terça-feira, 26 de julho de 2016

antes do Costa cair...

Antes do Costa cair, hão-de cair a economia e a sociedade portuguesas. Não teremos apenas um país com dificuldades de se financiar. Teremos uma economia mais estagnada e uma sociedade mais dividida.

De repente, há agitação sobre o futuro do governo. Por mim, não tentarei adivinhar quando António Costa vai cair. Inicialmente, muita gente cometeu o erro de esperar uma implosão rápida da maioria de enjeitados que ele improvisou com o PCP e o BE depois da derrota eleitoral de 2015. Cada um iria puxar para o seu lado, o PCP e o BE revoltar-se-iam ao primeiro rigor europeu. Ilusão. 
Os sócios da maioria precisavam todos do governo, e ninguém está a fazer sacrifícios, ao contrário do que pensam aqueles que levaram a sério as suas objecções à “austeridade” [mas] a única coisa de que a maioria social-comunista não gostava na “austeridade” era de Passos Coelho [e, principalmente, de Portas]. De resto, estão condenados a ficar juntos:
o primeiro a abandonar, carregaria as culpas pelo fiasco da “unidade de esquerda”. Esta é uma maioria sem portas de saída.
Quando isso se tornou claro, houve quem se tivesse virado para Bruxelas, (…). Um dia, a UE ia acabar com isto. Outra ilusão. (…) Afinal, esta é a mesma UE que aceitou durante anos jogar ao gato e ao rato com a Grécia, e que o ano passado suportou durante meses o carnaval do Syriza.
Que há mais?
O presidente da república? Mas Costa sabe que a lendária “popularidade” presidencial não aguentaria uma semana a uma daquelas campanhas que a esquerda moveu contra Cavaco Silva.
Quanto à opinião pública, estará estática até dois minutos antes do fim, e as sondagens nunca nos deixarão ver nada, a não ser o que cada um quiser. Já foi assim em 2011: a umas semanas das eleições, ainda Sócrates andava a ultrapassar Passos Coelho.
A conclusão não é animadora: basicamente, o país vai estourar antes do governo. Não me refiro a um estouro financeiro: enquanto o BCE impedir os mercados de registar dúvidas e o governo não romper com a UE, o financiamento será talvez possível, como foi entre 2001 e 2010. …
No fim, não vamos ter apenas um país com dificuldades de se financiar. Vamos ter uma economia mais estagnada e uma sociedade mais dividida. Reverter as “reversões” de Costa, voltar a 2015, ou mesmo a 2011, já não será possível ou suficiente.
O passado terminou.

(Rui Ramos no Observador)

segunda-feira, 25 de julho de 2016

um Verão Gelado...

A verdade é que caímos nas mãos de gente particularmente perigosa. 
O resto é tudo mentira.
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Um governo. Uma maioria. Um presidente.
O primeiro, movido pelo oportunismo, pela intrujice e por incompetência, actua com gloriosa irresponsabilidade.
A segunda, movida pela pressão das clientelas e pelo fanatismo ideológico, exige com urgência inéditos paradigmas de loucura.
O terceiro, movido por um pavor clínico da rejeição, persegue transeuntes com comendas e faz figuras incompatíveis com o cargo.
Mesmo à distância, não seria difícil adivinhar o futuro, a breve prazo, de um país assim.

Ao contrário do que alguns esperam, isto não é um regresso a 2011, quando apesar de tudo havia no PS uma ou duas pessoas com vergonha na cara. E havia no poder ascendente uma ou duas pessoas que, cobardias de lado, teimaram em evitar a queda. E havia uma "Europa" disponível para nos amparar na dita.

Ao contrário do que temem outros, isto nem sequer é uma réplica da situação grega, onde até a demência do Syriza depressa se viu invadida por vestígios de realidade. As "sanções", ou a "prepotência de Bruxelas", são o que hoje nos impede de prosseguir jovialmente o caminho da Venezuela ou de um paraíso progressista similar, repleto de consciência social e miséria. Não sei se, cansada de corrigir incorrigíveis, a odiada "ingerência externa" impedirá tamanhas conquistas amanhã.

No fundo, isto é muito simples. E muito triste.
O dr. Costa, que é tão escrupuloso e sério quanto fluente na língua, está disposto ao que calha para sobreviver politicamente. Sejam um produto de incidentes neurológicos ou uma artimanha para servir amigos, as recentes declarações sobre o Novo Banco são um mero exemplo, entre dezenas, daquilo que uma criatura radicalmente desprovida de bom senso é capaz.
Em poucos meses, Portugal transformou-se numa história para assustar criancinhas, investidores e contribuintes em geral. O caso é de tal maneira grave que a recorrente questão acerca do carro usado não se aplica: do dr. Costa, ninguém aceitaria, nem dado, um carro com 0 km.
Infelizmente, não falta quem o siga até ao stand.
Por conveniências sortidas, temos o PS dos negócios, o PCP dos sindicatos e o BE da moral.
E o PR dos "afectos".
E certo PSD unido na oposição subtil a um reduto de sanidade chamado Pedro Passos Coelho.
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Cada elemento da divertida trupe prepara-se para espatifar o país e, graças à tradicional tendência para culparmos terceiros, espera terminar a proeza sob aplausos.
Com jeito, este processo de destruição metódica acabará imputado à UE, à Alemanha, ao brexit, à instabilidade na Síria, ao sr. Trump e a três futebolistas franceses.
A verdade é que caímos nas mãos de gente particularmente perigosa. O resto é tudo mentira. (por Alberto Goncalves em Verao-Gelado no DN)

quinta-feira, 21 de julho de 2016

CGD : um guia para aprender o que não fazer

A administração da CGD renunciou ao mandato e no quadro da lei terá de sair para a semana se não lhe for formalmente pedido para ficar. 
Mais de nove mil colaboradores assistem ao anúncio de despedimentos baseados num plano de reestruturação feito fora do banco.
Os cidadãos em geral ouvem o ministro das Finanças falar de um desvio que afinal diz respeito ao plano a três anos da CGD do qual o próprio ministro também é co-autor.
Em Abril ficamos a saber que António Domingues, administrador do BPI, seria o novo presidente da CGD. Trazia consigo uma administração com nomes de peso na gestão, na sociedade e na banca.
Praticamente na mesma altura, em meados de Abril, foi conhecida a equipa que iria fazer a avaliação da administração. Fernando Teixeira dos Santos, Miguel Pina e Cunha e Vasco d’Orey eram os membros deste órgão que teria um mandato de três anos. Passado um mês sabe-se que afinal Fernando Teixeira dos Santos vai para o BIC e por isso terá de sair da comissão de avaliação que estava obviamente já a trabalhar com a CGD.
… entre finais de Junho e início de Julho, mudam as regras. A Comissão de Avaliação passa ser temporária em vez de ter um mandato de três anos, como inicialmente tinha decidido o ministro das Finanças. Miguel Pina e Cunha e Vasco d’Orey obviamente demitem-se. 
…no início de Julho entra em funções uma equipa totalmente nova. A comissão transitória que vai avaliar a independência, competência e idoneidade da administração da CGD é agora composta por Laginha de Sousa, ex-presidente da Euronext Lisboa, Francisco Veloso, reitor da Universidade Católica e Patrícia Lopes da Porto Business School.
Neste processo já se perderam pelo menos dois meses por causa de uma mudança de opinião do Governo sobre o mandato da comissão de avaliação. Primeiro era uma comissão definitiva que teria a seu cargo a avaliação da administração ao longo de três anos. No início de Julho passou a provisória, revelando que a meio do caminho se mudou o modelo de governo da CGD que já estava decidido em Abril. 
Temos depois os milhões que são necessários para o banco. Quatro a cinco mil milhões são os montantes que têm sido referidos pela comunicação social baseados em fontes governamentais. E pergunta-se: porquê e para quê tanto dinheiro?
Ao mesmo tempo que se diz que a Caixa precisa desses milhões, o Governo resolve dar aos novos gestores salários mais elevados. Parecendo populista e menor, este é mais um contributo para a desestabilização da CGD.
Como se não bastasse tudo isto, o “ministro das Finanças” resolve dizer no Parlamento que há um “desvio”, palavra proibida para qualquer empresa, no plano que a Caixa fez. O desvio, como se sabe, compara os resultados atingidos com o que estava previsto. O ministro esqueceu-se que as previsões de resultados basearam-se numa determinada previsão de evolução da economia e das taxas de juro que foi feita no Banco de Portugal, quando era esse o trabalho de Mário Centeno.
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O que se está a passar com a Caixa é um exemplo de tudo o que um accionista não deve fazer com uma empresa, seja ela de que sector for. Os erros, até agora cometidos, podem não determinar o fracasso total das escolhas feitas. Vão seguramente dificultar os objectivos e resultados que se querem atingir. (por Helena Garrido no Observador)

perguntas politicamente incorrectas

É daquelas pessoas que dá palmadinhas compadecidas nas costas do muçulmano que violou a rapariga ocidental de mini-saia, afinal veio de uma cultural onde é normal maltratar mulheres, e por cá está desempregado?
Acha, como Ana Gomes, que a culpa dos atentados terroristas na Europa é da austeridade?
Defende que os pobres diabos, sejam violadores ou terroristas, têm de ser compreendidos, assimilados, receber muito dinheiro dos estados sociais europeus e, sobretudo, desculpados?
Considera que os vilões verdadeiros são os que denunciam que os costumes islâmicos são aberrantes, concretamente para a condição feminina, e não podem ser tolerados na Europa?
De cada vez que há denúncia de vilanias islâmicas, prefere escrutinar o mensageiro para tentar repudiar a mensagem?
Vê como de uma lógica cristalina clamar contra o patriarcado e o heteropatriarcado e, simultaneamente, recusar aceitar que as comunidades islâmicas na Europa têm propensão para violar e brutalizar mulheres, e acumular com defesa de regimes que enforcam ou afogam gays?
Repete vinte vezes por dia o mantra ‘o islão é uma religião de paz’?
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Pois bem, é conveniente reconhecer que as pessoas iluminadas que responderam sim a dez por cento destas questões são cúmplices do caldo culpabilizante das vítimas que propicia os crimes dos islâmicos. 
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sábado, 9 de julho de 2016

a geringonça para memória futura

1
Costa, ou se isto é um político Nota: 8
2
O ministro de todas as pastas Nota: 14
3
O novo simplex e as vacas voadoras Nota: 13
4
Mário Centeno, (ainda) pouco falcão Nota: 10
5
O ministro que ia levando à insubordinação Nota: 11
Vítor Matos
6
Um ministério entrincheirado Nota: 15
7
Francisca, a discreta Nota: 12
Luís Rosa
8
Um ministro em suspenso Nota: suspensa
9
O ministro clandestino Nota: 12
Bruno Vieira Amaral
10
O pacificador Nota: 12
11
Um ministro sob tutela Nota: 4
12
O mago do aparelho Nota: 11
13
Sem quebras de rumo dramáticas Nota: 15
14
Quando a falta de dinheiro é amiga da racionalidade Nota: 11
15
A vantagem de ser discreto num ambiente hostil Nota: 12
16
Entre a ambição e o silêncio Nota: 14
17
Ancorado aos fundos Nota: 12
Vítor Matos
18
A ministra sim sim Nota: 7
Filomena Martins
19
Entre a oportunidade e o exagero Nota: 12
Miguel Pinheiro
20
Um partido sem amadorismos Nota: 15

Miguel Pinheiro

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Não é com Pedro Passos Coelho que Bruxelas está preocupada…

Ponto um. É verdade que a desaceleração da economia portuguesa não aconteceu só após a posse do actual governo. Ela já vem a cair desde o segundo semestre de 2015, seja porque se agravou a crise em países como Angola e Brasil, seja porque os investidores começaram a temer os resultados das legislativas de Outubro, seja porque Passos Coelho e Maria Luís Albuquerque se concentraram mais na tentativa de ganhar as eleições do que nas contas do país. O número do défice estimado pelo governo PSD-CDS para 2015 era de 2,7%. Portanto, quer o défice tenha sido 4,4%, 3,2% ou 3,0%, é sempre lícito afirmar que Passos Coelho e a sua ministra das Finanças falharam as metas a que se propuseram.
Ponto dois. É verdade, contudo, como sugere a própria Maria Luís Albuquerque, que se o governo de António Costa quisesse que o défice de 2015 se situasse abaixo de 3% não teria tido grande dificuldade em consegui-lo, já que o cálculo final envolve discussões com a Comissão Europeia sobre o que são medidas extraordinárias e medidas estruturais. O próprio INE reportou no final de Março uma estimativa para o défice de 2015 de 4,4%, incluindo a intervenção no Banif, que dizia ter correspondido a 1,4% do PIB. Quando se retira 1,4 a 4,4 o resultado não é 3,2. Em Maio, o Conselho de Finanças Públicas reiterou que o défice de 2015 foi de 3% sem Banif, alertando, contudo, para divergências na classificação de certas medidas. Se António Costa e o PS agora enchem a boca com os 3,2%, não é apenas por esse ser o número avançado pela Comissão Europeia, mas porque lhes dá imenso jeito empurrar a responsabilidade pelo procedimento por défice excessivo para o anterior governo, diminuindo em simultâneo a exigência para 2016.
Ponto três. É absolutamente mentira que a única coisa actualmente em causa seja a actuação do governo PSD-CDS, por muito que António Costa apareça todos os dias na televisão a insistir nessa ideia e a repetir “anterior governo” a cada duas frases. Ainda ontem ele encheu uma conferência de imprensa com ironias deslocadas: “qualquer medida hoje adoptada seria insusceptível de corrigir aquilo que foi orçamentado em 2015”. Eis o nosso pândego primeiro ministro a praticar a sua especialidade política: desconversar sobre o acessório para não ter de conversar sobre o essencial. Porque o essencial é isto: as reversões do seu governo são um disparate absoluto, despudorado e criminoso tendo em conta o estado em que se encontra o país. E elas têm tudo para empurrar novamente Portugal para os braços da bancarrota assim que o BCE deixar de comprar dívida portuguesa em quantidades cavalares (números de 31 de Maio: 17 mil milhões de euros adquiridos até agora, ao ritmo de 1,5 mil milhões por mês).
Ponto quatro. A agência Reuters não está certamente sob o comando da direita portuguesa e a notícia que justificou a conferência de imprensa de António Costa não deixa qualquer margem para dúvidas. O lead era este: “The European Commission on Tuesday will give Spain and Portugal three more weeks to take steps to correct their excessive deficits and avoid fiscal sanctions.” Que eu saiba, “tomar medidas para corrigir os défices excessivos” não inclui alugar mesas de pé de galo para entrar em contacto com o fantasma dos défices passados.

Não, não é com o passado que Bruxelas está ocupada – é com o presente. E não, não é com Pedro Passos Coelho que Bruxelas está preocupada – é mesmo com António Costa. (por João Guerra Tavares no Público

A cobardia de Marcelo é uma ameaça?

este será o primeiro artigo a criticar o Presidente Rebelo de Sousa em total contra-ciclo com o politicamente correcto da maioria da imprensa a que temos direito...
( por Henriique Raposo Expresso diário, 06-7-16 )
Marcelo Rebelo de Sousa foi, é e será sempre cobarde. E o maior sintoma dessa cobardia é aquela vontade quase infantil de ser amado por todos, de receber palmadinhas de toda a gente, de ter colinho em todas as barraquinhas. No fundo, Marcelo só pode ser o Marcelinho, o menino que faz beicinho para ter miminho, em que seja numa patética flash interview de um jogo de futebol.

Este indivíduo está na vida pública há mais de quarenta anos mas parece o recruta zero, vive paralisado pelo medo de ser criticado, pelo medo de ser odiado por este ou aquele, por esta ou aquela sensibilidade política, cultural, religiosa ou futebolística. É por isso que se transformou no Nicholas Sparks da política. É por isso que Belém é neste momento a capital mundial da lamechice.

Não, não comece a rir-se, caro leitor. Esta literatura dos afectos começa a ser uma ameaça à dignidade do regime. É uma ameaça porque Marcelo não percebe que o Poder tem um protocolo diferente dos média.
Quem chega ao poder tem de perceber que não se pode comportar como um comentador que comenta tudo, mas mesmo tudo, desde a bola ao poste até ao assunto de Estado. Se Cavaco exagerava no secretismo e da distância imperial do poder, Marcelo exagera no sentido contrário. Como dizia Rui Ramos no Observador, o poder exige decoro, gravitas, seriedade, visto que está ali a chave do nosso futuro colectivo. Marcelo não compreende isto e continua a tratar a vida pública como se fosse um jogo. Não percebe que esta presidência apalhaçada está a minar a respeitabilidade de Belém que já faz parte do anedotário nacional.
Claro que as ondas deste desrespeito popular demorarão a chegar às redacções, que continuam a amar Marcelo. Porquê? Não sei, caro leitor.
Mas posso colocar uma pergunta a este respeito: será que Marcelo continua a ser a fonte de inúmeras “notícias” e boatos? Será que Marcelo será a fonte jornalística dos seus próprios Conselhos de Estado?

Este desrespeito pelas instituições atingiu ontem um ponto alto. Marcelo deixou-se fotografar com o mais famoso suspeito de corrupção do país, José Sócrates. Pior: elogiou-o. Não podia correr riscos, não é verdade? Aparecer ao lado do político que afundou o país na bancarrota financeira e moral não era suficiente para agradar à clique socrática, era preciso ir mais longe, era preciso elogiar o homem.
Como é que Marcelo não percebe que este elogio é um sinal de desrespeito institucional e cívico? Tendo em conta aquilo que já sabemos do caso, Sócrates não pode ser apoiado cívica e moralmente por ninguém. Seja qual for o desiderato da justiça, o que Sócrates fez é absolutamente imoral. Até Fernanda Câncio Já percebeu isso.

Meu caro leitor, ao ser incapaz de dizer não a Sócrates, Marcelo não revelou apenas a sua cobardia, revelou que a corte de Lisboa não é mesmo para gente séria.


“Acresce ainda que Marcelo se apressou a condecorar um desertor, socialista, traidor da Pátria, cujas inígnias foram recusadas por todos os outros presidentes. Falo de Manuel Alegre que, enquanto os portugueses, nossos irmãos, filhos. etc. lutavam em África, andava ele “revolucionariamente” a denunciar na Rádio Argel os movimentos das nossas tropas”:
Que favor terá Marcelo recebido em troca?


domingo, 3 de julho de 2016

um artigo preocupante: Costa vai provocar eleições antecipadas?

Ninguém sabe como, nem quando, irá acabar a geringonça. Mas há outras coisas que sabemos. Nenhum dos objectivos macroeconómicos definidos pelo governo no orçamento se irá concretizar. O crescimento ficará abaixo dos 2.6% (possivelmente abaixo do 1,5%). O défice ficará acima dos 2.2%. E a dívida pública vai aumentar. …
Sabemos igualmente que o sistema financeiro está perto da ruptura, necessitando de uma recapitalização com urgência. Para a Caixa fala-se de valores de cerca de 5, 6 mil milhões de Euros. A venda do Novo Banco irá seguramente provocar perdas para os outros bancos. Isto quando o BCP enfrenta uma crise bolsista muito séria. A situação é de tal modo grave que se fala, em Lisboa e em Bruxelas, de um programa de assistência financeira para acudir os bancos portugueses. …
Sabemos que nestas circunstâncias o acordo para o orçamento do próximo ano será um exercício muito complicado. De duas uma, ou o governo compra um conflito com a União Europeia, para agradar os seus camaradas do parlamento. Ou a obediência a Bruxelas transforma o BE e o PCP nas versões portuguesas do Syriza.
contudo
A situação do sistema bancário torna impossível um conflito com Bruxelas e

O regresso à austeridade, imposta por Bruxelas, significaria a morte lenta da geringonça.
Há assim uma elevada probabilidade de o governo não conseguir uma maioria parlamentar para aprovar o orçamento de 2017.
…e o Costa sabe-o muito bem!
daqui resulta que
a realização de eleições antes do fim do ano seria a melhor maneira (senão mesmo a única) de evitar o fracasso político da aliança das esquerdas. Aliás, a adopção de medidas populares e o estado de permanente campanha, do futebol ao São João no Porto, do PM indicam claramente que a opção de eleições antecipadas tem estado sempre nos cálculos do Costa. …
O “Brexit” permite [-lhe] a construção da “narrativa socialista” para justificar eleições antecipadas. Dirão os socialistas que tudo corria de acordo com os planos até à instabilidade causada pelo voto britânico e
Se a Comissão Europeia propuser sanções contra Portugal, ajudará a narrativa socialista.
Nem a instabilidade provocada pelos britânicos travou o dogmatismo “neoliberal” de Bruxelas, dirão os socialistas.
[e] Poderão ainda acrescentar à lista a inflexibilidade europeia perante a necessidade de recapitalizar os bancos nacionais.
Costa poderá ter a tentação de fazer campanha “contra a Europa” (e, obviamente, contra o antigo governo) e [replicando o Syriza] de pedir aos portugueses um mandato político mais forte para lutar contra a “austeridade de Bruxelas”.
Para um político oportunista como Costa, a maior lição do referendo britânico é a seguinte: fazer campanha contra a “Europa” rende politicamente.

sexta-feira, 10 de junho de 2016

10/06/2016 - HOMENAGEM AOS COMBATENTES

Oração de Sapiência do Ten-Cor Brandão Ferreira na Homenagem aos Combatentes:

“Estes homens, nos tempos de lutas e de crises, tomam as velhas armas da Pátria, e vão, dormindo mal, com marchas terríveis, à neve, à chuva, ao frio, nos calores pesados, combater e morrer longe dos filhos e das mães, sem ventura, esquecidos, para que nós conservemos o nosso descanso opulento.
Estes homens são o povo, e são os que nos defendem”.
Acabo de ler um trecho de “O Povo”, de Eça de Queiroz. 
Bom dia a todos.
Os meus agradecimentos por me dispensarem uns minutos da vossa atenção.
A Constituição da República Portuguesa (CR), apesar de ser a mais extensa que tivemos, desde 1822, não encontrou espaço nos seus 296 artigos e sete revisões, para referir uma única vez a palavra “Nação”- a Nação dos Portugueses.
Já relativamente à palavra “Pátria”, a Constituição é mais pródiga: invoca-a, nada mais, nada menos, do que uma vez, mais concretamente no seu artigo 276, e cito “A defesa da Pátria é direito e dever fundamental de todos os portugueses”! 
É sabido que a defesa da Pátria não se faz apenas de armas na mão; essa defesa pode e deve, estender-se a todas as áreas da actividade humana.
Mas convém não esquecer que a defesa armada é o último argumento, que se faz em extremo e pode implicar o sacrifício de bens, sangue e vida. 
E, ao ter-se abandonado o Serviço Militar Obrigatório, parece que a defesa da Pátria – esse dever e direito fundamental, segundo a Constituição, ficou direito de todos e dever só de alguns… 
A Lei de Defesa Nacional e das Forças Armadas, por sua vez, continua omissa sobre a “Nação”, mas já fala duas vezes em Pátria; no seu artigo 9º repete a fórmula da Constituição; e no Art.º 22 afirma perentoriamente que, “será assegurada de forma permanente a preparação do País, designadamente das Forças Armadas para a defesa da Pátria” (atenção, eu só estou a dizer o que está lá escrito, não confundir com o que se tem feito…). 
Ora haver Nação sem Pátria é curto; mas haver Pátria sem Nação, é impossível!…
Porém, não havendo aparentemente, Nação, o Estado, que é justamente a Nação politicamente organizada, representará, então, quem ou o quê?
Ora se o Estado não representar a Nação, não pode sentir a Pátria como sua, tão pouco a entender. 
Portugal é, todavia, uma Nação coesa, seguramente desde o tempo do esclarecido Rei, o Senhor D. Dinis; com as mais antigas fronteiras estáveis do mundo, mau grado o esbulho pendente de Olivença; formou um Estado Nacional Português, desde o tempo do preclaro Rei, Senhor D. João II e ganhou consciência que era uma Pátria, senão antes, garantidamente, depois de Camões ter escrito os Lusíadas! 
E Camões – que também foi um combatente - não se esqueceu de, neles, referir a Nação – fêlo, até, por sete vezes – e não foi avaro em relação à Pátria já que a evoca em 35 ocasiões! 
E a obra de Luís Vaz – cuja morte neste dia também evocamos - foi-lhe tão superior e transcendente, que ele próprio se enganou ao dizer, pressentindo o fim, que “morria com a Pátria”, antevendo a ocupação castelhana. 
O certo é que, a Nação que já era Pátria, sobreviveu aos 60 anos da Coroa Dual Filipina e passou a viver de vida própria, qual fénix renascida! 
O que atrás se disse representa, pois, a dissonância existente entre o Estado e a Nação, que é a razão por que nós nos reunimos aqui, desde há cerca de 25 anos, a comemorar o Dia de Portugal, honrando os combatentes, enquanto as figuras que ocupam transitoriamente as cadeiras do Poder – Poder que está hoje, maioritariamente, fora do país – estão sempre noutro lado. E quanto aos combatentes por norma, aos costumes dizem nada. 
Essa é também a razão pela qual as Forças Armadas só voltaram a integrar as comemorações oficiais do feriado nacional, há 10 anos, depois delas terem estado arredadas cerca de três décadas.
E caros compatriotas aqui presentes, não somos nós que estamos mal; “eles” é que se afastaram do trilho certo. Do trilho do Dever, da Honra, do Patriotismo, do amor a Portugal.
Esta cerimónia, singela mas muito digna, realizou-se sempre sem se pedir um ceitil que fosse, ao Estado e junto a um monumento, em memória dos combatentes, em que nada se pediu, também, ao Estado – aliás, em várias alturas, teve que ser construído com a oposição desse mesmo Estado.
Parece que a frase, entre muitas, célebre, do grande português e militar, que foi o Tenente- Coronel Joaquim Augusto Mouzinho de Albuquerque, de que “Portugal é obra de soldados” passou a estar na moda.
Mas estando ou não, na moda, essa frase foi sempre uma realidade, pois sem soldados – isto é, sem combatentes – não haveria território, a tal “nesga de terra debruada de mar”, no dizer de Torga; não haveria população; não haveria matriz cultural; não haveria segurança, não haveria Justiça, não haveria Bem-Estar, não haveria liberdade.
E quem permitiu e fez isto? Pois foram os soldados, os combatentes, o tal povo, do Eça.
Onde se devem individualizar as mães e as mulheres, pois foram elas que sempre aguentaram a rectaguarda! 
Por isso todos nós devemos estar orgulhosos dos nossos combatentes; de quem disse “pronto”, quando chegou a hora; quem lutou quando foi preciso lutar; quem não virou a cara aos sacrifícios; quem não desertou do combate ou, pior ainda, quem traiu a terra que lhe serviu de berço, a terra dos seus pais. 
Porque, desgraçadamente, desses sempre os houve e ainda há. 
Também deles falam “os Lusíadas” e não há estátuas, nomes de ruas, séries de televisão, condecorações, prémios, branqueamento da História, etc., que possa apagar essa realidade da memória colectiva da Nação. 
Pelo menos enquanto restar um português com algum saber, vergonha na cara, coluna direita e bem - querer na alma!
Caros compatriotas, o combate não terminou com aqueles que hoje homenageamos e desenganem-se aqueles que julgam que não teremos de guerrear, novamente, ou que o terrorismo é apenas uma expressão de lunáticos contemporâneos, já que a sua origem remonta ao século XI, ao “velho da montanha” e à seita dos hashashin e, modernamente, em termos de terrorismo de Estado, à Revolução Francesa de 1789. 
Temos que nos preparar para os combates do futuro. 
Os nossos antepassados não andaram a trabalhar, a lutar, a edificar e a expandir o nosso país, desde 1128, para agora estarmos a alienar ao desbarato, a nossa soberania, a nossa nacionalidade, a nossa cultura (onde a língua tem um lugar de destaque), as nossas gentes, o nosso património e a nossa terra. 
Para ficarmos escravos de dívidas perpétuas e enredados em leis alheias, iberismos serôdios ou federalismos espúrios; sermos, eventualmente, submersos por vagas de estranhos, cujas matrizes culturais não estejamos aptos a integrar, sem perdermos a nossa; e a caminhar para, a breve trecho, não haver um Km2 de território em mãos portuguesas.
E, outrossim, por nos estarmos a suicidar colectivamente, por via de excesso de emigração, imigração, leis de naturalização erradas, quebra demográfica gravíssima e corrupção galopante. Finalmente para sermos reféns de organizações sem rosto oficial, de carácter internacionalista e mais ao menos secretas ou discretas, que ninguém elegeu e que transformam, só por si, a Democracia e a Justiça, numa ficção. 
E em vez das cinco Quinas passarmos a ter como símbolo o “Deus Mamon”.
Temos de olhar à nossa volta, acordar e reagir! 
É que, como disse o tão mal citado Fernando Pessoa, “só existem Nações, não existe Humanidade”.
Caros compatriotas, esta cerimónia destina-se à exaltação da memória dos combatentes, nossos antepassados ou contemporâneos, mas destina-se também, aos que hoje vivem e a quem compete receber e passar o testemunho.
Pois deles é o futuro e, por isso, a quem compete refletir sobre o exemplo dos que caíram ou se sacrificaram no campo, que tem de ser da Honra, enquanto as imperfeições da natureza humana não permitem a erradicação da guerra e outras imoralidades, na eterna luta entre o Bem e o Mal. 
Devemos, deste modo, curvar-nos, reverentes e obrigados, junto aos nomes daqueles que estão gravados nos muros deste memorial, que combateram nas últimas das centenas de campanhas ultramarinas que realizámos nos últimos seis séculos (não foram seis décadas…), fazendo jus ao Padre António Vieira que um dia disse que “Deus deu aos portugueses um berço estreito para nascer e o mundo inteiro para morrer”. 
Evoco em nome de todos, aquele cujo nome figurou primeiro neste local: o do Subchefe da polícia Aniceto do Rosário, morto em combate, que na iminência de um ataque dos indianos disse ao Governador, “Parta V. Exª descansado que eu não deixarei ficar mal a bandeira portuguesa”.
E não posso deixar de dizer, com todas as fibras do meu ser, que eles lutaram bem, competente e vitoriosamente, numa guerra justa, em termos humanos e que, infelizmente terminou de forma trágica e não merecida. 
Nesta luta fizemos frente à maior campanha montada a nível global e mundial, contra a Nação dos Portugueses, desde a Guerra da Restauração. 
Nela chegámos a manter 230.000 homens em pé de guerra, em quatro continentes e três oceanos, a combater durante 14 anos, em três teatros de operações enormes, distantes entre si e a então Metrópole – que era a base logística principal – por milhares de quilómetros, sem fazer uso de alianças militares e sem generais ou almirantes importados, o que já não sucedia desde Alcácer-Quibir.
Usufruindo de uma logística notável – basta comparar com o que se passou com a nossa participação na I Guerra Mundial – que já não conseguíamos montar tão bem, desde que enviámos a terceira Armada, à Índia, comandada pelo João da Nova, em 1501!
Abro um parêntesis para destacar a Marinha Mercante, neste esforço logístico, sem a qual não poderíamos ter reagido rapidamente nem sustentado tão longo período de operações.
Hoje, dos 70.000 navios mercantes existentes no mundo, apenas uma dezena são de armadores portugueses e ostentam o pavilhão nacional. Nem meio batalhão conseguem transportar… 
Nesta campanha só não conseguimos resistir à miserável invasão de Goa, Damão e Diu, pela União Indiana, em 1961, pela enorme desproporção de forças em presença e pela usual hipocrisia das relações internacionais. Mesmo assim ainda conseguimos pô-la em sentido durante mais de 10 anos – não foi coisa de somenos. 
Nova Deli usou o “direito da força” mas nunca teve a força do Direito, nem da Razão!
Toda esta acção, a todos os títulos magnífica, não encontra paralelo em nenhuma campanha contemporânea, mas foi apenas corolário daquilo que o escritor americano, James Michener, disse de nós e cito: “Nesses anos quando um soldado português desembarcava de um dos barcos da sua nação para servir num forte de Moçambique, ou em Malaca, ou nos estreitos de Java, já previa, durante o seu tempo de serviço, três cercos, durante os quais comeria erva e beberia urina. Estes defensores portugueses contribuíram para uma das mais corajosas resistências da História do Mundo”.
A estes se devem juntar todos aqueles e seus descendentes, que desde a tarde de S. Mamede, acompanharam o nosso pai, Afonso Henriques, e têm mantido o seu legado até aos dias de hoje.
Lembrar o seu exemplo e preservar a sua memória, é tarefa ingente de todos os bons portugueses, pois tal deixou de ser feito na escola, na generalidade dos “média” e quase desapareceu do discurso político a não ser em frases de circunstância, ditas sem convicção. 
Em 1582, esse grande patriota que foi Ciprião Figueiredo de Vasconcellos, Governador das Ilhas dos Açores, escreveu ao monarca Habsburgo, que reinava em Madrid e atirou-lhe, “Antes morrer livres que em paz sujeitos” e logo acrescentou, “nem eu darei aos moradores destas ilhas outro conselho, porque um morrer bem é viver perpetuamente”. 
Afirmamos hoje, o mesmo, com Esperança e acrisolada Fé, em que consigamos manter a estamina necessária para preservar a nossa terra, Portugal, livre e independente. 
Lembro que um combatente só dá baixa para a cova! 
Caros compatriotas, vou terminar com a melhor homenagem que podemos fazer a quem combateu e, porventura, morreu na defesa da terra dos nossos antepassados, e por tudo o que tal representa, incluindo o de que o seu sacrifício não possa ser considerado em vão. 
Vamos todos em conjunto e em uníssono, darmos um grande e empolgante viva a Portugal. 
Viva Portugal. 
VIVA PORTUGAL!
João José Brandão Ferreira 
Oficial Piloto Aviador