“Sabemos que há um Davos público,
diferente do Davos privado. E é no Davos privado que os assuntos são
verdadeiramente debatidos, não no Davos público”
Este Davos secreto é feito de
encontros discretos em hotéis de luxo ou em pequenas salas de reuniões nos
corredores de um Palácio dos Congressos com segurança reforçada…quinta-feira, 21 de janeiro de 2016
quarta-feira, 20 de janeiro de 2016
O novo PREC (Processo de Reversão Em Curso)
A prazo, com a inevitável subida das
taxas de juro, voltaremos a chamar uma troika para nos salvar, tal como em 1983
tivemos de chamar novamente o FMI, quatro anos depois do fim do primeiro
resgate.
E voltarão a dizer-nos que, quando
estávamos no bom caminho, veio uma crise internacional e lixou tudo.
Infelizmente, [com a “saída limpa”] ao
contrário do que sucederia com um programa cautelar formal, deixámos de ter
quem nos vigiasse, estabelecesse limites e impusesse um caderno de reformas a
fazer.
O governo anterior agradeceu e, a
partir de 2014, trabalhou para ganhar as eleições, ao mesmo tempo que passava
uma imagem de responsabilidade. Ou seja, o governo andou em campanha durante
pelo menos um ano.
.
Ironicamente, é agora o governo de
Costa que beneficia da margem de manobra que este “programa cautelar” do BCE
lhe dá. Mas em vez de usar a usar para corrigir o que tem de ser corrigido,
indo mais longe onde é possível, como no ataque às rendas das PPP e de alguns
monopólios e oligopólios, limita-se a andar para trás, criando todas as condições
para que o passado recente se repita.
Num só ano, reverte
(parcialmente) a sobretaxa de IRS. Reverte o horário de trabalho da função
pública. Reverte os cortes salariais na função pública. Reverte privatizações
(ainda por cima, de empresas que davam imenso prejuízo). Reverte o IVA na
restauração. Reverte metade da Contribuição Extraordinária de Solidariedade,
que já só se aplicava a pensões acima de 4500€. Mais grave, reverte a discussão
que se começava a fazer sobre a sustentabilidade da Segurança Social..
.
É possível que tudo corra bem. Que
as taxas de juro continuem baixíssimas por muito tempo. Que o baixo preço do
petróleo continue a ajudar as nossas contas externas. Que os nossos parceiros
cresçam tanto que queiram comprar ainda mais o que produzimos.
terça-feira, 19 de janeiro de 2016
"justificar" as chorudas pensões que vão ganhar quando de lá sairem…
…o
Constitucional invocou
princípios constitucionais, importa perguntar onde fica o princípio da
igualdade. É que os ex-políticos não fizeram descontos que justifiquem, nem de
longe nem de perto, as pensões que recebem. Ao contrário do português comum que
tem de se "matar" durante uma vida de trabalho para conseguir uma
magra pensão.
se
calhar os juízes do Constitucional estão a criar as condições para
"justificar" as chorudas pensões que vão ganhar quando de lá saírem…
Trinta deputados que “nós”
elegemos subscreveram pedido de fiscalização junto do Tribunal que nos vai
obrigar a desembolsar mais de 15 milhões de euros. A lista integra:
do PS
Alberto Costa, Alberto
Martins, Ana Paula Vitorino, André Figueiredo, António Braga, Celeste Correia, Fernando
Serrasqueiro, Idália Serrão, João Barroso Soares, Jorge Lacão, José Junqueiro,
José Lello, José Magalhães, Laurentino Dias, Maria de Belém Roseira, Miguel
Coelho, Paulo Campos, Renato Sampaio, Rosa Maria Albernaz, Sérgio Sousa Pinto e
Vitalino Canas.
e do PSD
Arménio Santos, Carlos
Costa Neves, Correia de Jesus, Couto dos Santos, Francisco Gomes, Guilherme Silva,
Hugo Velosa, João Bosco Mota Amaral e Joaquim Ponte.
domingo, 17 de janeiro de 2016
acabou a austeridade?
Os contribuintes vão ter uma factura
de 11 mil milhões de euros a mais para que possa ser reduzida ou eliminada a
austeridade pós-resgate da troika!
porque, diz a UTAO:
«Ao invés de um défice abaixo dos 2%
do PIB no final de 2016, o Executivo de iniciativa socialista já aponta para um
deslize de 2,8% nas contas, um valor que obriga Portugal a aumentar os níveis
de endividamento em cerca de dois mil milhões de euros.
Este "ajustamento", que
contraria o previsto e proposto pelo anterior Governo de Coligação é
aparentemente “mais suave” mas vai repetir-se em 2017, 2018 e 2019, tornando
“necessário financiar o Estado em cerca de mais nove mil milhões de euros do
que o previsto em Outubro de 2015”».
Como diria o Pinto de Sousa "a
divida pública nunca é paga...é para ir pagando".
Assim prevejo que, se aprovado este
OE2016, no próximo ano teremos um governo a comunicar-nos que precisamos de
mais dois milhões e por isso a dívida ( e o controlo da UE) vai passar o 2020...2021,
etc...
.
mas olhando para o que dizem e
escrevem muitos dos comentadores e jornalistas (a que temos direito!) até
parece que o "virar a página às políticas de austeridade" do
Inominável Costa, é uma verdade insofismável…
terça-feira, 12 de janeiro de 2016
uma factura que pode chegar aos 3,6 mil milhões de euros.
Porquê?
Quem
pagou a maior parte da intervenção no BES foi a banca – e as novas regras
europeias ditariam o mesmo para o caso Banif, se este governo o tivesse vendido
após 1 de Janeiro. António Costa vendeu o Banif à pressa no Natal para proteger
a banca e oferecer a maior factura aos contribuintes: uma factura que pode
chegar aos 3,6 mil milhões de euros.
.
“Este é um caso inédito na história
financeira portuguesa. Deve-se fazer uma investigação judicial a todo o
processo de venda do Banif e comparar as alternativas que existiam”,
“No final de Novembro foi aberto um
concurso para a venda da posição do estado (60,5%) no Banif – através de uma
operação desenhada pelo próprio BdP – por ser necessário encontrar um
investidor que o capitalizasse. Tivemos vários interessados e conseguimos
quatro propostas válidas, que seriam apresentadas na semana de 13 a 18 (de
Dezembro).” Mas no dia 13 à noite tudo mudou: a TVI anunciou na televisão,
no seu site e em várias redes sociais que estava “tudo preparado para o
fecho do Banif”.
terça-feira, 5 de janeiro de 2016
(o que devemos reter de 2015) para perceber 2016
O fracasso da estratégia de Obama de
olhar para o lado.
O resultado foram mais guerras, mais
atentados e a maior vaga de refugiados a atingir a Europa ocidental.
Finalmente, Obama mandou os aviões. O próximo presidente enviará a infantaria.
E veremos o que fará perante a desordem entre a Arábia Saudita e o Irão.
.
O futuro nem sempre é tropical.
Durante alguns anos, enquanto os EUA
e a Europa ocidental patinavam na crise da dívida, o futuro pareceu residir
entre bambus e coqueiros.
Alguma coisa podia correr mal? Podia.
O Brasil, Angola, e a Venezuela – a
trilogia das nossas esperanças pós-europeias de há uns anos atrás — tremeram. A
nova classe média brasileira começou a ser comprimida pela inflação e
pelos impostos
.
Os populismos ocidentais.
Na Europa e nos EUA, porém, os
populismos xenófobos estão em ascensão. Já governam na Hungria e na Polónia,
afectam a governação no norte da Europa, e progridem nas eleições em França e
Inglaterra. Donald Trump representa a tendência nos EUA. Em comum, têm o
repúdio da globalização (migrações, quaisquer formas de cooperação ou de
integração económica), e o culto de Vladimir Putin. No Reino Unido, os
populistas terão em breve o referendo sobre a UE.
.
A esquerda não deixa governar, mas
também não governa.
António Costa, o PCP e o BE conseguiram
impedir o PSD e o CDS de governar. Mas não conseguem governar eles próprios, a
não ser para aumentar a despesa. O governo chefiado pelo grande derrotado das
eleições de 4 de Outubro terá de negociar com toda a gente, a todo o momento.
Temos o governo mais fraco deste regime. Não pensemos em reformas para
propiciar o investimento e viabilizar o Estado social.
.
Tal como a Grécia,
Portugal só mudará sob pressão. A crise é o novo modo de governo em países
incapazes de se reformarem.
(por Rui Ramos in Observador
)
domingo, 3 de janeiro de 2016
Para mais tarde recordar...
Marcelo Rebelo de Sousa: Será o próximo Presidente da
República. E será o mais activo e intervencionista de todos os Presidentes. Desde Mário Soares, será o único
Presidente sem nunca ter exercido funções executivas antes de chegar a Belém.
Alem disso, sobretudo se ganhar na primeira volta, terá uma legitimidade
política muito mais forte do que Costa. Nunca
São Bento foi tão pequeno em comparação com Belém. E Rebelo de Sousa é um homem
de poder.
Futuro líder do CDS: Não será nada fácil substituir o
líder, Paulo Portas, de maior sucesso na história do CDS. O título de
“candidato de Portas” será um presente envenenado e por isso deve ser
rejeitado. As leis do poder exigem que o novo líder se afaste imediatamente do
anterior. A viragem a esquerda da política nacional – com o PS aliado à extrema-esquerda e
o PSD empenhado em ocupar o centro – dá alguma margem de crescimento ao CDS.
Pedro Passos Coelho: A candidatura de ‘centro-esquerda’
de Rebelo de Sousa torna Passos Coelho o líder da direita em Portugal. Acredita
que voltará a São Bento e está preparado para passar dois anos a liderar a
oposição. Rebelo de
Sousa gostaria de o afastar da liderança do PSD, mas será difícil encontrar um
rival à altura. Após os terríveis anos da ‘austeridade’, terá que se reinventar
como líder político e preparar um programa político reformista para Portugal. E não há tempo a perder porque as
eleições poderão ser em Outubro.
António Costa: Entre a extrema-esquerda e a Europa, vai tentar dar
dinheiro aos portugueses para subir nas sondagens. Sabe que precisa de ganhar umas
eleições e, se acreditar que será possível vencer, provocará uma crise politica
para ir a eleições no final do ano. Se ganhar, tentará formar um governo de bloco central para
provar que o PS é o partido indispensável da democracia portuguesa. Mas depois da campanha desastrosa
para as últimas eleições, pensará duas (ou três) vezes antes de ir a votos.
Jerónimo de Sousa: Chegará ao fim de 2016 como líder
do PCP? Juntamente com Costa, o líder comunista constitui a maior ameaça à
sobrevivência da coligação das esquerdas. O PCP irá escolher friamente e sem quaisquer escrúpulos o
momento que lhe convém para ir a votos. Ultrapassar o BE será uma obrigação para Jerónimo de Sousa
ou para um outro futuro líder comunista. E quanto mais cedo, melhor.
Catarina Martins: Será a maior defensora do governo do PS e tudo fará
para que se cumpra toda a legislatura. O BE é o partido que tem menos interesse em ir a votos. Sabe que Costa só irá a votos quando
estiver convencido que reduzira o BE aos 5%. E precisa de quatro anos para
consolidar o poder do BE nas estruturas do Estado. O BE decidiu que quer ser um partido
de poder. O protesto é bonito, mas não chega.
(in Observador
por João
Marques de Almeida )
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