quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

“Tenciono levar avante as reformas desta forma, explicando”

A avaliação do desempenho dos professores acabou por ser o tema mais quente do debate, esta segunda-feira, no programa Prós e Contras da RTP1.
«Tenciono levar avante as reformas desta forma, explicando», lançou a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, logo no arranque do programa, para enunciar aquilo que considera serem os «equívocos» acerca da sua política. A ministra frisou, por várias vezes, que «as medidas não são contra os professores», explicando que o sistema de avaliação de desempenho dos docentes que tanta polémica tem causado foi criado «para permitir distinguir, reconhecer e premiar os melhores». Maria de Lurdes Rodrigues reconheceu que «não há avaliações perfeitas», mas realçou o facto de o modelo proposto pelo ministério privilegiar «a diversidade dos agentes da avaliação» e consagrar «o respeito pela diversidade das actividades dos professores». Um modelo que, de acordo com o secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (FENPROF), Mário Nogueira, «não distingue o mérito porque é feito por quotas» e apresenta «graves erros» por conter «itens para os quais não há unidade de medida», como a disponibilidade ou o empenho dos professores. Outro ponto muito criticado foi o facto de os resultados escolares dos alunos terem um peso de cerca de 10% na avaliação dos docentes. Acusada por vários intervenientes no debate de atacar a imagem dos professores e de promover o facilitismo, a ministra refutou a ideia de ser responsável por um ataque à classe docente e saiu em defesa do programa Novas Oportunidades, contrariando a ideia de que este projecto de formação para adultos seja feito sem critério ou mérito. «É preciso continuar a trabalhar, é a lição que retiro deste debate», comentou Maria de Lurdes Rodrigues no final do Prós e Contras, mostrando-se disponível para «continuar a trabalhar com as escolas». Mário Nogueira anuncia que Ministério terá de pagar horas extraordinárias Mário Nogueira anunciou, durante o programa Prós e Contra, que tem já em seu poder seis decisões judiciais que fazem jurisprudência no sentido de obrigar o Ministério da Educação a pagar como horas extraordinárias o tempo despendido pelos professores em aulas de substituição. De acordo com o responsável da FENPROF, estas sentenças vão permitir aos docentes «requerer nas escolas as substituições que fizeram e o Ministério da Educação vai ter de pagar». Maria de Lurdes Rodrigues afirmou desconhecer as decisões dos tribunais em causa. «Não estou em condições de responder, porque não conheço os pormenores do processo e já vi muitas vezes o prof. Mário Nogueira anunciar catástrofes destas, na televisão, que depois nunca se concretizaram», reagiu a ministra, salientando que, nesta matéria, «o problema do Ministério da Educação nunca foi financeiro». margarida.davim@sol.pt

A Minha Guerra...


Furriel Armando Lopes

Nunca mais me esqueço da viagem para a Guiné, a bordo do paquete Uíge. Embarcámos em 3 de Abril de 1973, na Rocha do Conde de Óbidos, em Lisboa. Marcou-me a vida dos cabos e soldados durante os quatro dias de mar até Bissau: viajaram no porão mal ventilado, dormiam em camas encavalitadas umas nas outras e muitos eram obrigados a comer de pé, por falta de espaço.Chegámos ao porto de Bissau no dia 7 de Abril. Lembro-me das águas barrentas do Rio Geba. Após as formalidades do costume, como o desfile das tropas perante o governador e comandante-chefe, general Spínola, lá seguimos para Bula – destino do meu esquadrão de reconhecimento constituído por carros de combate blindados Panhard.

O Sul da Guiné era então a mais dura zona de guerra. O aquartelamento era constantemente flagelado pelos foguetões que os guerrilheiros disparavam a partir da Ilha de Como: nós corríamos para as valas de abrigo enquanto os camaradas artilheiros respondiam com fogo de obuses.Numa operação, tocou-nos dar protecção a uma coluna de reabastecimento para Guidage – um aquartelamento da nossa tropa, praticamente em cima da fronteira com a Guiné-Conacri, país onde o PAIGC tinha instaladas as bases de apoio. A zona de Guidage escondia as principais rotas dos guerrilheiros para o interior da nossa província. Dias antes da operação, estalara um violento combate entre a nossa tropa e a guerrilha. Quando seguimos para Guidage, colados à coluna de reabastecimento, encontrámos pelo caminho as marcas dessa batalha: vimos as enormes crateras na picada e os destroços calcinados e retorcidos de camiões Berliet de transporte de pessoal. Soubemos, depois, que a tropa portuguesa tinha conseguido aguentar o ataque mas deixou para trás algumas viaturas. A Força Aérea bombardeou as Berliet abandonadas para impedir que caíssem nas mãos dos guerrilheiros. Chegámos sem problemas a Guidage, onde passámos a noite, e no dia seguinte segui com o meu esquadrão a caminho de Mansabá. Em Farim, atravessámos o rio de jangada. Pouco tempo depois, sofremos uma forte emboscada. A viatura com soldados atiradores que seguia atrás da minha Panhard foi fustigada por granadas-foguetes e rajadas. Dois homens morreram imediatamente e vários ficaram gravemente feridos. Nós, na Panhard, ripostámos ao fogo dos guerrilheiros – e recordo com gratidão a perícia dos tripulantes do meu carro de combate, o Vicente e o Sousa. Dias depois, sofremos nova emboscada no mesmo local: perdi um amigo, o Tojó, que caiu morto em combate.Um dos ataques que mais me impressionou ocorreu em Setembro de 1973, na zona de Có, perto de Bula. Os guerrilheiros emboscaram a nossa coluna. Viaturas civis que transportavam guineenses foram apanhadas pelo tiroteio. Vi a matança. O fogo dos guerrilheiros não poupava ninguém. Morreram mulheres, crianças e velhos. Ainda hoje, recordo o sangue a escorrer das viaturas. No meio deste horror, apercebi-me de que um alferes amigo estava gravemente ferido. Uma granada-foguete arrancara-lhe um pé. Um guineense fez-lhe um garrote para travar a hemorragia. Quando me aproximei, o alferes olhou-me com coragem. Não lhe ouvi um lamento. Só me pediu um cigarro. Ele ia de férias daí a oito dias – para se casar, segundo me disseram.Uma noite, estava eu de prontidão no quartel de Bula, houve necessidade de mandar uma ambulância para evacuar uma mulher grávida em Binar. A ambulância não podia ir sozinha: teria de sair sob protecção de, pelo menos, três blindados. Fui acordar o furriel Ferreira e o aspirante Daniel, que imediatamente aprontaram as suas Panhard e respectivas tripulações. Lá saímos, um pouco depois das onze da noite.Chegámos à guarnição de Binar. Os maqueiros e o enfermeiro colocaram a mulher na ambulância e arrancámos de regresso. Uma Panhard à frente, a ambulância a seguir e mais duas Panhard a fechar a coluna. A minha era a última. De noite, circulávamos apenas com os mínimos acesos para evitar que os guerrilheiros nos localizassem. Deu-se um acidente. A Panhard que seguia à minha frente, comandada pelo furriel Ferreira, capotou – e a minha chocou contra ela. O primeiro blindado e a ambulância rodavam mais à frente, não se aperceberam do acidente e continuaram o caminho. Dois Panhard ficaram para trás. Os três camaradas que seguiam no Panhard à minha frente, e que capotou, ficaram feridos – e, entre eles, o que estava pior era o furriel Ferreira. Era noite cerrada. Não tínhamos rádio. Eu e um tripulante do meu blindado pegámos em granadas de mão e voltámos a pé para o destacamento de Binar. Caminhámos mais de uma hora pela picada. Regressámos com reforços o mais depressa possível ao local do acidente – e, para grande tristeza minha, o Ferreira já estava morto: não resistiu aos ferimentos que resultaram do capotamento da Panhard. O Ferreira tinha sido pai há oito dias.Noutra ocasião, fomos com os blindados dar apoio a uma operação que uma companhia de Comandos levou a cabo na zona de Bula. Entre os Comandos estava um amigo meu – o Ribeirinho. Ao final da tarde, os Comandos deram início à operação. Entraram na mata divididos em grupos de combate. Ao longo da noite, sucederam-se os períodos de fogo – que nós acompanhávamos da picada e prontos para intervir em caso de necessidade. Temia, face ao volume das explosões e das rajadas, que os Comandos sofressem mortos ou feridos. Mas, felizmente, regressaram todos bem. Um deles, por sinal o meu amigo Ribeirinho, que entrara na mata com o camuflado limpo, vinha todo sujo. Apareceu-me com um sorriso rasgado. Trazia nos braços duas crianças pequenas. Tinham sido abandonadas e ele resgatou-as. Os Comandos cuidaram das crianças. Não sei se vieram para a Metrópole depois da independência ou se ficaram na Guiné.Uma madrugada, acordei com tiros disparados dentro da caserna. Um camarada do esquadrão acordou com pesadelos, deu um salto da cama, pegou na G-3 e desatou aos tiros. Felizmente que disparou para o ar. Foi evacuado e nunca mais fez operações no mato.Quando se deu o 25 de Abril, ainda eu estava na zona operacional de Bula. Às tantas, recebi ordem de marcha para Bissau – a fim de aguardar transporte para Lisboa. A guerra para mim chegava ao fim. Mas ainda havia de passar por um momento de profunda tristeza. Soube de um episódio que me deixou transtornado. Um alferes sapador, que eu conhecia, tinha por missão levantar um campo de minas devidamente sinalizado. As chuvas deslocaram uma mina e o alferes desesperava para a encontrar. Quando finalmente a achou, tinha os nervos à flor da pele. Fez o que não passa pela cabeça de ninguém no seu juízo perfeito. Deu um pontapé na mina. Ficou sem um pé.


O furriel miliciano Armando Viegas Lopes passou 17 meses na Guiné. A revolução de 25 de Abril abreviou-lhe a comissão. Regressou são e salvo a Lisboa, a bordo de um avião, em 2 de Setembro de 1974. “Tive muita sorte na Guiné” - diz Armando Lopes. Chegado da guerra, fez férias. Em 1975 fez parte de uma cooperativa de construção e de reparação naval – que abandonou cinco anos depois, em 1980. Trabalhou numa empresa de construção civil, de onde saiu em 1983 para se dedicar a um restaurante, na zona de São Sebastião da Pedreira, em Lisboa. Armado Lopes casou-se duas vezes. Tem três filhos. CM 2008-02-24

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Sócrates e o lixo debaixo do tapete


José Sócrates está tramado. Não há forma de sair airosamente deste novo Civilgate, agora descoberto na Guarda. Se a notícia do Público for verdadeira e ele realmente tiver andado a assinar projectos alheios, é uma tragédia ética. Se a notícia for falsa e aquelas moradias tiverem mesmo saído da sua cabecinha, é uma tragédia estética. Entre o bem e o belo, é natural que Sócrates se agarre ao bem, que é qualidade mais apreciada num político, mas quando olhamos para aquelas fotografias de casas de emigrantes horrendas made by José damos todos graças a Deus de o homem ter optado pela política em detrimento da engenharia.

Entalado entre dois desastres, Sócrates reagiu de forma desastrada. Eu começo a desconfiar que quem assina o boletim de militante socialista deve ser inoculado com algum vírus que o leva a gritar "cabala" sempre que confrontado com factos desagradáveis. Eu tinha o nosso primeiro-ministro em melhor conta. Transformar uma notícia perfeitamente legítima, bem fundamentada e assinada por um dos poucos jornalistas que em Portugal ainda fazem investigação a sério, num "ataque pessoal e político" é uma pouca-vergonha. Se Sócrates entende que se trata de uma calúnia, então apresente factos – e não gritinhos histéricos. Eu, pelo meu lado, o que gostava de saber não é porque é que o Público persegue José Sócrates – é porque é que o Público, tendo uma notícia deste calibre nas mãos, optou na primeira página por a colocar em rodapé. É que convém estar atento aos detalhes. Para quem não reparou, a manchete do Público na sexta-feira foi "Democracias fecham os olhos aos abusos das ditaduras, denuncia ONG", o que para além da elegância da formulação é algo de tão original quanto dizer que as galinhas têm penas e que os cães fazem ão-ão. Ou seja, aquela primeira página não mostra que Sócrates é perseguido – mostra, pelo contrário, que Sócrates mete demasiado medo a demasiada gente, como depois se comprovou pelo manto de silêncio que caiu sobre as pessoas envolvidas na notícia. E este silêncio, francamente, começa a cheirar muito mal.
É que por muita tolerância que o povo português tenha para com a pequena trapaça - e tem, e muita -, há sempre um momento em que se esgota o espaço debaixo do tapete: empurra-se o lixo, mas ele já não cabe. Para Sócrates, este pode muito bem vir a ser esse momento. Ao garantir, preto no branco, que todos aqueles projectos são da sua autoria e responsabilidade, ele cometeu um erro estratégico: enterrou-se neste caso até ao pescoço. Agora, se for apanhado, não tem como sair de mansinho. Uma mentira destas nem o padre Melícias consegue absolver.
Kaminhos, 13Fev08 Opinião: João Miguel Tavares

Guarda analisa projectos ...


Câmara nomeou comissão para investigar alegadas irregularidades
O presidente da Câmara da Guarda (PS) anunciou hoje a nomeação de uma comissão para averiguar alegadas irregularidades no licenciamento de obras particulares no concelho na década de 80, relativas a projectos assinados por José Sócrates.

"Fundamentalmente o que queremos que fique claro é se, pelo facto de ser o engenheiro José Sócrates o responsável pelos projectos, houve violação da legislação", referiu hoje Joaquim Valente à Agência Lusa.

A comissão será composta por José Guerra (director do Departamento Administrativo da autarquia), Delfim Silva (director do Departamento Planeamento e Urbanismo) e pelos juristas Alberto Garcia, Daniela Capelo e Tatiana Adro.

As alegadas irregularidades foram recentemente denunciadas pelo jornal "Público", que revelava que vários projectos submetidos a aprovação entre 1981 e 1990 tinham em comum o facto de serem rapidamente aprovados, apesar dos reparos e observações críticas dos arquitectos da repartição técnica da Câmara da Guarda e até de pareceres contrários da administração central.
Segundo o "Público", José Sócrates, na qualidade de engenheiro, também terá assinado numerosos projectos de arquitectura e engenharia relativos a edifícios na Guarda, ao longo da década de 1980, cuja autoria os donos das obras garantem não ser dele, uma situação desmentida pelo actual primeiro-ministro, que garantiu "a autoria e a responsabilidade de todos os projectos" que assinou.

Segundo Joaquim Valente, o processo de averiguações também visa apurar "se houve facilitação nos procedimentos que visavam a aprovação dos projectos, porque o que se evocava [na notícia do jornal] era que teria havido violação da legislação no que se refere [a autorizações de construções] a Reservas Agrícolas e Ecológicas". O presidente socialista explicou que a comissão nomeada irá procurar esclarecer "a verdade" sobre as situações relatadas pelo diário e não apenas sobre o facto de os projectos serem ou não da autoria do actual primeiro-ministro. "O autor dos projectos assume-os e isso não me causa qualquer tipo de dúvida. Se os projectos têm o termo de responsabilidade do então engenheiro José Sócrates, não subsistem dúvidas nenhumas", concluiu o autarca.

"Há pessoas que estão a ser acusadas injustamente, por factos não praticados", acrescentou Joaquim Valente, numa alusão a técnicos da câmara referidos na peça do "Público", defendendo que o processo de averiguações servirá "para defesa da verdade" e "para que a verdade seja apresentada com clareza". Segundo o autarca, o grupo de trabalho "fará uma análise aos processos" e tirará conclusões que serão fornecidas à autarquia, possibilitando "actuar de acordo com os resultados".

Os três vereadores do PSD (Ana Manso, José Gomes e João Bandurra) concordam com a decisão do presidente da Câmara da Guarda mas consideram que "era importante que fosse uma comissão independente" visto que os elementos indigitados têm ligações à autarquia. "Não está em causa o rigor e a honestidade das pessoas", justificou Ana Manso, considerando que "o processo é demasiadamente importante para ficar restrito a uma comissão com ´gente da casa` [da Câmara Municipal]". A vereadora admitiu, durante a reunião do executivo municipal, que a situação que envolve o primeiro-ministro "é uma situação rara que não tem antecedentes".
"Não é um processo qualquer, é um processo onde está envolvido o primeiro-ministro", afirmou Ana Manso para justificar a posição assumida pela oposição na Câmara da Guarda. Kaminhos 13Fev08

«Para conhecer os homens é preciso vê-los actuar.» - Jean-Jacques Rousseau


Deputado Vitor Pereira ameaçado com pistola

O agressor ordenou-lhe que deixasse de investigar os processos urbanísticos da C. M. Covilhã.

Homem de raça branca, aspecto geral cuidado, com idade entre os 35 e os 40 anos, aproximadamente um metro e oitenta de altura, compleição física de atleta, cabelo castanho de corte médio.

Este é o retrato robot do homem que ameaçou um deputado da Assembleia da República com uma pistola. Vítor Pereira, que também é deputado na Câmara da Covilhã, foi ameaçado por volta da meia-noite, ao chegar a casa, situada num local isolado.

O indivíduo estava à espera dele num carro preto e fez-lhe sinal de luzes para se aproximar. O deputado que exerce advocacia julgou tratar-se de um cliente, mas quando abriu o vidro ouviu a ameaça «vê se paras de meter o nariz nos assuntos do urbanismo da câmara da Covilhã».
Kaminhos 13Fev08

Nao acredito em bruxas. Pero que lASAE... lASAE



ASAE fecha fábrica de refrigerantes na Guarda
Pode ser o fim da empresa e desemprego para os 13 funcionários

A fábrica de refrigerantes Sepol, sedeada na Guarda, na Avenida Afonso Costa, está com a produção suspensa desde 22 de Janeiro, por determinação da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) e pode já não reabrir, admitiu hoje fonte da empresa.
Segundo o sócio-gerente Carlos Soares, a unidade fabril suspendeu a actividade por decisão da ASAE que, numa inspecção, encontrou "deficiências na empresa, fundamentalmente ao nível estrutural do edifício".

O responsável admitiu que a medida pode representar "o princípio do fim" da empresa que laborava desde 1969 e lançar 13 funcionários para o desemprego, que já estão sem trabalho desde aquele dia.

"Tivemos uma visita da ASAE e os inspectores entenderam que havia deficiências na empresa, fundamentalmente ao nível estrutural do edifício, que não permitia boas condições para a laboração", disse Carlos Soares.
Segundo o sócio-gerente, a inspecção da ASAE apontou problemas ao nível do pavimento, pintura, a existência de alguns vidros partidos no armazém, o facto de uma das portas não estar devidamente isolada e de a ligação entre a sala de máquinas e um dos armazéns não estar isolada.

Entre outros aspectos, os inspectores também assinalaram que as instalações do sector alimentar não se encontravam devidamente limpas e não permitiam a manutenção e/ou desinfecção adequada.

Esta última situação é rejeitada pelo empresário que garante que "era tudo higienizado, todos os dias".
Carlos Soares lamenta a decisão da ASAE, que decidiu pela suspensão imediata da laboração em vez de dar um determinado período de tempo para que as anomalias verificadas fossem corrigidas.
"Davam-nos um tempo para regularizar alguma coisa que estivesse menos bem, um mês ou dois meses e, se não o fizéssemos, então fechavam", disse.
A empresa vai argumentar a notificação da ASAE, considerando que "a fiscalização existe para prevenir e corrigir", rejeitando por completo a deliberação relativa à suspensão da laboração.
Manuel Lage, o porta-voz da ASAE, disse hoje à Lusa que "houve uma suspensão de actividade face à falta de condições técnico-funcionais, porque as instalações estavam muito degradadas e essa situação também provocava algumas situações de falta de asseio e higiene".
O mesmo responsável indicou que a fábrica "não pode produzir mais, enquanto não forem corrigidas as anomalias", mas está a escoar a produção que possuía em stock.
Entretanto, segundo o administrador da Sepol, a empresa já pagou o salário do mês de Janeiro aos operários e a sociedade decidirá o que fazer no futuro, admitindo que "será muito difícil" reabrir a fábrica, pois nos últimos anos já conhecia alguns problemas de ordem financeira. A fábrica de refrigerantes Sepol estava a laborar desde 1969, sendo a única unidade do género ainda existente no distrito da Guarda.
Produzia refrigerantes, licores e groselha e tinha clientes em vários pontos do país, com especial incidência na Beira Interior, Região Centro, Trás-os-Montes e Grande Lisboa. Kaminhos 13Fev08

Não acredito em bruxas. Pero que lASAE...lASAE


A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) ‘aconselhou’ a centenária fábrica das amêndoas de Portalegre a encerrar as portas, por falta de espaço, disse hoje a proprietária da unidade, Joaquina Vintém
«A ASAE exigiu que a fábrica tivesse mais espaço para poder laborar e nós não temos para já essas condições. Por isso, aconselhou-nos a encerrar», declarou.

A empresa, que trabalhava sazonalmente, já cessou a actividade junto dos serviços de finanças de Portalegre.
As amêndoas de Portalegre, produzidas de forma artesanal, constituem um dos ‘cartões de visita’ da região, sobretudo na época da Páscoa.
Todos os anos, pela época do Carnaval, Joaquina Vintém, também conhecida pela confecção de doçaria conventual, começava a trabalhar nas amêndoas pascais, com grande procura na Grande Lisboa e no Grande Porto.
«Ainda solicitei aos agentes da ASAE se poderia fazer, em menor quantidade, umas amêndoas para agradar aos clientes e para que a tradição não se quebrasse, mas a resposta foi negativa», lamentou.
No entanto, a única família da região de Portalegre que fabrica as tradicionais amêndoas promete não baixar os braços e, talvez, segundo Joaquina Vintém, regresse já no próximo ano à laboração.
Um dos filhos de Joaquina Vintém prevê construir, na zona industrial da cidade, uma fábrica para produzir doces conventuais, que poderá integrar a produção das tradicionais amêndoas de Portalegre.
Enquanto as amêndoas de Portalegre não regressam ao mercado, Joaquina Vintém promete guardar o segredo da produção deste doce a «sete chaves».
Confeccionadas à base de amêndoas provenientes de amendoeiras da região, este doce, confeccionado em redor de duas caldeiras aquecidas (género betoneiras), era unicamente produzido pela empresária e o marido.
Nessas caldeiras, que rodam sem parar cerca de oito horas, tempo que dura a produção, o casal colocava açúcar e chocolate suficiente até a amêndoa ganhar a textura e o seu tamanho normal.
As caldas eram produzidas à parte, em tachos de cobre.
No ano passado, as amêndoas de Portalegre tinham um preço de mercado de dez euros o quilograma, sendo também comercializadas em pacotes de 250 gramas.
Lusa / SOL

Regresso à zona de combate...


Trinta e cinco anos depois os antigos inimigos vão encontrar-se na Guiné, a propósito de um simpósio internacional sobre o Guiledje, que vai pôr portugueses, guineenses e combatentes de outras nacionalidades a debater o episódio que marcou a mais violenta guerra do Ultramar.Devido à sua importância estratégica, a região do Guiledje, no Sul da Guiné-Bissau, junto à fronteira com a Guiné-Conacri, foi desde o início da guerra uma das mais disputadas. Aí se travaram alguns dos combates mais sangrentos.Em Maio de 1973, as tropas do PAIGC lançaram uma grande ofensiva militar contra o aquartelamento português do Guiledje.

Ao fim de cinco dias de bombardeamento, o comandante Coutinho e Lima – contrariando ordens expressas do comandante-chefe e governador da Guiné, general António de Spínola – manda evacuar o quartel. Cerca de seiscentas pessoas, entre militares e civis, fogem para Gadameal, outra guarnição portuguesa ali próxima, com as tropas do PAIGC, comandadas por Nino Vieira, no seu encalço. O cerco a Gadamael Porto dura vários dias, mas as tropas portuguesas resistem, muito por acção dos reforços enviados por Spínola, sob a liderança do capitão Manuel Monge.A posição de Guiledje nunca mais foi recuperada pelos portugueses. O episódio foi um ponto de viragem na guerra. A vitória militar tornou-se uma miragem para os portugueses e Spínola tentou, em vão, convencer Marcelo Caetano a negociar a paz com o PAIGC. Só o 25 de Abril de 1974 e a consequente retirada salvou as Forças Armadas portuguesas de uma derrota militar.

Luís Graça, antigo furriel miliciano que combateu na Guiné, lançou em 2005 um blogue que junta testemunhos de ex-combatentes dos dois lados do conflito. O autor vai participar no simpósio sobre o Guiledje: “É um momento bonito. Não vamos celebrar a derrota de ninguém mas antes a vitória de dois povos”.
Em http://www.blogueforanadaevaotres.blogspot.com pode ver fotos e testemunhos sobre o Guiledje e a guerra na Guiné.

O furriel miliciano de Operações Especiais, José Casimiro CaLrvalho, desenhou para o blogue de Luís Graça um croqui do quartel de Guiledje antes de ser atacado.


SIMPÓSIO HISTÓRICO EM BISSAU
Começa no próximo dia 29 o Simpósio Internacional sobre o Guiledje, a decorrer na Guiné-Bissau até ao dia 7 de Março. O programa inclui visitas aos locais onde portugueses e guineenses combateram, seguidos de cinco dias de debates na Assembleia Nacional, em Bissau. Além de ex-combatentes de Portugal e da Guiné, destaca-se a participação de delegações de Cuba e de Cabo Verde, dois países que também participaram na guerra.

CUBA EXPLICA A SUA PARTICIPAÇÃO NA GUERRA
Óscar Aramas, antigo embaixador de Cuba na Guiné-Conacri vai a Bissau explicar a contribuição do país de Fidel Castro para a luta armada do PAIGC contra os portugueses.

ESTIMULAR O TURISMO DA SAUDADE
Carlos Schwartz quer pôr Guiledje e a região de Cantanhez nas roteiros de férias dos portugueses que passaram os melhores anos da sua juventude na Guiné-Bissau.
ONG QUER RECONSTRUIR QUARTEL DE GUILEDJE
Os violentos combates e o abandono a que o sítio foi votado depois da guerra deixaram o quartel de Guiledje em ruína. A ONG AD quer fazer ali um museu e uma escola."AS PAZES JÁ ESTÃO FEITAS" (Carlos Schwartz, Organizador do simpósio)Correio da Manhã – Como surgiu a ideia de fazer o simpósio sobre Guiledje?– Carlos Schwartz – A nossa ONG (a AD – Acção para o Desenvolvimento) trabalha há 16 anos na região de Guiledje e cedo nos apercebemos de que o desenvolvimento deve passar pela componente histórica e cultural. Pretendemos fazer uma ponte entre o passado e o futuro, reerguendo o quartel do Guiledje para aí instalar um núcleo museológico e uma escola para os jovens.– É também um pretexto para reaproximar os antigos inimigos? – Um dos nossos objectivos é promover o reencontro dos protagonistas da guerra – portugueses, guineenses, cabo-verdianos e cubanos. A própria comunidade local quer rever os portugueses com que viveram. Os guineenses nunca guardaram rancor ao povo português e há um desejo de reencontro. As pazes já estão feitas.

HISTÓRIAS DRAMÁTICASO QUARTEL DOS MORTOS VIVOS
João António Tunes, alferes miliciano de Transmissões, conta a história do tenente aviador Aparício, o único piloto que aceitava aterrar o Dornier em Guiledje. Era um homem alegre , mas voltava sempre carrancudo quando aterrava naquela pista. “Indolentemente, alguns soldados montaram segurança à Dornier. Sem dirigirem palavra aos recém-chegados. Rostos fechados, olhares distantes e desinteresse ostensivo. O tenente Aparício não queria sair do avião pois tinha de regressar a Bissau enquanto era dia. Só deu tempo para descer e tirar a carga destinada a Guiledje. A guarda estava montada, G3 carregadas ao ombro, nada mais. Nenhum oficial ou graduado apareceu e os soldados da guarda não falavam (...) Os militares em Guiledje queriam lá saber das peças e dos acessórios. Inclusive, não mostravam qualquer interesse em ler as cartas dos familiares. Queriam lá saber da família. Ali, naquele sítio, nada interessava. Se calhar, já nem estavam interessados em sair dali. Talvez porque achassem que já não eram pessoas mas ratos metidos dentro de uma ratoeira, destinados a apanhar porrada, só apanhar porrada.

”ENCONTRO DE DOIS AMIGOS COM FARDAS DESAVINDAS
Mário Dias, comando português, fez a instrução militar com o guineense Domingos Ramos e ficaram grandes amigos. Domingos desertou para o PAIGC. Um dia, encontraram-se em plena selva: “De repente, ouvimos pessoas a conversar e o ruído característico de movimentação. Querendo observar melhor o que se estava a passar, ergui-me acima do arbusto que me ocultava. Foi então que aconteceu. Do outro lado, a cerca de vinte ou trinta metros, um vulto ergueu-se também e olhou na minha direcção. Espanto dele! Espanto meu! Era o Domingos Ramos. Ficámos ambos como petrificados. Não falámos, apenas nos limitámos a sorrir e houve como que uma espécie de telepatia. Mas, mesmo sem falar, as expressões de contentamento de ambos (espero que ele tenha entendido que também eu estava contente com o inesperado mas feliz encontro) tornaram mágicos aqueles breves momentos que jamais esquecerei. Mas era preciso regressar à terra. De imediato ouvi as suas ordens: “Nó bai, nó bai”. E desapareceu na densa mata. Voltei para trás, para junto do resto do grupo: “– Não há problema. Era um pequeno grupo mas já fugiram.” CM Segunda-feira, 25 de Fevereiro de 2008

*Estas e mais histórias em http://blogueforanada.blogspot.com

sábado, 9 de fevereiro de 2008

o "onze de setembro" ainda não acabou!


Voos da CIA: PGR investiga relatório da Reprieve

É uma notícia Rádio Clube. A Procuradoria Geral da República está a investigar o relatório da organização britanica de direitos humanos Reprieve que garante que mais de 700 prisioneiros foram transportados ilegalmente para a base norte-americana de Guantanamo, através do espaço aéreo português. A Procuradoria quer saber se há ilícito penal nas informações tornadas públicas, em Janeiro, sobre os alegados voos da CIA e por isso, está a analisar o relatório ao pormenor. De acordo com a Reprieve, mais de 700 prisioneiros foram transportados, ilegalmente, para Guantanamo com a ajuda de Portugal. Pelo menos 94 voos passaram pelo espaço aéreo português, entre 2002 e 2006.


O Bloco de Esquerda e o PCP querem que as investigações sejam também feitas pelo Parlamento e querem, por isso, criar uma comissão de inquérito, para esclarecer se o Governo tem ou não responsabilidades no transporte ilegal de prisioneiros para Guantanamo.A proposta é discutida esta manhã.Para o deputado do Bloco, Fernando Rosas, impõe-se o inquérito parlamentar. Na opinião de Fernando Rosas, o Governo tem tido uma atitude passiva, neste caso, até porque as suspeitas sobre os voos da CIA já têm mais de um ano. No entanto, nada aconteceu até agora.A comissão de inquérito, já se sabe, vai ser chumbada pela maioria socialista. RCP 08-02-2008 08:26h

manchete do CM:
Carlos César admite escala de aviões da CIA
noticia:
Em entrevista ao programa "Diga Lá, Excelência", da Rádio Renascença e do PÚBLICO, na RTP2, Carlos César afirmou desconhecer qualquer "documento que ateste de forma fidedigna" a passagem de aviões dos serviços secretos pela Base das Lajes, na ilha terceira. "Em relação às questões que têm a ver com o trânsito na Base das Lajes ou em outros aeroportos portugueses de eventuais prisioneiros de Guantanamo, eu, como presidente do Governo regional, ignoro por completo um único documento que ateste de forma fidedigna que isso aconteceu", afirma o governante socialista na entrevista que será publicada na edição de domingo do PÚBLICO e transmitida no mesmo dia às 12H00 pela Rádio Renascença e à noite pela RTP2. CM 090108
( na realidade Carlos César apenas admite, "no domínio das probabilidades", que os aviões que transportaram prisioneiros em Guantanamo possam ter sido abastecidos de combustível "nos Açores ou no Continente", à semelhança do que acontece com aviões civis... mas o CM tem que vender!!! )