domingo, 11 de outubro de 2026
dois meses depois: Bazófia ou Processo?
quarta-feira, 29 de julho de 2026
quinta-feira, 16 de julho de 2026
A Metapolítica como Nova Frente de Combate Cultural na Europa
- · Domínio Cultural: Focada na conquista da hegemonia cultural (popularizada por pensadores como Antonio Gramsci), busca moldar a linguagem, a moral e o imaginário coletivo.
- · Dimensão Filosófica: Dedicada ao estudo dos fundamentos atemporais e das grandes categorias que condicionam o agir humano.
- · Correntes Radicais: A actuação que visa superar as próprias bases da política institucional tradicional.
- - A política é cultural antes de ser eleitoral.
- - A identidade é o eixo central da mobilização.
- - O universalismo liberal é visto como ideologia dominante a contestar.
- - A guerra cultural é método e não apenas retórica.
- - A influência da Nouvelle Droite é directa ou indirecta.
terça-feira, 7 de julho de 2026
o CHEGA entre Gramsci, Kaiser e a questão social. Faltava Leão XIII!
sexta-feira, 3 de julho de 2026
o dia em que a velha direita percebeu que já não manda sozinha ...na direita!
Durante muito tempo, a direita instalada habituou-se a tratar o CHEGA como um instrumento útil, embora desagradável. Serviria para pressionar o PS, para assustar a esquerda, para engrossar maiorias ocasionais, para votar aquilo que fosse conveniente ao Governo, e depois regressaria obedientemente ao seu lugar no canto da sala, com a etiqueta pronta: populista, radical, inconveniente, mas parlamentarmente aproveitável.
O problema é que André Ventura percebeu uma coisa que muitos no PPD/PSD ainda não perceberam: quem tem 60 deputados não está na Assembleia da República para fazer de figurante. E quem representa mais de um milhão e quatrocentos mil votos não tem obrigação política, moral ou estratégica de se ajoelhar diante de uma direita antiga, cansada, liberal na economia, tímida na cultura, assustada na imigração e dependente de agências de comunicação para fabricar frases ocas.
A ambiguidade estratégica de Luís Montenegro — ora com o PS, ora com o CHEGA, conforme a conveniência do dia — podia talvez funcionar enquanto o CHEGA aceitasse o papel de força auxiliar. O episódio do Código Laboral mostrou que esse tempo acabou. Ventura recusou ser transformado em bengala parlamentar de uma reforma que, na sua leitura, falhava precisamente onde uma direita popular não pode falhar: no trabalho, na família, na segurança económica e na dignidade de quem vive do salário.
E aqui está a novidade que muitos comentadores ainda fingem não ver. O CHEGA não se limitou a votar contra uma proposta do Governo. Fez algo mais profundo: recusou a redução da direita portuguesa ao liberalismo económico de gabinete. Recusou a ideia de que ser de direita significa necessariamente aceitar qualquer reforma laboral em nome da competitividade, da flexibilidade e da bela música tecnocrática que geralmente termina sempre no mesmo sítio: mais insegurança para quem trabalha e mais conforto para quem manda.
É aqui que a leitura de José Costa-Deitado [ Universidade de Santiago de Compostela Prof Emérito FCT/ UNL Nova SBE - https://cdeitado.blogspot.com/2026/06/benedikt-kaiser-uma-aula-sobre.html ] sobre a Nova Direita se torna especialmente pertinente. A Nova Direita europeia — francesa, alemã, italiana — não é apenas uma direita mais barulhenta, nem uma direita com bandeiras maiores, nem uma direita com slogans mais duros sobre imigração. É, no seu melhor, uma tentativa de reconstruir a direita em torno de três eixos que a velha direita abandonou: soberania, identidade e justiça social.Benedikt Kaiser [Deutscher Autor und Publizist der Neuen Rechten.] é importante precisamente por isso. A sua reflexão sobre metapolítica, hegemonia e patriotismo solidário aponta para uma direita que compreende que a batalha política não se ganha apenas no Parlamento, nem apenas nas eleições, nem apenas nos soundbites televisivos. Ganha-se antes no vocabulário, nas ideias, nas instituições, na cultura, nas redes sociais, nos temas que se impõem e nos conceitos que deixam de pertencer automaticamente à esquerda.
Durante décadas, a esquerda apropriou-se da palavra “social”. A direita liberal deixou. Pior: colaborou. Aceitou que falar de salários, trabalho, protecção familiar, abandono das periferias, insegurança económica ou dignidade dos pequenos fosse matéria da esquerda. A velha direita ficou com a gestão, os défices, os impostos, as empresas, os mercados e os congressos onde se anunciam “novos ciclos” sem que nada realmente comece.
Ora, a Nova Direita começa precisamente quando a direita deixa de pedir licença para falar do social. E é isso que o CHEGA, com todas as suas imperfeições, excessos, simplificações e teatralidades, parece ter compreendido melhor do que o PPD/PSD. A direita que quer disputar o povo não pode apresentar-se apenas como contabilista da ordem liberal. Tem de falar de pertença, de segurança, de trabalho, de fronteiras, de família, de soberania, de comunidade e de justiça.
Não se trata de converter o CHEGA num partido operário clássico, nem de fingir que André Ventura é uma versão portuguesa de Benedikt Kaiser. Seria absurdo. Kaiser pensa em termos metapolíticos, doutrinários, culturais e estratégicos; Ventura age no terreno parlamentar, mediático e eleitoral. Kaiser escreve para formar quadros e construir hegemonia; Ventura fala para ocupar o espaço público e transformar ressentimento social em força política. Mas a convergência é clara: ambos perceberam que a direita do século XXI não pode limitar-se a administrar o neoliberalismo com bandeiras nacionais à porta.
O episódio do Código Laboral foi, por isso, mais do que um chumbo. Foi uma declaração de independência. Ventura disse ao PPD/PSD que a sua maioria, quando existe, não é propriedade de Montenegro. Disse à direita liberal que a palavra “reforma” não é sagrada. Disse ao país que o CHEGA não aceita ser útil apenas quando vota a favor. E disse ao seu próprio eleitorado que não está no Parlamento para servir de muleta a uma direita que gosta muito de invocar o povo em campanha, mas que rapidamente o esquece quando chegam as propostas redigidas no idioma dos consultores.Claro que isto incomoda. Incomoda o PPD/PSD, porque lhe retira o monopólio simbólico da direita. Incomoda a Iniciativa Liberal, porque mostra que há uma direita para além da fantasia do mercado perfeito. Incomoda o PS, porque percebe que a oposição social já não lhe pertence por direito hereditário. E incomoda o comentariado, porque o obriga a rever as suas gavetas mentais: afinal, o CHEGA não cabe apenas no rótulo preguiçoso de “extrema-direita”. Há ali outra coisa. Uma coisa mais incómoda: uma direita popular, nacional, social e culturalmente contra-hegemónica.
Jorge Fernandes viu bem a vitória de Ventura. Mas talvez a vitória seja ainda maior do que parece. Ventura não ganhou apenas uma votação. Ganhou centralidade. Ganhou autonomia. Ganhou o direito de dizer ao PPD/PSD: vocês já não decidem sozinhos o que é a direita em Portugal.
E isto muda tudo.
A velha direita portuguesa sempre viveu convencida de que havia apenas duas hipóteses: ou a direita respeitável, isto é, ela própria; ou a direita irresponsável, isto é, todos os que não aceitassem a sua tutela. O CHEGA veio baralhar esta geometria. Não quer apenas sentar-se à mesa. Quer mudar a mesa. Quer mudar a ementa. Quer mudar a linguagem do jantar. E, pior ainda para os donos antigos da casa, trouxe convidados que nunca tinham sido admitidos na sala principal.
Pode discutir-se se o fará bem ou mal. Pode criticar-se Ventura, e deve criticar-se quando for necessário. Pode reconhecer-se que há no CHEGA impulsos contraditórios, improvisações, tentações demagógicas e excessos de comunicação. Mas o essencial é outro: a direita portuguesa entrou numa fase pós-PPD. E o PPD/PSD ainda não percebeu que já não está perante uma dissidência; está perante uma concorrência histórica.
O Código Laboral foi apenas o episódio. A recomposição da direita é o acontecimento.
A vitória de André Ventura não foi ter chumbado uma reforma. Foi ter obrigado toda a gente a perceber que a Nova Direita portuguesa já não pede autorização para existir.
quarta-feira, 1 de julho de 2026
o enorme equívoco do PPD/PSD
sábado, 27 de junho de 2026
Benedikt Kaiser e André Ventura: a montante das ideias e a jusante da política
terça-feira, 14 de abril de 2026
eu fui preso politico!
sábado, 17 de janeiro de 2026
André Ventura contra todos os outros...
os candidatos para o Pinheiro do Observador...
quinta-feira, 15 de janeiro de 2026
do "la barrage.fr" às "linhas vermelhas.pt"
O papel das imprensas: a França do “barramento” e Portugal do “cerco permanente”
Imprensa francesa: tende a funcionar como amplificador do “barramento” (la barrage), sobretudo na segunda volta, reforçando a ideia de que há uma fronteira moral a defender — o que facilita a convergência táctica entre campos ideologicamente incompatíveis (do centro liberal à extrema-esquerda). Essa dinâmica ficou visível nos ciclos recentes e ganhou novo relevo com a crise de governabilidade francesa e a reorganização das alianças à esquerda.
Imprensa portuguesa: faz algo semelhante, mas com um estilo mais “micro-gestão”: não é só “na segunda volta”. É todos os dias, a todas as horas, com o candidato transformado em assunto, e o assunto transformado em alarme. O paradoxo é conhecido: quanto mais o cerco fecha, mais o sitiado consolida a tribo — e depois, para espanto geral, “cresceu nas sondagens”. (Mistério insondável: ninguém sabe porquê. Nem o painel de comentadores. Nem o painel de comentadores do painel de comentadores.)
a crise do custo de vida não abranda;a imigração e a segurança permanecem no centro do quotidiano;a esquerda radical é percebida como sócia táctica do “sistema” para bloquear a direita populista (mesmo quando diz odiar o “sistema”).
- Ventura tem probabilidade alta de chegar à segunda volta, porque a fragmentação empurra os votos para três ou quatro pólos e ele tem um eleitorado muito identificado.
- Ganhar a segunda volta é mais difícil, precisamente por causa da rejeição elevada e do reflexo de “todos contra”.
- Se o “cordão” vencer sempre, Bruxelas respira — mas a pressão social acumula-se por baixo.
- Se o “cordão” falhar uma vez, a mudança pode ser abrupta, e a UE terá de lidar com governos e maiorias mais soberanistas, mais conflituais e menos disponíveis para a moralização permanente de tudo.
André Ventura, “o anti-sistema” | Presidenciais 2026
segunda-feira, 22 de dezembro de 2025
a igualdade de todos perante a lei ?
sábado, 6 de dezembro de 2025
Do Cordão “Republicano” ao Cerco social-fascista— A Lição Francesa e o Caso Ventura
- . A direita moderada não vê Ventura como inimigo existencial.
- . O eleitor português não gosta de ser mandado votar “contra” e
- . A elite política perdeu a autoridade moral para liderar cruzadas cívicas.
segunda-feira, 1 de dezembro de 2025
afinal é possível fazer-lhe uma entrevista!
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Sem filtros, sem ataques — apenas política dita cara a cara. Ventura fala sobre o sistema, a corrupção, a justiça e o papel de um Presidente verdadeiramente interventivo. Um diálogo diferente, direto e revelador, onde se percebe o que cada um realmente pensa sobre o futuro de Portugal
















