sábado, 10 de maio de 2025

O Papel do CHEGA no Cenário Político Português numa Análise das Perspectivas Actuais

Nos tempos recentes, a paisagem política em Portugal tem se mostrado complexa e cheia de nuances. O partido CHEGA, liderado por André Ventura, emerge como uma peça central em debates e discussões sobre o futuro governo. Neste texto tento explorar as razões que colocam o CHEGA nesta posição de destaque e as possíveis implicações para o país.
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Desde a sua fundação em 2019, o CHEGA tem sido caracterizado por uma ascensão meteórica. Seu discurso populista e nacionalista atraiu uma base de eleitores descontentes com os partidos tradicionais, em especial o Partido Socialista (PS) e o Partido Social Democrata (PSD). Em eleições recentes, o CHEGA conseguiu consolidar sua posição como uma força política relevante, aumentando sua representação parlamentar e influenciando o debate público.
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O CHEGA defende uma plataforma centrada em políticas de segurança, justiça e imigração. Propõe medidas rigorosas contra a corrupção, uma abordagem mais dura contra o crime e reformas extensivas no sistema judicial. Além disso, o partido adota uma posição crítica em relação à União Europeia, promovendo uma visão de soberania nacional.
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O panorama actual sugere que o PSD pode emergir como o maior partido nas próximas eleições. No entanto, as previsões indicam que o PSD não conseguirá formar um governo sozinho, mesmo com o apoio da Iniciativa Liberal (IL). Isto cria uma situação onde o CHEGA pode se tornar um aliado indispensável para a formação de um governo de direita.
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Os analistas políticos destacam que o PSD enfrenta um dilema significativo. Se por um lado, aliar-se ao CHEGA pode garantir a maioria necessária para governar, por outro, isso pode trazer consequências negativas. A associação com um partido de extrema direita pode afetar a imagem do PSD e alienar eleitores moderados. Este impasse coloca o PSD frente ao problema que tentou evitar: governar sem o CHEGA pode ser impossível, mas governar com ele pode ser arriscado.
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Os mídia tem tentado apresentar a IL como uma alternativa viável para o PSD, numa tentativa de minimizar a influência do CHEGA. No entanto, essa estratégia parece insuficiente perante o cenário cada vez mais provável da necessidade de uma coligação com o CHEGA. Políticos e analistas reagem de diversas maneiras: alguns optam pelo silêncio, enquanto outros reconhecem a complexidade da situação, mas não oferecem soluções claras.
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Implicações para o Futuro
As implicações deste cenário são profundas. Uma coligação entre PSD e CHEGA pode redefinir o espectro político em Portugal, com potencial para mudanças significativas nas políticas internas e nas relações internacionais. O impacto nas eleições futuras e na estabilidade política é uma questão que merece atenção.
O papel do CHEGA no cenário político português não pode ser subestimado. O partido tem-se tornado uma peça chave nas discussões sobre o futuro governo, e as decisões tomadas pelos principais partidos em relação ao CHEGA terão consequências duradouras. Portugal encontra-se num momento crítico, onde as escolhas feitas hoje moldarão a trajetória do país nos próximos anos.

tendências atuais do eleitorado português

Factores como idade e nível de escolaridade influenciam as preferências partidárias?
🟦 Partido Socialista (PS)
· Idade: Predominância entre os eleitores com 65 anos ou mais, representando 39% do seu eleitorado. PÚBLICO+4Ultraperiferias+4SIC Notícias+4
· Escolaridade: Maior apoio entre os eleitores com níveis de escolaridade mais baixos; 40% dos que não completaram o 3.º ciclo de ensino manifestam intenção de voto no PS. PÚBLICO+1PÚBLICO+1
🟨 Aliança Democrática (AD – PSD/CDS)
· Idade: Eleitorado distribuído de forma relativamente uniforme entre as faixas etárias; cerca de 24% dos eleitores com 65 anos ou mais. Ultraperiferias
· Escolaridade: Maior apoio entre os eleitores com ensino superior; 29% dos licenciados manifestam intenção de voto na AD.
🟥 CHEGA
· Idade: Predominância entre os eleitores com idades entre 35 e 64 anos, representando 62% do seu eleitorado. PÚBLICO+1PÚBLICO+1
· Escolaridade: Maior apoio entre os eleitores com ensino secundário completo; 23% dos eleitores com este nível de escolaridade manifestam intenção de voto no Chega. Visão+1Ultraperiferias+1
🟪 Iniciativa Liberal (IL)
· Idade: Predominância entre os eleitores com idades entre 18 e 34 anos, representando 51% do seu eleitorado. PÚBLICO
· Escolaridade: Maior apoio entre os eleitores com ensino superior; 66% dos seus eleitores têm formação universitária. Visão
🟩 Bloco de Esquerda (BE)
· Idade: Predominância entre os eleitores com idades entre 18 e 34 anos.
· Escolaridade: Maior apoio entre os eleitores com ensino superior; 42% dos seus eleitores têm formação universitária.
🟫 CDU (PCP/PEV)
· Idade: Predominância entre os eleitores com 65 anos ou mais. SIC Notícias
· Escolaridade: Maior apoio entre os eleitores com níveis de escolaridade mais baixos; 36% dos seus eleitores não completaram o ensino secundário. Ultraperiferias+2Visão+2PÚBLICO+2
🟧 PAN
· Idade: Predominância entre os eleitores com idades entre 18 e 34 anos.
· Escolaridade: Maior apoio entre os eleitores com ensino superior; quase metade dos seus eleitores têm uma licenciatura. Visão
🟨 Livre
· Idade: Predominância entre os eleitores com idades entre 18 e 34 anos.
· Escolaridade: Maior apoio entre os eleitores com ensino superior; 60% dos seus eleitores frequentaram a universidade. Visão


quarta-feira, 7 de maio de 2025

Estão a fazer de nós parvos! O que efetivamente mudou?

Desde há cerca de um ano, que o Chega tem sido o partido mais veemente na defesa do controlo rigoroso da imigração em Portugal. André Ventura acusou recorrentemente o Governo de “eleitoralismo” por não levar a sério propostas como quotas de entrada ou referendos sobre imigração, sublinhando que “estávamos a atingir números impossíveis de sustentar para o país” e que o Chega temia este tema sozinho no Parlamento. Nessa altura, tanto deputados dos alegados partidos tradicionais como comentadores e “auto-denominados jornalistas” acusaram o Chega de xenofobia e racismo, isolando-o no debate público.

Mas no passado dia 3 de maio de 2025, o líder do PSD, Luís Montenegro, anunciou publicamente que “os imigrantes ilegais vão ter de sair de Portugal”, referindo-se a um primeiro grupo de 4 574 cidadãos estrangeiros notificados para abandonar o território nacional, entre um total de 18 000 indeferimentos já decididos pelo SEF. Esta declaração marca uma clara aproximação às propostas que até aqui eram exclusivas do Chega, numa área onde o PSD se mantivera reticente.
Vários elementos explicam esta mudança de postura. Em primeiro lugar, os números oficiais vieram intensificar a percepção de crise: o aumento substancial de pedidos de autorização de residência e as notificações para saída voluntária estão a alimentar uma narrativa de “pressão migratória insustentável”. Em segundo lugar, dados de sondagens recentes — que colocam a imigração como uma das principais preocupações dos eleitores — colocam pressão sobre o PSD para não perder votos para o Chega.

Com as eleições legislativas agendadas para 18 de Maio, o PSD tem apelado ao “voto útil” na Aliança Democrática, argumentando que só assim se evitará um governo frágil e “arrependimentos” num eventual dia seguinte às eleições. Ao adotar o tema da imigração, Montenegro procura não só esvaziar o discurso do Chega, mas também consolidar a imagem de partido que “ouve o país” e se adapta rapidamente às prioridades sentidas pelos eleitores.
Este reposicionamento do PSD suscitou críticas por parte de adversários políticos que acusam Montenegro de “trumpetizar” o seu discurso — numa alusão ao estilo populista de Donald Trump — e de normalizar posições anteriormente marginalizadas como xenófobas. Observadores destacam que a adoção destas teses de segurança e controlo reforça um padrão em que partidos tradicionais absorvem agendas de extrema-direita para reter eleitores numa corrida ao centro-direita radical.

O que efetivamente mudou?
A consolidação deste eixo PSD–Chega em torno da imigração tende a deslocar o debate político para a direita, diminuindo a voz de propostas de integração e solidariedade que também ganharam terreno em anos recentes. Ao ver o seu discurso legitimado por um grande partido, Ventura poderá usar a sua posição para exigir mais medidas duras, sabendo que, qualquer que seja a iniciativa legal, o PSD dificilmente resistirá.
O que mudou foi sobretudo a percepção de urgência política: o PSD sentiu-se pressionado pelos números e pelas sondagens, e reagiu para não perder terreno eleitoral para o Chega. Ao fazê-lo, transformou um tema até aqui visto como domínio de um partido marginal num ponto central da sua campanha. A verdadeira batalha política passou, assim, de um confronto ideológico PSD vs. PS para um embate directo PSD vs. Chega na agenda da imigração — e não mais apenas na “linha vermelha” que Montenegro traçava contra a "extrema-direita".

segunda-feira, 5 de maio de 2025

O que é que ele sabe e nós não sabemos?

Aníbal Cavaco Silva deu esta semana um apoio público a Luís Montenegro que, de facto, não teve em nenhum dos dois líderes do PSD anteriores — Durão Barroso e Pedro Passos Coelho — nas campanhas em que saíram vencedores.
Numa entrevista à Rádio Renascença no dia 2 de maio, afirmou que, após “uma análise cuidada”, concluiu que Luís Montenegro “tem qualidades claramente superiores em matéria de competência técnica e política, em matéria de capacidade de liderança do Governo e de defesa dos interesses portugueses na União Europeia” e que “não fica atrás de nenhum dos outros líderes partidários no que se refere à dimensão ética na vida política”– Prometeu também publicar brevemente um texto onde explicará em detalhe os fundamentos dessa avaliação.
Porque para Cavaco Silva que foi líder histórico do PSD e Presidente da República o seu silêncio — ou neutralidade — costumava ser norma em campanhas internas ou legislativas, um pronunciamento tão claro traduz, por isso, uma preocupação atípica com o desfecho eleitoral.
O apoio de Cavaco serve como um contrapeso direto a essas críticas, dando-lhe um selo de aprovação ética vindo da “casa-mãe” do partido.
Embora a previsão seja de vitória de Montenegro, o seu reforço junto dos indecisos e demais eleitores de centro-direita pode ser decisivo para assegurar uma maioria estável e limitar ganhos de partidos como o Chega.

Comparando com Barroso e Passos Coelho
Durão Barroso (2002, 2004): Cavaco tinha sido então Primeiro-Ministro (1985–1995) e, como Presidente da República (2006–2016), manteve distância das campanhas internas do PSD e não fez declarações públicas de apoio a Barroso nas legislativas de 2002 ou 2004.
Pedro Passos Coelho (2011): Tal como Barroso, beneficiou de redes de influência, mas nunca de um endosso pessoal tão explícito de Cavaco enquanto Presidente ou, depois, como ex-chefe de Estado.
O que isto nos diz sobre a percepção interna do PSD?
A disponibilidade de Cavaco para intervir num momento de campanha sugere que, internamente, há receio de que a AD se fragilize face às controvérsias recentes.
Ao destacar “competência”, “liderança” e “ética”, ele tenta consolidar o eleitorado mais tradicional do PSD e, simultaneamente, apelar a independentes e moderados que possam hesitar devido ao caso Spinumviva ou ao reforço do Chega.

domingo, 4 de maio de 2025

Maria Leonor


 

a questão dita de aproximação da AD ao Chega!

Há pouco mais de um ano, Passos Coelho participou na campanha da AD. Falou de imigração e segurança e foi um escândalo, com direito a polígrafos, indignações e fact check.
mas hoje
São estes os títulos que sobressaem daquele que é oficialmente o primeiro dia de campanha.
“”
A autora escreve: 
“Desconheço as convicções de Montenegro e creio que muitos portugueses partilham da minha ignorância. Mas é óbvio que ou Montenegro consegue captar os eleitores do PSD que passaram para o Chega ou acabará a asfixiar o PSD dentro das linhas vermelhas que ele mesmo desenhou, arriscando-se ele, ou quem então liderar o PSD, a ouvir de André Ventura aquilo que os Conservadores britânicos estão a ouvir de Farage: “Agora somos nós o principal partido da oposição”. As linhas vermelhas e o “não é não” são tácticas de grandes partidos mas o PSD não só já não é um grande partido como vive sob o espectro de deixar de ser o grande partido da direita. Ironicamente enquanto o decréscimo da esquerda mantém e reforça o PS como grande partido da esquerda, o crescimento da direita, antes pelo contrário, tem fragilizado os sociais-democratas pois esse crescimento da direita é o resultado do aparecimento de um forte concorrente do PSD, o Chega.”
(Maria Helena Matos)

sábado, 3 de maio de 2025

O apagão, em plena pós-comemoração cinquentenária

O apagão de 28 de Abril (que começou por ser um ciberataque à Europa de Van der Leyen e Macron perpetrado pela dupla Trump-Putin, ou só pelos “russos” ou, quem sabe, pelos “chineses”, a justificar todos os kits de sobrevivência recomendados, e que acabou, por enquanto, por ter como explicação oficial uma enigmática convergência de altas tensões) foi uma demonstração do grau de dependência, impreparação para a contingência e marginalidade do nosso país. Uma dependência e marginalidade justificadas pela política do melhor preço e ajudadas pelas políticas de “urgência climática” que nos levaram a fechar ou a congelar centrais eléctricas.

Três dias antes tínhamos tido a celebração do que também já vai sendo para muitos um insistente apagão: a omissão de certas verdades, números e realidades em mais um aniversário do 25 de Abril, o 51º. Neste, porém, houve um acontecimento inédito – o reconhecimento e aplauso entusiástico de grande parte da classe jornalística e comentatorial à actuação da Polícia.

Já não era sem tempo. Mudam-se os termos, mudam-se as verdades. Não longe daquela rua do Bem-Formoso onde, há semanas, os polícias da PSP obrigavam uma série de pacíficos imigrantes a voltarem-se contra a parede em nome de um falacioso controle à criminalidade e à irregularidade, numa evocação de cenas terminais do gueto de Varsóvia, os mesmos polícias desancavam à cacetada umas dezenas de perigosos neonazis. E, desta vez, muito bem, porque, desta vez, era em nome da ordem democrática e contra a extrema-direita que o faziam. Contra a extrema-direita, não, contra a extremíssima direita, porque de extrema-direita já era o Chega, como já foram e como também o vão sendo, à medida das conveniências, o CDS ou o PSD de Passos Coelho. Mas parece que estes, os que deram para o torto, estavam mesmo ainda mais à direita do que essa extrema-direita toda.
Por isso os jornalistas e comentadores aplaudiram a Polícia. A manifestação estava proibida, a direita à direita da direita mais extrema insistiu em fazê-la, provocando os democratas que celebravam Abril e os contramanifestantes Antifas, que antevendo a insistência dos extremistas e a alta tensão que geraria ali tinham acorrido para assumir moderadamente a vanguarda da defesa da democracia… ao que a Polícia interveio, de capacete e couraça, para os poupar ao trabalho.
Enfim, é urgente defender a democracia, ameaçada pelo voto popular em seres próximos destes trauliteiros; e fazê-lo antes que seja preciso recorrer ao sistema da Roménia, onde para parar o Georgescu teve o Tribunal Constitucional de anular a eleição. O que, sendo justo e necessário, não deixa de ser embaraçoso.
É que, agora que se cumpriram oitenta anos sobre a morte de Hitler e da derrota do nazismo, parece que há reencarnações. Na opinião subtil de um prelado português, Hitler terá mesmo escolhido os Estados Unidos para reencarnar… e não é que os americanos foram escolher para presidente em 5 de Novembro passado a reencarnação de Adolfo?
Os estragos eram inevitáveis. Só não destruiu a ordem liberal internacional porque a mesma já estava em agonia antes da sua reeleição. E os americanos, não contentes com o lapso da eleição, parece que continuam a apoiá-lo, mesmo depois de 100 dias de altas tensões e desatinos.
De qualquer forma, estava-se tão bem na Europa, na América, no Médio Oriente, no mundo… e agora isto, obra de um só homem, obra exclusivamente da Direita, que é sempre extrema. Antes que este desvio e desvario popular chegue a outros povos na Europa, convém prevenir, exactamente para não ter de remediar. É que à certeza da interferência russa, junta-se agora a certeza da prepotente interferência (ou da cruel indiferença) americana.
Quem nos informa sabe do que fala e diz que assim é. E não há que duvidar da cultura e da perspicácia de alguns dos que nos informam: houve até uma jornalista que, lendo os escritos do Papa Francisco, louvou o seu humor ao comparar a dificuldade de “um rico entrar no reino dos Céus, com a de um camelo passar pelo buraco de uma agulha.”
Pobres ricos, pobres camelos, pobres pobres, pobres de nós, os informados e formados por quem passa pelos buracos, pelos vistos bem largos, das agulhas da instrução e da cultura geral.
Às vezes parece não ser possível conter, refrear, por um lado a máquina da propaganda (que há cinquenta e um anos nos assegura a bondade e excelência do regime e nos garante a perenidade dos seus princípios e da sua classe política), por outro, a ignorância de alguns dos porta-vozes desta nomenclatura partidária tecnoburocrática e dos seus instrumentos mediáticos (que os torna orgulhosamente convictos das fantasias que repetem).
De resto, já nem vai sendo preciso que nos assegurem e se assegurem da bondade e da integridade de alguns políticos, porque parece ter-se já perdido, de forma generalizada, aqueles mínimos de pudor, ou até de hipocrisia, que eram, segundo Santo Agostinho, “a última homenagem que o vício prestava à virtude”.
Isto vê-se, por exemplo, na ousadia de alguns dirigentes que já se permitem declarar, em voz alta e pública, que a direita deve ter cuidado com o modo como quer restringir os direitos dos imigrantes porque estes, “em cinco anos vão ter a nacionalidade e o direito de voto, e os seus filhos já nascem portugueses”. Já não há, assim, grande lugar para dúvidas quanto à “substituição populacional” que a própria Esquerda vem admitir como objectivo… mais eleitoralista do que humanista.
É ver a reportagem da Now sobre os arrendamentos em Lisboa de lojas de conveniência, capa para lavagem de dinheiro e para outros negócios, como o tráfico humano, de que os imigrantes que por cá passam são as principais vítimas, tudo com a conivência interessada, a vista grossa ou negligência danosa do Estado português, sob uma retórica de bons sentimentos.
Combater este dolo muito real – a cumplicidade no tráfico e no crime a par da perda de identidade nacional, a nossa e a de outros Estados europeus, com os picos de alta tensão que prometem – e criar planos de contingência deviam ser das grandes preocupações políticas do presente. Porque uma coisa é certa: apagar, obscurecer ou distorcer a realidade para glorificação do regime não é, nunca foi nem nunca será um bom caminho para a enfrentar.
O apagão, em plena pós-comemoração cinquentenária, devia-nos fazer pensar nisso.