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sábado, 5 de novembro de 2016

a nova direita grega...

em breve veremos um copy/paste!
(que os idiotas-úteis não deixarão de aplaudir…)


domingo, 26 de julho de 2015

Os enganados…

Já todos passámos por aquele penoso momento em que nos interrogámos se vale ou não a pena dizer a alguém que se está a enganar a si mesmo e que era melhor parar de fazer de conta que está tudo bem. 

Quem declarou que “A estratégia do Syriza foi perdedora desde o início” ou que “Governo grego foi de uma enorme imprudência” foram respectivamente os mesmos Ricardo Paes Mamede e António Costa que antes declaravam “Syriza já conseguiu mais do que qualquer Governo bem comportado na Europa” e “Vitória do Syriza é um sinal de mudança que dá força para seguir a mesma linha”.
Eles nunca erram, as suas intenções são sempre as melhores. Os outros é que os enganam. O desenrolar dos acontecimentos na Grécia tem levado a que muitos daqueles que em Janeiro faziam declarações ditirâmbicas com a vitória da esquerda radical na Grécia agora procurem apagar esse mau momento. Como? Reflectindo sobre o seu erro? Tirando conclusões? Nada disso. Simplesmente culpam o mesmo Syriza e o mesmo governo grego que há meses incensavam.

A esquerda nunca erra. Desilude-se. Nunca se engana. É enganada. Mesmo quando confrontada com os resultados mais catastróficos, o máximo que se lhes ouve é um desalentado “Foi um sonho que acabou mal.”

A direita erra igualmente mas felizmente não lhe é permitido o discurso do sonho que acabou em desengano, da ilusão que se desfez, da utopia que não foi. É erro. É crime. É disparate. E ponto final. E esta pequena enorme diferença face ao erro explica muita coisa. Explica por exemplo que à esquerda o anunciado seja sempre mais importante que os resultados. Explica também que, por essas bandas, aqueles que se tinham como exemplo ontem se tornem inconvenientes dias depois sem que ninguém estranhe tal transfiguração. (adaptado de Os Enganados de Helena Matos no Observador )

segunda-feira, 22 de junho de 2015

o Syriza não recusa um acordo, recusa o nosso modo de vida na União Europeia

Se o velho sistema político grego, corrupto, doente e ineficaz, não tivesse colapsado na sequência da crise financeira aberta em 2008, por muito talentoso que Tsipras fosse nunca conseguiria levar o seu pequeno partido da esquerda radical, que antes valia apenas 3% dos votos, até aos 36% que lhe permitiram estar hoje no poder. Nesse artigo recomendava-se que o jovem primeiro-ministro não tentasse abusar da sorte, pois ela de pouco lhe serve no tipo de negociações que tem tido pela frente.

Os radicais gregos não desejam apenas combater a austeridade – eles querem é tirar partido do descontentamento provocado pela austeridade para promoverem um tipo de sociedade radicalmente diferente da nossa. Eles não são reformistas ingénuos, são revolucionários que querem aparecer como pragmáticos. Tal como Álvaro Cunhal em 1975, eles não querem uma “democracia burguesa” – só são diferentes de Cunhal porque não sabem muito bem o que querem, pois longe vão os tempos da União Soviética.

o Syriza, ao ocupar o poder e ao colocar os seus homens nos lugares chave, está a mostrar que não é menos clientelar do que os velhos partidos gregos. Um bom exemplo disso é a forma como reabriram a televisão pública e a transformaram num instrumento de propaganda. Não que os outros não tivessem antes feito o mesmo – a diferença, hoje, é que já ameaçam os operadores privados com a cassação das suas licenças, uma ameaça “à venezuelana”.


A Grécia do Syriza no euro será sempre uma crise permanente, pois aquele partido não é apenas um PS um pouco mais radical – o Syriza é uma coligação de radicais que são convictamente contra o que os menos sofisticados, ou menos dissimulados, designam como “capitalismo” – basta ver o discurso de alguns dos manifestantes que têm saído à rua em apoio do governo. Mais: ao mesmo tempo, muitos na Grécia começam a sentir que as suas promessas foram enganadoras e que a sua agenda pode acabar numa catástrofe, e também esses já começaram a sair à rua, porque não se imaginam fora do euro ou afastarem-seda forma de vida democrática e livre da União Europeia.

sábado, 21 de fevereiro de 2015

saida de sendeiro…

Recapitulemos:
1 - A promessa eleitoral do Cipras era que iria renegociar a dívida, obter um perdão substancial e formar uma coligação de convocasse uma conferência europeia sobre as dívidas soberanas
mas
o acordo diz taxativamente que a República Helénica se compromete a honrar as suas dívidas e os seus prazos de pagamento.

2 - Cipras proclamou que o memorando tinha acabado e troika também.
mas
no acordo o que ficou escrito foi que o “memorando” se passa a chamar Master Financial Assistance Facility Agreement (MFAFA) ou “o actual acordo” e a troika, nome inventado e propagado pelo nosso reviralho, muda de nome para “as instituições” que continuarão a ser o BCE, a CE e o FMI e, claro, os técnicos (da troika) que costumavam visitar Atenas vão continuar a visitar e a vigiar Atenas.
Quanto ao dinheiro, esse só voltará a fluir para a República Helénica quando “as instituições” e o Eurogrupo o aprovarem.

2 - Na primeira reunião do Governo Helénico, realizada com as televisões a transmitirem em directo, foram anunciadas medidas como o imediato aumento do salário mínimo ou a suspensão das privatizações.
mas
no acordo com o Eurogrupo, a Grécia aceitou que não tomará “medidas unilaterais”.

E agora, o que se segue?
Porque o “acordo” é apenas um pré-acordo, o governo helénico, de extremas direita e esquerda, terá de ser "vendido" aos seus próprios deputados e aos seus votantes.
Algo que para quem leu The Pig’s Farm de Orwell parece fácil
mas
no final de Abril haverá nova avaliação, pouco antes de o período de extensão do financiamento caducar no final de Junho e
em Julho e Agosto quando a República Helénica terá de pagar 6.9 mil milhões de euros dos empréstimos vencidos.
Aqui já começará a ser dificil aplicar as premonições de Orwell. (JMF in Observador)

Em Outubro haverá eleições em Portugal, depois serão as da Espanha e antes destas os eleitores ditarão as da Finlandia…

Até lá…

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Os Donos da Verdade Única!

É isto que eu gosto “neles”! São os donos da “verdade única” que, generosamente partilham com os idiotas-úteis”.

(“O Syriza está a falar a sério”, escreve o Gusmão a corroborar a visão da Matias e do Pureza, que entendem a coligação com a extrema-direita fez-se para evitar que a Grécia “caisse na primeira chantagem, na primeira retaliação” dos parceiros europeus e falharia como todos os outros governos anteriores”). O Fazenda, aproveita para “bater” no ex-camarada Tavares (que também é dono de outra “verdade única” e afirma que ““Não é de todo o parceiro de coligação que escolheria”.
Outros “donos”, a Drago e o Oliveira, mais coerentes, acreditam que o Executivo liderado pelo Tsipras devia “procurar auscultar outras forças políticas, como o KKE (partido comunista grego) e o To Potami (centro-esquerda), porque a escolha do Anel “é difícil de engolir”, mas “é a única opção válida para vencer esta batalha”.
A loura Joana, a primeira a “largar” o “bloco da verdade” acha que a coligação entre o Tsipras e o Panos Kammenos e afirma ao jornal que “a atitude do Syriza foi inteligente, prudente, que comporta uma gestão fina dos riscos (…), para ela, no fundo, o Syriza matou dois coelhos de uma cajadada só”)


Um artigo interessante do Observador para “memória futura”, Isto é quando a extrema-esquerda se coligar com a direita a que temos direito….