sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

A Direita que se Exclui a Si Própria

ou quando o medo vale mais do que a Reforma

As presidenciais terminaram como o regime precisava que terminassem: com longas dissertações estatísticas destinadas a provar que André Ventura, não sendo Presidente da República, também não era “o líder da direita”.
Foram serões desperdiçados em aritmética política, como se a política fosse uma "folha de Excel" e não um problema de poder, direcção e estratégia.
O artigo de Rui Ramos no Observador (https://observador.pt/opiniao/quem-e-o-lider-da-direita/) desmonta essa fraude conceptual: liderança não se mede apenas por percentagens. Mede-se pela capacidade de resolver o problema central do seu campo político.
E o problema central da direita portuguesa não é Ventura. É a incapacidade estrutural de construir uma maioria reformista.
A fraude aritmética
V
entura não ter passado dos 33,2% pode ser um problema para Ventura. Mas ter chegado aos 33,2% é um problema para todos os que apostaram no seu desaparecimento.
O Chega não desapareceu. Enraizou-se.
O erro histórico
PSD, CDS e IL decidiram alinhar na narrativa antifascista fabricada pela esquerda. Julgaram que, banindo o Chega, herdariam os seus votos. Foi uma estratégia suicida.
Ao excluir o Chega, excluíram a única possibilidade de maioria reformista alargada. E ao excluírem essa maioria, excluíram-se a si próprios da sua missão histórica.
O duplo cadeado
A
eleição de António José Seguro fecha o ciclo: um cadeado parlamentar e um cadeado presidencial.
Em nome da responsabilidade, escolheu-se a impotência. Em nome da moderação, escolheu-se a irrelevância.
...e o lider?
A direita socialmente instalada prefere perder poder a perder respeitabilidade. Agora insulta de “cheganos” aqueles que perceberam que a direita conservadora tradicional já provou não ser solução.
O líder da direita será o que resolver o bloqueio reformista. A questão é política, não aritmética.
O Chega pode não ser ainda solução de governo. Mas a direita que o exclui já provou ser solução de nada.
O País quis mudar. A direita respondeu que não podia. A esquerda agradeceu.