terça-feira, 24 de novembro de 2015

Mais uma vez! Vou voltar a ser “radical e irresponsável”…

Já sabíamos que só a esquerda pode governar em Portugal. Vamos começar agora a descobrir que também só a esquerda pode indignar-se e fazer oposição. Os outros são sempre radicais e irresponsáveis. (Rui Ramos in Opiniao) 
Aquilo a que tenho chamado a imprensa a que temos direito vai encarregar-se disso e, até poderá vir a acontecer que, mais uma vez, me proibam o epíteto…
Mas amanhã é
“O 25 de Novembro de 1975 que foi uma derrota para a esquerda política e para a esquerda militar. Em todo o caso, foi apenas uma derrota relativa — devido ao papel moderador de Costa Gomes, Melo Antunes, Vasco Lourenço e, nalguma medida, de Ramalho Eanes, também.
Foi uma derrota porque o 25 de Novembro impediu o prosseguimento da revolução no sentido do projecto de sociedade da esquerda política e que, à parte as particularidades nacionais, era na essência, igual ao da sociedade comunista de Leste. Derrota por que afastou o PCP do Governo e de um modo geral dos órgãos do poder de Estado, porque impediu a estabilização de conquistas da revolução já adquiridas, tais como a Reforma Agrária, as nacionalizações, etc.
Para o PCP, o 25 de Novembro também pode ser considerado uma vitória no sentido em que uma pessoa que parte uma perna tem imensa sorte por não ter partido as duas.
O 25 de Novembro representa uma vitória parcial porque o PCP não foi ilegalizado, como alguns pretendiam, e pôde viver em democracia, numa democracia que, como se sabe, o comunismo nunca facultou aos seus adversários.” (adapt de Memórias do Presente)
Mas o 25 de Novembro, foi uma vitória completa, para o PCP e para a esquerda política, quando a democracia e os democratas lhes deixou abertas as portas do sindicalismo e, principalmente, da imprensa a que temos direito, onde colocou todos os seus peões e ostracisou, quase todos, quantos pensavam e escreviam diferente.
Basta olhar para as chamadas “redes sociais” para verificarmos que, nos últimos dias, os idiotas-úteis começaram a sair das tocas e como é das nep’s iniciaram o seu trabalho de lavar-nos os cerebros com imagens, de photshop, e cartoons, enquanto os “ideólogos”, que vivem em buracos mais fundos, não aparecem a missionar-nos.
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de qualquer modo não esqueçam a minha maxima:
- uma vez no poder a esquerda só de lá sai pela força e não se o voto será arma suficiente!

mas sei que até na politica “a natureza se defende” …

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

para memória futura!


O terrorista não é uma marionete?

Não é por acaso que após os atentados terroristas vivemos uma sensação de desconcerto, como se não fosse justo nem lógico fazerem-nos aquilo. Na verdade para nós não é. Mas só para nós. Do ponto de vista do terrorista não só tudo aquilo faz sentido como é lógico: são actos tácticos de uma estratégia com objectivos próprios.
O terrorista não é uma marionete puxada pelos fios dos actos presentes e passados dos outros.
Muito menos é alguém que buscando os mesmos objectivos de justiça dos não terroristas apenas se enganou no caminho. O terrorista existe independentemente de nós.
Recordo como este exercício de ver o terrorista como um resultado e não como um sujeito dotado de vontade própria era particularmente penoso no caso dos atentados da ETA, em Espanha. Primeiro a ETA matava por causa de Franco. Depois veio a Transição a ETA passou a matar ainda mais (é exactamente durante a Transição que a ETA é mais mortífera: 84 mortos em 1979 e 93 em 1980) mas tal, dizia-se, explicava-se pelo combate à herança do franquismo presente no aparelho de Estado. A Espanha tornou-se democrática e a ETA continuava a matar militares, polícias, políticos e empresários mas isso devia-se à ligação dos militares ao passado, dos polícias à repressão, daqueles políticos à direita e dos empresários ao dinheiro.
A ETA continuava a matar. Politicamente as balas entravam em nucas de direita e de esquerda.
Mas havia sempre uma culpa da sociedade espanhola para explicar mais uma bomba e mais uma bala: eram os presos da ETA que não podiam estar todos juntos na mesma prisão; era o tribunal que os condenava; era o artigo no jornal que os tinha ofendido; o empresário que não pagava o imposto revolucionário… E quando não se percebia que ligação haveria entre a vítima e os seus verdugos aventava-se que a vítima podia ser um informador. Ou um narcotraficante, porque a ETA queria o País Basco livre de drogas.
A par dos atentados, a ETA desdobrava-se em várias organizações legalíssimas e activíssimas no combate à violência (das autoridades policiais, claro) e de promoção dos direito humanos, (dos terroristas obviamente). Advogados, professores universitários e jornalistas desdobravam-se, em Espanha e fora dela, em concentrações e conferências de denúncia destes graves atentados à democracia. Ainda por aí andam folhetos em que ilustres participantes portugueses se propunham mediar entre a ETA e o intransigente Estado espanhol.
Até que a 10 de Julho de 1997 a ETA sequestrou Miguel Ángel Blanco, um vereador do PP em Ermua, e deu dois dias ao Governo, então presidido por Aznar, para reagrupar os presos da organização (independentista e não terrorista, segundo boa parte dos orgãos de comunicação). A 13 de Julho o cadáver de Miguel Ángel Blanco era descoberto e nasceu o chamado Espírito de Ermua em que para lá do PSOE e do PP terem estabelecido uma espécie de pacto de regime no combate ao terrorismo a sociedade espanhola deixou de procurar as culpas das vítimas em cada atentado.
Resultado: a ETA foi derrotada.
Mas só a ETA, porque o discurso do terrorismo, enquanto resposta automática e não como estratégia de vontade própria, esse apenas mudou os protagonistas do seu enquadramento.

(em “O principado de Zouheir” no Observador por Helena Matos)

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Diz-me com quem andas...

Com a subida de António Costa ao poder, as pessoas voltaram a mudar no PS.
Já não são os moderados e dialogantes do tempo de Guterres.
Já não são os negociantes duvidosos do tempo de Sócrates.
São uns trauliteiros que não respeitam algumas regras elementares.
É inadmissível que António Costa não tenha estado na posse do novo Governo.
Para lá da guerra das palavras, há uma coisa que se chama ‘urbanidade’ e regular relacionamento institucional.
As pessoas que hoje rodeiam Costa transmitem uma imagem que não se coaduna com a de um partido moderado.
Vejam-se as recorrentes tiradas de Carlos César, o presidente do partido, e comparem-se com o que dizia Almeida Santos ou mesmo Maria de Belém.
Veja-se a linguagem terrorista usada por João Galamba ou Capoulas Santos, e compare-se com a dos dirigentes do tempo de Guterres.
Vejam-se as intervenções de Ferro Rodrigues, que mesmo na posse como segunda figura do Estado não foi capaz de evitar uma postura agressiva e rezingona, totalmente contrária ao espírito da função, com indirectas ao Presidente da República.
Vejam-se as caras de todos à saída das reuniões com o Presidente da República: as expressões de António Costa, Carlos César, Ana Catarina Mendes, Ferro Rodrigues…
Friso mais soturno era impossível.
Não foi por acaso que um certo tipo de pessoas rodeou Guterres, outro tipo rodeou Sócrates e outro ainda rodeia Costa.
António Costa é o espelho daquelas pessoas que o rodeiam – ou vice-versa.
Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és.

O grupo que acompanha Costa não engana ninguém. (in “Sol” por José António Saraiva )

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Um clima de guerra civil

Sábado, no Expresso, Henrique Monteiro recordou como o país esteve perto de uma «guerra civil» há 40 anos.
No fim-de-semana, anterior, dois colunistas tão diferentes como António Guerreiro e Sousa Tavares lamentavam o «clima de guerra civil» que se instalou desde que António Costa anunciou a tentativa de tomada do poder pela «esquerda unida». 
A CGTP, que não consta ser parte do acordo tri-partido liderado pelo PS, «marcou uma concentração em S. Bento para o dia da votação de governo» que lembra a «muralha de aço» contra os governos provisórios que lhes desagradavam e contra a Assembleia Constituinte de 1975-1976. 

Perante o que se prepara, a maioria dos opinadores continua às voltas com os preceitos constitucionais e as tradições eleitorais do regime, fazendo de conta que não está em curso uma convulsão política cujo final é imprevisível.
A inabilidade dos agentes visados pela convulsão – o Presidente da República e a coligação PSD+CDS – foi enorme. Quando se aperceberam do que estava em jogo, já era tarde.

O processo devia ter sido conduzido de forma muito mais rápida, mais aberta e publicitada, não permitindo que os interlocutores continuem a esconder o que se está a passar. 
Cavaco Silva, que nunca interiorizou o facto de ser o ódio de estimação da «esquerda», devia ter reunido todos os partidos eleitos mal se conheceram os resultados provisórios e, logo que o PS mostrou a intenção de transgredir a norma de «quem ganha, governa», podia e devia ter convocado o Conselho de Estado e tornar públicas as opiniões dos conselheiros. Nessa altura, as fissuras do PS teriam ficado à vista de todos, a começar pelo presidente dos Açores, assim como a versão do Tribunal Constitucional, até agora desconhecida. 
O Presidente da Republica que sempre teve fama de institucionalista revelou-se, sobretudo, um formalista e um crente no «segredo». Agora, arrisca-se a ficar sem soluções e sem o respaldo antecipado que a maioria dos conselheiros de Estado lhe teria dado, possivelmente o próprio Marcelo que agora pretende sacudir a água do capote…
Ter-se-iam ganho semanas e evitado ditar exclusivas contra quem quer que seja!

Neste clima político, nenhuma solução é boa. Se o PR entregar o poder ao PS e aos seus pouco credíveis aliados, facilmente se imagina o preço que a grande maioria da população irá pagar. Se não entregar, confiando provisoriamente o governo a um «grupo de sábios» que tome conta da situação até à eleição do próximo presidente da República, não é difícil imaginar a violência da reacção dos rejeitados, mas as perdas para o país seriam porventura menores e menos duradoras. (resumo do artigo de Opinião de Manuel Vilaverde Cabral no Observador)

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

até a troika voltar com maioria absoluta...

…qualquer governo que resultar da negociação pós-eleitoral vai ficar mal, faça o que fizer. Se cumprir as promessas, verá a тройка regressar em breve; se tiver juízo e proceder como a situação exige, é crucificado por engano aos eleitores que não perdoarão o terrível choque quando a dureza da realidade for compreendida por um país mergulhado em ilusão.
A culpa da ratoeira é do anterior executivo, que mostrou incapacidade para realizar reformas verdadeiramente sólidas e duradouras. Mas a esquerda não se pode dizer inocente, pois sempre negou a emergência nacional e foi-se opondo violentamente até às tímidas medidas ensaiadas.
Se a coligação PSD-CDS se mantiver no poder, haverá uma certa justiça poética, sofrendo ela as consequências da sua timidez reformista. Mas a situação mais irónica é a de um governo do PS. Presidindo ao longo desequilíbrio que precipitou a crise e vendo-se forçado a pedir ajuda externa, esteve na oposição durante a execução da austeridade. Então fingiu hipocritamente opor-se às medidas indispensáveis. 
Quando a expectativa se mostrar cruelmente falsa, o governo anterior, agora na oposição, dirá credível mas hipocritamente que deixou o país em boas condições, pelo que a culpa dos sofrimentos, realmente inevitáveis, cabe toda à liderança de esquerda. A qual, por sua vez, carrega dois problemas adicionais. O primeiro é a falta de credibilidade junto de mercados e parceiros, seja pela sua aberrante composição ideológica seja pelas promessas ilusórias que insiste em apregoar. O segundo é que António Costa tem de enfrentar todas as dificuldades enquanto executa um número de verdadeiro malabarismo político. Precisa de, com as duas mãos, manter no ar, sem nunca se tocarem, pelo menos quatro bolas: PCP, BE, ala esquerda e ala direita do PS, os inimigos mais irredutíveis da política portuguesa.

Por ilusão do povo e cobiça política, estamos a entrar num período de surpresa e desilusão, até a troika voltar com maioria absoluta.  (in João César das Neves no Diario de Noticias)

correio da manhã


terça-feira, 20 de outubro de 2015

o Orçamento da "faneca"

Na economia, já não vamos ter o "controlo público, nacionalização e redireccionamento do sistema bancário", nem a "propriedade estatal", nem "uma política de controlo público da propriedade bancária". Nem "uma política de nacionalização do setor da energia", nem "o controlo público sobre as empresas do setor", já nem "o capital público deve voltar a ser maioritário na Galp, na EDP e na REN", e muito menos assistiremos à "nacionalização da produção e distribuição da energia". Nem ninguém já pensa em "devolver à esfera pública as empresas privatizadas, concessionadas e subconcessionadas", ou sequer "renacionalizar as autoestradas originariamente construídas sem custos para o utilizador (Scut)". Nem se pense que a "a transportadora aérea nacional TAP deve continuar a ser o que é, uma empresa pública".
E hoje, no Bloco, já ninguém quer ouvir falar da "reestruturação da dívida" pública, nem da "reestruturação da dívida das empresas de transportes", nem, no que respeita à Madeira, de "um cancelamento de parte significativa da dívida e à reestruturação da mesma".
O Tratado Orçamental é para ficar, pois "a convocação de um referendo sobre o Tratado Orçamental" já não "é um passo essencial", porque o Bloco já não é "uma esquerda comprometida com a desobediência à austeridade e com a desvinculação do Tratado Orçamental", porque se fosse queria "referendar o Tratado Orçamental e iniciar um processo de reestruturação da dívida pública". 
Nas relações internacionais, já não vamos ter a "saída da NATO e ação diplomática pela extinção deste e de todos os blocos militares", qual quê, nem a "denúncia do Acordo de Cooperação e Defesa entre os EUA e Portugal e consequente imposição de uma moratória aos EUA para que abandonem a Base das Lajes". Nem o Bloco de Esquerda irá "pugnar pelo encerramento de todas as bases militares estrangeiras na Europa". Nem o "fim das instituições da desregulação liberal, como a Organização Mundial do Comércio, o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial". E muito menos é verdade que "o Bloco irá persistir em derrotar o Tratado Transatlântico (TTIP)". Tudo isto é passado.
E talvez o Bloco tenha exagerado quando disse que o Programa Eleitoral do PS, "mesmo com delírio otimista sobre a evolução económica, tem que manter a punição fiscal do trabalho, penaliza a Segurança Social e liberaliza o despedimento para obedecer aos critérios de Angela Merkel".
…

fontes bem informadas dizem que as pontes estão criadas para que se mantenha a proposta bloquista de "criação de um "cabaz de peixe" para venda direta de pescado variado, permitindo (...) a valorização e escoamento de algumas espécies com menos valor comercial e preços mais vantajosos para o consumidor". Disto ninguém abdica - e parece que Bruxelas está disposta a aceitar (desde que não vá ao défice), e o PCP também (desde que o preço seja tabelado). Os grupos técnicos dos dois partidos discutem já quais as espécies baratuchas a incluir no cabaz e os peixitos a excluir. Há dúvidas sobre a xaputa (sobretudo devido ao nome) e sobre a tainha (sobretudo devido ao baixo valor nutricional), mas a faneca é consensual no arco da constituição. Abaixo o queijo Limiano, viva o orçamento da faneca.

Nota: todas as citações entre aspas são retiradas do Manifesto Eleitoral do Bloco de Esquerda para as Legislativas 2015, apresentado em julho de 2015.
(in Opinião por João Taborda da Gama )