e estratégicos por toda a Itália, de prefeituras administrativas a estações ferroviárias.
Em Roma, o governo liberal de Luigi Facta demite-se e declara o estado de sítio – que o Rei Vittorio Emmanuele se recusa a assinar.
Entretanto, Mussolini está em Milão. No dia 28, à tarde, o Rei chama o conservador Antonio Salandra para formar um governo de direita com os fascistas. Salandra consulta Mussolini, que lhe responde que só integrará o governo como Presidente do Conselho de Ministros.
A 29 de manhã, Mussolini recebe um telegrama do general Cittadini que, em nome do Rei, o convida a vir a Roma para formar governo. Parte de Milão ao fim da tarde e chega a Roma na manhã de 30, Domingo. À tarde, às 19h20, entra no Quirinale para apresentar ao Rei o seu Ministério.
É um governo de coligação parecido com os anteriores: nele entram, além de Mussolini, três fascistas, um nacionalista, dois populares, dois democratas, um social-democrata, um liberal, um independente (Emilio Gentile) e dois militares.
Na sua manobra para conquistar o poder, Mussolini segue o conselho maquiavélico, combinando a força do leão com a astúcia da raposa: numa Itália traumatizada pela “vitória traída”, com as classes médias preocupadas e assustadas perante a ameaça comunista patente no Bienio Rosso, os fascistas surgiam como alternativaSem abandonar na retórica dos princípios a ambição do solidarismo social através do corporativismo, o fascismo fora perdendo no terreno a sua componente “de esquerda” e, sobretudo a partir do “fascismo agrário” e do esquadrismo, passara a integrar a direita sociológica.
Ao mesmo tempo, Mussolini tecera aquilo a que o historiador Francesco Perfetti, um discípulo de Renzo De Felice, chamaria “uma teia de aranha” político-partidária com os principais dirigentes conservadores e liberais – Giolitti, Orlando, Salandra, Facta — e o nacionalista Federzoni. Quando Facta quis declarar o estado de sítio, o rei recusou-se a fazê-lo, sabendo das simpatias da jovem oficialidade pelos fascistas e por Mussolini, e tendo, através de Federzoni, a garantia de que não tocariam na Nessa medida, a marcha dos fascistas sobre a capital, depois exaltada como decisiva, foi mais uma demonstração de força destinada a cobrir um golpe de Estado indolor do que um assalto violento ao poder. Um assalto em nada comparável à tomada de poder pelos bolcheviques e às perdas humanas causadas pela revolução e pela guerra civil na Rússia. Perdas que Antony Beevor, no seu recente Russia – Revolution and Civil War 1917-1921, estima em 12 milhões de vidas.

segunda-feira, 25 de setembro de 2023

A nova esquerda e a guerra cultural

Num artigo Bring the Counter-Revolution, no City Journal, Christopher Rufo, o autor de America’s Cultural Revolution: how the radical left conquered everything, historia o longo processo através do qual a Esquerda norte-americana conquistou, no nosso tempo, o poder cultural nos Estados Unidos. Uma conquista que, para o autor, foi feita passo a passo, no último meio século e que se foi consolidando, ao ritmo leninista dos dois passos em frente, um atrás, apesar das derrotas políticas infligidas à Esquerda por Nixon, por Reagan e por Trump.
Porque é o povo, a comunidade dos cidadãos votantes, que resiste a esse poder – poder que se vê no triunfo da correcção ideológica LGBT+, na hegemonia e sucesso do discurso intimidatório do Black Lives Matter ou na marginalização da meritocracia na selecção de governantes e responsáveis americanos, perante a obsessão de preencher cargos públicos com quotas de representantes de minorias culturais, sexuais e raciais.
Nixon 1968
Rufo recorda que esta agenda da Nova Esquerda é a que foi imaginada e ensaiada na segunda metade dos anos 60, simbolicamente em 1968 – ano do Maio parisiense, ano que é também o da segunda New Left inglesa. Essa Agenda, na época, obedeceu a preocupações políticas circunstanciais – explorar as vulnerabilidades da sociedade norte-americana a braços com a guerra do Vietname e com o problema racial; mas procurou também responder a questões de fundo, como a perda de atracção, nas democracias ocidentais e entre os trabalhadores”, do “socialismo real” soviético.
Daqui resultou, no terreno, uma evolução para uma democratização e decadência do movimento comunista na Europa, com uma correspondente radicalização armada de grupúsculos terroristas – Brigadas Vermelhas na Itália, Baader-Meinhof na Alemanha– e uma galáxia de partidos maoistas, reencarnando todas as heresias e desviacionismos do tipo trotskista, banidos pela linha geral soviética.
Por outro lado, foi aproveitada a onda de popularidade recebida de Paris, e houve um revival dos “marxismos imaginários” (a expressão é de Raymond Aron), ou seja, de uma leitura dita nova e original de Marx.
Na América, esta agenda da New Left marcou ou ia marcar o tempo até aos nossos dias, ditando padrões da “nova moralidade”, os padrões que hoje dominam “a ideologia, a narrativa e a estética dos movimentos da esquerda social”, ainda que “degradados pelo cinismo e pela recorrência temática”.
Daí, para Rufo, a necessidade da “contra-revolução”, uma contra-revolução intelectual que na América retire o poder à Nova Esquerda, ou melhor, à sua ideologia. E isto não apenas no domínio do debate político, mas em profundidade, indo à filosofia, às ideias, base das orientações políticas e sociais. Rufo, que vem de uma família comunista italo-americana, invoca como um dos pais-fundadores desta contra-revolução Richard Nixon que, nesse mesmo ano de 68, ganharia a presidência norte-americana apelando, no meio da agitação radical, para a maioria silenciosa – “the quiet majority of Americans, the forgotten Americans, the non-shouters, the non-demonstrators”. Esta maioria dos Americanos “brancos e negros, nascidos na América ou no estrangeiro”, representava – insistia o candidato republicano – “a voz real da América”.
Nixon foi um político especialmente odiado pela corporação jornalística progressista; era um realista em política externa que deu passos de extrema ousadia para alguém da direita americana, como o reconhecimento da China de Pequim. Por outro lado, internamente, percebeu as regras do jogo e apelou ao povo ameri-cano, em nome dos princípios da Revolução americana, contra a “revolução” da New Left.
Nixon percebera que o inimigo principal da América era a coligação entre radicais brancos da classe média estudantil, que faziam barulho e fugiam à tropa, e radicais negros do Black Power, que punham bombas e assassinavam polícias. E daí veio a política de “lei e ordem” com que, uma vez eleito, respondeu aos grupos terroristas ou subversivos como os Black Panthers, ou os Weather Underground. Estes movimentos clandestinos ou semi-clandestinos foram combatidos e controlados durante a Administração Nixon.
A vitória de Ronald Reagan, em Novembro de 1980, foi também o resultado da “contra-revolução” intelectual, promovida pelas fundações e think-tanks nacional-conservadores, como a Heritage Foundation de Ed Feulner e o American Enterprise Institute; mas foi, acima de tudo, consequência da percepção popular da decadência dos Estados Unidos e de que os EUA podiam perder a Guerra Fria para a União Soviética.
Esta reacção nas Administrações Reagan-Bush 41 acabaria por levar, sem confrontação e dentro dum quadro de Détente, a uma espécie de vertigem suicidária da direcção soviética de Gorbachov; as reformas do Secretário-Geral retiraram do sistema soviético, interna e externamente, isto é, no interior da URSS e na área do Pacto de Varsóvia, o factor medo, precipitando a queda dos regimes comunistas.
Uma década antes desse fim, na segunda metade dos anos 70, depois do Watergate e do abandono do Vietname em 1975 e, na mesma época, da passagem dos Estados saídos da descolonização portuguesa para a esfera da URSS, parecia ser a América e o Ocidente quem estava em crise e à beira da derrota. Enquanto, apesar de análises críticas como a de Emmanuel Todd sobre os males intrínsecos da URSS, o país e o sistema soviético estavam, na expressão de Stephen Kotkin “letargicamente estáveis”.
O sucesso da Nova Esquerda
Mas antes do “colapso soviético” já aparecera a Nova Esquerda nos anos 60, que acabaria por ser uma tentativa, com sucesso, de a Esquerda encontrar um caminho possível entre o “socialismo real” soviético, identificado com os horrores do Estalinismo e o Estado policial e que já não seduzia muita gente e a deriva “burguesa” do trabalhismo e da social-democracia.
Com sucesso, os neo-esquerdistas convenceram a opinião pública que o Estalinismo tinha sido um desvio radical do marxismo-leninismo e uma traição ao Proletariado. Convenceram também que os seus ideais permaneciam como tal – ideais – e que a experiência soviética e chinesa não passava de ilusões, de corrupções autocráticas do verdadeiro e autêntico marxismo, que permanecia puro, na terra das utopias.
A lista destes marxistas libertários “ocidentais” é longa, desde a Escola de Frankfurt aos italianos Gramsci e Antonio Negri, a Louis Althüsser e Herbert Marcuse e às as novas “leituras” de Marx.
As interpretações alternativas e “heréticas” de Marx em relação à Vulgata soviética estavam desde sempre legitimadas pelo próprio Pai Fundador da doutrina que, em nota revelada pelo seu amigo, coautor e mecenas, Friedrich Engels, escrevera “tudo o que sei é que eu não sou marxista” – “Alles was ich weiss ist dass ich kein Marxist bin.”
Mas além de uma hermenêutica para os devotos, as várias derivas marxistas, neomarxistas e pós-marxistas, tiveram a extraordinária virtude de desligar os princípios ideológicos do Marxismo das experiências marxistas reais – que houve algumas longas, como a soviética, a chinesa, a cubana e a norte-coreana. Do mesmo modo, a agenda New Left dos anos 60, embora neutralizada no plano político e de ordem pública, isto é, sem qualquer apoio eleitoral e popular para fazer a revolução, conseguiu impor-se progressivamente no plano cultural e ideológico.
Rufo, no seu livro, traça o perfil intelectual e descreve a ideologia de uma série de autores – com Althusser à cabeça, mas também os americanos Derrick Bell e Kimberlé Crenshaw, os inventores da Critical Race Theory em nome da qual, a seguir ao assassinato de George Floyd, a esquerda radical pegou fogo à América e pôs em causa meio século de integração; assim como o sociólogo brasileiro Paulo Freire, autor de Pedagogy of the Opressed e uma longa lista de divulgadores pós-marxistas que foram aplicando a tudo ou quase tudo o binómio explorador-explorado, ao mesmo tempo que impunham, por via das receitas gramscianas e da Escola de Frankfurt, uma dialéctica de novas e permanentes contradições e explorações, desenvolvendo simultaneamente catecismos de correcção e incorrecção política.
Estes, numa altura em que começam a encontrar resistência no mundo euro-americano, estão a vir para cá, com a pompa e circunstância de grandes descobertas e conquistas culturais; vêm com a Esquerda radical, apoiada pela Esquerda oficial a quem não deixam de dar algum jeito, obcecada na sua ocupação do Estado e tranquila, por enquanto, com as “linhas vermelhas” que impôs aos seus inimigos oficiais e que estes parecem ter aceitado.



sábado, 10 de junho de 2023

O 10 de Junho dos Combatentes

… em 1994, um núcleo de antigos combatentes lançou a ideia do Monumento aos Combatentes do Ultramar. E, a partir daí, todos os anos, junto ao monumento de Belém, onde estão inscritos os nomes de todos os militares que morreram nessas últimas campanhas de África e da Índia – bem como os que depois morreram ao serviço de Portugal em missões internacionais – alguns milhares de nós lembramos os nossos camaradas mortos ou desaparecidos em combate, cujos nomes ficaram gravados nos muros do monumento.

A cerimónia transcende ideologias – sobretudo ideologias partidárias de que o povo português está cada vez mais distante – e não pretende rever o que a História decidiu. Pretende sim não retirar aos mortos desses 14 anos de guerra, e aos outros que na defesa da pátria foram mortos, o seu lugar na História.

E lembrar que a Pátria, a terra da pátria e os mortos pela pátria, são o património agregador da comunidade e a verdadeira garantia da Liberdade dos portugueses. Uma liberdade que não vem de Bruxelas nem das Nações Unidas, que nunca poderá ser alienada a organismos supranacionais, a federalismos utópicos, a mecanismos de submissão discreta de povos e culturas, ao abrigo de facilidades financeiras e simpatias baratas.
O 10 de Junho dos Combatentes é, e continuará a ser, uma afirmação do patriotismo português, um rito celebrativo da nossa identidade e unidade, numa Europa que hoje também parece despertar para a sua verdadeira natureza e sentido, uma Europa das Pátrias, de Estados Nacionais, soberanos, que voltam a lembrar um passado histórico que tem de ser integrado, tal como também o Cristianismo incorporou as heranças da Grécia e de Roma e criou uma civilização onde a identidade e a independência são condição da Liberdade e das liberdades.
Foi isto que Camões entendeu e registou e que outro poeta maior de Portugal, Fernando Pessoa, veio lembrar e reintegrar no século passado. E os grandes poetas são os melhores intérpretes do espírito do povo, aqueles que, como os antigos arúspices, sabem ler nas entranhas do passado e nos ventos do presente a memória do futuro.

sexta-feira, 25 de novembro de 2022

De Abril a Novembro

Quarenta e sete anos depois, é fazendo as contas ao estado deste país adiado que se deve olhar, lembrar e julgar o 25 de Novembro.
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“O 25 de Abril foi uma revolução corporativa, na origem e no desenrolar das suas fases mais agudas, com incipientes clientes políticos lutando pelo favor dos pretorianos, também sempre condicionados e limitados pela conjuntura exterior, que era a Guerra Fria.


Quem conheceu e viveu a resistência ao PREC não pode deixar de ler a maioria dos relatos oficiais desse período, entre 25 de Abril de 1974 e 25 de Novembro de 1975, como uma fábula interessada, composta para uso e consagração dos príncipes. E sobre o 25 de Novembro, a narrativa maniqueísta é ainda dominante: desloca protagonismos e chefias, minimiza o pessoal no terreno – as companhias de Comandos convocados – e exalta grandes chefes e cérebros estratégicos. E é sobretudo omissa quanto ao papel das forças sistémicas, internas e externas, no controlo do que poderia ter sido uma viragem na revolução portuguesa, caso tivesse sido politicamente explorada.
Assim, foi um Thermidor em que, em nome da pacificação e da moderação, se congelou o PREC e o seu contrário, iniciando-se a consolidação do regime sob uma ideologia de esquerda antifascista, com uma classe política de centro-esquerda – o Centrão PS-PSD – e uma marginalização das direitas, sempre carregando as culpas do anterior regime.
Quarenta e seis anos depois, é fazendo as contas ao estado deste país adiado que se deve olhar, lembrar e julgar o 25 de Novembro, o esforço e sacrifício dos seus combatentes e o modo como os derradeiros vencedores contaram e contam a História.”
(in “A história dos vencedores” por Jaime Nogueira Pinto)

quarta-feira, 19 de outubro de 2022

A camioneta-fantasma da I República

19 de Outubro de 1921.
O dia em que acabou a Republica e começou o Estado Novo
“um episódio de terror, parecido com aquele terror vermelho que estava a começar a acontecer na Europa".

A ‘camioneta-fantasma’ é a história de uma das revoluções durante a I República. Existia então um governo da direita republicana chefiado por António Granjo que cai perante um movimento revolucionário conjunto da Guarda Republicana e de marinheiros.
O Presidente da República António José de Almeida recusa-se a empossar o Comité Revolucionário e o País fica sem governo. A 19 de Outubro de 1921, Granjo vai para casa e, durante esse dia, começa a ver-se a Guarda Republicana descomandada e descontrolada.
Guardas e marinheiros vagueiam pelas ruas de Lisboa e, à tarde, dirigem-se a casa de António Granjo para o prender. Mas um vizinho de Granjo avisa-o e o ex-chefe de governo refugia-se em casa de um adversário político, Cunha Leal.
Cunha Leal recebe-o, acolhe-o, tenta protegê-lo – mas, à noite, os tais marinheiros vão numa camioneta que sai do Arsenal da Marinha, onde estavam reunidos, com os guardas".
A ‘camioneta-fantasma’ começa por ir buscar António Granjo. Ao ver Granjo, um dos revolucionários grita para os camaradas: "ó rapaziada! Fura-se o gajo já aqui…?". Não furaram.
Cunha Leal vem com ele para o tentar proteger – e são levados até ao Arsenal da Marinha, onde Granjo é violentamente assassinado. Depois de insultado e agredido, é morto a tiro e à baioneta. A mesma camioneta, onde vai o cabo ‘Dente de Ouro’, persegue e assassina alguns dos políticos republicanos conotadas com o sidonismo.
Como é o caso de Machado dos Santos, ex-ministro de Sidónio Pais e fundador da República – mas também de José Carlos da Maia, um dos revolucionários do 5 de Outubro, entre outros. Machado dos Santos, o herói da Rotunda, o líder do 5 de Outubro, acaba por ser morto a tiro, ainda a caminho do Arsenal, no Intendente.
“A camioneta-fantasma da I República foi um episódio de terror, parecido com aquele terror vermelho que estava a começar a acontecer na Europa".

sexta-feira, 7 de outubro de 2022

Os novos Lepantos

Lepanto foi a 7 de Outubro de 1571. 
Não creio que valha muito a pena, na sua celebração, estabelecer retóricas paralelas com a Europa de hoje perante o Islão de hoje. Até porque, hoje, a grande ameaça à civilização não vem de fora, vem de dentro; não vem das armas, vem do irrealismo e do simplismo das ideias que alguns nos querem autocraticamente impor. E vem também da apatia dos que já não defendem nada nem ninguém e da desistência e da falta de comparência dos muitos que, discordando e dissidindo, se calam, se rendem, se conformam. 
São estes os novos Lepantos. Os nossos Lepantos. Os que nos devem convocar para o combate. (in " Lepanto " por Jaime Nogueira Pinto)

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2022

é proibido proibir...

 …o presente policiamento ideológico e as “linhas vermelhas” com que se procura segregar um partido e os seus eleitores não vão sequer beneficiar quem está no poder e muito menos o regime. Limitam-se a expor sob uma luz cada vez mais crua a exemplar democraticidade dos que se acham “donos disto tudo”.

Quando já não é proibido proibir

Achar que Deus, Pátria e Família é “fascista”, mesmo na pouco esclarecida qualificação do regime português, só pode resultar de ignorância ou táctica. Achar que, a partir de um centro enviesado à esquerda que se autoproclama democraticamente imaculado, podem traçar-se diabólicas linhas vermelhas para um lado e angélicos arco-íris inclusivos para o outro, é mau sinal. Achar que, independentemente da votação obtida, há um partido e um conjunto de eleitores que devem ser, à partida, excluídos da possibilidade consagrada pela praxe constitucional de ver eleito um candidato, “seja ele quem for”, a vice-presidente do Parlamento é, pela lógica do regime, indefensável. Achar natural que esse mesmo partido fique a um canto da Assembleia com orelhas de burro enquanto os “partidos de bem” avançam, cantando e rindo, para as “conversas em família” com o primeiro-ministro que quer falar com todos, é uma prática de discriminação aleatória que tem tudo para correr mal.  É esta narrativa e esta prática ideologicamente enviesada para aguentar no poder e defender os interesses dos que se assumem como “mais iguais que os outros” que começa a levantar cada vez mais dúvidas a cada vez mais pessoas. Afinal, o que distingue a democracia liberal dos outros regimes é a aceitação e integração, nas suas regras de jogo, de todas e quaisquer forças políticas que, independentemente dos valores que defendam, actuem pelas vias pacíficas e de acordo com as leis constitucionais e civis. Mesmo as iliberais. ( Jaime Nogueira Pinto in “Donos disto tudo”)

domingo, 26 de julho de 2020

Salazar



António de Oliveira Salazar, conhecido apenas pelo último nome, foi o primeiro ministro de Portugal durante 36 anos (1933 até 1968).
Salazar nasceu em Vimieiro no dia 28 de abril de 1889.
O político era filho de um feitor (António de Oliveira) responsável por uma propriedade no pequeno povoado Vimieiro, situado no concelho de Santa Comba Dão. A mãe do estadista chamava-se Maria do Resgate Salazar. O casal teve três filhos: António e mais duas irmãs.
Salazar ingressou em Outubro de 1900 no seminário de Viseu onde permaneceu por oito anos. Quando saiu do seminário, começou a dar aulas em uma escola de Viseu e actuou também como professor particular.
Formou-se em direito em 1914 pela Universidade de Coimbra. É em Coimbra, aliás, que Salazar ingressa na vida política tendo liderado o Centro Académico de Democracia Cristã.
Tornou-se professor da mesma instituição em 1917 ocupando a disciplina de Ciências Económicas, após ter se especializado em Economia.
Salazar foi um dos responsáveis pela fundação do Partido Centro Católico (1921).
Após a derrubada do governo parlamentar - em maio de 1926 - recebeu um convite para assumiu o posto de ministro das finanças, mas não obteve a autonomia que desejava.

Dois anos mais tarde, António Oscar de Fragoso Carmona, então presidente, deu ainda mais poder à Salazar e lhe ofereceu todo o controle das contas públicas - em 28 de abril de 1928 Salazar assumiu o cargo de Ministro das Finanças.
À frente do ministério, conseguiu inverter o problema do déficit público e transformou-o em superávit. Com o saldo positivo, pode ajudar a desenvolver o país.
No dia 5 de Julho de 1932, Salazar foi nomeado primeiro ministro por Carmona. O período em que esteve no poder foi marcado pelo conservadorismo, pelo autoritarismo, pelo nacionalismo e pela influência de um pensamento católico.
Os seus anos à frente do país ficaram conhecidos como "Estado Novo Português". Foi um período marcado, especialmente, pelo fim das liberdades políticas - Assembleia Nacional da época era composta apenas por aliados do partido de Salazar - e pelo forte investimento na área militar.
Salazar também actuou como ministro das Finanças (1928-1968), ministro das Colónias (1930), ministro da Guerra (1936-1944), ministro das Relações Exteriores (1936-1947) e ministro da Defesa Nacional (1961-1962).

terça-feira, 7 de abril de 2020

A ditadura do politicamente correcto e o domínio cultural da esquerda radical

Orador: Jaime Nogueira Pinto
Painel : Ana Pedrosa Augusto, Andreia Enes Godinho, Helena Matos e Pedro Picoito.

terça-feira, 10 de março de 2020

MEL (o politicamente correcto)

ir para a hiperligação M E L 
Movimento Europa e Liberdade
(o Politicamente Correcto)