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sábado, 25 de novembro de 2023

História para os mais novos!

a importância do 25 de Novembro de 1975 para corrigir o 25 de Abril de 1974

sexta-feira, 25 de setembro de 2020

A Grande Mentira do Regime

As democracias são e foram sempre destruídas de dentro, pelos que, no poder, as viciam e empobrecem. Tenham por isso medo de quem manda, não de André Ventura.

"Um dia, estou certo, alguém achará tudo isto muito curioso. O Partido Socialista é poder em Portugal há vinte e cinco anos. Em 2020, continuamos a ver no governo os mesmos — ou os seus assessores e descendentes — que chegaram com António Guterres em 1995, e que estiveram com José Sócrates entre 2005 e 2011. Num quarto de século, ocuparam o Estado, agravaram a dependência da sociedade em relação ao poder político, e passaram a controlar, como mais ninguém na história deste regime, o que é feito e dito no país. Desde 2015, governam amparados pelos fãs das ditaduras de Cuba, Coreia do Norte e Venezuela. Ao princípio, repetiram os chavões do que o trabalhismo inglês chamava a “terceira via”. Agora, as suas “ideias” consistem em gastar o dinheiro europeu para financiar um Estado inviável, e em deixar passar a agenda do radicalismo norte-americano que, à esquerda, substituiu o marxismo soviético. O resultado é um país envelhecido e estagnado, mas já com eutanásia e cada vez mais arrependido de alguma vez ter tido importância na história do mundo. " (por Rui Ramos in " A Grande Mentira do Regime")


quarta-feira, 22 de julho de 2020

o que foram os "goulags"

Aproveitando a polémica em torno da nomeação da militante comunista Rita Rato para a direcção do Museu do Aljube, falamos dos campos de trabalho soviéticos e da resistência ao salazarismo.



sexta-feira, 17 de julho de 2020

não matem a Universidade!


O abaixo-assinado dos 67 contra Riccardo Marchi é um dos actos mais vergonhosos da história da universidade portuguesa. Merece ficar ao lado da expulsão de professores durante a ditadura salazarista.
[.]
Pergunta: Marchi chegou a conclusões com as quais todos temos de concordar? Não, de maneira nenhuma.
O livro de Marchi é universitário também no sentido em que se expõe honestamente à crítica: explicita os seus métodos, indica as suas fontes (entrevistas, documentos, imprensa), e admite o carácter hipotético das suas explicações. Para usar as expressões do autor, não é uma “apologia”, mas também não é uma “demonização”: é apenas uma tentativa de compreender. Ora, parece que para alguns cães de guarda da universidade, só a “demonização”, sem estudo, é aceitável. [...] (in “Não matem a universidade “ por Rui Ramos)

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

Só não sei porque é você e eu nos calamos!

Há um mistério na sociedade portuguesa.
- Morrem dezenas de pessoas em incêndios, e o governo diz que não é a protecção civil.
- Desaparece e reaparece material dos paióis militares e dos barcos de guerra, e o governo manda informar que não é sentinela nem polícia.
- Morrem mais pessoas na derrocada de uma estrada entre pedreiras, e o governo esclarece que não é direcção-geral, nem câmara municipal. Enfim,
- a lista podia continuar.  
.A questão é esta: ao certo,
o governo é responsável do quê em Portugal?  (in “O governo é responsável de quê? ” por Rui Ramos)

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

entre o “reponsabilizar” e o “culpabilizar”

“Aqueles que continuam a insistir que a solução política de 2015 não tem problema nenhum, que assim é que é, porque é “como lá fora”, talvez um dia venham a perceber que não é assim, que o governo de um político que foi candidato a primeiro-ministro e como tal rejeitado pelo eleitorado tinha de dar nisto, numa simples azáfama para agradar e para ceder, temperada pelo equívoco e pelo engano.” (in “Como é doce governar sem responsabilidades” por Rui Ramos)

.
.
A primeira palavra daquele paragrafo (“aqueles”) é a mais importante para o futuro que se avizinha. Não tem “nada a ver” com eleitores mas tem “tudo a ver” para aqueles que os condicionaram no voto e na bovina mansidão que leva 3 anos.
São “aqueles”, “os” especialistas em branqueamento, que forçosamente terão que ser culpabilizados!

(o português é uma língua extraordinária que permite, a bom entendedor, distinguir entre o “responsabilizar” e o “culpabilizar” e também diferenciar entre “aqueles” e “os”...)

terça-feira, 10 de julho de 2018

Foi você que pediu uma geringonça?

No Outono de há três anos, pouca gente percebeu o que era a geringonça.
Muitos confundiram-na com uma maioria de esquerda:
uns imaginaram que o PS se teria finalmente rendido às “políticas de esquerda”, tal como o BE e o PCP concebem essas políticas;
outros esperaram que o BE e o PCP,  depois de anos de “protesto”, se tivessem rendido ao princípio da “responsabilidade” de governo, tal como o PS compreende essa responsabilidade. Ora, a verdade é que não aconteceu nem uma coisa, nem outra.
O PS manteve-se fiel a Bruxelas, como não podia deixar de ser num país financeiramente dependente do BCE: aumentou os salários, mas esvaziou os serviços através de cativações – porque, como o Costa já admitiu, não se pode ter tudo... 
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“Nunca aprendemos nada. Se calhar foi pena termos pedido o resgate quando o pedimos. Mais um ou dois meses e falhavam os pagamentos aos funcionários públicos. Se isso tivesse acontecido talvez se tivesse aprendido de vez”.
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Ainda é possível que acabemos por ver muito mais coisas. Mas já é claro no que consiste a geringonça. A geringonça não é a maioria de esquerda. A geringonça é o regime, toda a oligarquia, depois de fracassadas as ideias e liquidadas as expectativas, a tentar salvar-se, agarrando-se ao Estado. A “Terceira via” do PS falhou em 2001, outra vez em 2011 e finalmente em 2015. (in “Foi você que pediu uma geringonça?” por Rui Ramos)

terça-feira, 6 de março de 2018

um aviso aos “bem pensantes”


“Antigamente, sempre que o “sistema” na Europa era desafiado, bastava mencionar “fascismo”, para os eleitorados isolarem os intrusos. Foi assim em França, em 2002, contra Jean-Marie Le Pen. 
Desta vez, em Itália, o perigo era o Movimento 5 Estrelas e a Liga (antiga Liga Norte).
Sim, são fãs de Putin, são proteccionistas, e abusam do contraste mitológico entre um povo inocente e uma oligarquia corrupta. Mas quando o regime tirou da gaveta as acusações do costume, o eleitorado não respondeu ao assobio do “fascismo”.
Muitos abstiveram-se, mas muitos mais aproveitaram o segredo das cabines de voto para escolher os candidatos proscritos pelos bem pensantes.” [...]
A Itália é, com Portugal, uma das economias que menos bem se adaptou à chamada “globalização”. Há duas décadas que diverge do resto da Europa. Mas o problema não é só o desemprego. É uma oligarquia que insiste em introduzir, como fez em 2015, centenas de milhares de imigrantes em sociedades envelhecidas, economicamente estagnadas e culturalmente confusas. [...]
Uma sociedade jovem, dinâmica e com valores claros poderia talvez dar oportunidades aos recém-chegados e começar a integrá-los. Foi o que aconteceu nos anos 60 e 70, embora os Estados, nessa época, não proporcionassem aos migrantes a assistência de hoje. Mas as sociedades europeias actuais já não são assim. O resultado é que as populações imigrantes não estão a integrar-se, mas a tornar-se o veículo para a projecção na Europa dos preconceitos e conflitos das sociedades de origem. [...]
Os populistas não são solução. Frequentemente, como agora na Itália, nem sequer é claro que sejam verdadeiras alternativas de governo. Falta-lhes os meios para mudar sociedades que, embora zangadas e aproveitando as eleições para votar neles, não desejam romper com a vida que a integração europeia lhes garante: por isso, na Grécia, o Syriza acabou como simples executante das políticas de Bruxelas, e na Itália, o 5 Estrelas e a Liga já se calaram sobre o euro."
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Agora a “cantiga” dos “bem pensantes” passou de “fascismo” a “extrema-direita”!~
Parece que em breve a teremos...
com a esquerda, bem pensante, a aplaudi-los!

terça-feira, 26 de julho de 2016

antes do Costa cair...

Antes do Costa cair, hão-de cair a economia e a sociedade portuguesas. Não teremos apenas um país com dificuldades de se financiar. Teremos uma economia mais estagnada e uma sociedade mais dividida.

De repente, há agitação sobre o futuro do governo. Por mim, não tentarei adivinhar quando António Costa vai cair. Inicialmente, muita gente cometeu o erro de esperar uma implosão rápida da maioria de enjeitados que ele improvisou com o PCP e o BE depois da derrota eleitoral de 2015. Cada um iria puxar para o seu lado, o PCP e o BE revoltar-se-iam ao primeiro rigor europeu. Ilusão. 
Os sócios da maioria precisavam todos do governo, e ninguém está a fazer sacrifícios, ao contrário do que pensam aqueles que levaram a sério as suas objecções à “austeridade” [mas] a única coisa de que a maioria social-comunista não gostava na “austeridade” era de Passos Coelho [e, principalmente, de Portas]. De resto, estão condenados a ficar juntos:
o primeiro a abandonar, carregaria as culpas pelo fiasco da “unidade de esquerda”. Esta é uma maioria sem portas de saída.
Quando isso se tornou claro, houve quem se tivesse virado para Bruxelas, (…). Um dia, a UE ia acabar com isto. Outra ilusão. (…) Afinal, esta é a mesma UE que aceitou durante anos jogar ao gato e ao rato com a Grécia, e que o ano passado suportou durante meses o carnaval do Syriza.
Que há mais?
O presidente da república? Mas Costa sabe que a lendária “popularidade” presidencial não aguentaria uma semana a uma daquelas campanhas que a esquerda moveu contra Cavaco Silva.
Quanto à opinião pública, estará estática até dois minutos antes do fim, e as sondagens nunca nos deixarão ver nada, a não ser o que cada um quiser. Já foi assim em 2011: a umas semanas das eleições, ainda Sócrates andava a ultrapassar Passos Coelho.
A conclusão não é animadora: basicamente, o país vai estourar antes do governo. Não me refiro a um estouro financeiro: enquanto o BCE impedir os mercados de registar dúvidas e o governo não romper com a UE, o financiamento será talvez possível, como foi entre 2001 e 2010. …
No fim, não vamos ter apenas um país com dificuldades de se financiar. Vamos ter uma economia mais estagnada e uma sociedade mais dividida. Reverter as “reversões” de Costa, voltar a 2015, ou mesmo a 2011, já não será possível ou suficiente.
O passado terminou.

(Rui Ramos no Observador)

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

(o que devemos reter de 2015) para perceber 2016

O fracasso da estratégia de Obama de olhar para o lado
O resultado foram mais guerras, mais atentados e a maior vaga de refugiados a atingir a Europa ocidental. Finalmente, Obama mandou os aviões. O próximo presidente enviará a infantaria. E veremos o que fará perante a desordem entre a Arábia Saudita e o Irão. 
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O futuro nem sempre é tropical.
Durante alguns anos, enquanto os EUA e a Europa ocidental patinavam na crise da dívida, o futuro pareceu residir entre bambus e coqueiros.
Alguma coisa podia correr mal? Podia. 
O Brasil, Angola, e a Venezuela – a trilogia das nossas esperanças pós-europeias de há uns anos atrás — tremeram. A nova classe média brasileira começou a ser comprimida pela inflação e pelos impostos
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Os populismos ocidentais.
Na Europa e nos EUA, porém, os populismos xenófobos estão em ascensão. Já governam na Hungria e na Polónia, afectam a governação no norte da Europa, e progridem nas eleições em França e Inglaterra. Donald Trump representa a tendência nos EUA. Em comum, têm o repúdio da globalização (migrações, quaisquer formas de cooperação ou de integração económica), e o culto de Vladimir Putin. No Reino Unido, os populistas terão em breve o referendo sobre a UE. 
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A esquerda não deixa governar, mas também não governa.
António Costa, o PCP e o BE conseguiram impedir o PSD e o CDS de governar. Mas não conseguem governar eles próprios, a não ser para aumentar a despesa. O governo chefiado pelo grande derrotado das eleições de 4 de Outubro terá de negociar com toda a gente, a todo o momento. Temos o governo mais fraco deste regime. Não pensemos em reformas para propiciar o investimento e viabilizar o Estado social.
Tal como a Grécia, Portugal só mudará sob pressão. A crise é o novo modo de governo em países incapazes de se reformarem.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

não há revoluções gratís!

Um excelente artigo de Opinião de Rui Ramos, para mais tarde recordar:

« No exterior, o clube de fãs do Syriza agora vai tentar fingir que este foi apenas mais um caso de prepotência alemã »  …
só que, já todos sabemos(?), o que conseguiu o Syriza: em vez da troika, passou a haver “instituições”; em vez do programa, “acordo”; em vez de credores, “parceiros”; em vez de austeridade, “condições”. …
à esquerda e à direita, já muita gente percebeu a “ilusão” encenada por Tsipras e Varoufakis. Manolis Glezos, o patriarca do Syriza, com um sentido da decência que os seus correligionários mais novos não têm, pediu entretanto as devidas desculpas ao povo grego.»
mas
neste artigo de opinião também se fala da Lei Macron na França e do “modelo” do Syrisa: a Venuzuela!
Vale a pena ler (mesmo que se não concorde como alguns troll’s que o comentaram!)

ps: a capa é do unico jornal de esquerda que não se disfarça de multi-partidário  

domingo, 4 de janeiro de 2015

O país dos anos quentes

Foi um verão quente e longo. Discutia-se política como hoje se discute futebol. Em vez de turistas, os hotéis estavam cheios de retornados. Era outro país: imaginem o PCP no governo, ou as forças armadas à disposição de Otelo. O PREC foi o equivalente, com trinta anos de atraso, das “libertações” de 1944-1945 em Itália ou em França, com um partido comunista à conquista do Estado e o Estado à conquista da sociedade. Mais um pouco, e não teria acontecido: a última revolução socialista da Europa coincidiu com a crise do petróleo e o início da viragem liberal no Ocidente: quatro anos depois, Thatcher e Reagan estavam no poder.
O ambiente de esquerdismo facilitou a retirada de África, a maior prioridade das autoridades militares. O PREC acabou por naufragar no pluralismo do país. As eleições de 25 de abril geraram o atual leque partidário, com comunistas e esquerdistas em minoria. As manifestações do verão opuseram ao “povo” da esquerda, a sul, o “povo” da direita, a norte. Portugal não era o país homogéneo da propaganda. Muita coisa aconteceu na rua e nas assembleias do MFA, mas muito mais coisas aconteceram no segredo dos gabinetes e das embaixadas. Uma vez era Vasco Gonçalves que estava no poder; de repente, era Pinheiro de Azevedo.

As revoluções nunca são transparentes. No fim, todos acabaram frustrados: os revolucionários não meteram os “fascistas” no Campo Pequeno; os contra-revolucionários não limparam os “comunas”. Portugal não foi Cuba, nem o Chile: melhor assim. Dez anos depois, começámos a parecer um país europeu. (Ramos, Rui in http://Observador)